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8 de julho de 2018

Sermão para a Festa do Sagrado Coração de Jesus – Padre Daniel Pereira Pinheiro, IBP

[Sermão] O sofrimento de quem quer servir a Cristo

Nesse sermão, o padre discorre sobre o sofrimento para aqueles que buscam servir a Nosso Senhor jesus Cristo. E como, assim, Ele vai purificando a alma e unindo-a a Si. Claro que há consolações, ainda que não abundantes durante essa purificação. Deus sabe que purificação convém para cada um de nós e a sua duração.




Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Caros católicos, nós não queremos sofrer. A grande pedra de tropeço na vida cristã é o sofrimento. O sofrimento é ainda um escândalo para quase todos nós. Muitos podem perguntar: padre, por que temos tão poucos santos, principalmente nos dias atuais? Porque diante do sofrimento, recuamos. Diante do sofrimento, retrocedemos. Diante do sofrimento, podemos mesmo chegar a abandonar a Deus. Se não entendermos o que é o sofrimento e como Deus age em nossa alma por meio do sofrimento, ainda não entendemos praticamente nada do que é ser um cristão. Para um cristão, não há outro caminho a não ser o caminho de Cristo: quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo e siga-me. Nós, sendo pecadores, queremos nos assemelhar a Cristo sem passar pelo sofrimento. Queremos chegar à glória celeste, à vida bem-aventurada no céu sem passar pelo sofrimento ou querendo escolher o sofrimento que queremos aceitar. No fundo, queremos ser santos à nossa maneira, com os sofrimentos que desejamos ou que acreditamos razoáveis. Queremos ser santos como queremos ser santos. Isso não é possível. É Deus quem nos mostra como Ele quer que sejamos santos. É Deus que, por meio de tantos meios, e pelo sofrimento em particular vai nos fazer santos. Devemos renunciar a nós mesmos, à nossa vontade própria para sermos santos, claro, sempre na Igreja Católica, sempre com a fé católica, cumprindo os mandamentos e os nossos deveres de estado.
Alguns querem ser santos como idealizaram: sofrendo as tribulações que são honrosas, que trazem reconhecimento. Carregando as cruzes que idealizaram. Isso não é amar a cruz, mas a honra, o reconhecimento, é amar a si mesmo. Outros estariam dispostos a suportar o mal, desde que não fossem incomodados em seus desígnios ou desde que não sofressem tal coisa em particular. Diante do mal, nos diz São Francisco de Sales, devemos opor os remédios que forem possíveis e conformes à vontade de Deus. Feito isto, devemos esperar com inteira resignação o que Deus achar melhor. Se Lhe agrada que os remédios afastem o mal, devemos agradecer-Lhe com humildade. Mas se Lhe agrada que a provação perdure, devemos agradecê-lO e louvá-lO com paciência.  Nossa cruz nunca é maior que as nossas forças sustentadas pela graça divina. ”Meu Deus, essa cruz eu não aguento”. Isso não existe e no fundo é uma blasfêmia contra a justiça de Deus e a Sua sabedoria e bondade. Se Deus nos dá uma cruz, nos dá também as graças para carregá-la.
O caminho para atingir a santidade vai sendo, então, traçado por Deus ao longo de nossa vida. Jamais seremos santos como queremos, ou segundo o modo que nos agrada de sermos santos. Para sermos santos, é preciso que renunciemos a nós mesmos, tomemos a nossa cruz e sigamos a Cristo.
O sofrimento tem, basicamente, caros católicos, dois sentidos: o primeiro e mais básico é a reparação pelos nossos pecados. Diante de um só pecado nosso, ainda que venial, mereceríamos uma pena que nem podemos imaginar. Muitas vezes ouvimos: “Meu Deus, o que eu fiz para merecer isso?” Alguém que compreende a maldade de um só pecado venial, nunca ousará fazer tal questionamento a Deus. Pelo pecado, ofendemos a Deus apegando-nos à nossa própria vontade e o ofendendo. Pelo sofrimento, ocorre algo contrário à nossa vontade para que possamos suportar bem, adquirir virtudes e dar, assim, maior glória a Deus, glória externa de Deus que retiramos pelos nossos pecados. O primeiro e mais básico sentido do sofrimento é, assim, o de ser uma reparação a Deus pelos nossos pecados. Se os sofrimentos fossem apenas isso, já seriam uma coisa excelente, justíssima, sábia, pois os sofrimentos restabelecem a ordem lesada pelos nossos pecados.
