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25 de maio de 2009

Breve Catecismo da Sagrada Eucaristia e da Santa Missa

"Prezados leitores, salve Maria Santíssima!
Este Catecismo tem o intuito de ensinar brevemente a doutrina da Igreja sobre o Sacramento da Eucaristia e a Santa Missa para o povo em geral. Está baseado no Catecismo Romano, Catecismo da Doutrina Cristã, Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, em um Sermão de Santo Tomás de Aquino e no livro "Jesus, meu mestre" vol. III, da editora Paulinas, para o ensino da Religião Católica ao ensino ginasial, de 1961.
Que os leitores usem deste Catecismo breve para dá-los aos catequistas de Primeira Comunhão e Crisma, para distribui-lo aonde há adoração eucarística, e até mesmo incentivem os padres a usá-lo em suas paróquias no ensino e difusão da Fé católica"

"BREVE CATECISMO DA SAGRADA EUCARISTIA E DA SANTA MISSA

1) O que são os Sacramentos?

Segundo o Catecismo da Doutrina Cristã, os Sacramentos são “sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Jesus Cristo para santificar nossas almas”. Isso quer dizer que, tendo Jesus morrido na Cruz para pagar as nossas ofensas a Deus, criou também um meio para aplicar nas nossas almas os frutos da Salvação. Os Sacramentos são estes canais por onde Jesus nos concede as graças que brotaram do Calvário, e que nos devolvem a amizade com Deus, para a salvação e santificação de nossas almas.

Os Sacramentos são “sinais sensíveis” porque são realizados por meio de um elemento material, “eficazes” porque operam por si mesmos, independente da santidade do sacerdote que o administra, e “da graça” porque cada um deles nos transmite uma graça específica. Portanto, a nossa salvação depende dos Sacramentos, pois por eles Jesus nos concede os frutos e os efeitos da sua morte redentora.


2) O que seriam as graças que os Sacramentos nos concedem?

Cada Sacramento nos confere uma graça necessária para a nossa salvação, relacionado com o estado de vida de cada um. Devemos receber os Sacramentos porque, pelo pecado, ofendemos a Deus e recusamos a Sua amizade, frustrando a nossa salvação eterna. Os Sacramentos nos restituem a vida da nossa alma, chamada de graça santificante, que é o estado de amizade do homem com Deus, quando Deus mesmo passa a morar na alma de seus filhos. A graça santificante é recebida no Batismo e recuperada na Confissão sacramental quando cometemos pecado grave. Os demais Sacramentos atuam no aperfeiçoamento da vida espiritual, para que vivamos santamente e salvemos as nossas almas.


3) Quais os elementos constituintes de um Sacramento?

São três os elementos de um Sacramento: matéria, forma e um ministro que tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja quando administra este Sacramento. A matéria é o meio por onde opera o Sacramento, como no caso do Batismo, que é recebido por meio da água, ou da Crisma, que é pelo óleo. A forma são as palavras que o ministro profere sobre a matéria para que o Sacramento tenha efeito. Exemplo: no Batismo, ao derramar água sobre a cabeça da criança, o ministro diz “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Estas palavras constituem a forma do Sacramento. E o ministro é uma pessoa capaz de administrar aquele Sacramento em nome do próprio Jesus, recebendo dEle autoridade para tal. Para isso, Jesus deu à Igreja a Sagrada Hierarquia, composta de padres, bispos e o Papa, a fim de que eles, em nome do próprio Cristo, continuem a obra redentora até o fim dos tempos.


4) O que é o Sacramento da Eucaristia?

Cada Sacramento nos alcança uma graça própria. O Batismo nos recupera a amizade perdida com Deus por causa do pecado, a Crisma nos aumenta as virtudes do Espírito Santo e nos dá a coragem de testemunhar a Fé. Mas o Sacramento da Eucaristia, por sua vez, supera os demais, pois não só possui uma graça, mas também a presença real de Jesus Cristo por inteiro, Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, debaixo das aparências do pão e do vinho.


5) Quando Jesus instituiu o Sacramento da Eucaristia?

Ao cear com seus apóstolos, Jesus deu-lhes Seu Corpo e Sangue como alimento da alma, mandando que eles fizessem o mesmo, a fim de que os cristãos de todos os tempos e de todos os lugares pudessem se beneficiar com o banquete eucarístico.


6) A presença de Jesus na Hóstia consagrada é só simbólica?

Não. Distorcendo o Evangelho, a seita dos Protestantes diz que, na Última Ceia, Jesus apenas instituiu um símbolo, que não é o Seu Corpo e Sangue realmente, mas apenas uma lembrança dEle entre nós. Essa mentira se desfaz rapidamente quando se estuda as Sagradas Escrituras, pois símbolo era o maná, que alimentava o povo hebreu no deserto. Este pão simbolizava o verdadeiro pão da vida, porque, enquanto o maná alimentava o corpo, dando disposição para aqueles que caminhavam, assim também viria um Pão que alimentaria não o corpo, mas a alma, durante a peregrinação dos filhos de Deus para a Vida Eterna. Portanto, a Eucaristia não pode ser símbolo, porque Jesus veio para superar o Antigo Testamento e instituir uma Nova e Eterna Aliança com seus filhos. Como pode Jesus superar a Lei antiga dando outro símbolo? Pelo contrário! A Eucaristia está acima do maná do deserto, porque nos dá a verdadeira vida da nossa alma, que é Jesus. Por isso Ele disse: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Mas este é o pão que desceu do céu, para que aquele que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo, que desci do céu. Quem comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que eu darei, é a minha carne que será sacrificada para a salvação do mundo.” (João 6, 48-52).


