Era maio de 1808. Os habitantes de Madri haviam se levantado contra o intruso José Bonaparte, que usurpara o trono dos Bourbons.
Os insurretos, cheios de ódio contra os franceses, matavam sem piedade os soldados que conseguiam surpreender nas ruas e nas casas.
Certa manhã, o célebre Dr. Claubry deparou-se com uma turba de insurretos que, por suas vestes, perceberam que ele pertencia ao exército invasor.
O doutor era grande devoto de Nossa Senhora e pertencia à Confraria do Rosário. Naquele mesmo dia, recebera a Sagrada Comunhão em uma igreja dedicada a Nossa Senhora e voltava tranquilamente para casa.
Ao perceber o perigo, ergueu as mãos ao céu e invocou os santos nomes de Jesus e Maria.
Já estavam prestes a matá-lo, acusando-o de renegado e ímpio, quando uma feliz ideia lhe ocorreu.
— Não — disse ele —, não sou infiel nem blasfemo. E, se querem uma prova, vejam o que trago comigo.
E mostrou-lhes o rosário que estava rezando.
Diante disso, os agressores imediatamente baixaram as armas, dizendo:
— Este homem não pode ser mau como os outros, pois reza o rosário.
Precisamente naquele instante, como que enviado por Nossa Senhora, surgiu o sacristão da igreja onde o doutor havia comungado. Ao vê-lo cercado pelos insurretos, gritou bem alto:
— Não lhe façam mal! Ele é devoto de Nossa Senhora; eu o vi comungar esta manhã em nossa igreja.
Ao ouvirem isso, os agressores se acalmaram, beijaram o crucifixo do rosário de Claubry e conduziram-no a um lugar seguro.
Ao regressar à sua pátria, o piedoso doutor publicou o relato da graça recebida e continuou, por toda a vida, a rezar o rosário.
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