26 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 587

OS MÁRTIRES DE UGANDA

O que aqui vamos narrar passou-se em 1886.
Alguns santos missionários, desejosos de conquistar almas para Deus, haviam-se internado em regiões desconhecidas da África, chegando ao reino de Uganda, ao sul do Egito. Ali pregaram a Jesus Crucificado, e pregaram com tanto fervor que até dos pajens, que serviam ao rei e a família real, muitos se converteram.
Que maravilhosa transformação se operou naqueles meninos e jovens desde o momento em que, bem preparados, receberam o santo batismo! Viviam ao lado de um rei impudico; eles, porém, eram como anjos... Estavam rodeados de gente que adorava uma multidão de ídolos, e eles só adoravam a Jesus pregado na cruz... Viam que os cortesãos e suas famílias só pensavam em gozar e divertir-se, ainda que para isso fosse mister assassinar e tirar a vida aos inocentes; eles, porém, encerravam-se em suas casas, onde passavam longas horas em oração.
O rei, chamado Muanga, soube do fato e ordenou que, certo dia, as oito da manhã, se reunissem em seu palácio todos os conselheiros do reino. Estando todos reunidos falou-lhes assim:
— Eu vos pedi que me désseis vossos filhos para me servirem como pajens de meu trono. Vós mos destes, é verdade, mas são os piores de vossas casas, porque não seguem as minhas doutrinas, mas a doutrina desses magos católicos que vieram a este reino.
E aqueles vis cortesãos, aduladores e cruéis, responderam:
— Manda-os matar e te daremos outros.
Era o que esperava aquele bárbaro rei. Chamou imediatamente a Carlos Luanga, que era um jovem muito simpático e se achava à frente de todos os jovens, e ordenou-lhe que sem demora trouxesse todos à sua presença.
Poucos momentos depois achavam-se reunidos ante o trono todos os pajenzinhos do negro e cruel rei. Fixou-os com olhos de tigre e disse-lhes:
— Ouvi dizer que alguns de vocês deixaram o culto de nossos deuses e rezam ao Cristo pregado por esses magos que há pouco vieram da Europa a nossas terras. Se for verdade essa apostasia, vocês morrerão. De sorte que os que não rezam venham aqui ao meu lado; e os que rezam fiquem ali em frente de mim. Ante a cólera do rei e a ameaça de morte não se intimidaram aqueles jovens cristãos. Com ânimo varonil e sincera alegria colocaram-se em frente do rei. Eram dezesseis: quase todos muito jovens ainda. Por seu sangue pertenciam as famílias mais distintas do reino. A frente deles estava corajosamente Carlos Luanga.
O bárbaro rei negro, enfurecido, perguntou-lhes:
— É verdade que vocês são cristãos? que rezam ao Cristo desses missionários brancos?
— Sim — responderam todos com dignidade.
— E estão resolvidos a ser cristãos e a rezar até a morte?
— Até a morte — responderam resolutos.
Voltou-se o rei para os verdugos que lhe rodeavam o trono e, deixando perceber sua cólera, disse:
— Conduzi-os para fora, e matai-os todos.
Um dos verdugos, chamado Mukajanga, tinha um filho ali entre os pajens cristãos. Dirigiu-se a ele e disse:
— Meu filho, diz que não rezas e serás salvo.
Mas o valente menino replicou:
— Meu pai, isso não direi nunca. Eu rezo e rezarei sempre.
— Pois então — acrescentou o pai — foge e esconde-te em casa para escapar à morte. Não me obrigues a tirar-te a vida.
— Não fujo, meu pai — exclamou o heroico mártir — quero morrer com meus companheiros. Quero morrer rezando a Jesus Cristo e a SS. Virgem Maria, sua Mãe bendita.
E, com efeito, levaram-nos ao cárcere, carregaram-nos de cadeias e obrigaram-nos a caminhar oitenta quilômetros até ao lugar do martírio. Sofriam horríveis dores. Por fim, a uns cortaram a cabeça, a outros queimaram vivos... Quando subiam as chamas e as carnes eram devoradas pelo fogo, os valentes meninos rezavam... rezavam... e rezando e cantando o hino dos mártires voaram para o céu.
Assim falam, assim procedem, assim rezam os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, a quem seja toda honra e glória pelos séculos dos .séculos.
Canonizados a 6 de junho de 1920.

