7 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 193

193) Ensinar os ignorantes.
A maior necessidade da alma é a verdade, especialmente a verdade religiosa, que ensina aos homens o caminho da salvação.
Quem instrui os ignorantes sobre as verdades da fé e com eles reparte o pão da doutrina, cumpre uma sublime e meritória missão aos olhos de Deus. Torna-se continuador da obra de Jesus Cristo, que veio à Terra para ser nosso Mestre.
Este dever cabe sobre tudo aos pais, aos mestres, aos superiores. De certo modo, todos nós temos obrigação de ensinar a nosso próximo, ao menos pelo exemplo de uma perfeita prática de nossos deveres cristãos.
Grande figura de educador cristão é São João Batista de La Salle. Fundou muitas escolas gratuitas para crianças pobres. Seus continuadores, os irmãos das Escolas Cristãs (Lassalistas), continuam até hoje a educar cristãmente milhares de jovens.
Caro menino, estuda as verdades divinas, para um dia também ensiná-las aos outros.
"Sê liberal em qualquer gênero de auxílio, para com os necessitados - exorta o mártir de Spielberg - em dinheiro e proteção, quanto puderes; em conselhos, aproveitando as ocasiões; em boas maneiras e boas sugestões. É sempre linda a piedade para com os infelizes..." (Sílvio Pellico:"Sobre os deveres dos homens")

6 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 192

Obras de Misericórdia Espirituais

Às obras de misericórdia corporais, seguem-se as obras de misericórdia espirituais, que são igualmente sete.
1. Dar bom conselhos.
Apresentou-se um dia um jovem a Jesus e lhe perguntou: "Bom Mestre, que devo eu fazer para alcançar a vida eterna?" E Jesus disse-lhe: "Tu sabes os Mandamentos: Não cometas adultério, não mates, não furtes, não digas falso testemunho, não cometas fraudes, honra teu pai e tua mãe". E ele, respondendo, disse-lhe: "Mestre, todas estas coisas tenho observado desde a minha mocidade". E Jesus, pondo nele os olhos, mostrou-lhe afeto, e disse-lhe: "Uma coisa te falta: vai, vende quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no Céu; e vem depois e segue-me" (Marcos, 10, 17-21).
Que santo conselho deu Jesus a esse jovem!
O que é dúvida? É estar-se incerto sobre uma decisão a tomar. Estamos todos sujeitos a enganos, especialmente quando nos apoiamos em nosso próprio juízo e quando rejeitamos os conselhos de pessoas sábias e virtuosas.
É portanto evidente que dar conselhos úteis, prudentes e sábios é uma especalíssima caridade para com o próximo.
Assim exorta o Apóstolo: "Enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos irmãos da fé" (Gálatas, 6,10).

5 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 191

191) Enterrar os mortos.
A Igreja sempre rodeou de veneração os corpos dos fiéis defuntos santificados durante a vida pelos sacramentos e destinados à ressurreição eterna. Eis por que se benzem as tumbas, onde repousam seus despojos. No tempo das perseguições eram subterrâneas e denominavam-se catacumbas.
Os primeiros cristãos tinham especial veneração pelos corpos dos mártires.
O quadro representa o enterro de S. Lourenço. Com tochas acesas, transportavam os fiéis o corpo do mártir através dos escuros corredores, até o lugar para ele preparado pelos coveiros. Logo depois, era adornado de flores e símbolos sacros.
Ainda hoje se conserva o costume de levantar a cruz sobre os túmulos dos fiéis e de cobri-los de flores.
Não neguemos aos nossos mortos a nossa oração de sufrágio. Tributemos-lhes nossa homenagem de caridade, acompanhando-os à derradeira morada e confiando-os à terra de onde ressuscitarão um dia para o juízo final.
Admoesta-nos o Espírito Santo na Sagrada Escritura: "A beneficência é agradável a todos os vivos, e não impeças que ela se estenda aos mortos" (Eclesiástico, 7,37).

4 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 190

190) Visitar os encarcerados.
S. Vicente de Paula foi apóstolo incansável da caridade. Aliviava todo o gênero de miséria humana. Quando era capelão geral das galés do rei da França, visitava freqüentemente os pobres galeotes condenados aos trabalhos forçados. Entre eles, havia um, condenado injustamente, que se mostrava cada vez mais desesperado. Chegou a ponto de recusar ouvir as exortações do santo capelão. Vicente, repleto do heroísmo da caridade, ofereceu-se para ficar em seu lugar na prisão, deixando-se prender aos pés com as pesadas cadeias dos condenados. É assim a caridade dos santos!
Quase não é mais costume visitar os encarcerados, que a lei segrega do convívio civil, em expiação de seus delitos.
Em séculos passados, a Igreja com suas Ordens religiosas, era pródiga em resgatar e assistir os prisioneiros de guerra, levando-lhes auxílio espiritual e material. Hoje continua a Igreja, com maternal solicitude, a proteger e amparar espiritual e materialmente, os infelizes detentos.
Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para os consolar. Consideremos esta caridade como um dever.
Antigamente, resgatar os prisioneiros de guerra, tratados como escravos, era obra tida por grande e heróica. A ela se dedicavam Famílias Religiosas inteiras, com grande vantagem para a civilização critã. Não raro, heróicos religiosos ofereciam-se voluntáriamente à escravidão, para resgatar seus irmãos. Tornavam-se, assim fiéis imitadores de Jesus, que se imolou por nosso amor.
"Estava no cárcere - dirá Jesus aos eleitos - e fôstes visitar-me" (Mateus, 25,36).