7) Como pode a Eucaristia ser o Corpo e Sangue do Senhor, visto que vemos apenas o pão e o vinho?

Na Eucaristia, Jesus altera a substância do pão e do vinho, mas mantém as suas espécies. Depois de se tornar o próprio Corpo do Senhor, a única coisa que restou do pão são as suas aparências: a cor, odor e sabor. Esta mudança miraculosa é chamada de transubstanciação, pois o que se altera na Consagração é a substância do pão, e não as suas espécies, isto é, o seu aspecto visível. Cristo esconde-se na Hóstia para que creiamos pela Fé, e assim se afastem deste Sublime Sacramento os profanadores, os curiosos, os incrédulos, farsários e de caráter inconstante. Do mesmo modo, Jesus se esconde na Hóstia para nos mostrar que ninguém O vê por mérito próprio, mas tudo é por graça dEle. Assim, evita-se o pecado do desespero dos fracos e a presunção dos orgulhosos.


8) Jesus está presente em todas as hóstias consagradas?

Sim, independente da quantia e lugar, a mesma Pessoa de Jesus, Seu Corpo e Sangue, Alma e Divindade, está realmente presente em todas as hóstias consagradas, assim como uma mesma pessoa pode ser refletida em vários espelhos sem que a sua imagem se divida em várias em cada espelho.


9) Quais nomes têm o Sacramento da Eucaristia?

O Sacramento da Eucaristia é chamado assim porque Eucaristia, em grego, significa “boa graça” ou “ação de graças”, pois neste Sacramento damos graças a Deus e recebemos dele o penhor da Vida Eterna. Também é chamado de Comunhão, pois, como diz o Catecismo Romano, “este Sacramento nos liga com Cristo, faz-nos participar de Sua Carne e Divindade, une-nos e congrega-nos uns aos outros, articula-nos, por assim dizer, num só corpo no mesmo Cristo”. É chamado de viático porque é o alimento espiritual daqueles que peregrinam nesta vida em busca da felicidade eterna.


10) Quais são os elementos constitutivos do Sacramento da Eucaristia?

Assim como os demais Sacramentos, a Eucaristia tem três elementos: matéria: o pão e o vinho; forma: as palavras da Consagração, na qual o celebrante repete o que disse Jesus na Última Ceia, quando instituiu este Sacramento; ministro: o Padre ou o Bispo, capazes de consagrar e tornar o pão e o vinho em Corpo e Sangue de Nosso Senhor.


11) Por que o Sacramento da Eucaristia se realiza em espécies diferentes?

O mesmo Sacramento da Eucaristia realiza-se igualmente no pão e o vinho, que se tornam o Corpo e Sangue do Senhor, ainda que se mantenham as aparências da espécie. Tanto no pão quanto no vinho há o mesmo e único Sacramento. Jesus instituiu este Sacramento em duas espécies para simbolizar a Sua morte no Calvário, momento em que Seu Corpo e Sangue se separam totalmente. Também servem as duas espécies para nos lembrar que a Comunhão eucarística é alimento da nossa alma, pois se o corpo é nutrido com comida e bebida, do mesmo modo quis Jesus ensinar pelo comer e pelo beber que a Eucaristia é uma refeição completa para a alma.


12) A comunhão deve ser dada sempre sob duas espécies?

Não. Quem comungou só do Corpo de Cristo, já comungou o Cristo por inteiro, sem precisar tomar do Seu Sangue preciosíssimo. Afinal, na mesma Pessoa de Jesus está unida a Sua Divindade e Humanidade, sem divisão. Portanto, onde estiver Seu Corpo, aí também está Seu Sangue, Sua Alma e Divindade. Jesus está presente por inteiro no pão eucarístico por concomitância, ou seja, se ali está Seu Corpo, também está incluída toda a Sua Pessoa adorável.


13) Quem pode receber o Sacramento da Eucaristia?

O Sacramento da Eucaristia só pode ser recebido pelos católicos batizados, que professam a mesma Fé da Igreja e estão unidos na mesma obediência à Hierarquia Sagrada. Também devem recebê-lo em estado de graça, isto é, sem ter a consciência manchada pelo pecado grave ou mortal, que é aquele pecado que rompe a nossa união com Deus. Estes, por sua vez, devem se confessar para comungar, a fim de não cometerem sacrilégio e atraírem sobre si a desgraça e a ira divina. O Sacramento da Eucaristia é o Sacramento da Caridade, porque é a prova do grande amor de Deus por nós, ao Se nos dar em alimento da alma, para que em nós aumente o amor a Ele. Por esta razão, não podem comungar do Sacramento da Caridade aqueles que pecaram contra a Caridade, cometendo um pecado grave. Por isso diz São Paulo: “Portanto todo aquele que comer este pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examinem-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice.” (I Coríntios 11, 27-28).


14) O que ocorre com quem comunga em pecado mortal?

Cometem pecado grave e sacrilégio, por violar as coisas sagradas, comendo e bebendo do Corpo e Sangue do Senhor sem estar em estado de graça. O Sacramento que deveria ser penhor da salvação torna-se motivo de condenação para os sacrílegos.


15) O que devem fazer aqueles que desejam comungar e estão em pecado mortal?

