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8 de abril de 2018

Retratos de Nossa Senhora , Juan Rey, S. J.

RETRATOS  DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Rainha


Parte 3/7

Se a morte não era incompatível com a pureza e a dignidade da Mãe de Deus, certamente o era a corrupção. A pureza virginal de Maria reclamava a incorrupção do seu corpo.
Deus concedeu certo grau de incorrupção ao corpo de alguns santos que se distinguiram pela sua pureza. Incorrupto esta o corpo de São Francisco Xavier e o coração e o corpo de Santa Teresa de Jesus e de outros santos e santas; e o que foi a pureza desses santos comparada com a pureza de Maria?
Deus deixou cair sobre a Santíssima Virgem um orvalho celestial, que não só amorteceu o fogo da concupiscência como noutros santos, senão que na Virgem Santíssima extinguiu esse fogo por completo.
Noutros santos Deus apagou as labaredas de desejos, de pensamentos e de obras impuras que nasciam da concupiscência. Na Virgem Maria sua Mãe, extinguiu por completo o foco mesmo de onde brotam essas labaredas. Só ela se viu livre por completo da concupiscência, que em maior ou menor grau sentem todos os homens.
E se a Virgem Santíssima não tinha concupiscência, não tinha o foco da corrupção. E não tinha, porque a explicação da corrupção corporal do homem não é necessário procurá-la única e exclusivamente nas leis físico-química dos corpos, é necessário procurá-la também nos princípios da fé.
O corpo do homem deve corromper-se não só porque o pede a sua constituição; deve corromper-se também porque, segundo São Paulo, esse corpo " é carne de pecado" e a carne de pecado não pode estar unida a uma alma gloriosa e não pode entrar no reino dos céus. Este reino, diz o apóstolo, não o pode possuir nem a carne nem o sangue.
O corpo humano é como um edifício arruinado que é preciso destruir por completo para levantar sobre as suas ruínas outro edifício novo. A carne que serviu para o pecado tem que reduzir-se a pó para que possa entrar no céu.
Porém o corpo de Maria não era carne de pecado nem tinha servido para o pecado; por isso podia entrar no céu sem necessidade de corromper-se e reduzir-se a pó.
Vede como a pureza virginal de Maria é raiz da sua incorrupção.
A corrupção do corpo de Maria era também incompatível com a sua dignidade de Mãe de Deus. 
O corpo de Jesus Redentor era incorruptível; logo o corpo de sua Mãe, Corredentora, do qual tinha sido formado o de Jesus, devia ser incorruptível também. 
Por outro lado, o Filho de Deus não podia permitir que fossem pasto dos vermes aqueles braços feitos para o sustentarem, aqueles olhos feitos para o contemplarem, aqueles lábios santificados com o contato de seu rosto divino, aquele coração que tinha sido moldado para  amar a Ele.
Se Jesus prometeu tirar do sepulcro o corpo que tivesse comungado, alguma coisa mais tinha de dar a sua Mãe Santíssima, relicário seu, que o tinha trazido nove meses no seu seio, e tantas vezes o tinha sentado no seu regaço.

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