3 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 189

189) Visitar os enfermos.
São Caetano de Tiene, na flor da idade, abandonou uma carreira brilhante, para dedicar-se ao serviço de Deus, na pessoa dos doentes nos hospitais. Com que solicitude não lhes curava as chagas, ao mesmo tempo que com celestial eloqüência, elevava suas almas para o alto! Lembrava-lhes, então,as alegrias do Céu e o prêmio eterno que lhes estava reservado.
Tem os doentes grande necessidade de conforto, pois, enquanto os torturam as dores físicas, o espírito deprime-se e entrega-se ao desânimo.
Assim é que uma visita amiga, uma palavra cordial, muito contribuem para encorajar e acalmar os doentes.
Muitas vezes os doentes resistem às inspirações da graça e não concordam em pôr em dia a sua vida. Quanta solicitude não é então preciso empregar, para induzi-los a ajustarem suas contas com Deus! De outro modo, eles não conseguiriam a salvação eterna. Poucas palavras, mas cheias de unção e de caridade, reconduziram a Deus muitas almas das quais já nada mais se esperava, quando se verificaram verdadeiros milagres de conversão.
Menino, acostuma-te a considerar os enfermos como membros sofredores do Corpo Místico de Cristo. Eles são, entre todos os cristãos, os mais caros ao coração materno da Igreja que, desde os tempos mais remotos, vem neles pensando e para eles abrindo hospitais e sanatórios! São inúmeras as Congregações Religiosas fundadas para a assistência aos enfermos. Como é rica de heroísmo e de santidade sua história!
Recordemo-nos sempre da advertência do Espírito Santo: "Não sejas preguiçoso em visitar os enfermos, porque é assim que tu te fortificarás na caridade" (Eclesiástico, 7,39).

2 de maio de 2010

Missa Tridentina em Curitiba: Sermão do Pe. Paulo Iubel no IV Domingo depois da Páscoa (1º/05/2010)

Pe. Paulo Iubel
Paróquia Imaculada Conceição
Curitiba/PR

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 188

188) Dar pousada aos peregrinos.
Na terrível guerra de 1904 a 1945, os modernos aparelhos de bombardeio destruíram uma grande parte das cidades e municípios europeus. Assim foi que muitos se viram constrangidos a pedir abrigo e roupa a quem lhos pudesse dar. A caridade cristã não se fêz esperar. Abriram-se muitas portas aos fugitivos e nelas encontraram eles acolhimento cordial e fraterno.
A hospitalidade sempre foi, desde os primeiros tempos da Igreja, honroso apanágio dos cristãos. Era o peregrino recebido e tratado como se fôsse o próprio Jesus Cristo.
O quadro ilustra a caridade operosa de S. Juliano, o qual, com sua santa espôsa, consagrou sua vida a aliviar os cançados e as necessidades dos pobres viandantes.
Hospedava-os caridosamente em sua casa.
Todos admiram e conhecem a obra altamente humana e hospitaleira dos monges do grande São Bernardo. Ajudados por seus célebres cães, entregavam-se à procura e à defesa dos viadantes nos desfiladeiros alpinos, desafiando assim os turbilhões da neve e da tormenta. Era a caridade de Cristo que os animava e sustentava.
Quantos, porém, fecham-se em seu mesquinho egoísmo e não tem entranhas de piedade para com as necessidades alheias. No juízo divino, ouvirão a sentença que lhes está reservada: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para os seus anjos; porque tive fome e não me destes de comer; tive sêde e não me destes de beber; era peregrino, e não me recolhestes... Todas as vezes que não o fizestes a um destes mais pequeninos, foi a mim que o não fizestes" (Mateus, 25, 41-42; 45).

1 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 187

187) Vestir os nus.
Santa Catarina de Sena não sabia negar esmola aos pobres que lha pediam em nome de Jesus, seu Deus e Senhor.
Um dia um mendigo seminu pediu-lhe uma roupa. Ela não duvidou em dar-lhe um vestido de lã que possuía. Depois, o pobre pediu-lhe também uma camisa e a santa deu-lhe uma, que pertencia a seu pai.
Na noite seguinte,enquanto Catarina estava rezando, apareceu-lhe Jesus sob o aspecto daquele pobre. Trazia nas mãos o vestido que recebera, ornamentado, porém, de pérolas e gemas preciosas. Dise-lhe então Jesus: Ontem tu me deste este vestido.
Agora eu te entrego outro vestido invisível, que cobrirá tua alma e teu corpo. - E assim falando, cobriu-a com aquela veste luminosa.
Desde esse dia, Catarina não sentiu mais frio e, mesmo durante o mais rigoroso inverno, trajava-se com roupas leves.
Aprende com esta santa a cobrir os membros sofredores de Jesus, os pobres, e serás por Ele revestido com o esplêndido hábito da sua graça.
Tu, a quem teus pais nada deixam faltar, não feches teu coração à miséria e às necessidades de tantos meninos pobres. Dá e ser-te-á dado.
Diz o Senhor: "Reparte o teu pão com o que tem fome, e introduze em tua casa os pobres e os peregrinos; quando vires alguém nu, cobre-o e não desprezes a tua (própria) carne (ou a do teu próximo)" (Isaías 58,7).