6 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM, PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA NOS PÕE EM ÍNTIMA RELAÇÃO COM MARIA SANTÍSSIMA

M. — São Bernardo, doutor da Igreja e grande devoto da Santíssima Virgem, diz: "Não pode existir verdadeira devoção à Santíssima Virgem se esta não for acompanhada por uma verdadeira devoção ao Santíssimo Sacramento e não está nele fundada". Por que ele diz isso? Porque entre a Santíssima Virgem e a Eucaristia há uma tríplice íntima relação.
D. — Padre, queira explicar-me uma por uma dessas íntimas relações.
M. — Com muito prazer explicarei. Ouça, pois: Primeiramente na Eucaristia existe uma relação íntima entre a carne de Maria e a de Jesus Cristo. Admitimos por dogma de fé que Jesus Cristo realmente presente na Eucaristia é o mesmo que por obra do Espírito Santo foi formado
com o sangue puríssimo de Maria. Assim canta a Igreja: Nobis datus, nobis natus ex intacta Virgine, “foi-nos dado, foi-nos gerado da Puríssima Virgem”
No catecismo, à pergunta: Está presente na Eucaristia o mesmo Jesus Cristo que está no céu e que nasceu de Maria Virgem? Responde-se; Sim, é o mesmo Jesus Cristo.
D. — Então, Padre, podemos dizer que Jesus Cristo é carne e osso de Maria Santíssima, assim como dizemos que somos carne e osso de nossos pais?
M. — É claro que podemos. Santo Agostinho diz textualmente: "A carne de Jesus Cristo é carne de Maria, e o Salvador nos dá essa carne para sustento de nossa vida". Portanto quando comungamos, entramos em íntima relação e união com Maria Santíssima.
D. — Eu nunca teria pensado nisso.
M. — Pois bem, de ora em diante pense nisso todas as vezes que for comungar.
Em segundo lugar, existe uma íntima relação entre Maria e Jesus, considerando a mesma vida eucarística, ou seja, considerando o desejo e a sede que Maria sente de Jesus. Conforme abalizados escritores, acredita-se que a Mãe de Deus viveu vários anos após a Ascensão de seu Filho Jesus aos céus; pois bem, durante esse tempo, qual seria sua ocupação favorita? É fácil adivinhar.
D. — Ensinava como mestra aos primeiros cristãos.
M. — Certamente fazia isso; e como os primeiros cristãos viviam essencialmente da Eucaristia, "viviam continuamente com a Comunhão e fração do pão", mais ainda vivia eucaristicamente a Santíssima Virgem, pois melhor do que os primeiros cristãos e do que os mesmos apóstolos Ela penetrava e compreendia os íntimos e divinos tesouros ocultos nesse grande sacramento.
D. — Padre, será verdade que a Santíssima Virgem comungava todos os dias, pois sabia que na Comunhão ia receber o mesmo Jesus que havia nascido em Belém, e que ela havia educado em Nazaré e por fim foi crucificado no Monte Calvário?
M. — Verdadeiramente era assim. Daqui você pode avaliar a sede que Maria sentia de receber a Jesus. Sede igual deveriam sentir todos os verdadeiros devotos de Maria.
Em terceiro lugar, Maria Santíssima nos mostra sua íntima união com Jesus Eucarístico devido a missão que exerce conduzindo as almas a Jesus Sacramentado.
Ela é a medianeira entre Deus e os homens e a Comunhão é o melhor meio para nos unir a Jesus Cristo. Ela executa essa missão sublime, chamando e incitando a todos os seus devotos para que com frequência o fervor recebam a Sagrada Comunhão.
Com efeito, durante os dezenove séculos da vida da Igreja, sempre que Nossa Senhora se dignou baixar à terra para visivelmente manifestar-se aos seus filhos, foi sempre para pedir que erigissem um templo; e assim foi que se multiplicaram as igrejas e os santuários, e para que sejam igrejas devem ter altares; e os altares o tabernáculo, e por conseguinte a Eucaristia.
D. — Isso foi o que sucedeu em Lourdes, não é Padre?
M. — Isso é muito mais. Após a ereção do santuário que a Santíssima Virgem pedira a Bernardete numa das dezoito aparições, aconteceu uma coisa milagrosa que resultou numa verdadeira transformação.
D. — Que transformação?
M. — Nossa Senhora quis livremente ocultar-se a fim de que brilhasse seu divino Filho na Eucaristia.
Isso aconteceu em 1888. Achava-se em Lourdes uma peregrinação regional da Alsácia e Lorena. E contrariamente ao que até aquele dia sucedera, a Santíssima Virgem parecia estar surda às súplicas de tantos enfermos que esperançosos ali tinham ido em busca da saúde. Nenhum favor, nenhum milagre acontecera em todos aqueles dias.

E ainda por cúmulo de infelicidade na tarde do dia 21, quando devia sair a procissão luminosa com o Santíssimo Sacramento, desabou terrível tempestade impedindo assim que os peregrinos pudessem assistir a tão emocionante espetáculo.
Diante do impressionante quadro que apresentavam aqueles enfermos desconsolados, surgiu uma ideia providencial na mente do Padre Augusto Legarter, que por 30 anos vinha sendo o dinâmico organizador daquelas peregrinações: Devemos ovacionar triunfalmente a Jesus Sacramentado. Por isso quando Jesus passar triunfalmente entre os enfermos estes deverão dirigir-lhe as mesmas súplicas dos enfermos da Palestina.
Expôs sua ideia aos Bispos e sacerdotes presentes e eles acharam-na esplêndida. Imediatamente coligiram todas as invocações evangélicas, e no dia seguinte foram impressas e distribuídas aos peregrinos.
Às quatro horas do dia 22 saía da Basílica a imponente procissão eucarística acompanhada pelos fiéis, todos com velas acesas. Depois da bênção eucarística na gruta começaram as invocações. De todas as macas os enfermos com voz entrecortada pelos soluços acompanhavam compassadamente ao Padre Legarter que ia repetindo: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim! Jesus, fazei que eu veja! Jesus, fazei que eu ouça. Jesus, fazei que eu ande! Jesus, dizei uma só palavra e eu estarei curado!
A multidão piedosamente repetia essas invocações. E os milagres não se fizeram esperar: oito enfermos repentinamente ficaram completamente curados. No mesmo instante foi entoado o "Magnificat" entre soluços de alegria e felicidade. E daquele dia em diante, sempre que chega nova peregrinação é repetida a mesma cena com as mesmas invocações, realizando-se sempre novos milagres.
D. — Que coisa linda, Padre! De hoje em diante irei comungar pensando que estou unido à Santíssima Virgem.
M. — Muito bem. Seja fiel nesse propósito. E agora vejamos a relação que existe entre a Santíssima Eucaristia e o Santo Rosário.

História Eclesiástica - Quarta Época Capítulo 6

CAPÍTULO VI

Milagre do Santíssimo Sacramento em Turim - Maomé II - Descobrimento do novo mundo - São Francisco de Paula - Décimo oitavo Concílio Ecumênico - Disciplina dessa época.

Milagre do Santíssimo Sacramento em Turim - A história eclesiástica, como já vimos, conta muitos milagres, operados por Deus, confirmando a presença real de Jesus Cristo na SS. Eucaristia. Um destes aconteceu em Turim tão pública e solenemente, que mereceu esta cidade o título de Cidade do Sacramento. Ao anoitecer do dia 6 de junho de 1453, passavam por Turim alguns ladrões, que conduziam um jumento carregado de mercadorias. Vinham de Exilles, lugar perto de Susa, que por graves revezes ocasionados pela guerra, tinha sido saqueado. Atreveram-se a roubar até mesmo uma igreja e levaram até a custódia com a santa Hóstia, que com outros objetos, se achava sobre o jumento. Enquanto atravessavam aqueles ímpios a cidade de Turim, ao chegarem em frente da igreja de São Silvestre, empacou o animal, parou e caiu no chão. Os que o conduziam davam-lhe fortes pancadas para fazê-lo levantar e andar, porém debalde. Neste ínterim, rompem-se as ligaduras de um pequeno embrulho, levanta-se no ar o vaso sagrado, e aparece a Hóstia santa, mais resplandecente que o sol, em presença de todos os que se achavam ali reunidos. Avisado o bispo Ludovico, da família dos marqueses de Romagnano, acode com o clero com grande acompanhamento de povo e em sua presença, abre-se e cai a custódia, ficando radiante no ar a Hóstia Divina. Então de todas as partes ouve-se a multidão exclamar: Ficai conosco, ó Senhor! Novo prodígio! A Santa Hóstia, que até então tinha ficado elevada no ar, descendo pouco a pouco até o cálice que preparara o bispo, é levada solenemente à catedral. No lugar onde se deu esse prodígio foi levantada a igreja do Corpo de Deus. Eis donde teve origem a devoção dos Turineses ao SS. Sacramento. Para conservar e aumentar esta devoção, o arcebispo Luiz Franzoni instituiu em Turim as Quarenta Horas perpétuas que se sucedem alternativamente em cada uma das igrejas da cidade, e nunca falta um núcleo de almas escolhidas que adore a Jesus Sacramentado exposto à veneração pública.