25 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 586

SÃO CIRILO, MENINO

Cirilo era um menino da cidade de Cesaréia. Por ser cristão, foi muito maltratado e até expulso de casa pelo pai, que era pagão. Informado de tudo, o juiz chamou a Cirilo, e, sabendo que pronunciava com muita frequência o nome de Jesus, prometeu fazê-lo receber de novo em sua casa contanto que não tornasse nunca a repetir, aquele nome. O menino, porém, respondeu:
— Não sinto ter sido expulso de casa, porque terei outra maior e mais bela no céu, nem temo a morte, porque será para mim principio de uma vida melhor.
O juiz, querendo intimidá-lo, mandou que o amarrassem como para levá-lo à morte, mas deu ao carrasco ordem secreta de não fazer-lhe mal. Levaram-no, pois, para junto de uma grande fogueira e fizeram gestos como se o fossem atirar nela; o santo menino não teve medo, antes deu provas claras de estar pronto para dar a vida por Jesus Cristo. Conduziram-no de novo a presença do governador, que lhe falou assim:
— Meu filho, viste o fogo? Deixa de ser cristão se queres entrar na casa de teu pai e gozar de seus bens.
Cirilo respondeu:
— Não temo o fogo, nem a espada, e suspiro por uma casa melhor e bens mais duradouros que os de meu pai. É Deus que me há de receber. Apressai-vos em fazer-me morrer, para que vá abraçá-lo no céu.
Choravam todos que o ouviam falar daquela maneira, mas ele lhes disse:
— Não devíeis chorar, mas antes alegrar-vos e animar-me a ir logo para a grande felicidade por que suspiro.
Com esta mesma constância sofreu logo depois a morte. Deixou-nos um exemplo belíssimo de como devemos viver e morrer firmes em nossa santa fé. Na liturgia, sua festa é aos 29 de maio.

