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30 de maio de 2014

Preparação para a Morte

PONTO II

Consideramos, além disso, a necessidade da oração. Afirma São João Crisóstomo que, assim como o corpo sem alma está morto, assim quem não reza se acha sem vida. Acrescenta ainda que tanto necessitam as planta de água para não murcharem como nós da oração para nos não perdermos. Deus quer que nos salvemos todos e que ninguém se perca (1Tm 2,4). “Usa de paciência convosco, não querendo que nenhum pereça, mas que todos se convertam à penitência” (2Pd 3,9). Quer, porém, que lhe peçamos as graças necessárias para nossa salvação, porque, de um lado, não podemos cumprir os preceitos divinos e salvar-nos sem o auxílio atual do Senhor e, de outro lado, Deus não nos quer dar, ordinariamente falando, essas graças, se lhes não pedirmos. Por esta razão, disse o santo Concílio de Trento que Deus não impõe preceitos impossíveis, porque, ou dá-nos a graça próxima e atual necessária para cumpri-los, ou dá-nos a graça de pedir-lhe essa graça atual. Ensina-nos Santo Agostinho que Deus, exceto as primeiras graças, tais como a vocação para a fé, ou da penitência, todas as demais e especialmente a perseverança, concede unicamente àqueles que as pedem.
Inferem daqui os teólogos, entre os quais São Basílio, Santo Agostinho, São João Crisóstomo, São Clemente de Alexandria e muitos outros, que a oração é necessária para os adultos, como necessidade de meio. Portanto, sem rezar, não é possível salvar-se. E isto, diz o doutíssimo Léssio, se deve considerar artigo de fé.
Os testemunhos da Sagrada Escritura são concludentes e numerosos: “É preciso orar sempre. Orai, para não cairdes em tentação. Pedi e recebereis. Orai sem cessar”. As citadas palavras “é preciso, orai, pedi”, segundo a opinião geral dos teólogos com a do angélico São Tomás (3 p., q. 29, a. 5), têm força de preceito, o qual obriga sob pena de pecado grave, especialmente em dois casos: 1º quando o homem está em pecado; 2º quando está em perigo de pecar. Acrescentam ainda ordinariamente os teólogos que aquele que deixa de rezar por espaço de um mês ou mais tempo, não está livre de pecado mortal. (Veja-se Léssio no lugar citado). Como vimos acima, toda essa doutrina se baseia em que a oração é um meio sem o qual não é possível obter os socorros necessários para salvar-nos.
Pedi e recebereis. Quem pede alcança. Por conseguinte — diz Santa Teresa — quem não pede, não alcançará. E o apóstolo São Tiago exclama: Não alcançais, porque não pedis (Tg 4,2). A oração é particularmente necessária para obter a virtude da continência. “E como cheguei  a entender que de outra maneira a não podia alcançar, se Deus não me desse... recorri ao Senhor e lhe roguei” (Sb 8,21). Resumindo o que ficou exposto, conclui-se que se salva aquele que reza e que se condena na certa aquele que não reza. Todos quantos se salvaram, o conseguiram por meio da oração. Todos quantos se condenaram, condenaram-se porque não rezaram. E a consideração de que, por meio da oração, teriam podido salvar-se facilmente e que já não é tempo de remediar o mal, aumentar-lhe-á seu desespero no inferno.

AFETOS E SÚPLICAS

Como é que pude, Senhor, viver até agora esquecido de vós? Pusestes à minha disposição todas as graças que deveria ter procurado; esperáveis somente que as pedisse; mas eu só pensei em contentar minha sensualidade, sem que me importasse ver-me privado do vosso amor e da vossa graça. Esquecei, Senhor, minha ingratidão e tende misericórdia de mim; perdoai-me as ofensas que vos fiz, e concedei-me a graça da perseverança, auxiliando-me sempre, ó Deus de minha alma, para que não torne a ofender-vos. Não permitais que me esqueça de vós, como vos desprezei no passado. Dai-me luz e força a fim de que me recomende a vós, especialmente quando o inimigo me provocar ao pecado. Concedei-me, meu Deus, esta graça pelos merecimentos de Jesus Cristo e pelo amor que lhe tendes. Basta, Senhor, basta de ofensas.
Quero amar-vos no restante de minha vida. Dai-me vosso santo amor e que esse amor me faça recorrer a vós sempre que me encontre em perigo de pecar...
Maria Santíssima, minha esperança e meu amparo, pela vossa intercessão espero a graça de recomendar-me a vós e a vosso divino Filho em todas as tentações. Socorrei-me, minha Rainha, pelo amor que tendes a Jesus Cristo.

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