Devem buscar se confessar o mais breve possível, para que recebam o perdão desses pecados que só são apagados pelo efeito do Sacramento da Penitência. Os pecados leves diminuem o nosso amor a Deus; porém, os pecados graves rompem com o nosso amor a Deus. Por isso, a Confissão nos recupera a amizade divina, devolvendo-nos a graça santificante, que dá vida à nossa alma. Disse Jesus aos apóstolos: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”. (João 20, 22-23).


16) O que se deve fazer para bem receber a Santa Comunhão?

Os Sacramentos operam por si mesmos; mas, para que o cristão o receba bem, além do estado de graça, é preciso que ele tenha a devida disposição interior para usufruir melhor dos efeitos da Comunhão. É preciso que o fiel faça ardentes desejos de amor, adoração e desejo de bem receber Jesus no Sacramento da Eucaristia. Além do mais, diz a Igreja que deve-se cumprir o jejum eucarístico. O jejum é de uma hora sem comer até o momento da comunhão. O jejum antigo era de três horas sem alimento sólido, podendo tomar remédios até uma hora antes da comunhão e água a qualquer momento. Quem ia à Missa da manhã fazia o esforço de ficar desde a meia-noite sem comer nada. Ainda que haja um jejum novo, os fiéis que desejarem podem cumprir o jejum antigo, caso julguem ser mais útil. Porém, devem sempre lembrar que a Igreja tem poder de decisão, podendo mudar a regra do jejum, mesmo que alguns queiram cumprir o jejum antigo por devoção.


17) Qual é o significado do Sacramento da Eucaristia?

O Sacramento da Eucaristia, além das graças que produz por ser a presença real de Jesus, também possui um significado próprio. Ele nos recorda a Paixão de Cristo, visto que este Sacramento nos faz participar intimamente da Redenção; nos alimenta espiritualmente e nos garante, para o futuro, o prêmio da Vida Eterna.


18) Quais são os efeitos do Sacramento da Eucaristia?

Muitos são os efeitos da Sagrada Comunhão, desde que o fiel bem receba este Sacramento. 1º) Aumenta em nós a graça santificante, isto é, a vida divina habitando em nossa alma; 2º) Perdoa-nos os pecados veniais ou leves; 3º) Perdoa as penas devidas ao nossos pecados, pagos nesta vida ou no Purgatório; 4º) Preserva-nos dos pecados futuros; 5º) Aquieta o ardor da carne; 6º) Garante-nos a Vida Eterna e a ressurreição da carne no Juízo Final. Sobre isso, sabiamente diz Santo Tomás de Aquino:

Maravilhoso é este Sacramento em que uma inefável eficácia inflama os afetos com o fogo da caridade. Que revigorante maná é aqui oferecido para o viajante! Ele restaura o vigor dos fracos, a saúde para os doentes, confere o aumento da virtude, faz a graça superabundar, purga os vícios, refresca a alma, renova a vida dos aflitos, vincula uns aos outros todos os fiéis na união da caridade. Este Sacramento da fé também inspira a esperança e aumenta a caridade. É o pilar central da Igreja, a consolação dos que falecem, e o acabamento do Corpo Místico de Cristo. A fé amadurece, e a devoção e a caridade fraterna são aqui saboreadas. Que estupenda provisão para o caminho é esta, que conduz o viajante até à montanha das virtudes! Este é o pão verdadeiro que é comido e não consumido, que dá força sem perdê-la. É a nascente da vida e a fonte da graça. Perdoa o pecado e enfraquece a concupiscência. Os fiéis encontram aqui a sua refeição, e as almas um alimento que ilumina a inteligência, inflama os afetos, purga os defeitos, eleva os desejos. Ó cálice de doçura para as almas devotas, este sublime Sacramento, ó Senhor Jesus, declara para os que crêem Tuas maravilhosas obras


19) Quando a Igreja realiza o Sacramento da Eucaristia?

A Igreja realiza o Sacramento da Eucaristia quando celebra a Santa Missa.


20) O que é a Santa Missa?

Segundo o Catecismo da Doutrina Cristã, a Santa Missa é o “sacrifício incruento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de pão e vinho, em memória do Sacrifício da Cruz”.


21) Por que a Missa é um 'Sacrifício'?

Todo o sacrifício é um dom oferecido a Deus, a fim de reconhecer a Sua soberania e prestar a Ele um ato de adoração e submissão. Quando Cristo morre no Calvário, a Sua morte realizou um verdadeiro Sacrifício, puro e perfeito, no qual Jesus prestou ao Pai um ato de adoração, louvor e entrega total, a fim de que essa Oferta santíssima servisse para o perdão dos nossos pecados, e assim recuperássemos a vida da graça e a felicidade eterna.

A morte de Jesus na cruz é única e suficiente, pois o Seu Sacrifício possui mérito infinito, capaz de salvar toda a humanidade. Entretanto, é necessário não só que Cristo morra pelos pecadores, mas também que os frutos da Sua Paixão sejam aplicados nas almas, para que a salvação se realize em todos os homens. Por esta razão, a morte de Cristo se torna o Sacrifício da Nova e Eterna Aliança, porque participando dela que os homens usufruem da Redenção. Mas de que modo Deus nos faz participar do Calvário para receber dos seus efeitos?

