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5 de dezembro de 2015

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência VII


Parte 4/5


C - Para guardar, contudo, a fidelidade conjugal não basta uma atitude negativa, não basta evitar tudo o que a dificultaria. É preciso adotar uma atitude positiva: é preciso fazer tudo o que facilita a fidelidade.
a - Há alguns anos, o Santo Padre Pio XI introduziu na côrte pontifícia uma nova e interessante série de audiências: a audiência dos recém-casados. Por mais fatigado que estivesse o Soberano Pontífice, recebia sempre os recém-casados; recebia-os até em Castel Gandolfo, onde ia repousar algumas semanas, durante o mais forte calor de Roma.
Desde o fim de julho de 1932, dezenas e dezenas de milhares de jovens casados vieram de todas as partes do mundo, pedir ao chefe da cristandade a bênção para sua união. Estou plenamente convicto de que se para esses jovens casais o problema da fidelidade conjugal não é um problema impossível, não o será para quem sabe empregar com alma fervorosa os meios que nos oferece a nossa santa religião, tais como a prece, a confissão, a comunhão, e em primeiro lugar uma severa disciplina sobre si mesmo.
b - Sim, domínio de si. Não se tem o direito de recuar diante desta palavra. Pois não se pode dissimular que a observância da fidelidade conjugal exige um grande império sobre si mesmo.
De fato, ela exige lealdade. Exige honestidade. É uma luta e uma renúncia às quais ninguém pode subtrair-se. Com que direito se foge à luta, e ao sacrifício exigido para conservar a fidelidade conjugal? Sim, para poder sempre e em todas as circunstâncias conservá-la, é preciso domínio de si, espírito de renúncia e muitas vezes, também, sacrifícios.
"Mas é precisamente o impossível, objetar-se-á talvez. Eu não me casei para observar a continência, e apanhar assim uma doença nervosa".
De fato, não vos casastes para observar a continência. Um dos fins do casamento é permitir, dentro dos limites legítimos, a vida sexual, enobrecendo-a e a santificado. Mas se alguém, por um motivo qualquer, como a doença de sua esposa, temor de novos filhos, não pode exercer os direitos do casamento, é obrigado a aceitar a continência. É a única maneira cristã de agir, e não a fuga covarde para o lodaçal sedutor e perigoso da infidelidade conjugal.
"Mas eu não quero ficar doente por causa da continência!..."
Será que acreditais sempre nas palavras terrivelmente arcaicas com as quais pessoas sem consciência ou superficiais dificultam a observação do sexto mandamento? quereis dizer que não sois um homem?
Pois ser um homem significa poder dominar a voz do instinto.
Ser um homem significa poder sujeitar com mão forte os desejos sensuais.
Acreditai-me, ou antes experimental a força sublime que habita na alma humana, e vereis como se pode com ela acalmar o oceano tempestuoso das paixões, e vereis que tudo quanto se conta sobre os perigos da continência nada mais é que palavras supérfluas. Experimentai praticar a continência, e vereis que mesmo a natureza mais fogosa pode obedecer às leis divinas, com o socorro da graça de Deus.
O apóstolo São Paulo pronunciou uma frase, cuja verdade se realça de um modo especial pela situação desordenada da família atual. "Se viverdes segundo a carne morrereis" (Rom 8, 13). Notamos, com espanto, como estas palavras se aplicam à família moderna. O homem experimentou suprimir as leis divinas eternas, mas presentemente ele é obrigado a reconhecer, alarmado, que esta vida conjugal, organizada segundo a carne, conduz irremediavelmente à ruína.
É o que muito bem compreendeu o grande Miguel Ângelo pintando para a Capela Sixtina a criação da primeira mulher. Contemplai neste quadro como Eva, no instante em que ela tem consciência de si mesma, estende as mãos para Deus. Sente ela instintivamente que estará perdida, irremediavelmente perdida, se as relações naturais entre o homem e a mulher não forem reguladas pelas leis divinas, e colocadas sob sua proteção.
A única forma de casamento, digna do homem, é a união entre um homem e uma mulher, contraída por toda a vida, até o túmulo, e esta união tem por consequência a fidelidade conjugal. Penélope, aquela nobre mulher do paganismo antigo, pressentia-o já. Mas só o cristão pode compreender perfeitamente esta fidelidade conjugal, constante e absoluta, porque sabe que pelo batismo tornou-se ele membro do corpo mistico de Cristo, e que o amor puramente natural de ambos os esposos cristãos transforma-se pelo sacramento do matrimônio em amor sobrenatural de união com Cristo.
Enquanto duas criaturas humanas se amam por uma atração puramente natural, não se pode crer nem em sua sinceridade, nem em sua duração. Quando porém, dois seres se encontram no amor, como membros do corpo místico de Cristo, então não se tem a recear o desvio de seu amor; nem um dos esposos "adorará" o outro, nem exigirá atos vergonhosos e culpáveis, e nem se tornará brutal. Tal fidelidade e tal amor serão verdadeiramente constantes, e sobreviverão às vicissitudes da existência.
E este amor é a base sólida, o maior apoio, e a mais forte garantia da fidelidade conjugal. Porque o amor mais nobre e mais puro desaparece quando é simplesmente humano; não desaparece, porém, o amor do qual Deus é a base, a força e o traço de união.

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