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11 de maio de 2014

TERCEIRO DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA.

Milagres de Jesus Cristo

O Evangelho de hoje é uma profecia do que deve acontecer com o Salvador.

Ainda um pouco de tempo e não me vereis mais.
É a sua morte e sepultura.

Mais um pouco de tempo e tornareis a ver-me:
É a sua ressurreição gloriosa: o grande milagre para provar a sua missão divina.

Durante a sua vida, Jesus Cristo operou numerosos milagres para provar que era verdadeiramente o Messias prometido, o Filho de Deus; o milagre de fato é o selo divino: só Deus pode operar milagres, pois o milagre, sendo uma derrogação às leis da natureza, só o Criador destas leis é que pode derrogar a sua execução normal.

Há um aspecto novo e interessante nos milagres de Nosso Senhor, que vamos meditar hoje, vendo:

1. O fato destes milagres.
2. O modo de fazê-los.

Este aspeto dos numerosos milagres do Salvador constitui uma dupla prova da sua divindade, de uma força transcendental de primeiro valor.

I. O fato destes milagres

Jesus Cristo quer de seus filhos uma fé absoluta.

Ora, a fé absoluta requer provas proporcionadas à grandeza da adoração que exige.

Estas provas são os milagres certos, refulgentes, contrários a todas as leis da natureza.

Deus nos outorgou dons imensos, porém Ele reservou para Si as leis da criação.

Pelo gênio, o homem chega a atravessar as tempestades: mas não pode acalmá-las.

O homem pode curar um enfermo: é incapaz de ressuscitar um morto.

Para mostrar a sua divindade, era, pois, preciso, que Jesus Cristo mostrasse que é mais que um gênio, que é Deus, e que, como tal, as próprias leis da criação Lhe estão sujeitas.

É o que Ele fez.

Lembremo-nos da cura do cego de nascença... da ressurreição de Lázaro... da transfiguração no Tabor e da tempestade no lago.

Tais fatos historicamente certos, são uma espécie de manifestação da divindade, pois são fatos superiores a todas as forças humanas, derrogando todas as leis da criação.

Ora, tais milagres foram repetidos centenas e centenas de vezes; feitos sob o sol de uma publicidade resplandecente... no meio das ruas, nas praças públicas, diante de amigos, em presença de multidões imensas, sob o olhar rancoroso dos próprios inimigos.

Tão certos são estes fatos que os próprios contemporâneos nunca deles duvidaram. São fatos tão milagrosos que não há nenhum modo humano de explicá-los; nenhuma possibilidade física, mental ou científica, de contradizê-los.

Para fazer tais milagres, era preciso ser Deus... e para fazê-los, como Jesus Cristo os fez, de modo tão sobrehumano, tenho quase vontade de dizer, que era preciso ser duas vezes Deus, se isso fosse possível.

Donde veio ao Salvador a popularidade de que gozava?

Não é puramente o dom de milagres que os mostra superior à natureza, pois o poder não atrai, espanta... como vemos no exemplo de São Pedro, que pediu a Jesus para afastar-se dele porque era pecador.

O segredo da sua popularidade está no uso discreto, prudente e amoroso deste poder, na reserva suave do poder de fazer milagres, que vamos meditar agora.

II. O modo de fazer milagres

Convém notar bem o modo por que Jesus fazia milagres.

Um princípio preside a todos eles: não perder, mas salvar: O Filho do homem não veio perder as almas mas salvá-las, disse Ele (Luc. IX. 56 — Joan. XI1. 47)

Ele perseverou com tanta firmeza nesta linha de conduta, que pouco a pouco todos o compreendiam.

Todos sabiam que este rei, cujas pretensões reais eram tão resplandecentes, tinha uma paciência sem limites, suportava as críticas mais malignas sem se alterar.

Longe de considerá-Lo com temor e medo, o que teria impedido aos auditores de escutar com inteligência os seus ensinamentos, o povo embora reconhecendo o seu poder extraordinário, o tratava às vezes com uma vivacidade intempestiva.

