31 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 156

156) É necessário ter dor de todos os pecados?
Sim. É necessário ter dor de todos os pecados mortais cometidos, sem exceção; e convém tê-la também dos veniais.

30 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 155

155) O que é a dor imperfeita ou atrição?
A dor imperfeita, ou atrição é o pesar dos pecados cometidos, por causa do temor dos castigos eternos e temporais, e também por causa da fealdade do pecado.
São Jerônimo, em meio de suas mais austeras penitências, tremia com o pensamento da morte. Parecia-lhe já ouvir o som da trombeta, que chamará todos os homens diante de Deus, para Lhe prestarem contas de sua vida.
Realmente, sendo Deus justo, deve punir a injúria a Ele feita, tanto nesta vida, como na outra.
Quem dos pecados cometidos se arrepende só pelo receio do castigo ou por haver manchado sua alma, rebaixando-a ao nível dos irracionais e fazendo-a escrava do demônio, tem apenas atrição. O seu pesar nasce do medo e não do amor. Baseia-se em motivos interesseiros e não no amor de filho, que venera ternamente seu pai. É servo que teme a seu amo.
Essa dor imperfeita não nos obtém logo o perdão, mas precisa estar unida à absolvição sacramental, que se consegue pelo sacramento da Confissão.
As lágrimas da dor - diz S. Gregório Nazianzeno -, podem ser comparadas às águas do dilúvio: assim como estas afogaram todos os homens, aquelas submergem todos os pecados.

29 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 154

154) O que é a dor perfeita, ou contrição?
A dor perfeita, ou contrição é o pesar dos pecados cometidos, por que são ofensa a Deus nosso Pai, infinitamente bom e amável, e causa da paixão e morte de nosso Redentor, Jesus Cristo, Filho de Deus.
A dor dos pecados é o pesar profundo que sentimos, ao pensar na ofensa feita a Deus, nos castigos por eles merecidos e na mancha que eles imprimiram em nossa alma. Essa tristeza faz-nos odiar o pecado, com o firme propósito de nunca mais cometê-lo para o futuro.
Há duas espécies de dor: contrição e atrição.
A dor perfeita, ou contrição, é o pesar de haver ultrajado a Deus tão bom, e de ter sido causa da paixão e morte de Jesus. Este pesar, nascido do amor, é tão grato a Deus, que apaga instantâneamente o pecado, mesmo antes da confissão, restituindo-nos a amizade de Deus, o mérito das boas obras já feitas e o poder de ganhar outros para a vida eterna. Temos, no entanto, obrigação de confessar os pecados remitidos dessa maneira, embora tenhamos já obtido o perdão de Deus.
Excitemos em nós a contrição perfeita, olhando muitas vezes para Jesus Crucificado e pensando no seu grande amor por nós.

28 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 153

153) De quantas espécies é a dor?
A dor é de duas espécies: perfeita, ou contrição, e imperfeita, ou atrição.

27 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 152

152) Que é a dor?
A dor ou arrependimento é o desgôsto e a aversão pelos pecados cometidos, que nos leva a fazer o própósito de nunca mais pecar.
Quando Jesus foi traído por Judas no Hôrto das oliveiras, Pedro e os outros Apóstolos fugiram assustados. Pedro voltou depois e foi seguindo de longe a Jesus, penetrando de mansinho no pátio da casa dos Pontífices. Aí ficou ao lado de uma fogueira, pois fazia muito frio.
"E, entretanto, estando Pedro em baixo no pátio, chegou uma das criadas do Sumo Sacerdote; e vendo Pedro que se aquecia, encarando nele disse: Tu também estavas com Jesus Nazareno. Mas ele negou, dizendo: Nem o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fora para a entrada do pátio, e o galo cantou. E, tendo-o visto outra vez a criada, começou a dizer aos que estavam presentes: Este é daqueles. Mas ele o negou de novo.
E, pouco depois, os que ali estavam diziam a Pedro: Verdadeiramente tu és um deles, porque és também galileu. E ele começou a imprecar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais. E, imediatamente cantou o galo segunda vez. E Pedro recordou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes. E começou a chorar" (Marcos, 14, 66-72).
A dor é um vivo aborrecimento, é um pranto do coração por haver ofendido a Jesus. É necessária a todas as confissões, pois sem arrependimento não pode haver remissão dos pecados.
Narra uma graciosa lenda oriental, que um dia desejou Deus conhecer o que havia de mais lindo na Terra e mandou um anjo procurá-la.O anjo voou pelo universo inteiro, esmiuçou todas as facetas da vida e, finalmente, voltou para junto de Deus, dizendo-lhe: "Nada há mais belo na Terra do que as lágrimas do arrependimento".