Maomé II - Este príncipe, instrumento da vingança divina, em seus trinta anos de reinado não cessou um momento de perseguir os cristãos. Depois de ter saqueado Constantinopla, como já vimos, e subjugado o império do Oriente, dirigiu-se até a Itália à frente de formidável exército, com o fim de matar a todos que não aceitassem a religião dos Turcos. Apoderou-se da cidade de Otranto, e fez passar pelas armas a todos os seus habitantes. O arcebispo, que revestido com os hábitos pontificais, animava ao povo que ficasse firme na fé, foi preso e dividido em duas partes com uma serra de madeira. A notícia da espantosa invasão daqueles bárbaros, tremeu toda a Itália. Deus, porém, que não permite que as tribulações sejam superiores às nossas forças, socorreu de uma maneira inesperada a sua Igreja aflita, tirando do mundo o autor de tantos males. Feriu a Maomé um tumor contagioso que, fazendo-o sofrer dores agudíssimas, lhe causou a morte. Ano 1487.

Descobrimento do novo mundo - Três eram as partes do mundo que até então se conheciam: Ásia, África e Europa. Começou-se a descobrir a quarta, isto é a América, que em extensão é quase igual às duas últimas reunidas, pelo fim do décimo quinto século. O primeiro gênio que se atreveu a afrontar mares imensos e desconhecidos, com o fim de ir em busca de outro hemisfério foi o genovês Cristóvão Colombo. Reflexivo e inteligente por natureza, persuadiu-se, vendo o sol todo dia esconder-se no horizonte, de que ao outro lado do oceano deviam existir terras habitadas por seres inteligentes, pelo que concebeu o atrevido pensamento de ir descobri-las. Manifestando sua resolução a vários príncipes, a princípio trataram-no estes de visionário. Unicamente o rei de Espanha entregou-lhe, e não com a melhor vontade, o mando de três navios com o pomposo titulo de Almirante do oceano e vice-rei dos reinos que conquistasse. No ano 1492 partiu Colombo em direção do ocidente por mares que, segundo se pensava, até então ninguém se tinha atrevido a navegar. Em sua viagem, ora feliz, ora adversa, teve de lutar terrivelmente não só contra os elementos, senão também e muito mais ainda, contra os homens de sua tripulação que, espantados muitas vezes pelas dificuldades, e temendo morrer de fome ou perecer no mar, queriam a todo custo voltar. Rebelando-se contra seu comandante, concordaram em matá-lo para se livrar dele e voltar à Espanha. Nesta ocasião porém avistam terras desconhecidas e gentes novas, e todos os corações se enchem de alegria. Cinco anos mais tarde, o florentino Américo Vespuccio foi mais adiante do que tinha ido Colombo e deu, ainda que com prejuízo da fama deste, o nome de América àquele imenso pais. O novo mundo ofereceu campo vasto aos obreiros evangélicos. O primeiro destes foi o monge beneditino Bueil, que no ano 1493, acompanhado de doze sacerdotes, levou a luz do Evangelho àquelas nações, que jaziam até então nas sombras da morte. Muitos viajantes que iam àquelas regiões pela avidez do dinheiro, cometiam espantosas crueldades; porém os ministros do Evangelho, levados unicamente pelo desejo de ganhar almas para Deus, converteram tão grande número de índios e plantaram ali de tal modo a fé, que a abraçou e ainda a conserva grande parte da América meridional. O zelo de todos os bispos desta parte da América para com a santa Sé de Pedro resplandeceu admiravelmente no concílio do Vaticano.

São Francisco de Paula - Pelos fins deste século, floresceu na Itália meridional São Francisco de Paula cuja vida foi uma série maravilhosa de virtudes e milagres. Consistia sua cama em uma pedra, seu alimento em ervas, raízes e um pouco de água, e seu vestido em um cilício armado de pontas de ferro. Bastava-lhe ver um crucifixo para arrebatar-se em êxtase. Quando ouvia falar de Maria, corriam-lhe pelo rosto lágrimas de ternura. Fundou uma ordem que por humildade quis se chamasse dos Mínimos, a qual em curto tempo estendeu-se na Itália, França, Alemanha, na Espanha e até nos países do novo mundo. A propagação rápida desta ordem foi efeito da santidade e milagres do fundador, e também da virtude de seus discípulos. Parecia que Deus lhe tivesse dado domínio sobre os elementos. Avisado de que se achava próximo a cair um forno de cal devorado pelas chamas, corre sem demora ao lugar do sinistro, entra no fogo, e ali fica até que, composta a fenda aberta, impede a ruína do forno. Um enorme penhasco, desprendido do cume de um monte, rola pela ladeira abaixo ameaçando destruir seu convento; levanta Francisco suas mãos para o céu, e aquela mole pesada se detém no meio de seu caminho. Estando sem água um grande número de trabalhadores, faz brotar uma fonte que não mais se esgota. O dono de uma embarcação, demasiado ávido de dinheiro, recusa-se a levá-lo de graça; em vista disto, estende o santo seu manto sobre as águas, coloca-se sobre ele com seus companheiros, e nesta nova espécie de navio, atravessa o estreito da Sicília. Uma sua irmã, não quer dar licença a seu próprio filho para se fazer religioso; o menino morre mas Francisco manda que tragam o cadáver chama-o de novo a vida, e faz dele um fervoroso discípulo seu. Conhecia as coisas presentes, passadas e futuras e penetrava os segredos mais íntimos dos corações. As austeridades que praticava este homem extraordinário, em lugar de lhe abreviar a vida, prolongaram-na até noventa anos. Tendo ido à França, ali passou desta vida para a outra na quinta-feira santa do ano de 1507.

Décimo oitavo Concílio Ecumênico - A Igreja católica, sempre solícita em excogitar novos meios para combater o pecado sobre a terra e promover a virtude, convocou, em princípios do décimo sexto século, um concílio ecumênico, que se reuniu em Roma, no palácio de Latrão e foi presidido pelo Papa Julio II. Começou-se no ano 1512, foi continuado por Leão X, encerrou-se no ano 1517. É este o quinto concílio de Latrão e o décimo oitavo geral. Estiveram nele 114 bispos, além dos cardeais e muitos abades. Celebrou-se para remediar às muitas desordens com que ameaçava a Igreja uma reunião de prelados indignos, protegida pelos príncipes seculares, reunião conhecida comumente com o nome de Concílio de Pisa, por causa da cidade onde foram celebradas as sessões. Tinha determinado também o concílio abolir uma lei francesa, conhecida sob o nome de Pragmática sanção. Compunha-se esta lei de 23 artigos, redigidos em uma reunião projetada no ano 1438 pelas mais influentes personagens eclesiásticas e seculares da França. Havia nela várias coisas contrárias à Igreja, e entre outras se afirmava que um concílio ecumênico é superior ao Pontífice romano o que se acha em aberta contradição com o Evangelho, porque Jesus Cristo estabeleceu o Papa como chefe da Igreja e não ao concílio. Tendo sido fulminado com a excomunhão o conciliábulo de Pisa, vários de seus membros retrataram-se e tornaram a fazer parte da Igreja. Condenou-se a Pragmática, e também foi decretada uma expedição contra os Turcos. Tratou-se igualmente da questão dos Monte-Pios e se decidiu que e licita sua instituição, e que se pode auferir um interesse módico pelo dinheiro que se empresta sobre penhores, pois, este interesse é necessário para compensar os gastos destes bancos. Para impedir os abusos da imprensa, que inventada no ano 1438, já começava desde então a ser um meio de difusão rápida de bons e maus escritos, foi proibido que se publicasse a Sagrada Escritura e todo livro que a interpretasse, ou contivesse coisas que sob qualquer respeito, tivessem relação com a Religião e a moral, se não fossem examinadas e aprovadas pela autoridade eclesiástica. Deve-se aqui notar que nem então, nem nunca a Igreja proibiu a publicação de livros bons e úteis à ciência, à religião e à moral muito ao contrário sempre a promoveu e difundiu por todos os meios a seu alcance; e somente proibiu se publicassem escritos nocivos à fé, ou perigosos para a moral. Até os próprios pagãos não deixavam a seus escritores a liberdade de publicar o que quisessem. Os gregos fizeram queimar em presença do povo os livros de Pitágoras, por irreligiosos, Roma, no tempo da república, proibiu e destruiu os livros das Bacantes em que se ensinavam práticas abomináveis; e César Augusto castigou com o desterro a Ovídio, um dos mais célebres poetas daquela época, por ter composto um poema licencioso. A Igreja, pois, que deve velar, não só pelo bem da Religião, como também pelo da sociedade civil, ao passo que concede plena liberdade à boa imprensa, tem o direito e o dever de por um freio à má. Todos os homens de inteligência e de coração devem, pois, agradecer-lhe o poderoso obstáculo que ela opõe à publicação dos maus escritos.

