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26 de fevereiro de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência X


Parte 4/9


C -  E aqui chegamos a um novo argumento, mais forte ainda, que altamente protesta contra o divórcio, O divórcio é uma maldição para o homem, maldição maior ainda para a mulher, mas para a criança é a maldição mais horrorosa.
Se tudo quanto evocamos não existisse, se o homem e a mulher tivessem só a ganhar no divórcio, - vimos, porém, o quanto eles perdem, - seria preciso então dizer:  Nunca o divórcio. Por quê? Porque o divórcio pode, quem sabe, ser vantajoso para a mulher, nunca o será, porém, para a criança, e portanto não o é, nem para a sociedade, nem para a nação.
a - Quanto a boa educação dos filhos exige que os pais vivam unidos! Que perigo o divórcio para a alma das crianças, em toda a sua existência!
A tragédia começa no processo do divórcio. A luta encarniçada e feroz trava-se entre os pais: quem cuidará dos filhos, o pai ou a mãe? Quantos estragos inauditos, na alma da criança, quando se vê obrigada a escolher quem deve amar: seu pai ou sua mãe? É verdade que isto não tem mais valor, quando o tribunal divide os filhos, metade ao pai, e metade à mãe.
Consumou-se o divórcio. Presentemente, começa a "educação" dos filhos. A educação? Que educação? A parte que cuida dos filhos prima por querer arrancar de seus corações o amor natural a respeito da outra parte. Conta-lhes tudo o quanto ela sabe de mal. A outra parte, a quem arrebataram os filhos, tudo faz para reconquistá-los, e para tal fim não recua ante os meios os mais extravagantes. E a alma da infeliz criança será irremediavelmente sacrificada, neste funesto vai e vem. Infelizes crianças, órfãs antes da morte dos pais! Pobres avezinhas caídas do ninho, e cuja alma não pode gozar de todo um mundo de felicidade, por causa do divórcio dos pais!
b - E a prova de que isto não é uma fantasmagoria, nem uma ideia sem fundamento, mas uma terrível realidade, nós a encontramos na carta que um filho, cujos pais se divorciaram, escrevia ao Menino Jesus, por ocasião do Natal. Nem Demóstenes falaria de maneira tão comovente contra o divórcio. Nem Cicero lhe faria semelhante ato de acusação, como a cartinha que o pequenino João escrevera com sua letra ainda incerta, no Natal, ao Menino Jesus: "Caro Pequenino Jesus, peço-te isto, leva-me para o céu. Quereria tornar-me um anjo. E eu prometo que serei um anjo bem delicado, e farei tudo o que me mandares. Sou tão infeliz aqui. Sabes que o papai mandou embora a minha mãe, porque recebeu uma outra mamãe. Mamãe levou-me, mas não vivo bem com ela. Não há mais açúcar. Faz tanto frio aqui. Atualmente mamãe tem um novo papai, mas ela ainda chora muito. O novo papai é um bêbado. Mamãe lamenta-se aos vizinhos, dizendo que não sabe mais o que fazer, porque assim morreremos de fome. Eu disse a mamãe que matarei o novo papai. Mamãe, porém, me disse que o pequenino Jesus ficaria zangado. No catecismo aprendi que os anjos são muito felizes, e que não obedecem senão ao Pequeno Jesus. Desejaria muito ser um anjo, porque sou tão infeliz. Eu te súplico, Pequeno Jesus, leva-me depressa contigo. Beijo-te as mãos. Jeanot"
Não é uma invenção, mas sim um acontecimento. Dizei-me, pois, teremos o direito de revoltar-nos e indignar-nos, se um dia estas criancinhas, crescendo, se tornarem mal feitores, homens sem moralidade, ladrões, assassinos? Dizei-me: quais os culpados? as crianças pervertidas, ou os pais, cujo divórcio foi uma ocasião para a ruína de seus filhos? Se esquadrinhamos a juventude dos famosos celerados, quantas vezes não encontramos, como origem de seus crimes, uma família separada.

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