Se o Sacrifício do Calvário possui mérito infinito, bastaria que Jesus morresse uma única vez para salvar todos os homens. No entanto, ainda resta a necessidade de se aplicar pessoalmente os frutos da Sua Paixão, e para isso Cristo institui a Santa Missa, que é a atualização mística e incruenta do Seu Sacrifício. Na Santa Missa, Jesus torna presente no tempo e no espaço o mesmo Sacrifício do Calvário, sem que Ele venha a morrer novamente. É o mesmo e único Sacrifício, tornado presente e atual a cada Missa celebrada. Deste modo, todos os homens podem participar do divino Sacrifício, que se renova continuamente nos altares.

Dizemos que a Missa é a renovação do Calvário porque idêntica é a Oferta e o Oferente, isto é, é o mesmo Jesus que se oferece e é oferecido, tanto na Cruz quanto na Missa.

Jesus torna presente o Sacrifício do Calvário na Missa através do pão e do vinho, o que nos permite dizer que a Missa é renovação mística da Cruz, porque Jesus não morre realmente no altar, e nem sofre as dores de Sua Paixão, já que está glorioso no Céu. Mas a Missa é o mesmo Sacrifício do Calvário porque Jesus é posto sob o estado de Vítima no altar. No Calvário Jesus morreu quando o Seu Sangue se esgotou do Seu Corpo. Na Missa, a Consagração põe separadamente o Corpo e o Sangue de Senhor tal qual ocorrera no instante da morte de Jesus, renovando no altar o Sacrifício da Cruz, de forma indolor e invisível, através do Sacramento da Eucaristia. É o mesmo Sacrifício, oferecido misticamente no altar. E como a Missa não renova as dores de Cristo, dizemos que é uma renovação incruenta da Cruz, pois não há sofrimento ou derramamento de Sangue, sem que a Missa deixe de ser o mesmo Sacrifício de Jesus no Gólgota posto presente no tempo e no espaço.

A Missa também é idêntica ao Calvário porque é Jesus mesmo que Se oferece, mas usando do sacerdote celebrante, através da sua voz e de seus atos. Quando o sacerdote reza a Missa, é o próprio Jesus a agir através do Padre, para que o Seu divino Sacrifício torne-se presente misticamente no altar, e assim todos aqueles que dele participam possam se unir ao próprio Jesus em imolação à glória da Trindade Santíssima.


22) Não seria a Missa apenas um símbolo ou uma lembrança do Sacrifício de Jesus no Calvário?

De modo algum. Quem defende esta falsidade é a herética seita dos protestantes, no intuito de desmerecer a Missa e acabar com o culto católico.

Quando o Catecismo da Doutrina Cristã diz que a Missa é um Sacrifício em memória do Sacrifício da Cruz, diz no seguinte sentido: “A [celebração da] Eucaristia é memorial no sentido de que torna presente e atual o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai na cruz, uma vez por todas, em favor da humanidade. (...) O sacrifício da cruz e o sacrifício da Eucaristia [a Missa] são um único sacrifício. Idênticos são a vítima e o oferente, diferente é apenas o modo de oferecer: cruento na cruz, incruento na Eucaristia” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, questão 280).

A Missa não simboliza o Sacrifício da Cruz, muito menos é uma mera “lembrança” da Paixão de Jesus. Se assim fosse, não haveria necessidade de que houvesse a mudança do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Jesus, caso a Missa não passasse de um “memorial”.

A Missa e o Sacrifício do Calvário são o mesmo Sacrifício, diferindo apenas no modo em que são oferecidos: o Sacrifício da Cruz é sangrento e físico; o Sacrifício da Missa é não-sangrento e místico (sacramental), atualizando-se no altar a Oferta de Jesus na Cruz pela consagração do Corpo e Sangue do Senhor.

Se a Missa não passa de um “símbolo” do Calvário, como explicar a profecia de Malaquias? “Porque, desde o nascer do sol até ao poente, o meu nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura; porque o meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor dos exércitos” (Malaquias 1, 11). Diz a Igreja que esta profecia do Antigo Testamento se refere à Santa Missa, pois a única oblação pura é a Oferta de Jesus no Calvário, já que só a Oferta de Jesus agrada verdadeiramente a Deus, e nenhuma outra mais. Se “em todo o lugar” se oferece uma “oblação pura”, que oblação seria essa a não ser a renovação mística e incruenta da morte de Jesus na Missa? A mentira protestante é desmascarada pela profecia bíblica.

Só se pode dizer que a Missa simboliza o Calvário pelos ritos da Liturgia, porque, para que fique mais claro aos fiéis que a Missa torna presente no tempo e no espaço o Sacrifício do Calvário, quis a Igreja enfeitá-la de belíssimas e solenes cerimônias, a fim de que se percebesse que ali se renova o mesmo evento. Porém, a ação realizada na Missa, ou seja, a Consagração, é a atualização incruenta e mística do Sacrifício da Cruz, e não meramente um “símbolo” ou “memorial”.


23) Qual a necessidade de se renovar misticamente o Sacrifício da Cruz na Missa?

O Sacrifício da Cruz tem valor infinito, prestando a Deus um culto perfeitíssimo. Porém, é pela Missa que Deus aplica em nós os frutos do Calvário. Daí a importância de se assistir sempre ao divino Sacrifício. A Missa nos une a Jesus em imolação à glória da Santíssima Trindade, para que participemos da Sua Oferta a Deus e recebamos dos seus frutos. A cada Missa assistida, o louvor e a adoração de Jesus tornam-se também o nosso louvor e a nossa adoração.


24) Quais são os fins da Missa?

