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10 de janeiro de 2019

A Alma de Todo Apostolado, J. B. Chautard,

A Alma de Todo Apostolado

J. B. Chautard

Deus Quer as Obras e a Vida Interior

1 - As Obras e, portanto, o zelo, são desejados por Deus.

Apanágio da natureza divina é ser sumamente liberal, Deus é bondade infinita. A bondade tão somente aspira a difundir-se e a comunicar o bem que desfruta.
A vida mortal de nosso Senhor foi sempre uma contínua manifestação dessa inesgotável liberalidade. O Evangelho mostra-nos o Redentor semeando pelo seu caminho os tesouros do amor de um Coração ávido de atrair os homens para a verdade, para a vida.
Esta chama de apostolado foi por Jesus Cristo comunicada à Igreja, dadiva do seu amor, difusão da sua vida, manifestação da sua verdade, resplendor da sua santidade. Animada pelos mesmos ardores, a Esposa mística de Cristo continua, no decurso dos séculos, a obra de apostolado do seu divino Exemplar.
Desígnio admirável, lei universal estabelecida pela Providência! É por meio do homem que o homem deve conhecer o caminho da salvação. Foi somente Jesus Cristo quem derramou o sangue que resgata o mundo. Por si só, ele também teria podido aplicar a virtude desse sangue e operar de modo imediato sobre as almas, como faz pela Eucaristia. Quis, porém, colaboradores na distribuição dos seus benefícios. Por quê? Sem dúvida porque a Majestade divina assim o exigia; mas, não menos a isso o compeliam as suas ternuras pelo homem. E, se o mais eminente dos monarcas tem toda a conveniência em governar, na maioria dos casos, por intermédio dos seus ministros, que condescendência da parte de Deus dignar-se associar pobres criaturas aos seus labores e à sua glória!
Nascida sobre a cruz, saída do lado traspassado do Salvador, a igreja perpetua, por meio do ministério apostólico, a ação benéfica e redentora do Homem Deus. Desejado por Jesus Cristo, torna-se este ministério o fator essencial da propagação dessa Igreja pelas nações e o mais habitual instrumento das suas conquistas.
Na primeira linha, o clero, cuja hierarquia constitui o quadro do exército de Cristo, clero ilustrado por tantos bispos e sacerdotes santos e zelosos, e tão gloriosamente honrado pela recente canonização do Santo Cura D'Ars.
Ao lado deste clero oficial, desde as origens do cristianismo surgiram companhias de voluntários, verdadeiros corpos de escol, cuja perpétua e luxuriante vegetação há de ser sempre um dos fenômenos mais patentes da vitalidade da Igreja.
Logo nos primeiros séculos, aparecem as ordens contemplativas, cuja oração incessante e as rudes macerações tão poderosamente contribuíram para a conversão do mundo pagão. Na Idade Média, surgem as Ordens predicantes, as Ordens mendicantes, as Ordens militares, as Ordens voltadas à heroica missão do resgate dos cativos em poder dos infiéis. Enfim os tempos modernos vêem nascer enorme quantidade de milícias docentes, Institutos, Sociedades de Missionários, Congregações de toda espécie, cuja missão é espalhar o bem espiritual e corporal sob todas as formas.
Além disso, em todas as épocas de sua história, a Igreja encontrou colaboradores preciosos nos simples fiéis, tais como esse fervorosos católicos, hoje legião, "pessoas de obras", segundo a expressão consagrada, corações ardentes, os quais, sabendo unir as suas forças, põem sem reserva ao serviço de nossa Mãe comum, tempo, capacidades, fortuna, sacrificando amiúde a sua liberdade e, às vezes, até o seu próprio sangue.
Como é certamente admirável e consolador o espetáculo dessa florescência providencial de obras, nascendo no momento preciso e adaptando-se tão maravilhosamente às circunstâncias! Todas as necessidades novas para satisfazer, todos os perigos a conjurar - a história da Igreja o atesta - viram invariavelmente aparecer a instituição reclamada pelas exigências do momento.

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