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28 de setembro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Beleza Corporal da Santíssima Virgem


Parte 2/6

Como era a Santíssima Virgem quando vivia na terra?
Se tivéssemos um retrato autêntico conservá-lo-íamos como uma das jóias mais estimáveis.
Mas a Divina Providência, que não permitiu que tivéssemos o retrato de Jesus Cristo, também não nos quis legar o de sua Mãe.
É verdade que na basílica de Santa Maria Maior em Roma se venera, em suntuosa capela, um retrato de Maria, atribuído a São Lucas. Infelizmente os críticos modernos estão de acordo em opinar que São Lucas não foi o pintor.
As virgens que se atribuíam a ele, levam a marca da iconografia bizantina do século V e devem atribuir-se a algum pintor desconhecido dessa época. Esse pintor do século V não retratou a Santíssima Virgem, idealizou o seu rosto, como o fizeram também os modestos pintores das Catacumbas nas suas imagens, as mais antigas que possuímos da Mãe de Deus.
Disse que infelizmente o retrato de Maria não é autêntico nem de São Lucas; e tenho que me corrigir e dizer que felizmente não é esse o verdadeiro retrato, porque ao contemplá-lo, ainda que veneremos a sua antiguidade, recebemos uma grande decepção; pois pensávamos e com razão, que a Santíssima Virgem devia ser incomparavelmente mais bela.
Já que a pintura não nos transmitiu o verdadeiro retrato de Maria, ter-no-lo-á deixado a literatura?
Os escritores eclesiásticos dos primeiros séculos da Igreja não se preocuparam com o aspecto corporal de Maria, fixaram-se de preferência no seu retrato moral e espiritual, e fizeram ver que a beleza moral e espiritual interior se divisavam através do seu corpo.
Temos que nos remontar ao século VIII para encontrar o desenho dos traços físicos do corpo de Maria. Santo André de Creta e sobretudo São Epifânio detêm-se a descrever minuciosamente o aspecto exterior da Mãe de Deus.
Dizem que sua altura era mediana e talvez um pouco mais que mediana; que a cor do seu rosto era trigueira; que o seu cabelo era ruivo; que os seus olhos eram verdes e formosos; as sobrancelhas escuras, o nariz afilado; as mãos e os dedos esguios e o rosto aquilino.
Dizem que os vestidos que usava eram tecidos por suas próprias mãos, pois era muito hábil em fiar a lã, e que esses vestidos não eram tingidos artificialmente, mas que tinham a cor natural.
Dizem que estava sempre ocupada na oração, na leitura e no trabalho manual. Dizem que no fim da vida estava muito enfraquecida pelos sofrimentos e penitências.
Desde o século VIII os autores eclesiásticos continuam reproduzindo continuamente esta descrição do aspecto exterior de Maria.
Em que se fundaram Santo André de Creta e São Epifânio para nos transmitirem estes pormenores?
É provável que tivessem escritos mais antigos que não tenham chegado até nós. O caso é que são os pormenores mais antigos que possuímos e são os que se têm repetido depois durante muitos séculos, quando se tem pretendido descrever o aspecto exterior da Mãe de Deus.

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