Leis disciplinares da quarta época - No século décimo terceiro, Inocêncio III compôs, como comumente se pensa, o Stabat Mater dolorosa e o Veni Creator Spiritus; introduziu-se também o piedoso costume de tocar as Ave Marias pela manhã, ao meio dia e à noite para excitar os fiéis a avivarem sua fé no mistério da Encarnação e recorrer à augusta Mãe do Salvador nas principais horas do dia. Mitigou-se a lei do jejum, deu-se começo ao uso da consoada, isto é, pequena refeição da tarde, que se introduziu insensivelmente; também se tolerou o uso do peixe e vinho em tempo quaresmal, por quanto se crê que antes desta época os fiéis se abstinham de um e de outro. No século décimo quarto condenou-se o erro dos que negavam serem sete os Sacramentos da nova lei. Neste mesmo século foi instituída a festa da Visitação de Maria SS. a Santa Isabel. No século décimo quinto o Papa Paulo II deu aos cardeais, como distintivo, o hábito encarnado, isto é, a púrpura como já vimos. Calixto III mandou que no futuro se celebrasse com rito mais solene a Transfiguração do Senhor, em memória da assinalada vitória que se conseguiu no ano 1455 contra Maomé II, sob os muros de Belgrado.

5 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM, PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA NOS UNE A JESUS CRISTO E NOS TORNA SEMELHANTE A ELE

M. — A Sagrada Comunhão nos une a Jesus Cristo, não somente como em um abraço, mas sim transformando-nos em Jesus Cristo, pois conforme a doutrina de Santo Tomás, na Eucaristia se efetuam duas transformações: a do pão no Corpo de Jesus Cristo e a de nós mesmos em Jesus Cristo.
Por isso, mediante a Comunhão frequente e bem feita, pouco a pouco nos transformamos em Jesus Cristo, isto é, ficamos semelhantes a Ele.
Com efeito, Deus criou-nos à sua imagem e semelhança somente para que mais facilmente o amássemos, pois que a semelhança gera o amor. Com o pecado original perdemos essa semelhança e Jesus Cristo por meio do Sacramento da Eucaristia no-la quis restituir.
As pessoas podem assemelhar-se de três maneiras: Na fisionomia, no caráter e nas ações. A Comunhão nos une a Jesus Cristo e nos torna semelhantes a Ele, por essas três formas.

1º. Quanto à fisionomia, tornando a nossa alma formosa e resplandecente. Um objeto qualquer, quando mergulhado no ouro líquido se torna dourado, da mesma forma a alma mergulhada no sangue de Jesus Cristo, fica completamente pura, com o mesmo brilho de Deus e resplandecente com a beleza que adorna os santos da glória dos céus.
D. — Tal semelhança é somente interna?
M. — Essa formosura que somente deveria ser interna, nós a vemos muitas vezes transparecer também externamente.
De onde recebiam aquele aspecto celestial que se podia admirar no rosto de muitos santos coco São Francisco de Assis, São Camilo de Léllis, São Vicente de Paulo, São Francisco de Sales, o Santo Cura d’Ars e muitos outros? Afirmam os contemporâneos que somente olhar para os semblantes deles era o bastante para inspirar respeito e veneração, como se já fossem bem-aventurados.
De onde tiram aquela afabilidade, aquele amor, aquela serenidade que caracteriza e torna atraentes a tantas Irmãs de caridade, a tantos religiosos e milionários? De onde poderá provir senão da Comunhão cotidiana?

2º. A comunhão nos torna semelhantes a Jesus no caráter. Qual era o caráter de Jesus? Manso, humilde, misericordioso, tal qual Ele mesmo o expressou no Santo Evangelho: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Geralmente herdamos e copiamos o caráter daquelas pessoas com as quais vivemos ou mantemos íntimas relações. E qual relação mais íntima pode existir do que a da alma e Jesus, na Santa Comunhão?
* * *
"Da mesma maneira, diz S. Tomás, que lançando uma gota de água num vaso de vinho ou de outro licor qualquer, ela se confunde e identifica de tal modo com o vinho e o licor ficando da mesma cor e com o mesmo sabor, assim também a alma quando unida a Jesus Cristo dele recebe suas inclinações e tendências, suas virtudes e amor em forma tão perfeita que parece que ela se transforma totalmente nele.

3º. A Sagrada Comunhão nos torna semelhantes a Jesus Cristo até nas ações. Que fez Jesus Cristo na terra? Contínuas obras de misericórdia, de zelo, de mortificação e de sacrifícios. Que fazem as almas que frequentam a Comunhão? Vamos procurar a resposta nos asilos, nos hospitais, nas longínquas missões, reparemos nas mesmas pessoas que nos rodeiam, olhemos as pessoas de nossa família. Que submissão em tantas esposas cristãs!
Que paciência em tantas mães de família! Que obediência, que humildade, que espírito de sacrifício em tantos filhos e filhas!
O mundo materialista e grosseiro não é capaz de compreender essas almas. Muitas vezes abate e calca aos pés violetas ocultas e depois ainda gargalha sarcasticamente. Mas Jesus Cristo reserva para todas elas uma recompensa especial.

D. — Padre, já ouvi alguns pregadores dizer que Jesus Cristo na Comunhão usa de nós mesmos para ele operar. Que quer dizer isso?
M. — Quer dizer que Jesus Cristo na Comunhão quer servir-se de nós em suas obras. Não foi Ele que disse: Eu sou a videira, vós os ramos? Que Ele é a cabeça e nós os membros? A videira não produz uvas senão por meio dos ramos; a cabeça age por meio dos membros.
E verdadeiramente Jesus serve-se de nós para realizar tantas obras de seu divino apostolado e faz isso por meio de tantos sacerdotes, missionários e religiosos, após uma longa preparação eucarística nos seminários e noviciados dos diversos institutos.
Serve-se também dos zelosíssimos membros da Ação Católica; opera verdadeiros milagres de amor por meio de tantas mães e esposas cristãs, por meio das catequistas e zeladoras assíduas em frequentar a Comunhão.
Penso que depois de tudo isso, você já está convencido de que verdadeiramente a Comunhão frequente bem feita nos une a Jesus e nos torna semelhantes a Ele.
D. — Perfeitamente, Padre. Muito obrigado. Compreendi tudo muito bem, e acho também que Jesus Cristo, instituindo a Eucaristia, quis desfazer o engano do demônio.
M. — Que você quer dizer com isso?

A justiça divina expulsou-os do paraíso terrestre . . Jesus., porém, nos mereceu mediante os seus sofrimentos os gozos da pátria celeste.
D. — Quero dizer que assim como no paraíso terrestre, o demônio, para enganar nossos primeiros pais, lhes disse: "Tomai e comei e sereis como Deus", assim também Jesus Cristo para resgatar e salvar do pecado A natureza humana, diz a nós todos, indicando a Eucaristia: "Tomai e comei e sereis semelhantes a mim.
M. — Admirável. Muito bem. Bem se vê que você é inteligente. Passemos agora para um assunto ainda mais lindo, ou seja, a relação que existe entre a Comunhão e a SSma. Virgem Maria.

