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12 de novembro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

O Corpo da Virgem Santíssima


Parte 6/6

O homem ama o seu corpo, mas não  compreende bem esse amor. Julga que lhe faz bem quando lhe proporciona todos os prazeres que ele pede e com isso ocasiona-lhe toda a espécie de males.
É como um pai que não castiga o filho, que condescende com todos os seus caprichos, pensando que assim lhe demonstra o seu amor, e está a preparar-lhe a ruína.
O que ama o seu corpo com um amor mal compreendido, procurando prazeres, perdê-lo-á.
Perdê-lo-á ainda nesta vida, porque o prazer que afaga o corpo, destrói-o.
A fome de gozar não se acalma com as concessões; pelo contrário, aviva-se mais como o fogo com o combustível. E o que acontece quando se quer saciar essa fome insaciável?
Os órgãos do corpo gastam-se, os nervos enfraquecem-se, os sentidos exaustos negam-se a dar a satisfação que se lhes pede; e como a ânsia de gozar cresce mais e mais, o homem recorre aos meios mais violentos e desastrosos, e como resultado, o sistema nervoso fica desfeito, destroçado; e nesse organismo desequilibrado e tarado desenvolvem-se os germens de todas as doenças e sobrevêm a morte prematura.
O amor mal compreendido ao corpo ocasiona-lhe a sua ruína temporal e, o que é pior, a sua ruína eterna; porque esse corpo, instrumento do prazer, terá que expiar sofrendo na outra vida o que gozou nesta pecando. Pelo contrário, o que compreende bem o amor ao seu corpo, castiga-o nesta vida e com isso prepara-lhe uma exaltação e uma felicidade eterna.
O corpo maltratado de Jesus Cristo ressuscitou glorioso e subindo aos céus.
O corpo dorido da Virgem Santíssima não sofreu a corrupção do sepulcro e foi também transportado para os céus.
O corpo mortificado dos santos ressuscitará glorioso, como o de Jesus Cristo e o da Virgem Santíssima e será levado aos céus. Mais ainda, aqui na terra recebe a maior exaltação como prêmio do seu sacrifício.
Os mártires desprezaram o seu corpo e entregaram-no às torturas; e os ossos desses mártires servem de trono a Jesus Cristo quando baixa do céu aos altares; pois a pedra de ara de todos os altares deve encerrar as relíquias de algum santo.
Essas relíquias são um dos tesouros que a Igreja mais aprecia; por isso as coloca em urnas de ouro e de prata; envolve-as em panos finíssimos, encerra-os em relicários de pedrarias e todos os cristãos se ajoelham para as beijar e venerar.
O próprio Deus quis glorificar algumas vezes o corpo de alguns santos concedendo-lhes o privilégio da incorrupção. Conserva-se incorrupto o corpo de São Francisco Xavier, aquele corpo flagelado pelas chuvas e ventos, pelo sol abrasador e pelos gelos dilacerantes, pelas inclemências de todas as regiões.
Incorrupto está o corpo de Santa Teresa de Jesus, maltratado pelas macerações de todas as penitências.
Incorruptos estão esses corpos; encerrados em riquíssimos relicários e venerados pelos católicos de todo o mundo que acodem a visitá-los. Os santos mortificaram o seu corpo, tornando-o instrumento da virtude e agora recebem a glorificação dele.
Maior glorificação que a de todos os santos está desfrutando o corpo da Santíssima Virgem, que foi levado aos céus sem sofrer a corrupção e ali está gozando e recebendo a homenagem dos bens aventurados.
É o prêmio dos sofrimentos. Amai o vosso corpo, mas amai-o razoavelmente. Se lhe quereis bem, não lhe concedais prazeres ilícitos, porque terá de sofrer depois dores eternas. Se lhe quereis bem, refreai as suas tendências desordenadas, porque a dor sofrida na terra é semente de felicidade.

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