O sofrimento, porém, tem ainda um outro sentido: nos santificar. Sem sofrimento, não podemos ser santos. Sem sofrimento não podemos ser santos? O que dizemos? Sem muito sofrimento não podemos ser santos!  E isso é claro, caros católicos. Para sermos santos precisamos ser purificados de nossos pecados, de nossos defeitos, de nossas más inclinações, de nossas imperfeições. Devemos ser purificados de nossos apegos. Essa purificação tem por objetivo justamente fazer que nos apoiemos inteiramente em Deus. A purificação de todas essas inclinações desordenadas nos fará necessariamente sofrer. E ela nos levará, então, como dissemos, a nos fazer com que apoiemos inteiramente em Deus. Que amemos a Deus por Ele mesmo. Deus vai, então, purificar a nossa alma, dando aridezes, permitindo dificuldades que antes não tínhamos nas orações, na prática dos mandamentos. Parece quase que Deus no abandonou. Ele pode ir permitindo todo tipo de provação e, muitas vezes ao mesmo tempo, as mais variadas provações, os mais variados e tremendos sofrimentos: perseguições, zombarias, problemas no seio da família, enfermidades, problemas econômicos, incompreensões mesmo da parte dos bons, problemas nas amizades. Também tentações muito baixas e persistentes. Deus sabe o que convém para cada um de nós, a fim de nos purificar. E devemos aceitar isso. A pessoa, então, muitas vezes vê o seu mundo praticamente desmoronar diante dela. Parece realmente que estamos perdendo tudo. Mas podemos justamente, sofrendo em união com o Sagrado Coração de Jesus, ganhar tudo, amar a Deus perfeitamente. E é isso que Deus quer com esses sofrimentos, com qualquer sofrimento: que o amemos perfeitamente.
Diante de todo esse sofrimento, algumas almas não compreendem e dizem: “Antes, eu me sentia melhor e tinha um grande entusiasmo para servir a Deus. Eu tenho rezado, tenho procurado servir a Deus e meu sofrimento só está aumentando. Não está dando certo. Vou voltar ao meu sentimentalismo de antes, ao meu grupo de antes. Eu me sentia melhor.” Essa alma, coitada, desconhece a ação de Deus que vai purificando a alma. E ela vai procurar consolações cada vez mais indignas.
Diante desse sofrimento tremendo, outras almas abandonam tudo: “Meu Deus, eu tenho procurado Vos servir e só recebo sofrimentos em troca. Não tenho mais confiança em Vós. Pedi a graça de ser santo e recebi apenas sofrimentos. Deus é injusto.” Ainda que essa alma não pronuncie essa última palavra – Deus é injusto – é esse o fundo do seu pensamento. Essa alma torna-se, então, uma alma rancorosa para com Deus. Se não mudar rapidamente de atitude, a tendência é abandonar a religião. Também essa alma não entende a ação bondosa de Deus nela e como Ele quer que ela seja santa.