A Missa renova misticamente o Sacrifício do Calvário a fim de que em todo o tempo e lugar a Oferta pura e perfeita de Jesus fosse oferecida a Deus em benefício do povo cristão e da humanidade.

Por quatro motivos Cristo instituiu a Missa: 1º) Para prestar um culto perfeito e total a Deus, onde se reconhece o Seu domínio sobre tudo, a nossa submissão a Ele e o direito dEle sobre as nossas vidas; 2º) Para render graças por tudo o que Ele nos dá e louvá-Lo por sua imensidão e majestade; 3º) Para dar a Deus devida reparação e satisfação à Sua justiça ofendida por nossos pecados e aplacar a Sua ira sobre nós; 4º) Para que alcancemos todo o tipo de graças das quais necessitamos, desde que isso sirva para o nosso bem e não atrapalhe a nossa salvação.

Por ser uma oração perfeita e infinita de Cristo a Deus Trindade, a Missa é um culto de latria, ou “adoração”. Por ser um louvor sublime, a Missa é um culto eucarístico, ou de “ação de graças”. Por reparar a Deus ofendido por nossos pecados, a Missa é um culto propiciatório, ou de “reparação”. E por ser a nossa fonte de graças, a Missa é um culto impetratório, ou para “obtenção de graças”.

Todos estes fins só se cumprem porque a Missa é a renovação da Oferta de Cristo à Trindade Santíssima. É graças ao culto infinito, perfeito, puro e agradável a Deus que estes fins são atingidos.


25) A quem se reza a Missa?

A Missa só se oferece a Deus, por ser somente Ele o merecedor da Oferta de Cristo. Porém, quando se diz que uma Missa é oferecida a Nossa Senhora, aos Anjos e Santos, é em honra deles apenas, ou para que eles se unam a nós naquela Missa.


26) Para quem se reza a Missa?

A Missa é oferecida por todo o Corpo Místico de Cristo, porque: 1) honra os Santos, que vivem na glória de Deus, 2) alivia as almas do Purgatório na medida em que Deus permite que elas usufruam das graças da Missa, 3) beneficia todos os fiéis vivos. No entanto, as graças da Missa não são iguais para todos. O primeiro a se beneficiar é o sacerdote celebrante; logo abaixo, os fiéis presentes (incluindo aqueles que estão nas intenções da Missa), a começar por aqueles que ajudam de algum modo na celebração; por último, os fiéis em geral e toda a humanidade.

Mesmo que cada Missa seja oferecida pelo bem de toda a Igreja e conversão da humanidade, as graças só são recebidas quando Deus permite. Uma só Missa seria suficiente para converter a humanidade inteira, mas Deus, que é justo, só pode permitir que lucrem da Missa aqueles que possuem a devida disposição de coração.


27) Todos aproveitam a Missa de igual maneira?

Não. Cada um aproveita do Sacrifício eucarístico conforme a sua própria disposição interior. Quanto maiores forem a Fé, a Caridade e a contrição, mais frutífera será a participação da Missa. O mesmo com as almas do Purgatório: uma só Missa resgataria todas as almas; mas Deus aplica nelas os frutos da Missa conforme convém cada uma, dependendo do fervor que elas tiveram em vida.


28) Quando foi instituída a Santa Missa?

A Santa Missa foi instituída por Jesus na Última Ceia, quando Ele repartiu o pão com os seus apóstolos e disse: “Tomai e comei; isto é o meu corpo” (Mateus 26, 26), e entregou o cálice e disse: “Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue que será selo do novo testamento, o qual será derramado por muitos para remissão dos pecados”. (Mateus 26, 27-28).


29) Se a Missa foi instituída na Última Ceia, então a Missa é uma “ceia” ou “banquete”?

A Missa não é uma ceia, apesar de ter sido instituída na ceia. Podemos chamar a Eucaristia de ceia ou banquete enquanto recebida por nós (Comunhão), já que ela é alimento espiritual para as nossas almas. Porém, a Eucaristia enquanto celebrada é Sacrifício (Missa).


30) Por que Jesus instituiu a Santa Missa na Última Ceia?

Para mostrar que a Santa Missa é o mesmo Sacrifício da Cruz mudando apenas no modo em que é oferecida. A Missa é a renovação mística e incruenta do Sacrifício da Cruz, debaixo das espécies do pão e do vinho, ou seja, é pelo pão e pelo vinho mudados em Corpo e Sangue do Senhor que o Sacrifício do Calvário se renova no altar. Por isso Jesus instituiu a Missa na ceia. Ademais, sendo a Comunhão eucarística o alimento da nossa alma, quis Jesus instituí-la após um banquete, para mostrar que a Eucaristia também nos é um banquete. A íntima relação entre a Última Ceia, isto é, a primeira Missa, e a Paixão de Cristo no Calvário o próprio Jesus mostra ao dizer: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós” (Lucas 22, 19). Quando Jesus diz que aquele pão agora é o Seu Corpo, diz também que este mesmo Corpo será entregue na Cruz. Há, portanto, um mesmo Sacrifício que se realiza de duas formas diferentes: pela Cruz e pela Missa. Há também um mesmo oferente, pois é Jesus quem oferece a Si mesmo na Cruz e na Missa, sendo que na Missa Ele Se oferece no pão e no vinho transubstanciados em Seu Corpo e Sangue por meio do sacerdote celebrante. E tendo rezado a primeira Missa na Última Ceia, diz Jesus aos apóstolos “fazei isto em memória de mim” (Lucas 22, 19). Com tais palavras, Jesus ordena que o oferecimento da Missa seja renovado perpetuamente, até o fim dos tempos, para a honra e glória de Deus e benefício de todos os homens.


