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30 de setembro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Beleza Corporal da Santíssima Virgem


Parte 3/6

Apesar da escassez dos dados concretos que possuímos, podemos afirmar que a Mãe de Deus foi formosíssima. 
Em que nos fundamos para dizer isso? Em primeiro lugar, nas leis naturais da hereditariedade.
Ainda que seja remontarmo-nos excessivamente aos antepassados de Maria, há autores que se fixam no que nos diz de David a Sagrada Escritura. Maria era descendente de David; e este, segundo o autor sagrado, foi ruivo, de presença agradável e rosto belo ( I Sam. XVI - 12 ).
Sem que vamos tão longe  antepassados de Maria, sabemos certamente que nas suas veias corria sangue nobre, que na sua árvore genealógica se contam 19 reis e por conseguinte, mesmo que não a imaginemos vivendo em palácios reais, nem vestindo trajes de rainha, nem usando coroa real, devemos descobrir no seu porte exterior, traços nobres, finos e distintos, esse tom de distinção que costuma dar às pessoas a nobreza do sangue.
Mas apliquemos as leis hereditárias a Maria não só nos seus antepassados, mas também no seu descendente; e o descendente de Maria foi Jesus Cristo, o filho de Deus. Os filhos naturalmente parecem-se com os pais. Jesus Cristo não teve pai na terra, teve mãe somente, logo necessariamente tinha de se parecer com ela. E como era Jesus Cristo? Há Ele se aplicam aquelas palavras proféticas: "Speciosus forma prae filis hominum". Foi o mais belo entre os filhos dos homens.
De Jesus Cristo diz o simbolo atanasiano que foi "perfeito  Deus" e "perfeito homem". Deus perfeito e homem perfeito. E se foi homem perfeito, tinha que ser muitíssimo belo; pois a beleza resulta da perfeição das coisas.
Como afirmação destas razões apriorísticas, podemos citar o testemunho histórico do santo sudário de Turim, que reproduz o negativo do corpo de um homem, de suma perfeição e de impressionante majestade.
Tiremos daqui já a conclusão. Se Jesus Cristo foi perfeitíssimo e formosíssimo, e Jesus Cristo tinha que parecer-se naturalmente com sua Mãe, a Santíssima Virgem tinha que ser perfeitíssima e formosíssima também. Demos outro argumento. Mesmo que não tenhamos visto alguma obra artística, podemos deduzir que será muito bela se soubermos quem é o autor e nos constar que pôs todo o seu empenho em realizá-la. Se nos dizem que um quadro é de Miguel Ângelo e que Miguel Ângelo para pintar esse quadro pôs todo o interesse e empregou todas as suas qualidades artísticas, mesmo que não tenhamos visto o quadro, podemos afirmar com segurança que o quadro tem de ser belíssimo.
Apliquemos este raciocínio à Mãe de Deus. Quem foi o autor dessa obra primorosa? Foi nada menos que o artista supremo, o autor de todas as belezas que existem na criação; e que coisas tão belas há no mundo visível e no mundo invisível dos espíritos feitos por Deus!
Murilho e Ribera pintaram quadros maravilhosos da Imaculada. E que são estes artistas comparados com Deus? E Deus ao fazer Maria, poria em ação todas as suas qualidades de artista divino? Sem dúvida que sim, porque o pedia a dignidade e o destino daquela mulher que saía das suas mãos.
Que bela é a terra com os campos atapetados de flores, com as montanhas coroadas de neve, com os mares que mudam de cor a cada instante, com a abóboda dos céus estrelados! e para que fez Deus uma casa tão bela? Para que fosse habitação do homem, criatura sua, servo seu.
Maria estava destinada a ser morada do Filho de Deus quando este trocasse o céu pela terra.
Que formoso quis Deus que fosse o templo de Jerusalém! Mandou que na sua construção se empregassem os metais mais ricos, as pedras mais preciosas. Ordenou que para o construir se reunissem os artistas mais inspirados. E tudo isso, porque?
Porque ali naquele templo ia fazer Deus algumas manifestações da sua glória.
O corpo da Santíssima Virgem estava destinado a ser o relicário da divindade, o templo santo onde habitaria nove meses o Filho de Deus feito homem. Que empenho poria Deus em construir esse templo!
E teve que ser formosíssima a Santíssima Virgem porque estava destinada a viver em companhia do Filho de Deus e essa presença contínua de Maria ante o Filho de Deus exigia que ela fosse formosíssima.
O belo costuma definir-se: aquilo que visto agrada; e ao contrário, o feio defini-se: o que visto desagrada às pessoas que têm o gosto bem formado. Destas noções estéticas deduz-se que a Virgem Maria tinha que ser extraordinariamente bela; pois estava destinada a viver em comunicação contínua com o Filho de Deus e Jesus Cristo devia contemplar com a máxima complacência a sua Mãe Santíssima. O mesmo Filho de Deus dirigia a formação da sua Mãe e podemos dizer que ia modelando aquele corpo sagrado a seu gosto, gosto requintado da sabedoria de Deus.
Com que primor torneava aqueles braços que o haviam de sustentar, e aquelas mãos que o haviam de acariciar, e aqueles lábios que o haviam de beijar, e aqueles olhos que haviam de trocar olhares tão ternos com os seus!
O artista supremo, o artista divino, emprega todas as suas qualidades para fazer a sua obra prima, a obra mais bela que sairia das suas mãos. Não a faria perfeitíssima, não a faria formosíssima?
Com razão podemos repetir com a Igreja: "Tota pulchra, Maria!". Toda sois formosa, ó Maria.

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