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16 de fevereiro de 2016

SOLENIDADE EXTERNA DA EPIFANIA - Capela N. Sr.ª das Dores - Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Os reis magos e a verdadeira religião


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Caros católicos, diante da longa jornada dos Reis Magos a Belém para adorar o Menino Jesus, devemos nos fazer algumas perguntas. Devemos nos perguntar que razão levou esses sábios governantes de outras nações a vir adorar Jesus. Por acaso era costume ou lei da época que se fizesse isso para todos os reis que nascessem? Certamente, não. Adoraram o Menino Jesus talvez esperando receber dele algum benefício no presente? Mas o que podiam eles esperar receber de um bebê e de sua mãe pobre. Esperavam obter alguma vantagem no futuro? Mas como saber se efetivamente aquele Menino seria rei? E foram adorar um rei nascido em um palácio real, rodeado de servidores de todo o tipo? Não, foram adorar um Menino envolto em alguns panos em um estábulo, dividindo o espaço com alguns animais. E o que os leva a procurar o rei atual, Herodes, para saber onde nasceu o outro Rei, colocando a si mesmos em perigo? Tudo isso parece uma loucura.
Todavia, loucura não é. Os reis magos foram guiados por aquela estrela que aparecera no céu. Os reis magos eram sábios e conheciam bem a astronomia, a ciência que leva ao conhecimento dos astros celestes e de seus movimentos. Sabiam, então, que aquela estrela não era normal, mas que se tratava de um milagre. Sabiam que aquela estrela tinha aparecido no céu pela virtude divina. Era um milagre, não havia dúvida. Com São João Crisóstomo, podemos dizer que não existe estrela no céu que percorra um tal caminho, vindo do oriente, parando em Jerusalém e seguindo depois para Belém. Não existe tampouco uma estrela que aparece em pleno dia, quando o sol está brilhando e não somente de noite. Não existe uma estrela que, por vezes, aparece e que por vezes se oculta, como aconteceu com essa estrela por exemplo, sumindo quando chegaram em Jerusalém e reaparecendo quando partiram de Jerusalém para Belém, como deixa implícito o Evangelho. Finalmente, não existe estrela capaz de indicar um lugar tão particular e pequeno como um estábulo, parando sobre um Menino, como nos diz o Evangelho. Está claro: essa estrela é um milagre, e foi feita por Deus precisamente para guiar os magos ao Menino Jesus. Claro, Deus os guiava exteriormente pela estrela e interiormente pela sua graça.
Como dissemos, a ida dos reis magos para Belém para adorar aquele Menino que acabara de nascer não era uma loucura. Os reis magos sabiam, pela estrela e pela graça divina, que iam adorar o Rei dos judeus, o Salvador dos homens, o Deus feito homem. E tudo o que fizeram, todo o esforço que empreenderam, todos os riscos que correram, inclusive com Herodes, foi para isso: para adorar o Verbo Encarnado, para adorar o Deus verdadeiro e único. Os reis magos eram pagãos, mas se converteram a Jesus Cristo, vindo adorá-lO. Foram os primeiros pagãos a se converterem a Cristo. É isso que toda a humanidade deve fazer: adorar o Deus único e verdadeiro, uno em substância e trino nas pessoas. Adorar Jesus Cristo que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada. Os reis magos, com essa adoração logo no início da vida de Jesus, significam todos os pagãos que iriam se converter a Nosso Senhor Jesus Cristo. E, de fato, para isso Ele veio ao mundo, para atrair todos a si com sua doutrina e com sua caridade. Infelizmente, nem todos se deixam atrair pela doutrina de Cristo e pela sua caridade e continuam em outras religiões.
Nós consideramos hoje no Evangelho tudo o que fizeram os Reis Magos para adorar Jesus, mostrando nosso dever para com Deus e para com a verdade. Hoje, todavia, muitos afirmam que a crença religiosa não tem importância para a bondade da pessoa nem para a salvação de sua alma. Muitos afirmam que é possível se salvar por meio de qualquer religião, e que todas as religiões são iguais. É a doutrina do indiferentismo religioso, que tanto aflige a nossa sociedade e mesmo os meios católicos. Nada mais comum hoje do que esse pensamento errado que não faz distinção entre os credos, que concorda com todo mundo, e que afirma que o porto da salvação eterna está aberto para os seguidores de qualquer religião. O Papa Pio IX (Singulari Quidem), em 1856, já dizia que é necessária uma grande vigilância para evitar que a chaga desse terrível mal contamine e mate as ovelhas. O Papa afirma que é preciso, para combater esse erro, afirmar constantemente, em acordo com o que Cristo nos ensinou, que existe um só Deus, um só Cristo, um só batismo e que existe, assim, apenas uma verdade que é divinamente revelada. É preciso lembrar que existe uma só verdadeira religião. Existe uma só fé que é o começo da salvação para o gênero humano, fé pela qual o justo vive e sem a qual é impossível agradar a Deus. Sem essa fé é impossível também ser contado entre os filhos de Deus. É preciso lembrar que existe apenas uma Igreja santa, católica, que é a Igreja Católica Apostólica Romana. Existe uma só Igreja fundada sobre Pedro pela palavra de Cristo ao dizer: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.” E fora dessa Igreja não pode haver a verdadeira fé nem salvação. E aquele que não tem a Igreja por mãe não pode ter Deus por Pai. Não é Buda nem Alá que nos salva. Não somos nós mesmos que nos salvamos por sucessivas reencarnações. É Nosso Senhor Jesus Cristo que nos salva, quando correspondemos à sua graça, crendo em suas palavras e praticando os seus mandamentos.
Portanto, há uma só religião verdadeira, a que nos foi dada por Cristo, a que Ele fundou sobre Pedro. Essa religião é a católica apostólica romana. Nossa postura, como católicos, deve ser, então, trazer os outros para a barca de Pedro, para que possam se salvar. Devemos trazê-los com caridade e prud e usando os meios legítimos. Para tanto, devemos professar claramente a nossa fé e dar bom exemplo, praticando as boas obras. Devemos também, segundo o nosso estado e capacidade, conhecer bem a doutrina católica, para propagá-la e para saber defendê-la dos ataques caluniosos.
Muitas vezes, se quer unir as diferentes religiões em detrimento da verdade, para criar uma religião universal sentimental e subjetiva, relativista. A verdadeira união religiosa só se pode fazer em Cristo e em sua Igreja, a Católica. Fica claro que católicos e não católicos podem se unir civilmente para defender os princípios fundamentais da lei natural ou do cristianismo contra os inimigos de Deus, ou para restaurar a ordem social, desde que o católico não aprove nem se associe a nada que esteja em conflito com a fé e com a doutrina da Igreja, mesmo em questões sociais. Não se pode, por exemplo, apoiar o pernicioso erro do liberalismo para combater o gravíssimo erro do socialismo.
Nós acreditamos no amor, caros católicos, mas não em qualquer amor ou em um amor vago que simplesmente une os homens sentimentalmente em detrimento da verdade. Como diz São João (1Jo 4, 16), nós cremos no amor que Deus tem por nós. E, se acreditamos no amor que Deus tem por nós, se acreditamos que Ele se fez homem e morreu na cruz para nos salvar, não podemos ficar indiferentes. Devemos amá-lo em troca e buscar que também o próximo ame o Deus único e verdadeiro, Uno e Trino e que se fez homem e morreu na cruz para nos salvar.
Em nome do Pai…

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