7 de outubro de 2017

As Mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 5

5. SÃO PAULO, O APÓSTOLO DAS GENTES.

I. O PERSEGUIDOR.

É Tarso, da Ásia Menor, colocada nas fraldas das montanhas do Tauro, a cidade que se orgulha de ter sido o berço do grande apóstolo S. Paulo, vaso de eleição na Igreja de.Cristo. Hebreus emigrados da Galileia, em Tarso habitavam seu pais. Foi uma alegria imensa para toda a família o nascimento daquele que, circundado no oitavo dia, conforme prescrição hebreia, recebeu o nome de SAULO - que quer dizer: "o filho obtido de Deus pela prece". Prestavam assim os seus pais uma homenagem ao primeiro rei de Israel da tribo de Benjamim à qual pertencia a família.
Em Tarso havia a sinagoga onde os de sua raça, os hebreus, oravam e se formavam na religião mosaica; habitavam-na também muitos pagãos adoradores do deus-Baal-Tarz (Senhor de Tarso). Rivalizava Tarso com Atenas e Alexandria na disputa pela liderança da cultura.
Desde a mais tenra idade sua educação se orientou para um grande conhecimento das Escrituras, tendo frequentado as escolas que eram anexas à sinagoga. Na Epístola aos Romanos (7, 9-11) descreve S. Paulo em linhas gerais esta sua primeira educação, o tempo de sua inocência de criança, e gradativamente o conhecimento da Lei: "Eu, porém, houve um tempo em que vivi sem lei. Veio depois a Lei, e o pecado surgiu em mim. E eu morri! O mesmo mandamento que deveria inundar-me de vida, soube-me a morte. O pecado, a que o mandamento deu vulto, enganou-me por meio da Lei:"
Confessa, mais tarde, na Epístola aos Romanos sua profunda amargura do homem "nascido sob o império da Lei", isto é, da lei que escraviza, e a sua grande alegria pela redenção dela em Cristo. Como florescia em Tarso a indústria de fiação, Saulo aprendeu este ofício, embora fosse de família rica e abastada, e se distraía em tecer panos para tendas, trabalho que exercia mais tarde com o fim de se sustentar e aos que ao seu lado conviviam. Mais tarde, em sua mocidade, seus pais o enviam à cidade santa,
Jerusalém, para que possa se aperfeiçoar em seus estudos, na escola do Templo, como aluno dos rabinos. ele mesmo 0 conta: "Eu sou judeu, nascido em Tarso da Ciclícia, mas educado nesta cidade (Jerusalém), aos pés de Gamaliel, segundo a verdade da lei de nossos pais, zelador da lei..." (Atos 22, 3). Homem de grande sabedoria, encontrou em Gamaliel um grande mestre.
No ponto de vista religioso, Israel se dividia em dois grupos: os saduceus que eram aristocratas e que não admitiam muitas verdades já criadas naqueles tempos como a imortalidade da alma, a vida futura; os fariseus, ao contrário, passavam como grandes observadores das leis e aparentemente se demonstravam como perfeitos em seus deveres, enquanto suas ações eram viciadas pela presunção, soberba e amor próprio. Não obstante, havia fariseus de boa fé e que inclusive se converteram ao cristianismo e defenderam os apóstolos, como Gamaliel, o mestre de Saulo.
Homem virtuoso, cheio de amor à justiça e temente a Deus, foi Gamaliel quem interveio em favor dos apóstolos: "Varões israelitas, considerai bem o que estais para fazer acerca destes homens... se esta obra vem dos homens, ela mesma se desfará; mas se vem de Deus, não a podereis desfazer" (Atos 5, 35-39). Tornou-se o discípulo grande admirador do mestre e "em breve ultrapassou os colegas de sua idade" (Gal. I, 14) . Terminado o seu curso, tinha ele perfeito e profundo conhecimento das escrituras, como mais tarde se poderia ver em suas epístolas, cheias de alusões e citações de quase todos os livros do Antigo Testamento. Assim, hebreu, doutor da lei, cidadão romano, torna-se ele um homem de religião, pregador da lei, constituindo-se em perfeito imitador ele teu sábio e virtuoso mestre.