26 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 151

151) Como se faz o exame de consciência?
Faz-se o exame de consciência trazendo à memória os pecados cometidos, a partir da última confissão bem feita.
"Qual é a mulher, que tendo dez dracmas, e perdendo uma, não acende a candeia e não varre a casa e não procura diligentemente até que a encontre? E que, depois de a achar, não convoque as amigas e vizinhas, dizendo: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a dracma que tinha perdido"? (Lucas, 15, 8-10).
A dracma era uma moeda corrente na Judéia. A solicitude da dona de casa, apresentada na parábola do Evangelho a procurar a moeda em todos os ângulos dos quartos e das salas, é um excelente convite à nossa alma. Devemos examinar atentamente nossa consciência antes de nos aproximarmos da santa confissão.
Não é possível detestar e confessar um mal sem conhecê-lo. Ao passo que, o seu conhecimento, leva-nos à detestação e ao desejo de nos libertarmos dele quanto antes.
O exame de consciência é, por conseguinte, a indagação atenta e cuidadosa dos pecados cometidos por pensamentos, palavras, obras e omissões, desde a última confissão bem feita. Quando fores confessar, olha para Jesus Crucificado e pede-lhe que te ajude a conhecer os teus pecados, assim como os conhecerás no dia do Juizo.
Pensa depois nos Mandamentos de Deus e da Igreja, nos teus deveres de estado e examina, sem precipitação e sem ansiedade, como e quantas vezes os transgrediste e descuraste. Assim preparado, dirigi-te piedosamente ao confessionário.
Na parábola "o fariseu e o publicano", temos uma perfeita idéia da contrição.
É mister na oração a sincera humildade,
por que tenha valor, para que a Deus agrade.
O fariseu perdeu-se em soberba e vanglórias
os homens desprezando, e amando a ostentação.
O publicano, ao longe, humilha-se, contrito;
num excesso de dor essa alma penitente
a culpa reconhece e num sincero grito
pede misericórdia ao Deus Onipotente,
e como pecador, reconhece o pecado.
Nada falta, é completa aquela contrição;
não ousava chegar-se a Deus, e é perdoado,
pois que Deus vem a ele em bênçãos de perdão.
(Maroquinha Jacobina Rabello: "Parábolas").

25 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 150

150) Quantas e quais são as coisas necessárias para fazer uma boa confissão?
Para fazer uma boa confissão cinco são as coisas necessárias: 1ª exame de consciência; 2ª dor dos pecados; 3ª propósito de nunca mais pecar; 4ª confissão; 5ª satisfação, ou penitência.
Esta é a mais bela parábola da misericórdia: "Um homem tinha dois filhos; ora, o menor disse ao pai: "Pai, dá-me a parte dos bens que me toca". O pai dividiu então o patrimônio entre os dois filhos, e o mais moço, seguindo para um país distante, aí esbanjou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.
Nada mais possuindo, e tendo havido naquele país uma grande carestia, começou ele a sentir as conseqüências da miséria. Foi ter com um fazendeiro que o mandou guardar porcos. O pobre jovem, a morrer de fome, pensou em voltar à casa paterna. Levantou-se e foi à procura de seu pai. Este, mal o avistou ao longo da estrada, correu a seu encontro, abraçando-o e beijando-o com saudade. Disse-lhe o filho: "Pai, pequei contra o céu e contra ti, não sou mais digno de ser chamado teu filho". Mas o pai deu ordens aos criados: "Ide depressa buscar o vestido mais precioso e vesti-lho; metei-lhe um anel no dedo e os sapatos nos pés; trazei também um vitelo gordo e matai-o, para fazermos um grande banquete, porque este meu filho estava morto e ressuscitou, estava perdido e foi encontrado"" (Lucas 15).
Eis que voltando a si, escutando a consciência,
arrependido já, murmura ele num ai:
"alimentam-se à farta os servos de meu pai
enquanto que eu, seu filho, aqui estou na indigência.
Levantar-me-ei, a ele eu direi num gemido:
eu pequei contra o Céu, feri teu coração..."
Foi. E ao encontro, o pai cheio de compaixão,
nos braços cai-lhe e beija o filho arrependido.
(Maroquinha Jacobina Rabello: "Parábolas").

24 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 149

149) Que é a penitência?
A penitência ou Confissão é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.
No tempo em que Jesus viveu, havia em Jerusalém, ao lado da porta das ovelhas, uma piscina miraculosa. O anjo do Senhor a ela descia de vez em quando e agitava-lhe as águas. O primeiro doente que nela mergulhava após o movimento das águas era curado.
Uma infinidade de pobres enfermos detinha-se quase constantemente sob os pórticos desse recinto. Entre esses, ocorreu a Jesus encontrar um, que há trinta e oito anos espereva pela sua vez. Quando as águas se movimentavam, algum enfermo mais ágil imergia-se na piscina e saía dela curado. Movido de piedade, Jesus disse-lhe: "Levanta-te, toma o teu leito e anda. E no mesmo instante, ficou são aquele homem, e tomou o seu leito e começou a andar" (João, 5,8-9). A piscina milagrosa era símbolo da santa Confissão, que, como água prodigiosa, cura nossa alma da enfermidade do pecado.
Somos tão fracos na prática do bem e vivemos num mundo cheio de insídias e perigos.
Por isso é-nos muito fácil perder a graça de Deus. Eis o motivo pelo qual Jesus, que como Deus tem o poder de perdoar os pecados, instituiu o sacramento do perdão, a fim de nos dispensar os segredos de sua misericórdia. Transmitiu aos Apóstolos, de modo verdadeiramente solene, essa mesma autoridade que Ele recebera do Pai Eterno, de modo que pudessem perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.
Foram assim os Apóstolos e os sacerdotes constituídos ministros do divino perdão.
"O Senhor só espera ouvir a tua voz, não para punir-te, mas para perdoar-te" (Santo Ambrósio).