24 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 585

SANTA AFRA, A PENITENTE

A história desta Santa vem referida por muito bons autores, como o Cardeal Fleury, o Cardeal Orsi, o P. Massini e outros; e é de muito consolo e encorajamento para os pecadores arrependidos, que nela podem admirar a fortaleza que lhe deu Nosso Senhor para suportar o tormento do fogo, bem como a sabedoria que lhe infundiu para responder às palavras com que o tirano a quis perverter.
Santa Afra, natural de Augsburgo, na Baviera, era pagã e de costumes tão dissolutos que fez de sua casa um bordel e, com o auxilio de suas escravas, ocupava-se em corromper a juventude daquela cidade. Tanto mais brilha a graça de Nosso Senhor quanto mais asqueroso é o lodaçal de que a tirou para fazer dela uma gloriosa mártir.
Crê-se que com sua mãe e toda sua casa foi convertida por São Narciso, como se lê no Martirológio Romano. Das atas de seu martírio consta que desde o momento de sua conversão a Santa teve continuamente diante dos olhos da alma a fealdade e malícia de seus pecados. E deles sentia tão grande dor que, apenas abraçou a fé crista, deu-se pressa em gastar para socorro dos necessitados o que adquirira no tráfico infame. Se algum cristão se recusava a aceitar aquele dinheiro que fôra preço de ofensas a Deus, ela lhe suplicava com lágrimas que o aceitasse e pedisse a Nosso Senhor se dignasse perdoar-lhe suas passadas culpas e extravios. Desse modo se preparou Santa Afra para a gloriosa coroa e palma do martírio.
Ardia por aquele tempo a perseguição de Diocleciano. Nossa Santa foi presa e levada à presença do juiz Gaio que ao vê-la disse:
— Vamos! sacrifica a nossos deuses, que mais te valerá viver que morrer..
— Não o permita Nosso Senhor — respondeu Afra; — bastam os pecados que cometi quando ainda não conhecia o verdadeiro Deus. Agora não posso fazer o que me mandas e não o farei. Não quero acrescentar nem uma injuria mais as que fiz a meu Senhor..
Gaio mandou que a levassem ao templo; mas ela com toda serenidade disse:
— Meu templo é Jesus Cristo, a quem sempre tenho presente e a quem todos os dias confesso minhas culpas; indigna sou de oferecer-lhe outros sacrifícios e meu maior desejo é sacrificar-me a mim mesma a fim de que este corpo com que o ofendi seja purificado pelos tormentos que sofrer.
— Tu — replicou Gaio — não podes esperar nada, por tua má vida, do Deus dos cristãos: sacrifica, pois, aos nossos deuses.
— Meu Senhor Jesus Cristo — respondeu ela — disse que desceu do céu para salvar os pecadores, e no seu Evangelho lê-se que uma mulher pecadora, que lhe lavou os pés com suas lágrimas, obteve o perdão de suas culpas; também se lê que Ele não repelia as mulheres más, nem os publicanos, antes se dignou conversar e comer com eles.
O juiz não se envergonhou de aconselhar-lhe que volvesse às suas passadas desordens para recobrar o afeto dos homens e adquirir riquezas, porque ainda estava em tempo de consegui-las.
— Renuncio — respondeu Afra — a essas riquezas e as detesto; o que ganhei no passado arrojei de mim com horror e reparti-o entre os pobres, suplicando-lhes que o aceitassem. Como poderia pensar em ganhar dinheiro dessa maneira?
— Teu Cristo — continuou Gaio — julga-te indigna de si; em vão o chamas teu Deus, ele não te reconhece por sua: uma rameira jamais deve chamar-se cristã.
— Assim é — respondeu a Santa — sou indigna de chamar-me cristã; mas meu Deus, que não escolhe as pessoas pelo mérito delas, mas pela bondade dele, dignou-se escolher-me e permite-me chamar-me com esse nome.
— E como sabes — perguntou Gaio — que te fez essa graça?
— Conheço — disse Afra — que não me repeliu de si porque me dá forças para confessar seu santo nome e esperança de ser perdoada de todos os meus pecados.
— Que, nada! fábulas que me contas; sacrifica a nossos deuses e eles te salvarão.
— Minha salvação está em Jesus Cristo, que estando na cruz prometeu o perdão e o paraíso a um ladrão que confessou suas culpas.
— Se não sacrificas te mandarei despir e, em presença de todos, com grande vergonha e confusão tua, te mandarei açoitar.
— Eu não tenho vergonha senão de meus pecados.
— Enfim, não sei por que perder tempo em disputar contigo: ou sacrificas ou te condeno a morte.
— É o que desejo: morrer, e pela morte chegar ao descanso eterno.
— Se não sacrificas, eu te mandarei atormentar e queimar viva.
— Sofra meu corpo qualquer tormento, já que foi instrumento de tantos pecados, mas nunca se diga que manchei minha alma sacrificando aos deuses.
Gaio pronunciou então a sentença seguinte: “Mandamos que Afra, rameira, que declarou ser cristã e recusou sacrificar aos deuses, seja queimada viva".
Escolheu-se para lugar da execução da sentença uma ilhota formada pelo rio Lech: os verdugos ataram a Santa a um pau, e ela, levando os olhos ao céu, fez a seguinte oração: “Senhor meu Jesus Cristo, que viestes chamar não os justos mas os pecadores à penitência, e que nos fizestes saber que na hora em que o pecador volta a vós arrependido esqueceis todos os seus pecados: recebei esta pobre pecadora, que se oferece a sofrer esta pena por vosso amor, e por este fogo que abrasará meu corpo livrai-me do fogo eterno”.
Terminada esta oração, e acesa já a fogueira, disse ainda a mártir: “Senhor, que sendo inocente vos sacrificastes pelos culpados, e sendo bendito de Deus morrestes por nós, os malditos, dou-vos graças e ofereço-vos este sacrifício de mim mesma a vós, que reinais com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém”. Disse, e assim dizendo expirou.
Tomaram os cristãos aqueles restos mortais e levaram-nos ao sepulcro da família, distante de Augsburgo meia légua. Isto foi no ano da grata de 304.