4 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM, PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA APAGA OS PECADOS VENIAIS E PRESERVA DOS MORTAIS

D. — Agora, diga-me, Padre, como é que a Comunhão apaga os pecados veniais?
M. — A Comunhão é também remédio que cura e fogo que abrasa e purifica. Mas, antes de tudo diga-me: o que é pecado venial?
D. — É uma nódoa que afeia e deforma a alma, tornando-a muitas vezes asquerosa.
M. — Muito bem.
A Sagrada Comunhão é como o ferro em fogo que o médico usa para tirar manchas; aos poucos faz desaparecer as chagas e as manchas da alma. Nossa alma vai ficando cada vez mais limpa e formosa, e Nosso Senhor delicia-se em comunicar-lhe suas graças especiais.
D. — Ó Padre! Quanto bem nos traz a comunhão frequente! Nunca deveríamos deixar de comungar nem que fosse somente para conseguir esse único efeito.
M. —De fato assim deveria ser. Assim como todas as manhãs lavamos as mãos e o rosto para tirarmos o pó e as manchas e, por conseguinte, para ficarmos limpos, assim também todas as manhãs devemos lavar nossa alma, por meio da Santa Comunhão; Jesus Cristo institui-a para esse fim e a Igreja quer que a usemos como remédio cotidiano para as nossas faltas diárias.
D. — Nessas coisas tão belas eu nunca havia pensado. Quereria saber agora, como é que a Comunhão nos preserva dos pecados mortais.
M. — De duas maneiras: interna e externamente. Em primeiro lugar nos preserva internamente, nutrindo e fortificando nossa alma até torná-la quase invulnerável ao pecado. 
Para que melhor compreenda isso vou citar dois exemplos tirados do livro “As grandezas da Comunhão”.
Os missionários que estiveram na África, contam que lá existe um animal pouco maior que o gato de casa, chamado gato selvagem.
Esse animal vive sempre em luta com as serpentes, muito comuns naquelas regiões. Pois bem, nessas lutas ele quase sempre sai vencedor, pois que conhece uma erva que tem a propriedade extraordinária de o preservar das picadas venenosas das serpentes. Apenas as serpentes o atacam corre à procura daquela maravilhosa erva e assim está sempre em condições de lutar.
Ferido duas ou mais vezes recorre sempre àquela erva até conseguir esmagar entre os dentes a cabeça do inimigo.
Nós também estamos sempre em luta com a serpente infernal, que de mil formas ataca nossa alma.
Queremos sempre sair vitoriosos? Recorramos ao meio infalível, ao contraveneno por excelência, que é a comunhão frequente bem feita. Só assim o demônio ficará impotente contra nós.
...enquanto contemplamos a crucifixão e morte de Jesus, nosso pensamento voa para a Santa Missa.
* * *

Mitrídates, famoso rei do Ponto na Ásia Menor, foi um dos maiores inimigos dos Romanos; lutou contra eles durante quarenta anos. Além de muito esforçado e esperto era instruidíssimo: sabia falar vinte e duas línguas; mas tinha um triste defeito: era muito ambicioso e cruel, tanto que um dia seus súditos e soldados se revoltaram contra ele e o obrigaram a suicidar-se.
Nessa contingência, para esconjurar a ira de seus súditos procurou envenenar-se, mas inutilmente. Pois que, por mais veneno que ingerisse não conseguiu morrer, porque, conforme no-lo conta a história, ele se habituara desde pequeno a tomar todos os dias uma pequena quantidade de veneno, ficando assim aos poucos, imune aos seus deletérios efeitos.
Pois bem, se em nossas lutas espirituais queremos ser invulneráveis aos ataques do demônio, habituemo-nos, não a beber, veneno, mas sim a receber todos os dias a carne puríssima de Jesus. A Comunhão é verdade, não nos torna impecáveis; todavia, nos preserva do pecado, e preservar quer dizer precisamente que ela age de tal maneira, que nos torna capazes de resistir ao mal e nos dá a graça de não cairmos em pecado; e se alguma vez, por infelicidade, nele cairmos, ela dará a força para nos arrependermos e a sinceridade para confessá-lo.
Em segundo lugar, a comunhão nos preserva do pecado também externamente, pondo-nos a salvo dos múltiplos ataques de nossos inimigos espirituais infundindo-lhes medo e respeito.
Mais dois exemplos tirados do livro “As Grandezas da Comunhão” hão de convencê-lo dessa verdade.
* * *
Lê-se na história do povo de Israel, que para castigar a Faraó por não querer deixar partir para o deserto os Israelitas, Deus enviou um anjo para que exterminasse todos os primogênitos das famílias egípcias. E querendo Deus preservar os primogênitos hebreus, ordenou a Moisés que com sangue do cordeiro pascal salpicasse todos os portais das casas dos Israelitas. À meia-noite passou o anjo exterminador pelas casas dos egípcios e matou todos os primogênitos desde o primogênito do Faraó até o primogênito do ínfimo de seus escravos; mas não entrou e nem matou ninguém nas casas assinaladas com o sangue do cordeiro. Assim também a Comunhão nos salpica com o sangue de Jesus Cristo, verdadeiro cordeiro pascal e o anjo da tentação, o demônio, não se atreve a entrar em nossa alma para dar-lhe a morte com o pecado.
Contava um missionário das índias que algumas jovens da tribo de Diamfi, diariamente faziam longa caminhada e atravessavam com grande risco um caudaloso rio, unicamente para poder comungar. E quando regressavam para o meio da tribo se achavam continuamente expostas a perigos e escândalos, mas se alguém as queria induzir ao pecado, elas exclamavam:
— Nós comungamos todos os dias! Bastavam essas palavras para saírem vitoriosas enquanto que os tentadores se retiravam envergonhados e confundidos.
Daqui você pode se convencer de como a Comunhão frequente e bem feita pode preservar-nos dos pecados.
D. — Estou bem convencido disso, porém, permita que lhe faça ainda uma pergunta:
Se a Comunhão preserva dos pecados, como se explica o fato de muitos que comungam frequentemente caírem em pecados e perpetrarem escândalos?
M. — A explicação é fácil: a Comunhão, é verdade, preserva dos pecados, aumenta a graça em nós e nos põe de atalaia ante as tentações e maus desejos, porém, não devemos esquecer que ela não nos tira a liberdade. Santo Agostinho afirma que "Deus que nos criou sem nós, não nos salvará sem nós" isto é sem a nossa cooperação.
A Comunhão nos faz conhecer melhor o mal que há em nós; castiga, remorde, e se opõe ao pecado, todavia, não nos tira a liberdade. Em uma palavra a comunhão não nos torna impecáveis, mas sim nos afasta do pecado, da mesma forma que os remédios não nos tornam imortais, mas somente nos curam ou preservam das doenças.
D. — Muito bem, Padre. Queira dizer-me agora como é que a Comunhão nos une a Jesus Cristo.
A Multiplicação dos pães foi uma figura da Eucaristia

3 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA CONSERVA E AUMENTA A VIDA DA ALMA

