11 de novembro de 2017

As Mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 16

16. POLICARPO, O VELHO BISPO DE SMIRNA

Desencadeara-se em Roma mais uma feroz perseguição decretada pelo impiedoso Marco Aurélio, Imperador Romano, e dentre as numerosas vítimas da fúria sanguinária, Policarpo, Bispo de Smirna,
é mais um herói mártir que dignifica a Igreja dos primeiros tempos do cristianismo.
Teve a dita de ser discípulo do Apóstolo São João Evangelista de quem recebeu os primeiros ensinamentos da fé pela qual morreria com coragem e heroísmo.
Sagrado Bispo, foi-lhe confiada a diocese de Smirna, administrando-a como verdadeiro apóstolo, com energia e caridade, pela palavra e pelo exemplo.
O decreto de perseguição chega à Ásia, e o Bispo Policarpo pôde prenunciar suas conseqüências, quando vê doze cristãos, ovelhas suas, atirados às feras pelos seus perseguidores. Vendo o seu rebanho em perigo, Policarpo redobra os seus esforços, confortando suas ovelhas .e incentivando-as ao martírio. . É o Pastor vigilante pelo seu rebanho e que vai dar a vida pelas suas ovelhas, como o fizera Nosso Senhor, o Bom Pastor por excelência.
Foram os próprios cristãos que o esconderam em um sítio, fora da cidade, quando terrivelmente se incrementou a perseguição.
Entretanto, seu martírio lhe fora revelado em sonho, tendo visto seu travesseiro rodeado pelo fogo. "Meus amigos, diz ele, sei que serei condenado à morte pelo fogo. Deus seja bendito, porque se digna conceder-me a coroa do martírio". Poucos dias após, é prêso e conduzido ao anfiteatro, onde se realizava uma sessão de jogos com a presença do procônsul Quadrato.
Com calma e tranqüilidade admiráveis, Policarpo contempla de um lado o magistrado romano que o interroga; de outro, a multidão em gritos, quase a rugir. Pedem que insulte a Cristo e o renegue. Suas respostas são firmes e decisivas: "Há oitenta e seis que o sirvo e nunca me fêz mal. Por que hei de blasfemar contra o meu Rei e Senhor?"
- "Tenho as feras á minha disposição", resmunga o magistrado.
- "Que elas venham! Sou cristão, não as temo."
O procônsul, vendo a sua fé inquebrantável, sabendo que as feras não o amedrontam, decreta que ele morra pelo fogo.
Mas nem o fogo é capaz de perturbar o espírito de Policarpo; ao contrário, mais o inflamaria no amor de Deus.
- "Ameaças-me com um fogo que arde uma hora e depois se apaga, e nada sabes daquele fogo eterno que é preparado para os impios.
Vamos, não te demores, manda vir as feras, ou faze o que quiseres.
Sou cristão e não abandonarei a Cristo."
Anunciada a sentença, a multidão de pagãos e judeus conduz a lenha para a imolação do mártir. Antes que o corpo se queimasse, seus olhos se erguem para o céu e seus lábios entoam um hino de louvor a Deus pela glória do martírio que o torna digno de participar do cálice de Cristo para a ressurreição na vida eterna.
As chamas se elevaram com violência, o fogo contornou e, miraculosamente sem o queimar, envolveu o corpo do Mártir.
Resplandeceu luminoso, ante a admiração de todos que viam o poder de Deus, não permitindo que aquelas chamas queimassem o santo bispo, cuja santidade, à semelhança da prata e do ouro, mais se depurava e purificava no fogo.
Ofuscado pela cegueira e pela paixão, seus inimigos não quiseram reconhecer o poder de Deus que se manifestava de modo admirável.
Recebe o algoz a ordena de matá-lo com espada e assim se completa o seu martírio.
Policarpo era já velho, quase nonagenário, mas não há idade para se dar testemunho da fé e Deus dá sempre fôrça, mesmo aos mais fracos, para o seu combate.
Sua vida e sua morte nos são confirmados por Atas autênticas de seus escritos contemporâneos. E Santo Irineu, um dos seus discípulos, relembra em seus escritos os sábios ensinamentos deste grande Mestre do Cristianismo, uma das mais venerandas figuras de Mártires da antiguidade cristã.
À luz do mundo, anunciou Policarpo a fé no Cristo, e confessou "o Senhor diante dos homens:" Agora, "o Senhor o confessa diante de seu Pai celeste".
A Igreja de Cristo presta a sua carinhosa homenagem a este santo, cuja festa se celebra no dia 26 de janeiro, na comemoração de seu martírio, nascimento para a glória.
Uma auréola de imortalidade glorifica o velho Bispo de Smirna, cujo martírio contribui para consolidar a fé cristã e demonstrar ao mundo de que é capaz o Cristianismo sempre vivo na santidade de seus membros.

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