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4 de outubro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Beleza Corporal da Santíssima Virgem


Parte 5/6

Agora compreendeis porque nenhuma pintura da Santíssima Virgem nos satisfaz.
Temos uma ideia grande da beleza de cada virtude, sabemos que a Santíssima Virgem teve todas as virtudes e esperamos ver no seu semblante o esplendor de todas elas.
Temos uma ideia elevadíssima da beleza da virgindade e sabemos que Maria teve essa virtude celestial em maior grau que os anjos e queremos descobrir no seu semblante todos os encantos dessa virtude angelical; procuramos o pudor e a modéstia, floração da pureza em toda a sua exuberância primaveril.
Adivinhamos o que deve ser uma alma na graça de Deus, sabemos que Maria era cheia de graça e esperamos encontrar no rosto da Virgem Maria o transbordar exterior de toda essa beleza interior.
Temos alguma experiência da beleza sobrenatural da santidade que admiramos e veneramos nas pessoas santas; sabemos que a Mãe de Deus foi mais santa que todos os santos juntos e queremos ver retratada em seu rosto toda a santidade da sua alma.
Sabemos que Maria é um ser excepcional,  que se eleva sobre todos os seres criados, sobre os homens e sobre os anjos e se aproxima mais que todos eles de Deus e, por conseguinte nela tem que refletir-se mais que em nenhum ser criado a própria beleza de Deus, e com razão procuramos no rosto de Maria algo da beleza infinita da divindade.
Todas estas belezas juntas teve a Santíssima Virgem, por isso foi toda bela e com toda a razão as procuramos juntas nas suas imagens; e como não as encontramos, nem as podemos encontrar, por isso todas as suas imagens decepcionam e, por muito belas que sejam , exclamamos: Maria tinha que ser muito mais bela.
Somente podia fazer uma imagem menos imperfeita de Maria, o artista que sentisse as belezas do mundo sobrenatural, as belezas de todas as virtudes, a beleza da graça santificante e sobretudo a beleza sutil, impalpável, ultraterrena da virgindade.
O que não sentiu isto, que parta os seus pincéis antes de pintar uma imagem da Mãe de Deus, porque a profana.
Para pintar o rosto de Maria, não basta conhecer a técnica do desenho e do colorido, não basta ter estudado as obras primas dos museus; não basta copiar os modelos mais completos da beleza humana da mulher; é necessário compreender, sentir e adivinhar belezas de uma ordem sobrenatural e divina.
Algo disso compreendiam os artistas do século de ouro, porque tinham fé muito arraigada; por isso nos deixaram as imagens mais belas de Maria apesar de distarem quase o infinito da realidade.
Os artistas sem fé, que só consideram a arte um negócio, esses pintaram caricaturas grotescas da Mãe de Deus, que deviam ser queimadas.

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