D. — Padre, quais são os principais efeitos da comunhão frequente?
M. — No catecismo, para a pergunta: Que efeitos produzem em nós a Eucaristia? Encontra-se a seguinte resposta:
"A Eucaristia: 1º. Conserva e aumenta a vida da alma que é a graça, assim como o alimento material conserva e aumenta a vida do corpo; 2º. Apaga os pecados veniais e preserva dos mortais; 3º. Une-nos a Jesus Cristo e faz-nos viver de sua vida".
Procedamos por partes: Antes de tudo, para compreendermos bem como a Sagrada Comunhão conserva e aumenta a vida da alma, é preciso que nos convençamos de que a comunhão não é uma devoção qualquer, mas sim que é um sacramento. Muitos há que vão comungar somente para alcançar uma graça qualquer ou também por simples ato de devoção. A Comunhão não foi instituída para isso, embora possa conseguir também isso, pois que é a prática de devoção por excelência. Sua finalidade é muito mais sublime: o fim principal da Comunhão é conservar e aumentar em nós a graça que é a vida da alma.
Se eu lhe perguntasse: qual é a coisa mais preciosa do mundo, que me responderia?
D. — Que é a vida, pois a vida é tudo e tudo se sacrifica para conservar a vida.
M. — Muito bem. Todavia mais preciosa que a vida do corpo é a vida da alma. E se para conservar a vida do corpo estamos sempre prontos a suportar fadigas e suores remédios caros, operações difíceis e perigosas, mais ainda devemos estar sempre prontos para conservar a vida da alma, e sendo a Comunhão o melhor conservativo e sustentáculo da alma, procuremos, com o maior empenho e diligência possível, recebê-la frequentemente e comas devidas disposições.
Conta a História que a ímpia Rainha Isabel da Inglaterra, ardendo em ódio contra Deus e contra os católicos, publicou um iníquo decreto condenando todo aquele que recebesse a Comunhão a pagar a vultosa multa de 400 escudos em ouro ou a prisão celular por alguns meses.
Um cavalheiro inglês, católico fervoroso, ao ter conhecimento do decreto, tomou a firme resolução de continuar comungando. Vendeu por isso tudo quanto não lhe era estritamente necessário, e com o dinheiro encheu muitas bolsas de couro com 400 escudos em cada uma. Toda vez que os guardas o surpreendiam comungando e o condenavam a pagar a multa, ele pegava uma daquelas bolsinhas, dirigia-se ao tribunal e a entregava aos juízes atestando publicamente que de muita boa vontade gastava aquele dinheiro contando que não perdesse a Comunhão.
O Cardeal Newman antes de converter-se foi Bispo protestante. Poucos dias antes de abjurar o protestantismo, dizia-lhe um seu amigo: — Já pensaste bem no passo que vais dar? Ignoras, por acaso, que abraçando o catolicismo perderás o teu ordenado? Olha que são 300.000,00 cruzeiros anuais.
Ao que Newman, imperturbavelmente respondeu: Que são 300.000,00 cruzeiros comparados com a comunhão?
D. — Exemplos admiráveis que deveriam fazer corar de vergonha todos aqueles que sempre acham uma desculpa para não comungar!
M. — Inclinemo-nos respeitosamente diante desses homens e procuremos imitar-lhes a constância na fé e a firmeza de caráter. E agora voltemos ao nosso assunto: a comunhão não só conserva a vida da alma, mas também a aumenta.
Na terra tudo tende a crescer e aumentar. Repare a erva, as folhas e as plantas na primavera; observe como as crianças anseiam por crescer, desenvolver-se, fazer progresso.
Em vez, muitos cristãos não pensam em crescer espiritualmente, acham que é suficiente evitar o mal e por isso chegam a dizer: "Oxalá! a morte me encontre como quando fui batizado".
D. — Padre, fazem mal esses cristãos?...
M. — Eu gostaria de perguntar-lhes: Quereríeis fisicamente permanecer sempre iguais como quando fostes batizados, isto é, ficar sempre bebezinhos?
D. — Absolutamente não — responderiam todos.
M. — Então, se ninguém deseja ficar sempre criança quanto ao corpo, tão pouco deve querer ficar sempre criança quanto a alma.
Jesus Cristo mesmo, que morreu na Cruz para nos dar a vida, quis permanecer realmente presente na SSma. Eucaristia com o fim exclusivo de aumentar em nós a vida da alma que é a graça santificante, desenvolvendo-a cada vez mais a fim de que progredíssemos na virtude.
— Vim para que tenham a vida, et abundantius habeant e a tenham todos abundantemente, isto é: robusta, plena de vigor, capaz de resistir a todas as seduções do demônio, do mundo e da carne.
Lemos na Sagrada Escritura que Deus, no Paraíso terrestre, colocara ao lado da "árvore do bem e do mal", uma outra árvore chamada "árvore da vida". Ao proibir Adão e Eva de comerem dos frutos da primeira, aconselhou-os a que comessem com frequência dos frutos da segunda, pois que tais frutos tinham a virtude de conservá-los em perpétua juventude e preservá-los de todo o mal.
Adão e Eva não deram ouvidos a esse conselho e pouco a pouco foram cedendo à tentação, ou seja, ao engano do demônio, até que desobedeceram a Deus, foram expulsos do Paraíso, condenados a morte e a todas as outras misérias que ora afligem a pobre humanidade.
Pois bem, Jesus Cristo foi também generoso e bondoso para conosco. Ciente que depois de sua paixão e morte, nós, atraídos pelo mal, facilmente cairíamos em pecado com risco, portanto de sermos condenados ao inferno, que fez Ele? Deixou-nos uma árvore de vida a fim de que comendo de seus frutos pudéssemos conservar sempre em nós a vida da graça, e assim aos poucos chegássemos a ser quase impecáveis; essa árvore maravilhosa é a Sagrada Comunhão, que recebida dignamente nos preserva do pecado.
D. — Muito obrigado, Padre; entendi tudo perfeitamente.
Quem come a Minha Carne viverá eternamente

2 de junho de 2015

História Eclesiástica - Quarta Época Capítulo 5

CAPÍTULO V

Residência dos Papas em Avignon - Os Papas em Avignon - Grande cisma do Ocidente - Wicleff - Hussitas - O imperador Wenceslau e São João Nepomuceno - Décimo sétimo Concílio Ecumênico.

Residência dos Papas em Avignon - A antiga sede do romano pontífice, onde São Pedro, divinamente inspirado, colocou o centro de toda a Igreja e do orbe católico, é Roma. Desde São Pedro até o ano 1305 nunca saíram dela os Papas, senão obrigados pela violência ou pela perseguição. E nesse caso logo que se viam livres, voltavam à cidade que, pelos seus monumentos religiosos, pelos mártires nela sacrificados pelos santos que a ilustraram, e pelos milagres de que foi testemunha em todos os tempos, com justo título adquiriu o direito de ser a capital do mundo cristão. Neste ano (1305), porém, uma série de tristes acontecimentos obrigou ao Papa a se retirar de Itália e fixar sua residência em Avignon, cidade que se acha na parte da França, chamada condado Venosino. Foi causa principal disto o rei de França e de Nápoles, chamado Filipe o Belo, que muito bem merece o nome de açoite da Igreja. Este queria, como fica dito, imiscuir-se nas coisas da religião, mas como o pontífice se opunha a seus perversos desígnios, a fez sair de Roma. Queria que o Papa fixasse sua morada em França para depender dele, fazendo-se assim Filipe, de certo modo, dono da Igreja. A morte de Benedito XI a Santa Sé esteve vacante quase um ano, sendo depois eleito Clemente V, francês, que foi coroado em Lion no ano 1305. Como continuassem em Roma as discórdias e prepotências, e não estivesse ali segura a liberdade, nem a vida dos Papas e dos concidadãos, o novo pontífice julgou conveniente estabelecer sua residência em Avignon.

Os Papas em Avignon - Avignon foi, pois, a sede dos romanos pontífices durante setenta anos. Compara-se este tempo com a escravidão que padeceram, por igual número de anos, os judeus em Babilônia, conhecida sob o nome de escravidão babilônica. A Itália, com efeito, não tendo já o Papa, perdeu seu esplendor, e Roma chegou ao cúmulo da desventura. Guerras civis, matanças, saques, violação das Igrejas, monumentos preciosos arruinados, queimados ou vendidos por preço vil, todas as obras de arte abandonadas, morta a indústria, paralisado o comércio, pobreza, fome e trabalhos nos dão uma ideia vaga do que foi Roma sem os Papas. Os habitantes, para salvarem suas vidas e não morrerem de fome, imigravam para outros países em busca de refúgio mais seguro. assim pois a gloriosa cidade dos Cesares quase se transformou em deserto; nas ruas e nas formosas praças dos Romanos brotava a erva como nos campos. Então se sentiu a necessidade de voltarem os Papas a Roma, não só para o bem da cidade como também para a tranquilidade e paz do mundo. Por isso, de todas as partes se dirigiam ardentes súplicas aos Papas, para que tornassem a fixar sua regular residência em Roma. O célebre Petrarca e mais ainda santa Catarina de Sena, tiveram grande parte nesse extraordinário acontecimento. Finalmente o pontífice Gregório XI, deu por cumprido o desejo de todos os bons e voltou para o antigo domicilio dos Papas. Esta gloriosa volta foi acolhida com aplauso universal e celebrada com grande festa. Ano 1377.