Diante desse sofrimento tremendo, algumas poucas almas saberão se portar como verdadeiras almas católicas. Elas compreendem o que Deus está procurando fazer… Compreendem, ainda que de modo obscuro, que o amor de Deus quer conduzi-las à santidade. Elas sabem que para isso é preciso que elas sejam purificadas e que essa purificação vem pelo sofrimento. Essas almas compreendem o amor de Deus nessas cruzes. Elas continuarão fazendo, diante desses mais terríveis tormentos e provações, diante desse aparente abandono completo de Deus, elas continuarão fazendo tudo o que têm feito. Elas continuarão rezando do mesmo jeito ou melhor. Elas continuarão servindo a Deus do mesmo jeito ou melhor, apesar de sentir um desgosto nisso. Elas continuarão a cumprir seus deveres de estado do mesmo jeito ou ainda melhor. Elas cumprirão a rotina do mesmo jeito ou melhor, sem procurar mudanças bruscas que poderiam supostamente confortá-la. Essa alma compreende, ainda que de modo obscuro, que as tentações, por piores que sejam e por mais persistentes que sejam, são apenas tentações e não um pecado. Ela combate essas tentações firmemente, mas serenamente, sem se perturbar, sem se agitar. Sabe que pode adquirir virtudes nesse combate. Tomemos o exemplo de Santa Joana de Chantal. Tendo se tornado viúva e depois conhecido São Francisco de Sales, fundou a Ordem da Visitação. Levava uma vida santa e tinha tormentos tremendos, tentações baixas, tentações de largar a vida religiosa e de voltar ao mundo. O que fez Santa Joana de Chantal? Continuou como estava, nas mesmas ações dentro do Convento. Então, essa alma sabe que nessas tentações mais tremendas pode adquirir virtudes. Essa alma católica não fica jogando a culpa de todos os problemas nos outros: meu marido isso, minha esposa aquilo, meus filhos não sei o quê, minhas amizades aquilo outro, meus superiores isso, o padre não seio o quê. Em vez de ficar murmurando, essa alma aproveita tudo isso para se santificar, para deixar que Deus a purifique. Compreendendo tudo isso, ela compreende o valor do sofrimento e como o sofrimento a assemelha mais a Jesus Cristo. Essa alma compreende que em meio a tudo isso Deus está mais presente do que nunca. Ela vai passando da mera resignação diante do sofrimento à alegria no sofrimento, por compreender o valor dele. Pouco a pouco. Nos meios desses sofrimentos tremendos, inúmeras vezes essa alma não compreenderá tão bem, ou quase nada do que Deus está fazendo ou daquilo que Deus quer exatamente dela. Mas ela continua servindo a Deus generosamente. Ela não olha voluntariamente para o mundo. Podem vir tentações de voltar a uma vida mundana, mas ela permanece firme, mesmo sem entender o que Deus quer exatamente. Essa alma confia em Deus. Ela sabe que o que não é de Deus leva à vaidade. Essa alma sabe que tudo é vaidade. Essa alma, então, não tropeça nos sofrimentos, se ela confia em Deus se ela pede a graça divina. Essa alma, não abandona o caminho da santidade. Essa alma não tem medo de sofrer por Deus, pois não se apoia em si mesma, mas em Deus e em Maria Santíssima.
Infelizmente, algumas almas até compreendem um pouco essa ação de Deus, mas preferem não sofrer e desistem da santidade e colocam a própria salvação em considerável perigo.
“Padre, que sofrimento tremendo esse que o senhor descreveu: sensação de abandono de Deus, aridez nas orações, perseguições, problemas na família, incompreensões mesmo dos bons, problemas nas amizades, problemas econômicos e de todo tipo. Que sofrimento tremendo. Ainda bem que é coisa rápida”. Depende muito. São Francisco de Assis, por exemplo, foi sendo assim purificado durante dez anos. Santa Teresa d’Ávila durante dezoito anos. Santa Clara de Montefalco durante quinze anos. Santa Maria Madalena de Pazzi durante cinco anos e depois mais dezesseis anos. Santa Catarina de Bolonha durante cinco anos. Quando lemos a vida dos santos, às vezes, tudo parece muito simples. Não nos damos conta dos sofrimentos tremendos pelos quais passaram. “São Francisco de Assis botou fora os tecidos de seu pai e depois viveu tranquilo para o resto da vida.” Não é bem assim. Dez anos para ele nessas tremendas purificações, unindo-se cada vez mais a Deus, compreendendo cada vez mais o valor do sofrimento e passando a se alegrar cada vez mais com eles. Parece muito bonito o sofrimento da vida dos santos. Mas quando Deus quer nos fazer santos com sofrimentos e purificações semelhantes, recusamos, não compreendemos. Porque somos orgulhosos, achando que não merecemos sofrer.  Desprezamos, assim, uma grande graça. Quem pede para ser santo – e deve ser o pedido principal e mesmo obrigatório de cada um de nós – pede para sofrer. Necessariamente.