23 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 584

UM SOLDADO APÓSTOLO E MÁRTIR

São Sebastião nasceu em Narbona, nas Gálias. Os pais, oriundos da cidade de Milão, eram ótimos cristãos. Por seus dotes de inteligência e de caráter foi, no dizer de S. Ambrósio, muito estimado pelo imperador Diocleciano, que o nomeou capitão da guarda imperial.
O santo aproveitou-se de seu elevado posto para fazer maior bem ao próximo: distribuía suas rendas aos pobres e desvelava-se pelos cristãos, seus irmãos na fé. Socorria especialmente aos que, em número considerável, padeciam nos cárceres e enxovias e exortava-os a sofrerem corajosamente por Jesus Cristo, tornando-se assim um verdadeiro anjo consolador dos fiéis perseguidos e atribulados.
Por aquele tempo, os irmãos Marcelo e Marceliano, nobres romanos, que tinham suportado com valor e firmeza várias torturas, foram condenados à morte; ora, quando estavam a caminho do suplício, apresentaram-se a Cromácio Tranquilino o pai e a mãe (ainda pagãos) com as mulheres e os filhos dos confessores de Cristo e, com muitas lágrimas, conseguiram que se adiasse a execução por mais trinta dias. É fácil adivinhar de que recursos lançariam mãos os parentes, durante esse tempo, para fazer que os mártires prevaricassem. O certo é que, movidos pelas súplicas e lágrimas da família, começavam a vacilar, quando Sebastião, informado do que se dava, correu-lhes em auxílio. E de tal modo abençoou Deus a palavra do grande apóstolo, que não só confortou os dois irmãos a enfrentarem alegremente a morte, mas ainda conseguiu converter a fé todos os parentes deles. Converteu, igualmente, a Nicóstrato, oficial de Cromácio, e a Cláudio, guarda do cárcere, como também a 64 presos que ali estavam e eram ainda idólatras. Mas o maior prodígio operado por S. Sebastião foi certamente a conversão do próprio Tranquilino.
Com efeito, ouvindo que Tranquilino abraçara a fé, Cromácio mandou chamá-lo e disse-lhe:
— Mas que é isso? Tu te tornaste louco no fim de teus dias?
O nobre ancião respondeu-lhe:
— Oh! não, senhor! Pelo contrário, agora, fazendo-me cristão, é que me tornei sábio, preferindo a vida eterna aos poucos dias que me restam neste mundo.
Após uma entrevista com S. Sebastião, que lhe provou cabalmente que a religião cristã é a única verdadeira, Cromácio fez-se batizar com todos os seus e mais 1.400 escravos, aos quais deu liberdade e, renunciando ao seu cargo, retirou-se a Campánia para viver cristãmente.
Fabiano, sucessor de Cromácio, informado de que Sebastião confirmava os cristãos na fé e convertia a muitos pagãos, deu parte ao imperador. Este fez o Santo comparecer à sua presença e repreendeu-lhe com acrimônia e aspereza o crime de induzir seus súditos a se fazerem cristãos. O Santo respondeu que “com isso cria prestar o maior serviço ao império, pois não podia o Estado receber maior beneficio do que ter súditos cristãos, os quais são fiéis a Jesus Cristo quanto aos príncipes”.
O imperador, encolerizado com a resposta do Santo, ordenou que imediatamente fosse atado a um poste e varado de flechas. A sentença foi logo cumprida, ficando o mártir abandonado como morto; mas, naquela mesma noite, indo uma piedosa viúva, chamada Irene, sepultá-lo, notou que ainda estava vivo e, com o máximo cuidado e segredo, mandou levá-lo à sua casa, onde conseguiu após algum tempo restituir-lhe a saúde.
Logo depois foi S. Sebastião ao encontro do imperador e disse-lhe:
— Príncipe, será possível que acrediteis sempre as calúnias inventadas contra os cristãos? Venho repetir-vos que não tendes súditos melhores nem mais fiéis que os cristãos, que, com suas orações, nos alcançam todas as prosperidades.
O imperador, ao ver Sebastião, a quem julgava mor.to, ficou maravilhado e exclamou:
— Como? ainda estás vivo?
— Sim, senhor; Jesus Cristo conservou-me a vida para que vos mostre a impiedade que cometeis perseguindo os cristãos.
O imperador, ainda mais indignado, mandou açoitá-lo até que expirasse; e assim se fez, indo o Santo receber a sua coroa aos 20 de janeiro do ano 288. Os algozes arrojaram o corpo do mártir a um lugar imundo; mas Lucina, senhora de grande virtude, mandou buscá-lo e sepultou-o à entrada do cemitério que até hoje traz o nome do grande e destemido apóstolo e mártir.