Grande cisma do Ocidente - Haviam já passado quatorze séculos sem que a Igreja fosse perturbada por algum rompimento religioso, quando infelizmente estalou o chamado cisma do Ocidente. Este durante quarenta anos, trouxe os povos e reinos católicos divididos entre si, pois reconheciam a um Papa uns e o outro Papa outros; donde se pode coligir quantos males se seguiram para a Religião. Deu origem a este cisma o fato seguinte: Gregório XI, o animoso pontífice que tornara a estabelecer a sede apostólica na cidade eterna, cessou de viver no ano 1378. Ao eleger o pontífice que lhe devia suceder, uma multidão de descontentes, receosa de que o novo Papa voltasse à França, amotinou-se ante o conclave, pedindo que por nenhum motivo se elegesse um Papa francês, e que o eleito prometesse estabelecer sua sede em Roma. Os cardeais congregados responderam que nada podiam prometer, porque em assuntos de tal importância não se devia buscar mais do que a vontade de Deus. A eleição recaiu sobre o arcebispo de Bari, chamado Bartolomeu Prignano, que se chamou Urbano VI. Mas os inimigos da paz fizeram desordens e, ameaçando de morte ao Papa e aos cardeais, os obrigaram a se refugiarem na fortaleza de Castel Sant'Angelo, e em casas particulares, ou a fugir de Roma. Apaziguados aqueles tumultos, já tinha o novo pontífice começado a ocupar-se do bem da Igreja, quando doze cardeais franceses e outros quatro de diferentes nacionalidades, proclamaram outro Papa, francês de nação, que sob o nome de Clemente XIII estabeleceu sua residência em Avignon. A morte destes dois pontífices foram eleitos sucessores para ambos, e até chegou a haver três Papas ao mesmo tempo, isto é, Gregório XII, João XXIII e Benedito XIII. Muitos males sobrevieram à Igreja neste cisma, porque, conquanto um grande número de católicos reconhecesse como Papa o que fora eleito em Roma, contudo, elegendo-se outro em Avignon, o mundo católico achava-se dividido em duas partes. Os soberanos arrogavam-se, além disso, o direito de declarar a qual dos dois seus súditos deviam considerar como Papa; e frequentemente impediam-lhes de conhecer qual era o Papa legítimo. Para remediar a tantos males foram convocados os concílios de Pisa, de Basiléia, de Constança e de Florença. Permitiu Deus que este cisma afligisse a Igreja, como se disse, por quarenta anos, isto é, até que no concílio de Constança renunciando ao pontificado Gregório XII João XXIII e Benedito XIII, foi eleito o cardeal Othon Colonna que tomou o nome de Martinho V. Este fato aconteceu no ano 1417. Ainda que este cisma tenha sido uma calamidade gravíssima para a Igreja, contudo a Divina Providência cuidou de que nenhum destes pontífices ensinasse coisa contrária à fé ou aos costumes. Deste cisma, nada se pode deduzir, pois, contra a infalibilidade do romano Pontífice, e não constitui senão uma prova de que a Igreja Católica é obra de Deus, não dos homens.

Wicleff - Enquanto o cisma dividia a Igreja, esforçava-se a heresia por aniquilá-la. João Wicleff, assim chamado pelo nome da cidade da Inglaterra onde nasceu, foi o corifeu dos hereges daqueles tempos. Ornado de não mediano talento, porém cheio de vanglória, abraçou o estado eclesiástico, confiado em que o sagrariam bispo. Vendo, porém, desvanecidas suas esperanças, rebelou-se contra a Igreja. O bispo de Cantuária e os outros bispos ingleses combateram e condenaram logo a impiedade do heresiarca e de seus sectários. Gregório XI aprovou a sentença destes contra Wicleff, e pouco depois o condenaram de novo no concílio de Constança. Porém Wicleff seguindo o exemplo dos outros hereges, em vez de humilhar-se, inflamou-se em cólera, e deu-se a vomitar blasfêmias contra o Papa, os bispos e particularmente contra o arcebispo de Cantuária, que em consequência disso foi barbaramente assassinado. Deus porém não deixou impunes aos que se atreveram a ultrajar seus ministros, pois dos que assassinaram ao prelado, alguns ficaram loucos e outros foram condenados à morte pelas autoridades civis. O mesmo Wicleff, enquanto se achava pregando sarcasticamente contra São Tomas de Cantuária, foi surpreendido por uma terrível paralisia, que, ocasionando-lhe mortais convulsões, o deformou e retorceu-lhe a boca que fora instrumento de tantas blasfêmias. Enraivecido por não poder já falar, morreu desesperado no ano 1385.

Hussitas - Os erros de Wicleff passaram da Inglaterra para a Boêmia e originaram a heresia de João HuSss Chamava-se assim pelo nome da cidade da Boêmia onde nascera. Tendo concluído seus estudos em Praga, começou a espalhar os erros de Wicleff, pelos quais se combatiam as leis da Igreja, a autoridade do Papa, e outros artigos da fé. Citado a comparecer ante o concílio de Constança concordou com isso, e declarou por escrito que queria que o castigassem sempre que pudesse ser convencido de que havia caído em erro. O imperador Sigismundo, com o fim de facilitar os meios para se desculpar, deu lhe um salvo-conduto. Logo que chegou a Constança, mui longe de acatar o juízo da Igreja, recusou retratar-se. Não houve herege com quem se usassem maiores contemplações. Os padres do concílio, o imperador, e todos enfim, pública e privadamente empregaram toda sorte de meios para convencê-lo. Mas como se mostrasse cada vez mais obstinado no erro, conduziram-no à praça pública, e ali o despojaram de seus vestidos sacerdotais e o degradaram. O duque o entregou em seguida aos ministros da justiça, que, conforme às leis do império fizeram-no perecer entre as chamas. Ano 1414. Discípulo de Wicleff e colega de João Huss na heresia, foi também Jerônimo de Praga, que como se obstinasse também na impiedade, foi como ele condenado às chamas pelo poder secular. Ano 1415. Os Hussitas, depois da morte de seus corifeus, ainda causaram algumas leves turbulências; porém passado algum tempo, muitos deles reconhecendo-se culpados, abjuraram a heresia e prometeram obedecer ao Papa, que, em vista disso, os absolveu das censuras em que tinham incorrido. Ano 1436.

O imperador Wenceslau e São João Nepomuceno - Naquele mesmo tempo viu-se ocupar um dos tronos da Alemanha, a crueldade confraternizada com a prepotência, com o fim de tornar a um santo sacerdote traidor de seu ministério. Mas alentado este pela divina graça, resistiu heroicamente àquele cruel monarca, e foi o primeiro a receber a palma do martírio por ter guardado o sigilo da confissão sacramental. Reinava na Boemia Wenceslau IV, homem feroz, a quem sempre acompanhava um verdugo, para que se chegasse a ter sede de sangue, pudesse logo acalmá-la matando ao primeiro que encontrasse. Dispusera de tal modo de um aposento que, embora parecesse estar firme ao dar um golpe com o pé, se afundava em um rio. Serviu-se deste meio para matar a muitos e insignes personagens. Escreveram um dia em seu aposento: Wenceslau, segundo Nero, porém ele em vez de envergonhar-se, escreveu a lápis mais abaixo: Se não fui, sê-lo-ei. Certo dia, porque não lhe agradou uma comida que lhe apresentaram na mesa, mandou que assassem logo ao cozinheiro naquele mesmo lugar onde tinha feito cozinhar aquela comida. Em suas ímpias extravagâncias chegou até a pretender que São João Nepomuceno lhe fizesse conhecer os pecados que lhe revelara em confissão a rainha. O fiel ministro de Jesus Cristo respondeu-lhe que, ainda que o ameaçasse de morte, de nenhum modo o induziria a violar no mínimo o sigilo sacramental. O rei, por algum tempo, tentou-o com blandícias, porém um dia como se mostrasse mais decidido que nunca em obrigá-lo a revelar-lhe os segredos de sua esposa, e como achasse o santo firme em sua negativa, o fez encerrar em uma das salas do palácio real e aí o submeteu ocultamente aos mais horríveis tormentos. Saindo o santo mui maltratado do palácio, preparou-se para a morte e com este fim foi a um santuário da Santíssima Virgem para implorar seu socorro. Ao voltar a Praga, vendo-o o rei de sua janela, o fez vir à sua presença e o intimou de novo lhe revelasse o segredo; porém permanecendo ele firme em sua negativa, mandou-o atirar imediatamente ao rio Moldava. Enquanto o corpo do mártir era levado pelas ondas, foi visto com uma coroa de estrelas ao redor da cabeça. Por isso os cônegos da catedral deram-lhe honrosa e solene sepultura. Assistiu a seu enterro grande multidão de povo. Muitos milagres foram operados sobre seu túmulo, e o Papa Benedito XIII colocou-o no número dos santos. Pouco tempo depois morreu Wenceslau e foi dar conta a Deus de suas crueldades e sacrilégios.