A Bíblia era para Saulo o maior tesouro do mundo. Manteve-se solteiro para melhor dedicar-se ao estudo das Sagradas Escrituras. E na Epístola aos Romanos (3,1) demonstra a enorme vantagem dos judeus sobre os pagãos, pois a eles foram confiados os oráculos de Deus.
A Igreja de Cristo há pouco instituída, pequeno grão lançado por Cristo na terra, ia-se desenvolvendo aos poucos, com reuniões e planos de trabalhos, onde os obstáculos surgiam à medida que aumentava o número dos discípulos. Os primeiros cristãos, interpretando como preceito o conselho do Divino Mestre, levavam vida em comum, e não se preocupavam com cousas materiais, E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comum fração do pão e nas orações" (Atos 2, 42). "Vendiam as suas propriedades e os seus bens e distribuíam o preço por todos, segundo a necessidade que cada um tinha" (Atos 2, 45).
Como não poderia deixar de acontecer, surgiram as dificuldades na distribuição, pois muitos erros foram cometidos e "levantou-se uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque suas viúvas eram desprezadas na distribuição quotidiana" (Atos 6, 11). Os apóstolos não poderiam deixar a palavra de Deus para servir às mesas e assim, convocaram todos os fiéis em assembléia, para que escolhessem os novos ministros que cuidariam da obra material. Estêvão, escolhido juntamente com outros, cheio de fé e fortaleza, ajuda os apóstolos na pregação da palavra de Deus. Caluniado como blasfemo, levam-no aos tribunais, e pouco depois o apedrejam. Saulo estava presente; aos seus pés colocaram as testemunhas as suas vestes; e se não atirou pedras, pelo menos foi cúmplice naquela morte. Gamaliel, seu mestre, já defendia os apóstolos, mas ele, na boa fé e na ignorância como confessará mais tarde, cheio de convicção farisaica e amor às letras sagradas, torna-se perseguidor tenaz dos cristãos pois os julgava contra a lei de seu povo.
A grande perseguição contra os apóstolos estava levantada. Saulo, à frente dos fanáticos judeus, assolava a Igreja, entrava pelas casas, onde com violência tirava homens e mulheres e os conduzia aos cárceres.
É o grande perseguidor, que traz em si a flama de um grande herói, arrebatado pelo ideal cuja causa abraçara: a destruição dos apóstolos, desta Igreja que em tão pouco tempo já arregimentara tantos adeptos.
Deste modo, apresenta-se ao príncipe dos sacerdotes, pede-lhe cartas de recomendação para as Sinagogas de Damasco, e vai continuar o trabalho iniciado, perseguindo a seita que se espalhava, e conduzindo presos todos aqueles que soubesse seguidores da doutrina dos apóstolos.

Saulo trazia em si o símbolo do fanatismo judaico que estava esmagado em seu orgulho nacional. Os hebreus estavam sob o domínio dos romanos. E todos esperavam que o Messias fosse de fato o libertador do povo hebreu do jugo romano, um grande herói que libertaria a sua Pátria .
Como os judeus, Saulo não poderia abraçar a ideia de que o Messias já viera, como pregavam os apóstolos e que se deixara crucificar em uma cruz, e não conseguira libertar a pátria. As esperanças estariam frustradas e esta ideia trazia grande revolta ao espírito de Saulo.
Seu ardor moço, sua inteligência admirada deveriam estar a serviço da causa da pátria, cuja ideia de independência e liberdade era a predominante, e estimulado pelos seus, Saulo se constitui como grande adversário da doutrina e das idéias dos apóstolos. Felizmente, não durou muito sua ação maléfica, pois a inteligência e entusiasmo deste jovem deveriam se estender a uma causa mais nobre e justa. Não seria possível que tais qualidades se perdessem, se colocassem a serviço do mal.
A Providência intervém e miraculosamente muda os planos e desvia os caminhos daquele que de perseguidor se torna o grande Apóstolo dos gentios.

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