22 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 583

UNIDOS NO CÉU, SE UNIDOS NA TERRA

S. João Vianney, vigário de Ars, recebeu um dia a visita de um rico proprietário que não se deu a conhecer. Na hora da despedida o Santo ofereceu-lhe uma medalha — objeto que os protestantes detestam. Nesse momento disse o visitante:
— Sou protestante, sr. cura; contudo, espero estar um dia no céu com o senhor.
— Para estarmos juntos no céu, respondeu o santo, é preciso que na terra estejamos unidos pela mesma fé, pois onde a árvore cair, ai permanecerá.
— Mas nós cremos — replica o protestante — na palavra de Cristo, que diz: “Aquele que crê será salvo terá a vida eterna”.
— Sim — respondeu o Santo — mas Jesus Cristo disse também outras coisas; o sr, não leu na sua Bíblia: “Há um só rebanho e um só pastor? E “se alguém não ouve a Igreja, considera-o como um gentio e um publicano?” Meu amigo, não há dois modos de servir a Deus, mas um só, isto é, como ele quer ser servido.
Ditas estas palavras, o Santo despediu-se de seu visitante, o qual, refletindo melhor e procurando a verdade, fez-se católico. O santo estava com a razão.

21 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 582

SÃO BENEDITO E O SEU GRANDE PODER

A vida prodigiosa do glorioso S. Benedito é uma prova de que Deus Nosso Senhor ama os pequeninos e humildes. Filho de escravos pretos, pobre e analfabeto, diz a sua biografia que, por causa de sua grande santidade, os superiores fizeram-no sucessivamente mestre de novatos e guardião, cargos que só aceitou por obediência.
Citemos alguns milagres por ele operados.
D. Eleonora, esposa de ilustre cidadão de Palermo, ia junto com outras senhoras ao convento para ver o santo. Na volta, o carro tombou e D. Eleonora caiu sobre um filhinho de cinco meses. A criança ficou esmagada e sem vida. A pobre mãe gritava de dor, abrasada ao corpinho da criança. Os frades, e entre eles S. Benedito, acudiram sem demora e foram testemunhas daquele triste espetáculo. O Santo, muito comovido, diz a mãe aflita:
— Não chore mais; minha filha, não chore.
— Ó meu pai, como não hei de chorar diante de tamanha desgraça? Ai! Jesus! Que aflição!
— Não duvide mais, minha filha, dê-me aqui o seu filhinho.
O Santo toma nos braços aquele corpinho inerte, põe a mão na fronte do pequeno e, acariciando-o, recita algumas orações. Depois diz a mãe:
— A sra. já pode alimentar o filhinho.
— Meu bom Frei Benedito, ele está morto; veja, e mete o dedo na boquinha aberta do filhinho.
— Filha, — diz o Santo com energia. — não seja descrente, não desconfie assim! Alimente o menino!
Confiada no Santo, a pobre mãe chega ao peito a boca do filhinho. Este abre subitamente os olhinhos, toma o seio materno, alegre e sorridente; como se nada tivesse acontecido. Que prodígio! que milagre! E todos exaltavam e davam graças a S. Benedito.
Outros milagres. Uma senhora — chama-se Francisca Fitalia — sofria de grave enfermidade: um cancro no peito. Recorreu a Frei Benedito, que lhe disse: — Fique tranquila, volte para casa e lá chegará curada. De fato, antes de chegar, descobriu o peito e viu que estava curada, e da ferida só restava cicatriz.
