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23 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 584

UM SOLDADO APÓSTOLO E MÁRTIR

São Sebastião nasceu em Narbona, nas Gálias. Os pais, oriundos da cidade de Milão, eram ótimos cristãos. Por seus dotes de inteligência e de caráter foi, no dizer de S. Ambrósio, muito estimado pelo imperador Diocleciano, que o nomeou capitão da guarda imperial.
O santo aproveitou-se de seu elevado posto para fazer maior bem ao próximo: distribuía suas rendas aos pobres e desvelava-se pelos cristãos, seus irmãos na fé. Socorria especialmente aos que, em número considerável, padeciam nos cárceres e enxovias e exortava-os a sofrerem corajosamente por Jesus Cristo, tornando-se assim um verdadeiro anjo consolador dos fiéis perseguidos e atribulados.
Por aquele tempo, os irmãos Marcelo e Marceliano, nobres romanos, que tinham suportado com valor e firmeza várias torturas, foram condenados à morte; ora, quando estavam a caminho do suplício, apresentaram-se a Cromácio Tranquilino o pai e a mãe (ainda pagãos) com as mulheres e os filhos dos confessores de Cristo e, com muitas lágrimas, conseguiram que se adiasse a execução por mais trinta dias. É fácil adivinhar de que recursos lançariam mãos os parentes, durante esse tempo, para fazer que os mártires prevaricassem. O certo é que, movidos pelas súplicas e lágrimas da família, começavam a vacilar, quando Sebastião, informado do que se dava, correu-lhes em auxílio. E de tal modo abençoou Deus a palavra do grande apóstolo, que não só confortou os dois irmãos a enfrentarem alegremente a morte, mas ainda conseguiu converter a fé todos os parentes deles. Converteu, igualmente, a Nicóstrato, oficial de Cromácio, e a Cláudio, guarda do cárcere, como também a 64 presos que ali estavam e eram ainda idólatras. Mas o maior prodígio operado por S. Sebastião foi certamente a conversão do próprio Tranquilino.
Com efeito, ouvindo que Tranquilino abraçara a fé, Cromácio mandou chamá-lo e disse-lhe:
— Mas que é isso? Tu te tornaste louco no fim de teus dias?
O nobre ancião respondeu-lhe:
— Oh! não, senhor! Pelo contrário, agora, fazendo-me cristão, é que me tornei sábio, preferindo a vida eterna aos poucos dias que me restam neste mundo.
Após uma entrevista com S. Sebastião, que lhe provou cabalmente que a religião cristã é a única verdadeira, Cromácio fez-se batizar com todos os seus e mais 1.400 escravos, aos quais deu liberdade e, renunciando ao seu cargo, retirou-se a Campánia para viver cristãmente.
Fabiano, sucessor de Cromácio, informado de que Sebastião confirmava os cristãos na fé e convertia a muitos pagãos, deu parte ao imperador. Este fez o Santo comparecer à sua presença e repreendeu-lhe com acrimônia e aspereza o crime de induzir seus súditos a se fazerem cristãos. O Santo respondeu que “com isso cria prestar o maior serviço ao império, pois não podia o Estado receber maior beneficio do que ter súditos cristãos, os quais são fiéis a Jesus Cristo quanto aos príncipes”.
O imperador, encolerizado com a resposta do Santo, ordenou que imediatamente fosse atado a um poste e varado de flechas. A sentença foi logo cumprida, ficando o mártir abandonado como morto; mas, naquela mesma noite, indo uma piedosa viúva, chamada Irene, sepultá-lo, notou que ainda estava vivo e, com o máximo cuidado e segredo, mandou levá-lo à sua casa, onde conseguiu após algum tempo restituir-lhe a saúde.
Logo depois foi S. Sebastião ao encontro do imperador e disse-lhe:
— Príncipe, será possível que acrediteis sempre as calúnias inventadas contra os cristãos? Venho repetir-vos que não tendes súditos melhores nem mais fiéis que os cristãos, que, com suas orações, nos alcançam todas as prosperidades.
O imperador, ao ver Sebastião, a quem julgava mor.to, ficou maravilhado e exclamou:
— Como? ainda estás vivo?
— Sim, senhor; Jesus Cristo conservou-me a vida para que vos mostre a impiedade que cometeis perseguindo os cristãos.
O imperador, ainda mais indignado, mandou açoitá-lo até que expirasse; e assim se fez, indo o Santo receber a sua coroa aos 20 de janeiro do ano 288. Os algozes arrojaram o corpo do mártir a um lugar imundo; mas Lucina, senhora de grande virtude, mandou buscá-lo e sepultou-o à entrada do cemitério que até hoje traz o nome do grande e destemido apóstolo e mártir.

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