18 de outubro de 2017

As Mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 9

9. NOSSA SENHORA NAS PINTURAS E MONUMENTOS DAS CATACUMBAS

Reprodução frequente da figura de Maria nas Catacumbas de Roma testemunham a presença de Nossa Senhora no pensamento cristão. Não obstante muitos monumentos terem sido destruídos, devastados pelo tempo, muitos outros sepultados entre os escombros, descobriram-se pinturas, em número considerável, nas quais se vê representada a Virgem Maria, nas lápides sepulcrais, nas paredes e galerias subterrâneas.
Em umas a Virgem aparece com o Filho nos braços ou sobre os joelhos, representada como Mãe. Em outras Jesus não aparece. Em geral, a Virgem é apresentada de pé, com os braços estendidos, sob a forma de uma Orante.
Impossível descrever todas estas imagens de Maria encontradas nas Catacumbas. Nas de Santa Priscila há pinturas do século II com cenas representativas da vida de Maria, e tantas são as imagens ou figuras aí achadas, honrando a Nossa Senhora, que poderiam chamar-se as Catacumbas de Maria.
A pintura mais notável representa a Virgem sustentando em seus braços o Menino Jesus. Veste uma túnica, formando numerosas pregas e sobre a túnica o manto. Sua cabeça coberta por um véu curto e transparente, costume entre as recém-casadas e entre as Virgens consagradas a Deus.
Ao lado de Maria, um homem de pé, representando talvez S. José, ou algum dos profetas messiânicos.
A segunda pintura que aos nossos olhos oferece a Catacumba de Santa Priscila é a Adoração dos Magos. É esta cena comum às várias catacumbas .romanas, por representar o chamado dos gentios à vocação da fé; em todas elas se sobressai a figura de Nossa Senhora.
Existem outras pinturas igualmente dignas de atenção, como a do Bom Pastor, carregando em seus ombros a ovelha perdida, tendo ao lado uma imagem de orante. Muitos concordam que esta mulher de pé, ao lado do Bom Pastor, orando com os braços estendidos e ligeiramente levantados, é a Santíssima Virgem, a quem o Pastor apresenta a ovelha transviada, é Maria, a nova Eva, a grande protetora das almas.
Outras vêm nesta mulher a Igreja personificada na Virgem, modelo da Igreja por sua maternidade virginal. Que esta orante represente a Maria somente, ou a Virgem personificando a Igreja, é sempre a Mãe do Salvador. Tais são as pinturas relativas à Santíssima Virgem, encontradas nas Catacumbas de Santa Priscila, uma das mais antigas, com criptas que remontam aos tempos apostólicos, e que atestam e falam da grande devoção que tinha para com a Mãe de Deus o cristianismo dos primeiros tempos.
Também se encontram outras lembranças da antiguidade, como vasos dourados, que nos mostram várias representações de mulher em atitude de oração, e aos pés das mesmas as inscrições do nome de MARIA.
Em um baixo relevo dum vaso encontrado nas Catacumbas de Santa Inês, vê-se Maria com as mãos estendidas, entre S. Pedro e S. Paulo, príncipes dos Apóstolos. Em cima dois rolos de pergaminho. As figuras que estão de um e outro lado trazem o nome de ''Pedro'' e "Paulo". Por cima de tudo o nome de "MARIA". Os pergaminhos são uma alusão à Sagrada Escritura. E o fato de Maria estar colocada entre os Príncipes dos Apóstolos nos dá a entender que ela se representa como Mãe da Igreja.
Em outros vasos aparece Maria entre flores e árvores, cujos emblemas seriam figuras do Paraíso, o Vergel Eterno. Representam Maria na glória.
Assim pelos monumentos das Catacumbas deduzimos a antiguidade do culto a Maria Santíssima. Sua devoção não é uma invenção posterior ao Concílio de Éfeso, mas tem suas raízes na mais remota antiguidade.
Na Biblioteca do Vaticano encontra-se também um singelo vaso que nos atesta que já na primitiva Igreja tinha Maria um lugar especial no Reino de Deus.
Maria tem à volta da cabeça um diadema ou auréola de Santa.
Tem as mãos estendidas e levantadas, na atitude de quem está a orar. Tem de cada lado uma árvore e, sobre cada uma, uma pomba, que significam que também na mansão da paz, no paraíso, Maria ora. Na parte superior está gravado o nome de "Maria", para certificar que é Maria a pessoa aqui representada.
Tudo isto comprova a devoção que se tinha a Maria Santíssima no início da Igreja. Como se explicaria a multiplicidade de símbolos e figuras da Mãe de Deus, se os fiéis não tivessem em seus corações, para com Ela, a mesma estima, veneração e o amor que hoje sentimos?
Maria das Catacumbas é mais de uma vez a personificação da Igreja e sobretudo da Igreja Triunfante; é o exemplar divino sobre o qual se modelou a Igreja.
Representada em atitude de oração, é a Medianeira de todas as graças, a Medianeira glorificada e sempre invocada pelos fiéis cristãos.
É o culto de honra a Marfa, representado nos monumentos que a mostram. ao lado de Jesus. Culto de invocação, na Virgem Orante ante o Bom Pastor e na glória do céu. Culto de imitação - Maria modelo perfeito de virgindade.
Nas Catacumbas, símbolo da fé da cristandade antiga, as marcas perenes que a arte cristã primitiva gravou com singeleza, afirmando a filial devoção a Nossa Senhora.

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