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11 de dezembro de 2015

Tesouro de Exemplos - Parte 19

PRESTES A MORRER

Após 60 anos de casado um pobre velho enfermou gravemente é, sentindo-se no fim da vida, disse a velha esposa:
— Vou morrer. E que farás tu depois da minha morte?
— Quando a morte te fulminar — respondeu a velha — eu te vestirei como para a festa e junto do teu cadáver chorarei tanto que comoverei a todos que vierem ver-te.
Disse-lhe o velho:
— Sei que me queres bem, mas para que me servirão os teus gemidos e soluços? Eu não os ouvirei mais. E depois?
Respondeu a velha:
— Depois eu te colocarei num lindo caixão e, quando te levarem ao cemitério, eu te acompanharei chorando e te cobrirei das mais belas flores...
Disse o velho:
— Agradeço-te, mas de que me servirão as flores? Eu não lhes sentirei mais o perfume... E depois?
Respondeu a velha:
— Depois comprarei muitas velas para as acender todos os dias ao redor de ti.
Disse o velho:
— Agradeço-te; mas de que me servirão as tuas velas? Eu não lhes vejo mais a luz... E depois?
Respondeu a velha:
— Depois, quando estiveres debaixo da terra, ficarei aos pés da tua sepultura e chorarei tanto que as minhas lágrimas, atravessando a terra, chegarão a ti e te aquecerão.
Disse o velho:
— Quanto me amas, querida! mas de que me servirão as tuas lágrimas? Eu não lhes sentirei mais a tepidez...
Respondeu a velha:
— Oh! como é feia a morte!
Disse o velho:
— A morte é bela, mas somente para aqueles que fizeram boas obras. — E expirou. Vivamos, pois, de tal modo que, no dia de nossa morte, a lembrança das boas obras realizadas nos console.

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