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11 de julho de 2018

O sacerdócio e o sacrifício

 O sacerdócio e o sacrifício

Caros católicos, aproveitemos a ocasião dessa primeira Missa do Padre, para tratarmos um pouco do sacerdócio católico. Como festejamos hoje Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina, peçamos a ela que nos ajude nesse nosso propósito.
Pelo sacramento da ordem, o batizado católico homem torna-se sacerdote do Altíssimo. O sacramento da ordem recebe esse nome em virtude da ordem que ele estabelece na Igreja, distinguindo o clero dos leigos, sendo que ao clero, isto é, à hierarquia da Igreja, Nosso Senhor confia a missão de governar, ensinar e santificar os fiéis. O sacramento da ordem recebe esse nome também porque o Padre deve estar completamente ordenado, voltado para Deus.
Pela imposição das mãos do Bispo e pelas palavras do sacramento da ordem, é impressa na alma daquele batizado uma marca espiritual indelével, quer dizer, que não pode se apagar. Essa marca é o caráter sacerdotal, que permite ao sacerdote administrar as coisas santas. Pelo batismo, nossa alma recebe uma marca espiritual indelével que faz de nós filhos adotivos de Deus e aptos a receber as coisas sagradas, em primeiro lugar, os sacramentos: é o caráter batismal. Pela Crisma, nossa alma recebe uma marca espiritual indelével que faz de nós soldados de Cristo, aptos a defender as coisas sagradas: é o caráter do sacramento da crisma. Pela ordem, a alma de um homem é marcada como sacerdote do Altíssimo: ele pode, agora, como instrumento de Cristo Sacerdote, transformar o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, ele pode renovar o sacrifício de Cristo sobre os altares, ele pode perdoar os pecados. A alma do sacerdote está marcada para sempre com esse caráter sacerdotal. Existe, portanto, uma diferença na alma de um padre e na de um simples fiel, como existe uma diferença entre a alma de um batizado e a de um não batizado. O Padre continua sendo perfeitamente homem, mas é também sacerdote do Altíssimo.
Nosso Senhor instituiu o sacerdócio católico, o sacerdócio da nova e eterna aliança, na Última Ceia. Nela, Jesus Cristo celebrou a primeira Missa, antecipando o seu sacrifício na Cruz, que aconteceria no dia seguinte. Nela, após ter transformado o pão no seu Corpo e o vinho no seu Sangue, Nosso Senhor deu uma ordem clara aos apóstolos: fazei isso em memória de mim. Fazei isso, quer dizer, transformai o pão em meu Corpo e o vinho em meu Sangue, em memória do que fiz, em memória de meu sacrifício na Cruz.
Pela própria instituição do sacerdócio, vemos a união necessária que existe entre o sacerdócio e o sacrifício e entre o sacerdócio e a eucaristia. O Padre, caros católicos, é, antes de tudo, o homem do sacrifício, o homem da Missa, pela qual se renova o sacrifício de Cristo sobre os altares. O sacerdote é o homem da Missa, o sacrifício perfeito e único agradável a Deus.
Como dissemos, o Padre deve estar inteiramente voltado para Deus. O sacerdote faz isso, primeiramente, oferecendo a Deus o sacrifício. O sacrifício é o ato mais perfeito de culto a Deus, pelo qual se reconhece o seu soberano domínio sobre todas as coisas, pelo qual pedimos o arrependimento dos nossos pecados, pelo qual agradecemos a Deus pelos seus inúmeros benefícios, pelo qual pedimos a Deus as graças de que precisamos para a nossa salvação.
Centrado na Missa, centrado no sacrifício de Cristo na Cruz, o sacerdote exercerá bem todo o seu ministério sacerdotal. Ele saberá sacrificar seus próprios pensamentos para transmitir com fidelidade perfeita os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele saberá sacrificar seus gostos e sua comodidade para entregar-se à salvação das almas, para perdoar os pecados, para visitar os enfermos e suas ovelhas. Centrado na Missa, o sacerdote saberá se oferecer como vítima, em união com Cristo, para que Deus seja mais conhecido, amado e servido, para que as almas alcancem o céu. O sacerdote deve consumir a sua vida, em um martírio não sangrento, por Deus e pelas almas. São esses dois os seus únicos interesses. Não há outros, verdadeiramente.
Hoje, se constata uma grande e grave crise no sacerdócio. É uma crise de identidade. Muitos padres já não sabem o que é realmente um sacerdote ou não sabem como exercer o sacerdócio. Em grande parte, essa crise da identidade sacerdotal se deve ao fato de que se perdeu, mesmo entre o clero, a noção de sacrifício. Quando a Missa, que é o único e perfeito sacrifício do Novo Testamento, é considerada como uma simples refeição, uma festa, um simples memorial, a consequência para o sacerdócio é imensa. O padre não será mais o homem do sacrifício e que se sacrifica pelo bem das almas, mas será simplesmente o homem das reuniões, das pastorais sem fim, será um animador de comunidades, um funcionário… Para que o padre saiba quem ele é e como deve agir, a liturgia deve ser profundamente sacrificial. Assim, o padre poderá entender que sua finalidade é oferecer o sacrifício de Cristo a Deus e sacrificar-se pelas almas. Portanto, caro Padre, a Missa deve ser o centro de sua vida sacerdotal. A Missa na liturgia romana tradicional, que tão perfeitamente expressa seu caráter sacrificial e que você escolheu celebrar exclusivamente ao ingressar no Instituto Bom Pastor. Sem a Missa, o Padre nada pode fazer, praticamente. Com ela, pode fazer grandes coisas.
Quando o exercício do sacerdócio católico voltar a fundamentar-se realmente no sacrifício, ele poderá ser realmente renovado e, com a renovação do sacerdócio, todas as coisas poderão ser restauradas em Cristo. Tudo, na vida sacerdotal, deve ser uma preparação para a Missa ou frutos advindos da Santa Missa.
E quão grande é a dignidade do padre. Foi escolhido por Deus para renovar o sacrifício da Cruz, para perdoar os pecados, para transmitir os seus ensinamentos, para abençoar e santificar. Colocado como mediador entre Deus e os homens. Apresentando a Deus as súplicas dos homens e transmitindo aos homens as graças de Deus, principalmente pelos sacramentos. Verdadeiramente, é grande a dignidade do sacerdócio, que perpetua a obra da redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. O sacerdote deve reconhecer a sua dignidade não para orgulhar-se, mas para exercer fielmente o seu ministério, para saber que grande também é a sua responsabilidade, devendo responder diante de Deus pelas almas que lhe foram confiadas. Deve reconhecer a sua dignidade para recorrer ao auxílio divino, a fim de corresponder a tão grande graça, sem presumir de suas próprias forças. Deve, para tanto, ter uma devoção realmente profunda a Nossa Senhora.
Grande é a dignidade daquele que pode oferecer o sacrifício de valor infinito a Deus e que pode perdoar os pecados. Grande é a sua responsabilidade. Peça a Nossa Senhora, caro Padre, e também nós, os outros padres, peçamos a ela a graça de permanecer fiel à vocação que recebemos de Deus. Recomendamo-nos, caros fiéis, às orações de vocês.

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