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20 de dezembro de 2015

Sermão para o 3º Domingo do Advento – Pe Daniel Pinheiro, IBP


[Sermão] A alegria do mundo e a alegria espiritual



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Gaudete semper. Iterum dico: gaudete. Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos.
A alegria do mundo é pequena, imperfeita e passageira porque nasce de uma fonte escassa e limitada, finita, que é o temporal. O rei Salomão, filho de Davi (Eclesiastes 2), diz dessa alegria do mundo: “Vamos, tentemos a alegria e gozemos o prazer. Mas isso é também vaidade. Do riso (mundano) ele disse: Loucura! e da alegria (mundana): Para que serve?”. A alegria do mundo é pequena, imperfeita e passageira. A alegria espiritual é grande e perpétua porque vem do amor de Deus e da esperança dos bens eternos. A alegria espiritual provém do maior bem possível, Deus, e nada pode tirá-lo de nossa alma, a não ser nós mesmos pelo pecado mortal. Como diz Nosso Senhor falando da alegria espiritual (Jo 16, 22): “Ninguém tirará de vós a vossa alegria.” E devemos nos alegrar dessa verdadeira alegria sempre, mesmo nas tribulações e nas cruzes. A verdadeira alegria, a alegria no Senhor, de fazer a vontade dEle, é alegria que perdura mesmo nas aflições e nas penas. Como diz São Paulo aos Coríntios (2Cor 7, 4): “transbordo de alegria em toda tribulação.” E o apóstolo nos dá o exemplo prático dessa alegria nas tribulações: ele escreveu a epístola ao Filipenses, da qual hoje lemos uma parte, quando estava na prisão. Ao longo de toda a epístola ele se alegra. Ele se alegra ao rezar pelos outros, e porque o Evangelho não deixa de ser pregado. Ele diz que se alegrará ao saber que seus esforços foram frutíferos. Exorta mais de uma vez para que todos se alegrem no Senhor. Portanto, a verdadeira alegria, a alegria espiritual que vem da união a Deus pelo amor a Ele e pela ausência do pecado, persiste mesmo em meio às tribulações. A alegria verdadeira vem pela fé e pela caridade, quando fazemos a vontade de Deus. A alegria verdadeira não é superficial, nem é simplesmente estar sorrindo o tempo todo. A alegria mundana vem, ao contrário, no mais das vezes, pelos sentidos.
Essa alegria espiritual vem da modéstia dos cristãos, que São Paulo diz que deve ser conhecida de todos os homens. A modéstia aqui não se refere simplesmente à decência no vestir (embora a inclua), mas à virtude em geral. É a ordenação de toda a nossa vida, de todas as nossas faculdades a Deus, seguindo as suas leis. Quando São Paulo diz que nossa virtude deve ser conhecida por todos, ele repete aquelas palavras de Nosso Senhor, que diz (Mt 5, 16): que os homens vejam as vossas obras e glorifiquem a Deus. Não se trata de querer se mostrar ou se exibir para os outros, o que seria orgulho e vaidade e contrário àquelas outras palavras do Salvador (Mt 6, 3): que vossa mão esquerda não saiba o que faz a direita. Trata-se simplesmente de agir bem, virtuosamente, em virtude da graça de Deus e para agradar a Deus. E vendo esse bom exemplo os outros glorificarão a Deus e não a nós. Nosso objetivo não pode ser agradar aos homens ou aparecer diante deles, mas agradar a Deus e unicamente a Ele.
Essa alegria espiritual vem também do fato de não sermos excessivamente solícitos pelas coisas terrenas. Não devemos ficar ansiosos demais ou angustiados, mas fazer com serenidade o que nos cabe nessas coisas, agindo com a devida prudência, mas não com solicitude excessiva. Devemos lembrar sempre de buscar em primeiro lugar o reino de Deus. Tudo o mais nos será dado por acréscimo. Em todas as circunstâncias, devemos manifestar a Deus nossas necessidades pela oração unida à ação de graças. E devemos pedir a Deus o que precisamos. E se pedimos a Deus com confiança, humildade, perseverança e submissão à vontade de dEle, Ele nos dará, se for bom para a nossa alma.
E o motivo principal de nossa alegria é a proximidade do Senhor. O senhor está próximo daquele que está em estado de graça. O Senhor está tão próximo da alma santa que ela se torna filha de Deus, amiga dEle, participante da própria vida divina. Ao contrário, o Senhor está muito longe daquela alma que se encontra em estado de pecado mortal, que cometeu uma falta grave. Essa alma é inimiga de Deus e não encontra a verdadeira alegria, mas uma falsa alegria no pecado.
E essa alegria verdadeira, que vem da união profunda com Deus, da conformidade de nossa vontade com a vontade de Deus, gera a verdadeira paz da alma. Paz da alma que não é a indiferença com relação ao bem e ao mal ou uma simples indiferença com o que acontece ao nosso redor. A paz da alma católica não é ser zen ou algo que o valha. A paz de alma católica é a paz de uma alma que trava enormes batalhas contra o demônio, o pecado e o mundo. É a paz de uma alma que trava batalhas enormes para defender a honra de Cristo, de Maria e da Igreja. É a paz de uma alma que trava batalhas enormes pela sua salvação e pela salvação do próximo. É a paz de uma alma que atravessa inúmeras tribulações e que carrega suas cruzes quotidianas. Essa paz, que vem da verdadeira alegria, é a orientação de toda a nossa alma a Deus e é o fato de estarmos plenamente fundados nEle, como em uma rocha que não se move. Temos a tranquilidade de saber que estamos unidos a Deus, que esse é o verdadeiro e supremo bem e que nínguém pode nos tirar isso, a não ser nós mesmos por nossos pecados.
Gaudete semper in Domino. Iterum dico: Gaudete. Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos.
Em nome do pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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