31) Por que disse Jesus que o Seu Sangue será derramado “por muitos” e não “por todos”?

Os méritos do Sacrifício de Cristo têm valor infinito e infalível, podendo salvar todos os homens. Mas se Deus quer e pode salvar o mundo inteiro, nem todos buscam para si a salvação. De muitas maneiras o homem pode recusar se salvar, através da impenitência final, obstinação no pecado, recusa em aceitar a doutrina infalível da Igreja, recusa do amor de Deus, etc. Sendo assim, se o Sangue redentor de Cristo pode salvar todos os homens, muitos apenas serão salvos, enquanto outros perderão eternamente a própria alma, castigada com o Inferno pela suprema ingratidão cometida contra Deus. Por esta razão Jesus disse que Seu Sangue seria derramado em favor de “muitos”, e de não de todos.


32) Por que o padre reza a Santa Missa se ela é o Sacrifício de Jesus renovado misticamente e incruentamente?

A celebração da Missa renova no altar a Oferta de Jesus no Calvário, de modo místico (sacramental) e incruento. Entretanto, terminada a Sua missão terrena, Cristo sobe aos Céu deixando a Igreja católica como Depósito da Verdade relevada, a fim de que ela guardasse, testemunhasse e ensinasse tudo o que Deus nos mostrou para a nossa salvação e glória dEle, pois disse Jesus a Simão Pedro: “E eu digo-te que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16, 18). A Igreja, portanto, é a responsável em guardar a verdadeira Fé e ensiná-la a todos os homens até o fim dos tempos. Do mesmo modo, também é a Igreja que continua a Redenção ao distribuir e administrar os Sacramentos e celebrar a Missa, pois a Igreja tem a missão não só de ensinar a Verdade, como também de levar os meios de salvação a todos os homens. Para isso, Jesus criou o sacerdócio, o ministério pelo qual Ele dá a alguns homens o poder de agir em nome dEle mesmo. Os Presbíteros, Bispos e o Pastor Universal, o Papa, são ministros de Cristo, possuindo autoridade para ensinar a Verdade, pregar o Evangelho, administrar os Sacramentos, celebrar Missa e condenar os erros, denunciando as mentiras inventadas pelos homens, sob inspiração maligna. E, quando agem deste modo, cumprem a natureza do ministério sacerdotal, que é agir em nome de Cristo e no lugar dEle.

Quando o sacerdote reza a Missa, é ele quem age e executa as cerimônias; no entanto, quem consagra e oferece o pão e o vinho não é o Padre, mas o próprio Cristo. O padre age in persona Christi, ou seja, ele age na pessoa de Cristo. O padre empresta a sua voz para que o próprio Jesus consagre. Toda a Missa é a renovação do sacrifício de Jesus debaixo das espécies do pão e do vinho, mudadas em Corpo e Sangue do Senhor, por meio de um sacerdote celebrante, que age na Pessoa do Cristo. O Padre é instrumento para que o próprio Jesus celebre a Missa.


33) Se o sacerdote é quem reza a Missa em nome da Igreja, agindo na Pessoa de Cristo, qual a participação do povo cristão na Missa?

O povo cristão participa da Missa de um modo diferente que o sacerdote. O sacerdócio foi instituído por Cristo para que a Hierarquia Sagrada atue no lugar dEle, quando propaga a Redenção através dos Sacramentos. A este sacerdócio chamamos de ministerial, porque possui poder e autoridade de agir em nome de Cristo.

Os fiéis, por sua vez, quando recebem o Sacramento do Batismo, são incorporados à Igreja, o Corpo Místico de Cristo, e constituem um sacerdócio comum, pois passam a viver em comunhão com Deus. O sacerdócio dos leigos é apenas uma participação no serviço a Deus prestado pelo Sacerdócio de Cristo. O sacerdócio ministerial é uma identificação com o Sacerdócio de Cristo, porque o ministro consagrado recebe poder e autoridade de agir em nome dEle.

O povo não pode celebrar a Missa, consagrar a Hóstia ou administrar os Sacramentos (exceto o do Batismo, que em situações de risco, pode ser administrado por qualquer pessoa que tenha intenção de fazer o que a Igreja pede neste Sacramento); mas o sacerdócio comum dos leigos, recebido no Batismo, permite que os fiéis participem da Missa quando se unem ao celebrante, tendo as mesmas intenções que ele. Não são os gestos, orações ou cânticos da Missa que fazem os fiéis participarem do Sacrifício eucarístico. O Rito da Missa apenas predispõe os fiéis, mas a participação independe do Rito. Participar da Missa verdadeiramente é ter desejo de se unir a Jesus que Se sacrifica misticamente no altar, e desejar receber dos frutos daquela celebração.


34) A Santa Missa é indispensável?

Certamente. Não há culto mais agradável a Deus do que a Missa, pois ela é a Oferta do Seu próprio Filho. Nenhuma oração humana supera a Missa, pois o Sacrifício eucarístico é oferecido pelo próprio Jesus, em união com toda a Igreja. Deste modo, todo o cristão deve ter profundo amor pela Missa, que é a plena participação na Redenção de Cristo. Já dizia o São Padre Pio de Pietrelcina: “É mais fácil o mundo viver sem o sol do que sem a Missa!”.


