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23 de outubro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

O Pudor, esplendor da Beleza Corporal


Parte 8/8

Compreenderam bem estas leis psicológicas os corrompidos e os corruptores da sociedade e pensaram: Para dominarmos as vítimas das nossas paixões, é necessário destruir o pudor, defesa da pureza. Só assim cairão nas nossas redes as avezinha incautas.
Destruamos esse pudor, vestígio dos séculos passados. Temos de tirar os travões a todos os instintos da carne. Porque não, se todos eles são bons? Para que violentá-los? Deixar que a natureza se expanda e vá onde a leve o impulso da paixão. Mas como se destrói o freio do pudor tão arraigado na natureza humana e mais ainda nas almas cristãs?
Como? A psicologia ensina-nos o procedimento. Por meio do exemplo.
Que as crianças e os jovens se acostumem a olhar para atitudes desenvoltas; que se despojem desse sentimento que as torna retraídas e recatadas; e quando o comportamento exterior é desenvolto, insolente, os sentimentos internos terão desaparecido também e a defesa da castidade estará desfeita.
Digamos à mulher: Porque não hás de ser atrevida como o homem? Porque não hás de frequentar  os bares e os cafés a ali adotar as mesmas atitudes que o homem?  Porque não hás de praticar os mesmos desportos que o homem? Porque não hás de fazer os mesmos exercícios ginásticos? Porque não hás de beber e fumar como o homem? Que é que isso tem de mau?
É verdade, isso não tem nada de mau, repete a mulher. Porque não me hei de colocar ao mesmo nível que o homem?
E não repara que todo esse plano de campanha é destinado a destruir o seu pudor e a deixá-la inerme nas mãos do homem corrompido.
Sabeis onde vos conduzem essas liberdades? À escravidão dos vossos maiores inimigos, às garras dos libertinos que vos converterão em joguete das suas paixões.
Perguntareis se realmente esta conduta criminosa teve êxito. Olhai em redor. Que vedes? Por toda a parte a jovem típica a que se acostuma chamar moderna.
Os seus traços são inconfundíveis: andar desenvolto, olhar descarado, riso estridente, modos provocantes, rosto desfigurado pelas pinturas, vestidos curtos, ajustados, transparentes, com alguma novidade que atraia os olhares. Entra no café e as suas atitudes em nada se diferenciam das do jovem que a acompanha; como ele fuma e como ele bebe. Vê-la-eis nos campos de desporto e nas praias, onde possa chamar a atenção, sempre provocante, desenvolta, sempre só ou melhor mal acompanhada, porque isso de andar sempre com uma pessoa de confiança ao lado, diz  Santo Ambrósio da Santíssima Virgem, e dizem-no as senhoras do século passado que não compreendem a geração atual, isso hoje em dia é uma coisa ridícula. Se vos aproximais dum grupo dessas jovens modernas e a vossa delicadeza o aguentar, ouvireis conversas tão escabrosas, tão cruas como não as têm talvez um grupo de rapazes. Uma palavra inconsiderada faz estremecer uma jovem digna e cobre-lhe o rosto de carmim. Essas jovens modernas, pelo contrário, essas são as que fazem corar os outros e gabam-se disso.
Pintura exagerada? - Não. Vós mesmos dizeis: realidade um pouco mitigada, porque eu ainda podia dizer mais.
Diz-se que o pudor natural não desaparece nunca por completo. Seja assim. Mas quanto pudor ficará nessas jovens e nessas senhoras que se gabam de ser modernas?
Se a Santíssima Virgem saísse por essas ruas, se pudesse andar por elas sem manchar a sua pureza, se a Virgem Imaculada pudesse entrar nessas tertúlias, nessas salas de recreio, nesses salões de espetáculos, a cujas portas ficam chorando os anjos da guarda, e pudesse ouvir aquelas conversas e ver aqueles gestos de jovens cristãs e presenciar tudo isso que sabeis . . . Que horror! . . . Tu, irmã do meu Filho Jesus! . . . Tu, minha filha! . . . Afasta-te, não te conheço.
E se desapareceu o pudor, que pensar da pureza?
Se sabeis que há uma praça forte cobiçada por inimigos poderosos e sabeis que essa praça já esta cercada pelos inimigos e que a mesma cidade retirou as suas defesas, não podeis deduzir com razão que o inimigo ou entrou nessa praça ou esta a ponto de entrar? Pois bem, todos sabeis que a pureza é cobiçada por muitos inimigos e esses inimigos cercam-na e estão em posição de a assaltarem . . .  E sabeis também que a posição avançada, a defesa da pureza é o pudor. Se vedes que essa defesa desapareceu já, que tendes direito a suspeitar? Que a pureza ou sucumbiu, ou esta a ponto de sucumbir.
O pudor não é a própria natureza, é verdade, mas é o seu rebento espontâneo; se esse rebento não aparece, que pensar da raiz? Não estranheis, portanto, que a jovem sem pudor seja menosprezada pelas pessoas prudentes. Não estranheis que lhe percam o respeito.
Aparece na rua com a atitude provocante; e para ela se dirigem olhares dos licenciosos, e com os olhares, o comentário soez e a frase maliciosa. E que tem de espacial? Se as pessoas vêem que a jovem não se respeita a si mesma, como a vão respeitar? Pelo contrário. Passa pela rua uma jovem recatada, modesta. O olhar, os gestos, o vestido tudo parece que vai dizendo: respeitai-me E à sua passagem, os olhos e as línguas atrevidas refreiam-se. A virtude infunde sempre respeito.
Com razão Santo Ambrósio, depois de apresentar às jovens cristãs o retrato da Virgem Maria, lhe dirige estas palavras: "Aprendam as virgens a ser vigilantes de si mesmas e guardas do seu recato, se desejam que as pessoas as venerem".
Aprendam, sim, as jovens cristãs a conservar o pudor e serão respeitadas pelas pessoas, serão admiradas pelos anjos, serão queridas da Santíssima Virgem, serão estimadas por Jesus Cristo, serão amadas por Deus.

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