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4 de abril de 2021

THESOURO DE PACIÊNCIA

DA COROAÇÃO DE ESPINHOS

MEDITAÇÃO VI


 Saindo Pilatos, viu ao Senhor em estado tão lastimoso, e se lhe comoveram as entranhas a compaixão. O seu virginal corpo todo ensanguentado; rasgado a açoites, com a coroa de espinhos cravada na cabeça uma cana na mão em lugar de cetro, uma purpura de escarnio, e mais que tudo a sua divina face cheia de opróbrios; mas ao mesmo tempo, com um ar modesto e sereno, fazia tal impressão no seu animo, que se persuadiu que poderia mover também a compaixão até aos ímpios judeus: esses mesmos, que com tanta sanha lhe desejavam a morte. Pegou do Senhor, e expô-lo á vista do povo, dizendo-lhe: Eis aqui o homem; mas quando esperava que se enternecessem aqueles corações ferinos, vendo espetáculo tão lastimoso, mas quando esperava que se enternecessem aqueles corações ferinos, vendo espetáculo tão lastimoso, enganou-se; pois clamou todo o povo: Morra crucificado, morra crucificado. Ora, à vista desta ímpia desumanidade, que Jesus Cristo experimentou no seu mesmo povo, naquele povo, que era o seu mimoso, e que lhe tinha como roubado o coração; de que te admiras, alma atribulada, se não encontras compaixão nos homens, nem naqueles mesmos em quem a esperavas! Por certo que, por mais triste e lastimoso que seja o estado em que te achas, de pobreza, de mo1etias, de perseguições de trabalho ou de injurias, facilmente me concederás que não tem comparação com o lamentável estado em que estava Jesus Cristo; e neste Pasmo a compaixão, que experimentou nos que lhe eram obrigados, foi pedirem-lhe a morte, e com  instancia. Eia, pois, enche-te de animo, alma desconsolada, levanta- te, e dize a ti mesma: Que é isto? O Senhor Jesus, em figura tão lamentável, não acha compaixão nos homens; e eu aflijo-me, porque se não compadecem de mim! E tira por fruto que, ainda que cá no mundo ninguém se compadeça, não te desconsoles: procura a compaixão de Deus, e basta que Deus se compadeça de ti muitas vezes.

 JACU'LATORIA

Compadecei-vos, Senhor, de mim, segundo a  vossa grande misericór­dia, que isso sô me basta.

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