Décimo sétimo Concílio Ecumênico - Os orientais, que no segundo concilio de Lion tinham entrado de novo no seio da Igreja católica, e dela tinham tornado a separar-se, deixavam entrever novamente vivos desejos de restabelecer a união, porque sentiam outra vez a necessidade do socorro do Papa contra os Turcos. Foi este um dos motivos que determinaram a convocação do concílio geral de Florença, que é o XVII ecumênico. Convocou-o Martinho V, no ano de 1431, na Cidade de Basiléia mais tarde, seu sucessor Eugênio IV o transladou para Ferrara, e dali, por motivo da peste, no ano 1493 foi transladado para Florença.
Assistiram a ele pessoalmente o imperador João leólogo, o patriarca de Constantinopla e outros prelados, contando-se entre latinos e gregos, mais de 140 bispos e muitas outras personagens, presididas pelo próprio Pontífice. Foram tratados os pontos da controvérsia e os padres latinos e gregos de pleno acordo declararam que era doutrina revelada nos livros santos e contida na tradição, que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho; que é válida a consagração da Santíssima Eucaristia com pão ázimo; que as almas dos que morrem estando na graça de Deus e livres de toda dívida vão imediatamente ao paraíso, e que ao contrário vão logo para o inferno, se estão manchadas de pecado mortal; que se estão em graça de Deus, porém ainda não acabaram de pagar suas dívidas à divina justiça, vão para o purgatório; que é o Papa o vigário de Jesus Cristo e sucessor de São Pedro, o chefe de toda a Igreja, o pai, e mestre de todos os cristãos, e que a ele deu Jesus Cristo na pessoa de São Pedro, pleno poder de apascentar reger e governar a Igreja universal. Por isso, no dia 6 de Junho, depois do Papa Eugênio celebrar a santa Missa, foi lido o decreto da União, firmado pelo Papa, pelos cardeais, pelos bispos e prelados gregos e latinos, e pelo próprio imperador, que o fez, todavia, debaixo de outra fórmula. Tudo deixava esperar que a união estabelecida com tanta solenidade tivesse de durar para sempre. Vã esperança! De volta a Constantinopla os gregos desdisseram-se de tudo o que tinham feito em Florença e seu cisma ainda continua em nossos dias. Deus porém não deixou sem castigo tão culpável cegueira porque no ano 1453, treze anos depois de ter violado a união, o grande Sultão Maomé II sitiou a cidade de Constantinopla e apoderou-se dela de assalto. Durou três dias o saque, durante os quais foram cometidas as mais horríveis crueldades. Os soldados matavam quantas pessoas encontravam, demoliam as igrejas, destruíam os altares, profanavam os mosteiros e tudo passavam a sangue e fogo. assim aquela igreja que não quis reconhecer a São Pedro que a tratara como pai, caiu sob o sucessor de Maomé, que a tratou como tirano.

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

POR QUE SE INSISTE TANTO SOBRE A COMUNHÃO FREQUENTE

D. — Padre, queira dizer-me por que se insiste tanto sobre a comunhão frequente? 
M. — Porque a Comunhão (como já foi dito mais atrás) é a aspiração mais veemente do Coração divino e porque a comunhão é também o melhor meio para obtermos a salvação. Assim como Deus pela sua providência misericordiosa, sustenta todas as criaturas para que não pereçam de fome, do mesmo modo Jesus Cristo quer alimentar todas as almas por meio da Eucaristia.
A Comunhão verdadeiramente é alimento; ora se é alimento deve ser comido: a coisa é claríssima.
São Boaventura diz que "o alimento que não serve para ser comido não tem razão de existência" ou em outras palavras é um alimento inútil. Por esta razão é que, gracejando, dizia um Bispo: "A Eucaristia é pão; o pão é para ser comido e não para ser exposto".
D. — Verdadeiramente é assim Padre. Muitas vezes ouvi dizer que Jesus Cristo logo após ter instituído a Eucaristia, distribuiu-A aos discípulos para que a comessem, dizendo Tomai e comei.
M. — E não somente isso. Jesus fez ainda mais, pois querendo perpetuar seu Corpo como alimento para as almas, ordenou aos discípulos que repetissem o mesmo prodígio, fazendo corno o tinham visto fazer.
Além disso, é preciso notar que Jesus Cristo, entre todos os alimentos escolheu de preferência o pão pela simples razão de que o pão serve somente para alimento. Pela mesma razão devemos concluir que o alimento eucarístico deve ser comido, pois do contrário não poderá produzir os efeitos que o Senhor teve em vista quando instituiu tão grande Sacramento.
M. — Perfeitamente. Assim como Jesus Cristo instituiu o Batismo para lavar a mancha original das almas e, por conseguinte é necessário derramar a água sem que ninguém pense em bebê-la, da mesma forma Jesus Cristo instituiu a Eucaristia para que servisse de alimento e unicamente comendo-a se poderá obter os frutos inerentes a esse sacramento admirável.
D. — Com isso, quer dizer o senhor que a Igreja age mal conservando a Eucaristia nos Sacrários e expondo-a aos fiéis?
M. — Absolutamente não. Deus tem pleno direito à nossa adoração, sendo por isso coisa muito santa e muito útil conservar e adorar a Santíssima Eucaristia; porém, repito, não pretendamos conseguir os efeitos da Eucaristia unicamente por meio dessas adorações. Assim como não conseguiria os efeitos do Batismo aquele que passasse a vida toda diante do Batistério igualmente tão pouco usufruiria os frutos da Sagrada Comunhão quem passasse toda a vida ao redor do altar adorando a Eucaristia sem recebê-la.
D. — Será por isso, Padre, que apesar de tantas devoções à Eucaristia, não se obtém quase nenhum fruto prático?
M. — Infelizmente é assim. Constroem-se suntuosas Igrejas, altares, sacrários, organizam-se soleníssimas procissões eucarísticas, grandiosas procissões ou congressos, e o fruto prático é quase nulo... Por quê? Porque Jesus Cristo não disse: “Tomai e adorai”, mas sim, "Tomai e comei".
Não excluiu nossos obséquios de adoração, porém deu a entender categoricamente que se quisermos conseguir o fim primordial da Eucaristia, é preciso que a comamos, isto é, que comunguemos.
Se quisermos conseguir o fim primordial da Eucaristia, é preciso que a comamos, isto é, que comunguemos.
D. — Por conseguinte, nossos obséquios não lhe serão agradáveis quando não forem acompanhados pelo desejo e vontade firme de recebê-lo em nossos corações?
M. — De certo que não lhe serão agradáveis e nem O podem agradar.
Suponha que uma mãe, a custa de grandes sacrifícios tivesse preparado um remédio muito bom para sarar seu filhinho e livrá-lo da morte; mas quando ela fosse dar o remédio ao filhinho, esse se desmanchasse em beijos e carícias para com ela, negando-se, todavia a tomar o remédio e, por conseguinte permanecendo sempre em perigo de morte... Que diria essa mãe? Qual não seriam suas queixas e sua grande dor?
D. — Padre, com Jesus acontecerá o mesmo, quando nos obstinamos em não querer recebê-lo?
M. — Sim, o mesmo.
São Francisco de Sales diz que "o Senhor nunca está tão bem servido como quando é servido a seu gosto e como Ele quer ser servido". Ora na Eucaristia Ele quer ser servido assim: quer que o comamos, isto é, que comunguemos. Eis o seu desejo.
D. — Qual será a frequência com que nos devemos alimentar desse manjar celestial, isto é, quantas vezes devemos comungar?
M. — O alimento eucarístico está sujeito as mesmas leis que regulam o alimento material, ou seja, a comida. Para sustentar o corpo nós todos os dias havemos de fazer uma refeição principal assim também devemos fazer uma refeição principal para sustentar a alma, isto é, devemos comungar.
Assim nos ensinou e nos faz pedir todos os dias Jesus no Padre-Nosso: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje". Que diríamos, nós, se um pobre nos pedisse pão e depois o jogasse fora? 
D. — Diríamos que não merece receber mais nada.
M. — Pois bem, tão pouco merece que se lhe dê mais, quem despreza e se descuida em receber a Comunhão.
D. — Mas, Padre, se Jesus Cristo tanto deseja e quer que O recebamos frequentemente na Santa Comunhão, por que não fez um mandamento expresso para isso?
M. — Ouça, meu querido discípulo. Jesus Cristo poderia ter feito um mandamento expresso sobre a Comunhão cotidiana, entretanto, na sua tolerância infinita em suportar nossas misérias, não o fez. Pois Ele sabia que para muitas almas seria dificílima a Comunhão cotidiana.
Muitos doentes devido à enfermidade estariam impossibilitados; outros por causa da distância não teriam tempo nem comodidade para isso. Pense só nas mães de família, nos lavradores do campo, nos empregados, como poderiam observar esse preceito?
Todavia estejamos convencidos de que para assegurar os efeitos salutares da sagrada Comunhão é absolutamente necessário usá-la da mesma forma como foi instituída, isto é, não somente recebê-la de quando em quando, mas sim recebê-la de modo adequado e normal.
D. — Para viver, bastaria comer algumas vezes na semana, e contudo comemos todos os dias, não é, Padre?
M. — Perfeitamente. Em relação à Comunhão devemos fazer o mesmo.
Só assim agradaremos a Jesus Cristo que tanto deseja isso, e daremos à nossa alma o que há de melhor, proporcionando-lhe os admiráveis efeitos deste augusto sacramento por meio da Comunhão frequente e bem feita.