A graça que devemos pedir ao amorosíssimo Coração de Jesus é essa graça de sofrer bem, de compreender a ação de Deus em nossa alma.
É preciso sofrer e todos têm de sofrer. E isso é excelente. Excelente. É uma glória sofrer por Deus. Vou repetir: é uma glória sofrer por Deus. Se não quisermos sofrer por Deus, vamos sofrer do mesmo jeito, sobretudo no inferno, para dar glória a Deus manifestando Sua justiça. Quem carrega a sua cruz com paciência se salva; quem a carrega com impaciência se perde. As mesmas cruzes, diz Santo Agostinho, levam alguns para o Céu, e outros para o inferno. Com a prova do sofrimento se distingue a palha do trigo na Igreja de Deus: quem se humilha nos sofrimentos e se submete à vontade de Deus é trigo destinado ao Céu; quem é soberbo e fica impaciente, ou até mesmo chega a se revoltar a ponto de voltar as costas para Deus, é palha que é destinada ao inferno.
O Verbo Eterno, caros católicos, desceu à terra para nos ensinar, com Seu exemplo, a carregar com paciência as cruzes que Deus nos manda. “Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os Seus passos”, nos diz São Pedro (1 Pd 2,21). Jesus Cristo quis sofrer para nos encorajar no sofrimento. Qual foi a vida de Cristo? Foi uma vida de humilhações e sofrimentos. Como diz o profeta Isaías: “Desprezado, último dos homens, homem das dores!” (Is 53,3). O Filho de Deus estava com a aparência de um verme.
Como Deus tratou seu Filho predileto, do mesmo modo trata a todos aqueles que Ele ama e recebe como filhos. Santa Teresa diz que sentiu na sua alma como se Deus lhe falasse: “Fica sabendo que as pessoas mais queridas de Meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos.” Por esta razão, quando ela se via nos sofrimentos, dizia que não os trocaria por todos os tesouros do mundo. Santa Teresa compreendeu o valor do sofrimento.
São Vicente de Paulo afirmava que se deve considerar como grande desgraça nesta vida o não ter nada a sofrer; e acrescentava que uma congregação Religiosa ou uma pessoa que não sofre e a quem todos aplaudem, está próxima de uma queda. Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele. E nós, insensatos, achamos que Deus esqueceu de nós quando estamos sofrendo.
E São João Crisóstomo escrevia: “Quando o Senhor concede a alguém a graça de sofrer, faz-lhe um bem maior do que se lhe desse o poder de ressuscitar os mortos. Quem padece alguma coisa por Deus, se não tivesse outra graça senão a de poder sofrer por amor a Deus, já deveria considerar-se muito recompensado”. Por isso, São Paulo apreciava mais a graça de ser preso por Jesus Cristo do que a graça de ser arrebatado ao terceiro Céu.
“A paciência – nos diz o apóstolo São Tiago – produz uma obra perfeita.” (Tg 1,4). Isso quer dizer que não existe coisa mais agradável a Deus do que sofrer por amor a Ele, com paciência e paz, todas as cruzes por Ele enviadas.
São João viu todos os santos no Apocalipse, vestidos de branco, segurando palmas nas mãos. (Ap 7,9). A palma é o símbolo do martírio; mas nem todos os santos foram mártires. Mas todos seguram palmas, nos diz São Gregório porque todos os Santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência. E acrescentava o santo: “Nós podemos ser mártires sem a espada, se guardamos a paciência”.