35) Somos obrigados a assistir Missa?

A Igreja nos obriga a ouvir Missa aos domingos e dias de festa. As Missas rezadas no sábado, caso sejam de Liturgia de domingo, valem como se fossem de domingo. Além do preceito dominical, somos obrigados a ouvir Missa nas festas: Maria Mãe de Deus (1/1), Corpus Christi, Assunção de Nossa Senhora (15/8), Nossa Senhora Aparecida (12/10), Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8/12), Natal de Nosso Senhor (25/12) e no dia do padroeiro da cidade. Faltar à Missa nos dias em que somos obrigados a ouvi-la é pecado mortal.

Há aqueles que dizem ir à Missa “só quando têm vontade”. Mas não ter vontade de ir à Santa Missa é reconhecer que a alma está doente. Quando o corpo está enfermo, não sentimos sabor e perdemos a fome. Do mesmo modo, a alma que perde o gosto de assistir à Missa está doente, pois perdeu a vontade do amor a Deus.

Outros respondem que só vão à Missa “porque se sentem bem”, como se a Missa fosse uma terapia, ou um consultório psicológico. Falso! Ninguém deve ir à Missa só para se sentir bem, porque a obrigação de assisti-la não serve para satisfazer os “sentimentos” de ninguém. Os fiéis devem ir à Missa por causa de uma obrigação religiosa, já que Deus merece ser servido pelas criaturas, e a Missa é o meio de nos unirmos a Deus em adoração com o Seu divino Filho. Ninguém deve procurar a Missa só para satisfazer seus sentimentos, porque a Missa está muito acima disso. A Missa é o Céu na terra. Não podemos ser egoístas e só buscar a Deus em benefício próprio.


36) Alguém pode ser dispensado de assistir à Missa?

Sim, estão dispensados de ir à Missa aqueles que moram muito longe da Igreja e não têm condições de se deslocar até a igreja mais próxima; os doentes e aqueles que estão obrigados a trabalhar durante todo o dia de preceito e se vêem impossibilitados de assistir ao Santo Sacrifício. Qualquer outro motivo grave também dispensa de ir à Missa.

Também estão dispensados de ir quando a Missa é celebrada com abusos, constituindo perigo para a Fé. Se um padre rezar a Missa dizendo blasfêmias, indecências e até profanando, a Igreja dispensa um católico de assistir estas celebrações, caso a sua Fé fique ameaçada. Em alguns casos, faltar a uma Missa abusiva não é só um direito, mas um dever. A Missa é o supremo culto a Deus oferecido por Jesus Cristo em nome da Igreja, quando o Seu divino Sacrifício é atualizado no altar; e uma ação tão sagrada exige muito respeito. A música deve ser sóbria, as roupas devem ser modestas, a igreja deve ser adequada, os paramentos devem ser dignos, e o celebrante deve agir considerando o tremendo ato que ele executa. Um sacerdote verdadeiramente humilde respeita a Liturgia, não a denigre.


37) Para que servem as cerimônias da Missa?

A Missa possui três partes essenciais, instituídas pelo próprio Jesus na Última Ceia: Ofertório, Consagração e Comunhão (do celebrante). Em casos extremos, havendo apenas a Consagração, já houve Missa.

Porém, quis a Igreja adornar a Missa com cerimônias solenes e sacras, a fim de que os fiéis se preparassem melhor para o sublime momento da Consagração e estivessem bem dispostos interiormente para comungar. Estas cerimônias servem para confirmar a nossa Fé em Deus por meio dos gestos, símbolos e alegorias, a fim de que toda a realidade física testemunhe as verdades da Religião. Vemos as cores dos paramentos, as imagens santas, o altar; ouvimos o canto sacro ou simplesmente ficamos em silêncio; sentimos o odor do incenso; nos benzemos com o Sinal-da-Cruz, nos ajoelhamos, ficamos de pé; beijamos a Cruz...todos estes ritos servem para que o homem por inteiro confirme a Fé da Igreja.

Também serve a cerimônia para a participação comum dos fiéis na Liturgia, pelos cânticos e orações. Ainda assim, os fiéis não são obrigados a cantar ou a responder as orações, até porque isso não garante a participação e o aproveitamento da Missa. De nada adianta participar dos gestos da Missa se não há atenção e zelo pelas coisas santas. A participação dos gestos da Missa só faz sentido quando está unida ao desejo interior de receber dos frutos da Missa, de unir-se à Oferta de Jesus à Trindade Santíssima. Por esta razão, também participam da Missa aqueles que, durante a cerimônia, rezaram o Terço, a Via-Sacra ou fizeram leituras piedosas. Estes também são meios de fomentar o nosso amor a Deus e dispor a alma para aproveitar a Liturgia.


38) De que modo a Igreja permite a Comunhão eucarística?

Sempre quis a Igreja zelar para que os fiéis recebessem os Sacramentos de forma santa, piedosa e adequada. A Comunhão desde muitos séculos é distribuída com o comungante de joelhos, recebendo a Eucaristia diretamente na língua. O ajoelhar-se serve para demonstrar a nossa adoração a Jesus presente na Eucaristia. A recepção da Hóstia diretamente na língua serve para eliminar o contato desnecessário com a Comunhão, evitando-se de forma mais eficaz que algum fragmento do pão eucarístico se perca no chão ou na mão dos fiéis, ou até mesmo seja roubado por profanadores. A Comunhão na boca também indica a superioridade do sacerdote sobre os fiéis, pois somente ele possui as mãos consagradas, e por esta razão é mais digno que ele distribua o Corpo do Senhor. Receber do sacerdote a Eucaristia é reconhecer que ele age na Pessoa de Cristo.

