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10 de dezembro de 2015

Tesouro de Exemplos - Parte 18

EFICÁCIA DO BOM EXEMPLO

Como preparação à Páscoa pregava-se naquela vila uma santa missão. Vivia ali um capitão-médico, como cristão um dos piores ia assistir às pregações, mas com o intuito de ridicularizar os padres, o que não deixava de ser um mau exemplo muito funesto. Depois de alguns sermões começou, entretanto, a refletir mais seriamente.
Uma noite, muito em segredo, procurou o pregador com a intenção de fazer-lhe objeções embaraçosas e, talvez, dizer-lhe até palavras injuriosas; mas bem depressa ficou desarmado e terminou confessando-se e sentindo-se muito feliz. Voltou no dia seguinte um pouco triste.
— Estou convertido, disse, mas como poderei reparar todo o mal que tenho feito?
— Eu sei um meio, disse o missionário: o senhor se confessaria em pleno dia, no confessionário da igreja.
— Ah! isso é bastante penoso, respondeu o velho militar, mas sinto-me no dever de fazê-lo e o farei.
As três horas da tarde dirige-se à igreja e ajoelha-se perto do confessionário, ao redor do qual estavam muitas senhoras esperando a sua vez de confessar-se. Ficaram, naturalmente, muito surpreendidas, e, curiosas como só elas! Uma se atreveu a perguntar-lhe se viera para confessar-se.
— Sim, respondeu ele, e por que me fazeis essa pergunta?
— É que o senhor pode chegar primeiro: o pregador disse que é preciso ceder o lugar aos homens.
— Obrigado, mas ainda não estou preparado.
Como um relâmpago correu pela vila a noticia de que o capitão-médico estava na igreja para se confessar; ninguém queria acreditar e todos vinham até à porta da igreja para espreitar o velho capitão.
Quando chegou a sua vez, o capitão apresentou-se ao confessionário. Não é preciso dizer que daí em diante a missão teve pleno êxito.
Se em cada paróquia se encontrassem algumas pessoas influentes que tivessem um pouco de coragem, quanto bem não haviam de fazer com o seu exemplo!

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