O mérito de uma pessoa que ama Jesus Cristo consiste em amar e sofrer. Eis o que Deus fez Santa Teresa entender: “Pensa, minha filha, que o mérito consiste nos prazeres? Não, o mérito consiste em sofrer e amar. Veja minha vida cheia de dores. Acredite, minha filha, aquele que é mais amado por meu Pai recebe dEle cruzes maiores; ao sofrimento corresponde o amor. Veja estas minhas chagas, as suas dores nunca chegarão a tanto. Pensar que Meu Pai admite alguém na sua amizade sem o sofrimento é um absurdo”. Mas com o sofrimento, Deus manda as graças para podermos suportá-lo com paciência e mérito. Devemos ser fiéis a essas graças.
São três as principais graças que Jesus faz às pessoas amadas por Ele: a primeira, não pecar; a segunda, que é maior ainda, fazer as boas obras; a terceira, que é a maior de todas, sofrer por Seu amor. Dizia Santa Teresa que quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma Cruz. Eis porque os santos agradeciam a Deus ao receberem os sofrimentos.
São Luiz, Rei de França dizia: “Eu me alegro e fico muito agradecido a Deus mais pela paciência que me concedeu na minha prisão do que se tivesse conquistado a terra inteira”. Santa Isabel, rainha da Hungria, tendo perdido seu esposo, tendo sido expulsa do lugar onde morava com seu filho, sem abrigo, abandonada por todos, dirigiu-se a um convento dos franciscanos e mandou cantar o “Te Deum”, um hino de ação de graças a Deus pelo favor que Ele concedia a ela ao fazê-la sofrer por Seu amor.
Falando desta vida, é certo que quem padece com mais paciência vive com maior paz. Dizia São Felipe Neri que neste mundo, nesta terra, nesta vida não há Purgatório: ou é Paraíso ou é Inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida estão como que no Paraíso. Quem assim não suporta os sofrimentos dessa vida com paciência, faz da própria vida um inferno. Sim, porque, como escreve Santa Teresa, quem abraça as cruzes que Deus lhe manda não as sente ou as carrega pouco a pouco com suavidade e doçura, mesmo quando as cruzes são grandes. Não abraçar a cruz é fazer da própria vida um inferno. Quem foge da sua cruz aumenta a sua cruz enormemente.
Um missionário religioso, nas Índias, assistia uma vez à execução de um condenado. Este, antes de morrer, chamou o missionário e lhe disse: “Sabe Padre, eu fui da sua Congregação Religiosa. Enquanto observava o regulamento de vida, eu era muito feliz. Mas desde que comecei a relaxar, achei tudo difícil e passei a me aborrecer com tudo. Abandonei a vida religiosa – quer dizer, abandonei a minha cruz – para me entregar aos vícios; eles finalmente me trouxeram a este fim desgraçado que agora o senhor está vendo. Digo-lhe isto para que o meu exemplo possa servir a outros.” A recusa do sofrimento vai gerando a revolta, que gera o afastamento de Deus, que leva à perda da fé.
O Padre Luís da Ponte dizia: “Considere como amargas as coisas doces desta vida e como doces as amargas; e assim terá paz.”
Caros católicos, o catolicismo não é água com açúcar. O catolicismo não é dos pusilânimes, dos fracos, dos medíocres. O Reino dos Céus é dos violentos, diz Nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, dos que sabem sofrer em união com o Sagrado Coração de Jesus. As coisas não serão simples. Mas é possível, perfeitamente possível com a graça de Deus. Essa é a verdadeira religião de Nosso Senhor Jesus Cristo. É necessário que compreendamos isso. O quanto antes. Sem entender isso, não daremos um passo sério no caminho da santidade. Sejamos homens e mulheres capazes de sofrer por Cristo, com o auxílio da graça dEle. Deixemos de murmurar, de reclamar, de nos revoltar. Vale a pena sofrer por Deus. É grande sinal da amizade e do amor do Sagrado Coração de Jesus para com a nossa alma, as cruzes. Peçamos a Nossa Senhora das Dores a graça de compreender a ação de Deus em nossa alma por meio dos sofrimentos. Peçamos a Nossa Senhora das Dores e ao Sagrado Coração de Jesus nessa Festa dEle.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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