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24 de abril de 2015

História Eclesiástica - Segunda Época Capítulo 6

CAPÍTULO VI

S. Leão e Átila - S. Máximo, de Turim - São Gelásio, Papa

S. Leão e Átila - Leão I, de quem acabamos de falar, nascido na Toscana, foi eleito Papa em tempos muito tristes para a Igreja e, por sua grande ciência, sabedoria e santidade, foi cognominado o Grande. Depois de ter combatido os hereges com a palavra e com escritos, pediram-lhe que se pusesse à frente de uma embaixada a Átila, rei dos Hunos. Este terrível conquistador, chamado o flagelo de Deus, por causa dos estragos que fazia por todas as partes onde passava, tinha descido das Gálias e invadido a Itália com um formidável exército.
Tinha-se já apoderado das cidades de Aquiléia, Pavia e Milão e marchava sobre Roma para saqueá-la, sem que se pudesse impedir-lhe o passo, pois o imperador e seus generais tremiam só ao pensar em tão poderoso inimigo. S. Leão pois, confiado na proteção do céu, saiu, vestido de hábitos pontificais ao encontro de Átila perto de Mântua, onde o rio Míncio deságua no Pó. O altivo guerreiro, ainda que bárbaro e idólatra, recebeu-o cortesmente; e depois de tê-lo ouvido, aceitando sem mais as condições propostas, tornou a passar os Alpes, deixando a Itália em paz. Admiraram-se os soldados de Átila vendo em seu general aqueles insólitos atos de obséquio: "Como é possível, diziam, que nosso chefe se humilhasse tanto diante de um homem só, quando o não têm aterrorizado formidáveis exércitos?" Ele porém respondeu-lhes que enquanto falava com o romano Pontífice, viu sobre ele uma personagem vestida com hábito sacerdotal, que empunhava uma espada desembainhada, ameaçando ferí-lo se não obedecesse a Leão. Este Pontífice, depois de ter escrito e trabalhado muito em benefício da Igreja, cheio de méritos perante Deus e os homens, foi receber a recompensa no ano 401, após 21 anos de glorioso pontificado.

São Máximo de Turim - São Máximo bispo de Turim, é muito conhecido na história pela santidade de sua vida, por seus escritos e sobretudo por seus sermões, que constituem ainda agora um dos ornamentos do breviário romano. Combateu. com ardor os erros de Nestório e de Eutiques, e era tido em tão alta estima, que no Concílio romano, celebrado sob o Papa Hilário, sucessor de São Leão, ocupava o primeiro assento depois do Pontífice. Trabalhou muito para não permitir que a heresia invadisse o Piemonte, e para desarraigar a superstição dos pagãos, que ainda existiam em Turim, e lugares vizinhos. Era tão caritativo para com os pobres que, se algum estrangeiro perguntasse pela casa do bispo, respondiam-lhe que podia entrar com confiança na casa que visse rodeada de mendigos, pois essa seria certamente a casa do bispo. Sustentava e promovia uma terníssima devoção para com a Mãe de Deus e falava dela com muito zelo em seus sermões, afirmava que esta fora achada digna de ser morada do Filho de Deus antes por sua graça original do que por suas virtudes. Conta-se este santo entre os mais doutos escritores da Igreja. Descansou no Senhor no ano 474 mais ou menos.

São Gelásio Papa - São Gelásio, romano, eleito para no ano 652, é muito conhecido por suas instituições em pról da Igreja. Reuniu em Roma um Concílio ao qual assistiram muitos bispos; nele se declarou quais os livros autênticos do Antigo e do Novo Testamento e quais os apócrifos; recomendou a honra em que se devem ter os quatro concílios ecumênicos de Nicéia, Constantinopla e de Calcedênia; compôs um catálogo das obras dos santos padres e dos escritores eclesiásticos; mandou publicar um livro chamado Sacramentale, no qual se acha a ordem de quase todas as missas que temos no missal romano e a fórmula para dar as bênçãos (missal anteror ao Concílio Vaticano II). Aboliu as festas lupercais que se celebravam em Roma, no mês de fevereiro, em honra do deus Pan, e em lugar delas mandou celebrar a festa da Purificação, como já se fazia em muitos paises; por último confirmou o antigo costume de conferir as ordenações aos eclesiásticos nas quatro têmporas. Ainda que se achasse elevado à primeira dignidade do mundo, levava entretanto uma vida pobre, praticando rigorosa austeridade; dava de comer a todos os pobres que conhecia e ele mesmo os servia na mesa. O tempo que lhe deixavam livre suas ocupações, empregava-o na oração ou em piedosos colóquios com os mais dignos servos do Senhor. Morreu santamente no ano 496.

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