1 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

PUREZA

M. — Como você acaba de ouvir, meu querido discípulo, Jesus ama intensamente as almas generosas, mas de um modo todo especial, os corações puros.
Ele é o cordeiro que se apascenta entre os lírios.
A impureza é mancha asquerosa que desvia de nós os olhares, as carícias e os sorrisos de Jesus.
Veja só esta linda comparação:
Acontece com muita frequência que nos rostinhos das crianças aparecem feridinhas purulentas que lhes deformam as rosadas faces tornando-as asquerosas pelo pus e sangue que supuram.
Toda a família e principalmente as mães ficam apreensivas com isso. Mas apesar disso não diminuem o amor que lhes consagram embora por precaução ou talvez por repugnância não se atrevem a acariciá-las e beijá-las.
Pois bem, o mesmo acontece com Jesus, toda vez que se vê obrigado a entrar nos corações daqueles que se apresentam para comungar sem pecado mortal; isto é, em estado de graça, mas com a alma salpicada de pequenas impurezas, como são os pensamentos desordenados, os olhares curiosos e libertinos, as conversações e palavras maliciosas, os desejos pouco castos, etc.
Reprimamos todas as paixões, sobretudo a impureza.
Jesus vem à alma pura, como a abelha vai à flor. Jesus tem uma predileção especial para com as almas puras; cumula-as de carícias, comunicando-se mais intimamente com elas; enriquece-as com graças especiais e frequentemente se manifesta visivelmente a elas durante a vida e, sobretudo na hora da morte, antecipando assim a glória eterna que lhes está reservada.
D. — Se não me engano, Padre me parece ter lido tudo isso na vida de São João Bosco, São José Cafasso, São José Cotolengo e muitos outros santos, os quais frequentemente quando tinham assuntos importantes para resolver, iam à Igreja e lá conversavam com Jesus, como se conversassem com o mais íntimo dos amigos.
M. — Não somente os grandes santos desfrutaram estas regalias, mas sim também os pequenos.
Na vida do Ven. Domingos Sávio, cuja beatificação se está ativando encontra-se o seguinte:
Era ele aluno do Oratório Salesiano de Dom Bosco em Turim; um dia não apareceu para o café da manhã e nem para as aulas, sem que se soubesse onde estava. Avisaram então a Dom Bosco, que imediatamente adivinhou do que se tratava.
Jesus vem à alma pura, como a abelha vai à flor.
Dirigiu-se à Igreja e lá encontrou-o no coro, imóvel, elevado um palmo acima do chão, com as mãos cruzadas sobre o peito, numa postura angelical e os olhares fixos no Sacrário como se estivesse contemplando uma visão suavíssima, em conversa íntima com Jesus Eucarístico.
Muito admirado, Dom Bosco chamou-o repetidas vezes, sem que ele respondesse. Tocou-o então levemente no braço e o jovem como que acordando de um profundo sono, exclamou:
— Oh! Já acabou a Missa?
— Decerto, disse-lhe Dom Bosco mostrando o relógio, já são duas horas da tarde.
Diante disso, Domingos ficou perplexo e confundido e pediu perdão pela falta cometida contra o horário. Mas o fundador do Oratório despediu-o com estas palavras:
— Veja só como Jesus te ama; quando entrares em conversação tão íntima com Ele, não te esqueças de pedir por mim e pelas necessidades do Oratório.
Santa Gema Galgani, comungava todos os dias e Jesus comprazia-se em aparecer-lhe visivelmente para conversar com ela.
Um dia chegou até a lhe imprimir nas mãos, nos pés e no lado os sinais das chagas santíssimas de sua paixão. E daí em diante podia-se admirar em seu corpo os sinais das chagas de Jesus, semelhantes a vermelhos botõezinhos de rosa que destilavam sangue.
Lê-se também, na vida de uma tal Gisela, filha de uma nobre família de Florença que, um dia tendo comungado pelo pai, capitão na grande guerra, pedindo fervorosamente a Jesus por ele, em dado momento viu Jesus aparecer-lhe e afavelmente dizer:
— Coragem Gisela!... A guerra ainda não vai terminar porque os homens são muito maus. Apesar disso teu pai voltará são e salvo... e os aviões não voarão mais sobre a cidade; tua família ficará livre de todo o perigo.
Gisela, ao voltar para casa contou tudo à sua mãe, a qual vendo a precisão e a firmeza da menina ficou convencida da veracidade do fato; e o que ainda mais veio convencê-la foi a mudança radical de sua filhinha a qual, com apenas 7 anos começou uma vida verdadeiramente devota e fervorosa.
D. — Padre, ouvindo essas coisas tão extraordinárias fico com vontade de chorar.
M. — Meu querido discípulo, em todos esses casos, trata-se de almas muito puras com as quais Jesus se delicia em entreter-se. Isso não lhe deve causar admiração, pois que, conforme diz o Espírito Santo "as almas puras e os corações limpos verão a Deus". E se não chegam a vê-lo durante a vida como esses grandes e pequenos santos dos quais falamos atrás vê-lo-ão certamente na hora da morte.
Em outubro de 1894, assisti no hospital São Maurício em Turim, aos últimos momentos de uma jovem de 21 anos.
Estava em agonia. Parecia dormir. De repente, agitando-se violentamente, levanta-se nas almofadas e estendendo os braços para um ponto fixo na parede, prorrompeu nestas exclamações:
— Oh! que beleza! Que formosura! Jesus! Maria! Olhem! Olhem! Jesus! Maria!
Os parentes que rodeavam o leito procuravam acalmá-la e distraí-la, mas em vão, pois desembaraçando-se dos que a seguravam, continuava a ditar: — Oh! Que beleza! Jesus e Maria! Vinde... Vinde! Eis-me aqui!
E no meio dessas exclamações entregou a alma ao Senhor. Os circunstantes emocionados ao presenciar tão linda cena prostraram-se de joelhos dando rédea solta às lágrimas.
Dez anos mais tarde, em abril de 1905, tive que assistir em seus últimos momentos à outra jovem de 18 anos, filha única de pais muito piedosos, logo após ter recebido a Extrema-Unção e o Santo Viático, fitou os olhos no céu e pôs-se a gritar:
— Agora, adeus, querido papai e querida mamãe... Adeus até rever-mo-nos outra vez lá no céu... Sim... lá, Jesus está me chamando... Vou... Adeus!...
E apertando fortemente ora a mão dos pais ora a mão do sacerdote, permaneceu algum tempo com o rosto angelical em doce êxtase até que levemente se deixou cair no leito de morte, conservando sempre o sorriso nos lábios.
D. — Padre, esses fatos são verídicos?
M. — Claro que são. Eu mesmo fui testemunha. Talvez Nosso Senhor me permitiu tão grande graça para que como sacerdote e Pároco os pudesse mais tarde citar como exemplo e estímulo para muitas almas a fim de que cultivem e amem cada vez mais a virtude que nos torna semelhante aos anjos, e nos enche a vida de santas alegrias e felicidades ao mesmo tempo que proporciona uma ditosa morte, prelúdio certo de um Paraíso especial.
A virtude que nos torna semelhante aos Anjos, e proporciona uma ditosa morte, prelúdio certo de um paraíso especial.
D. — Como, Padre, o senhor disse um Paraíso especial?
M. — Perfeitamente. Assim no-lo afirma São João Evangelista que numa visão apocalíptica descobriu um coro especial de bem-aventurados, vestidos com uma túnica mais branca do que a neve, os quais seguiam a Jesus Cristo em toda parte, cantando um hino suave que ninguém podia cantar.
Ansioso por saber quem eram aqueles bem-aventurados, ouviu uma voz que lhe dizia:
— Esses são os que durante a vida nunca mancharam a alma com nenhuma impureza.
Coragem, meu filho: Aprenda e ensine a todos que tenham grande estima pela castidade, pois que esta virtude nos torna muito agradáveis a Deus nesta vida e nos proporciona tantas vantagens e privilégios no Paraíso.
D. — De hoje em diante na Santa Comunhão, hei de pedir todos os dias essa graça a Jesus.
M. — Ótimo! Muito bem! Que Jesus o abençoe e abençoe também a todas as almas puras que como você fazem o propósito de oferecer a Jesus, com a Santa Comunhão, também a pureza de suas almas.