Por uma estranha conseqüência, o povo O acusava de ter ligação com o demônio, declarando-O deste modo capaz de fazer um mal sem limites, e apesar disso, o temia tão pouco que o provocava sem cessar a usar contra Ele deste poder.

Vemos, que os judeus julgavam Jesus Cristo desarmado pela sua própria vontade. É com esta convicção que tiveram a ousadia de atacar a vida daquele de cujo poder milagroso não duvidavam.

Viram-No ter fome e acreditavam que tinha o poder de mudar em pão as pedras do caminho.

Viram suas pretensões à realezas desprezadas e acreditavam que era capaz num instante de apoderar-se de todos os impérios do mundo.

Viram a sua vida em perigo, viram-No expirar na mais cruel agonia e estavam convencidos que não o querendo, nenhum perigo podia atingi-Lo.

Testemunhos de seus sofrimentos e persuadidos pelos milagres que haviam presenciado; os expectadores sentiam-se comovidos.

Em seu espírito uniam-se a compaixão para a fraqueza e a admiração para com um poder sem limites, surgindo destes sentimentos a gratidão e a simpatia para o autor destes milagres.

III. Conclusão

Eis um duplo aspecto dos milagres de Jesus: o poder que revela a presença de Deus, a discrição suave que mostra o coração de um Pai.

Jesus não se contentava em curar: Ele subia mais alto, ia até às almas. Através dos corpos enfermos, Jesus enxergava as almas doentes.

Deste modo os seus milagres não eram somente atos extraordinários, eram atos de redenção.

O Salvador das almas, o Redentor, aparecia vivo e visível através destes milagres.

Os milagres constituem em si uma prova da divindade de Jesus Cristo; porém, o modo suave, terno e paternal de operar estes milagres para o bem das almas, eleva e transfigura os mesmos milagres e faz deles um argumento duplicado, de um valor transcedental ao alcance de todos.

EXEMPLOS

1. Napoleão e Jesus Cristo

Nas horas solitárias de seu desterro em Santa Helena, Napoleão sentia uma satisfação íntima em poder falar de Jesus Cristo, e o fazia com um acento de fé e rasgos de gênio, que excitam a admiração dos próprios teólogos.

Escutemos mais este pequeno trecho das suas apreciações e analogias religiosas:

“Eu desafio a qualquer um de citar-me uma existência igual a esta de Jesus Cristo, isenta da menor alteração, pura de toda mancha, de toda vicissitude.

Desde o primeiro até ao último dia da sua vida, Ele é o mesmo, sempre o mesmo, majestoso e simples, infinitamente austero e infinitamente suave.

Numa convivência, por assim dizer, pública, Jesus nunca dá azo à menor crítica.

A sua conduta tão prudente excita a admiração por esta mistura de força e de mansidão.

Seja que fale ou que age, Jesus é luminoso e como imutável: é impassível!”

2. Chateaubriand

Em 1848 o canhão da guerra civil ribombava não longe da Igreja de Santa Clotilde, em Paris, perto da casa onde estava agonizando Chateaubriand, o grande escritor francês.

De repente um tumulto mais acentuado, um clamor mais selvagem, chegou aos ouvidos do ilustre ancião.

Tomando então o seu crucifixo, ele fitou a imagem santa do Salvador com um olhar firme e suave, e disse:

- Só Jesus Cristo pode salvar a sociedade moderna; eis o meu Deus, eis o meu Rei!

Foram as últimas palavras de Chateaubriand.

3. Rei da terra e do mar

Uns cortesões bajuladores apelidaram a São Canuto, rei da Inglaterra, de rei da terra e do mar.

Um dia que o santo estava passeando na praia do mar, na hora do fluxo, em que as águas vão subindo, sentou-se na praia e ordenou às águas que não chegassem até a sua pessoa.

Mas as águas foram subindo e já encobriam-lhe os pés.

Os cortesões pediram que se afastasse, o que o rei fez, dizendo: “Estão vendo que não sou o rei da terra e do mar”, e mostrando-lhes o crucifixo, acrescentou: “Eis o seu Rei verdadeiro, eis o meu Deus que governa a terra e os mares”, e prostrando-se, em presença da sua corte, adorou a imagem de Jesus crucificado.

(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 187–192)

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