Ó meu santo — dizia-lhe um pescador — tem compaixão de um pobre chefe de família, pai de sete filhos, que já passam miséria porque não tenho pescado nem um peixinho. Meu bom Frei Benedito, abençoa as minhas redes, por amor de Deus!
E o Santo as abençoou, e que pesca maravilhosa! As redes daí em diante voltavam cheias, tão cheias de ótimos peixes, que ameaçavam romper-se. Estes e muitos outros milagres fez o glorioso Santo.

20 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 581

TAMBÉM UM SACRISTÃO SANTO

Era no sexto século da era cristã. Havia em Ancona, na Itália um santo bispo chamado Estévão. Constâncio, o seu sacristão, tornou-se também grande santo, mormente pelo zelo e fidelidade no cumprimento dos deveres de seu oficio. Como aprouve a Deus conceder-lhe o dom dos milagres, a sua fama espalhou-se de tal modo que muitos vinham de longe para vê-lo e pedir-lhe favores.
Conta-se que um aldeão empreendeu longa viagem para ver o piedoso e santo sacristão. Mas, eis que, ali chegando, encontrara um homenzinho muito pequeno, trepado numa escada, e ocupado em limpar os candelabros da igreja.
— Mas que é isso? — diz o aldeão; — é esse o famoso Constâncio, de que me falaram?
— Sim, é ele mesmo; — disseram-lhe as pessoas presentes.
— Ora essa! eu julgava encontrar um homem perfeito, e encontro apenas um homúculo desprezível. Para tanto eu não precisava ter feito tão longa viagem!
Constâncio, ao ouvir aquelas palavras, desce da escada e vai abraçar o visitante, dizendo-lhe com sincera humildade:
— Muito obrigado; o senhor é o primeiro a apreciar-me segundo o meu justo valor.
Eis aí a pedra de toque, a prova da verdadeira santidade.

19 de janeiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 580

OS COROINHAS SANTOS

O beato Bernardo, dominicano de Santarém (Portugal), tinha grande cuidado de catequizar os coroinhas e torná-los piedosos. Dois dentre esses meninos, antes da catequese, tomavam a refeição da manhã numa sala do convento, onde havia uma estátua de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços. Várias vezes o Senhor Menino, deixando os braços maternos, ia compartilhar da refeiçãozinha dos meninos. Um dia referiram o prodígio ao beato Bernardo, o qual lhe recomendou que, se esse favor se renovasse, dissessem ao Menino Jesus: “Senhor Menino, eis que comeis conosco e não nos ofereceis nada; convidai-nos a nós e a nosso mestre para irmos para a casa de vosso Pai”. Quando Jesus veio de novo, os meninos lhe transmitiram fielmente o recado, e Jesus respondeu-lhes que estivessem preparados para o dia da Ascensão. A resposta foi transmitida ao beato Bernardo, que, no dia da Ascensão, celebrou a santa missa bem cedinho, acolitado como de costume pelos dois pequenos. Logo depois da missa, os três cessaram de viver na terra (e foram sepultados no mesmo túmulo), para viverem para sempre com Jesus no céu.