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2 de novembro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

MEU CENTRO, MINHA MORADA

Verdadeiramente, mãezinha, não estranho que queira saber de sua carmelita tão amiúde, pois julgo por meu próprio coração.
Já estamos na metade das férias, e quase não me dei conta disso. Tão rápido é o tempo aqui, no Carmelo, onde os meses passam sem a gente o saber. Que maravilha! Isto me enche de alegria, porque passará esta vida e logo virá a eternidade e com ela Deus.
Estes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto. São dias de festa e ao mesmo tempo de sofrimento. Podemos fazer tão pouco para reparar tantos pecados (principalmente a sua carmelita que é tratada por sua Madre como um nenezinho). Contudo, não me desconsolo, pois encontrei um tesouro oferecer a santa missa, quer dizer, a hóstia santa para reparar.
Com a SS. Virgem combinei que ela seja meu sacerdote; que me ofereça a cada momento pelos pecadores e sacerdotes, porém banhada com o sangue do Coração de Jesus. Faça o mesmo, mamãe.
Vivamos dentro desse Coração para unir-nos em silêncio a suas adorações, aniquilamentos e reparações. Nesse Divino Coração foi onde encontrei meu centro e minha morada. Minha vocação é fruto de seu amor misericordioso. Adeus. Abandonemo-nos a ele e permaneçamos sempre sob o seu olhar (18-2-1920).

FRUTO DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

Faz alguns momentos que chegou o telegrama com a notícia da morte de meu tio Eugênio. Ao mesmo tempo que sinto a morte desse tio tão querido, não pude deixar de dar graças a Deus porque ouviu nossas orações e o levou bem preparado. Creia-me, mãezinha, que sempre esperei e confiei que morreria com todos os sacramentos, porque não abandonou jamais o seu escapulário do Carmo. Além disso, como não o teria assistido com suas súplicas o meu vovozinha? Também é certo que Deus jamais recusa a oração incessante que lhe dirigimos quando se trata da salvação de uma alma.
Enfim, mãezinha linda, não poderão senão dar graças a Deus porque todos os seus irmãos e todos da família inteira morreram com todos os confortos da religião. Esta é a recompensa da educação tão cristã que lhes deram os seus vovozinhas.
Sua carmelita, esta noite, da sua pobre celinha, chora com você e pede a Nosso Senhor que a console e lhe diga aquilo que ela não pode expressar-lhe pelo sofrimento e carinho que experimenta nestes instantes.
Adeus. Felizes os que se alegram nele. Vivamos em Deus muito unidas (23-3-1920).

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