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10 de outubro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

O pudor, Esplendor da Beleza Corporal


Parte 2/8

O pudor é o guardião da pureza.
O templo de Jerusalém foi o lugar mais venerável da antiguidade.  Ali se ofereciam a Deus sacrifícios prescritos pela Lei; ali se comunicava Deus com os homens e lhes manifestava a sua glória.
O próprio Deus dirigiu a sua construção nos mínimos detalhes. As madeiras mais preciosas, os mais ricos metais foram empregados na sua construção. Destruído várias vezes, outras tantas reedificado.
O templo que os olhos de Jesus contemplaram era de uma magnificência suntuosa. A fachada era recoberta de espessas lâminas de ouro que batidas pelos raios de sol resplandeciam com cintilações de fogo. As paredes e torreões de pedra branca como o marfim, assemelhavam-se ao longe a uma montanha de neve. E para que as aves não se pousassem nele nem o manchassem, o telhado era eriçado de finíssimas agulhas de ouro. Nem sequer o roçar das aves devia manchar o ouro e a neve daquele templo venerando.
Templo do Espirito Santo chama São Paulo ao cristão. Templo purificado e consagrado a Deus no batismo.
O demônio habitava nesse templo e o sacerdote soprando suavemente no rosto da criança ordenou em nome de Jesus Cristo: " Sai dele, espírito imundo; deixa o posto ao Espírito Santo."
As águas santificadoras caíram sobre a fronte da criança; a sua alma ficou mais branca e mais limpa que a neve; o Espírito Santo penetrou nela e revestiu-a com o ouro da caridade. A caridade de Deus difundiu-se nos vossos corações.
O sacerdote consagra aquele templo ao Espírito Santo, ao serviço de Deus, fazendo o sinal da cruz na fronte e no coração da criança: "que os teus costumes sejam dignos e tais, que possas ser um templo de Deus".
E para que o ouro e a neve desse templo não se manchem, para que a pureza e a caridade da alma não percam o brilho, Deus pôs nesse templo uma defesa; sabeis qual é? - O pudor.
O pudor é a defesa que Deus deu ao homem para que conserve imaculada a pureza do seu corpo e da sua alma. O pudor é como as agulhas de ouro do templo de Jerusalém.
Disse São Cipriano às virgens cristãs: "Tende cuidado que nada de impuro e de profano entre nesse templo de Deus para não ficar ofendido e não abandonar essa morada o que a habita". Nada de impuro, mais ainda, nada de profano, deve manchar o templo de Deus; e o guardião zeloso desse templo há de ser o pudor.
Conquistar a vontade, essa é a aspiração suprema dos inimigos da alma. Todos os seus assaltos vão encaminhados para isto: a conquista da vontade. E porquê? Porque a vontade é a autora do pecado. Quando a vontade aceita livremente o que Deus proibiu, o pecado está consumado. Enquanto a vontade permanecer firme, os inimigos estão em derrota. Pobre vontade humana! Tão débil como é e com tantos inimigos que a arrastam ao pecado!
O mais traidor de todos eles é o seu companheiro inseparável: as paixões. As paixões que se lançam cegamente nos prazeres que lhes apresentam os sentidos e querem arrastar consigo a vontade. Essas paixões têm um aliado muito poderoso: o mundo.
Que seduções atraentes oferece às paixões a sociedade moderna! Nas ruas, nos salões de diversões. Esses objetos pecaminosos são como ímãs que atraem fortemente as paixões humanas. E a pobre vontade, se não quer ofender a Deus, se quer conservar sem mancha a pureza da alma e a pureza do corpo, tem que lutar e resistir energicamente a esse duplo inimigo associado.

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