Ainda assim, permitiu a Igreja, nos últimos anos, que os fiéis comunguem de pé e diretamente na mão. Esta autorização foi dada pelo Papa Paulo VI a contragosto para alguns poucos países onde este costume havia se introduzido contra as ordens da Santa Sé. Porém, rapidamente a prática se difundiu abusivamente no mundo todo. O Papa sabia que comungar na mão e de pé facilitaria a perda na Fé em Jesus eucarístico, porque esta maneira de receber a Comunhão elimina todos os sinais de adoração. Não muito tempo depois foi exatamente o que aconteceu: hoje, muitos católicos já não crêem mais na presença real de Jesus na Eucaristia. Para salvar a Igreja desta profunda perda de fé, Bento XVI está reintroduzindo a Comunhão de joelhos e na boca. Obedeçamos ao Papa!


39) O que é a Liturgia?

A Liturgia é “o culto público e oficial da Igreja”. As orações devocionais do povo, ainda que rezadas em público, não são litúrgicas, porque não são feitas em nome da Igreja. A Liturgia, portanto, é culto oficial porque é feita em nome da Igreja e para a participação e benefício de toda a Igreja. Os Sacramentos e a Santa Missa são atos litúrgicos.

A Liturgia também possui um modo de se expressar e de se constituir. A expressão da Liturgia é chamada de “Rito”, que são todas as cerimônias pelas quais se celebra um ato litúrgico. A Missa, por exemplo, pode ser rezada no Rito Romano ou Latino, Rito Bizantino, Rito Melquita, Rito Maronita, etc. Todos estes Ritos rezam o mesmo e único Sacrifício incruento e místico da Missa, porém, com cerimônias diferentes.


40) Qual é o Rito observado no Brasil?

Na maioria do país, observa-se o Rito Romano ou Latino, que é o Rito próprio do Ocidente. Em alguns lugares que sofreram imigração, há também o Rito Bizantino dos ucranianos e russos, o Rito Maronita dos libaneses, etc.


41) Qual mudança ocorreu no Rito Romano em 1969?

Por muitos séculos, a Missa do Rito Romano quase não sofreu mudanças, sendo chamada pelos liturgistas de “Missa Gregoriana” porque a sua estrutura remonta aos tempos do Papa São Gregório Magno. Em 1545, Bispos de toda a Igreja se reuniram num Concílio (reunião de Bispos sob convocação do Papa), na cidade de Trento. Este Concílio pretendia unificar a Missa de todo o Ocidente, que na época ainda possuía muitas variações regionais. O Concílio de Trento foi encerrado sem empreender tal tarefa, que ficou a cargo do Papa Pio V. Este Papa realizou a unificação do Rito Romano, tornando a Missa idêntica em todo o Ocidente, e impedindo que os protestantes tentassem introduzir falsidades na Liturgia. Por isso a Missa do Rito Romano também é chamada de “Tridentina” (ou de Trento) ou “Missa de São Pio V”.

Em 1965, com o Concílio Vaticano II, a Igreja fez pequenas alterações na Missa do Rito Romano, que continuaram até 1969, quando surgiu, no pontificado do Papa Paulo VI, o Novo Ordinário da Missa, que é a Missa rezada até hoje nas paróquias do Rito Romano em todo o mundo.

Apesar de uma nova forma de celebração ter surgido com o Novo Ordinário da Missa, em 1969, o Papa Bento XVI explicou, em 2007, por meio de um documento papal, que a Missa Tridentina não foi proibida, e pode continuar a ser celebrada. Há, portanto, no Rito Romano, um só Rito rezado por meio de duas formas: a ordinária, promulgada pelo Papa Paulo VI em 1969, e a extraordinária, chamada de Missa Gregoriana, Tridentina ou de São Pio V. Onde os fiéis desejarem, o Papa garante o direito de haver a celebração do Rito antigo, bastando que se procure um padre, sem necessidade de autorização do Bispo local.

3 comentários:

  1. Sobre a questão da Eucaristia ser apenas um símbolo, devemos reler e rever bem as palavras escritas no Santo Evangelho. Jesus ao tomar o pão e dar graças, Ele diz: Ísto "É" o Meu Corpo... Ao tomar o cálice: Ísto "É" o Meu Sangue... Ele não diz: É como "se" fosse.
    Mas verdadeiramente É! e se Ele quis assim, quem sou pra não querer e negar, Ele e apenas Ele É a Verdade. E eu vim para fazer a Sua vontade... Fazemos em mémoria dELE, como nos pediu. Assim seja!!!

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  2. Gostaria de fazer um esclarecimento: no número 35 deste catecismo, coloca que o dia de Nossa Senhora Aparecida é preceito, isto não consta no diretório liturgico como preceito...nem sempre solenidade é preceito.

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  3. Caro Anônimo
    Agradecemos pela correção. De fato, o dia 12 de outubro não é dia de preceito, nem as festas dos padroeiros locais, ao contrário do que constava no mesmo "Catecismo", que foi removido por tempo indefinido, até que seja devidamente revisado e corrigido.
    Pedimos suas orações, e que Deus o abençoe.
    Giulio C. Gequelim

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