2 de janeiro de 2012
Flores da Eucaristia - 02 de Janeiro
A fim de trabalhardes em prol da conservação da fé, adaptai uma linguagem cristã, impregnada desta mesma fé.
Consentimos, por culpável tolerância, que Nosso Senhor seja afastado dos costumes, das leis, da polidez, e em certas reuniões sociais não ousamos falar em Jesus Cristo.
Mesmo entre católicos praticantes poderia causar estranheza se falar em Jesus no Santíssimo Sacramento. A arte religiosa, as verdades morais, as belezas da religião, ainda se tomam por assunto; jamais, porém, Jesus Cristo, a Eucaristia.
Ah! Modificai esse modo de agir! Fazei profissão de vossa fé.
É preciso mostrar que Nosso Senhor tem direito de viver e reinar nas palestras da sociedade, e os católicos devem julgar verdadeira desonra ocultar Nosso Senhor, como a luz sob o alqueire.
E Aquele que faz claramente profissão de sua fé, aquele que sabe proclamar o nome de Jesus Cristo, se fortalece na graça.
Que todos, em público, conheçam a nossa fé!
Consentimos, por culpável tolerância, que Nosso Senhor seja afastado dos costumes, das leis, da polidez, e em certas reuniões sociais não ousamos falar em Jesus Cristo.
Mesmo entre católicos praticantes poderia causar estranheza se falar em Jesus no Santíssimo Sacramento. A arte religiosa, as verdades morais, as belezas da religião, ainda se tomam por assunto; jamais, porém, Jesus Cristo, a Eucaristia.
Ah! Modificai esse modo de agir! Fazei profissão de vossa fé.
É preciso mostrar que Nosso Senhor tem direito de viver e reinar nas palestras da sociedade, e os católicos devem julgar verdadeira desonra ocultar Nosso Senhor, como a luz sob o alqueire.
E Aquele que faz claramente profissão de sua fé, aquele que sabe proclamar o nome de Jesus Cristo, se fortalece na graça.
Que todos, em público, conheçam a nossa fé!
Tesouro de Exemplos - Parte 2
O FILHO DA VIÚVA
Naim, aldeia situada na encosta setentrional do Pequeno Hermon, a trinta e oito quilômetros aproximadamente de Cafarnaum, foi teatro de um dos maiores milagres de Jesus.
Caía a tarde. O sol estava a ponto de esconder-se atrás das montanhas, quando o Salvador, acompanhado de seus discípulos e de uma multidão que não podia separar-se Dêle, subia pelo estreito caminho que dava acesso ao lugar.
Próximo da porta da aldeia, teve de ceder o passo a outro cortejo que dali saia em direção contrária. Era um entêrro. Sôbre um esquife, sem caixão, conduziam o cadáver dum jovem envolto num lençol.
Atrás vinha com os parentes e amigos a mãe muito triste e desolada. Era viúva e o defunto, quase menino ainda, era seu único filho e seu futuro arrimo. Morrera. Que seria dela dali em diante?
Informado do que se passava, Jesus, sempre misericordioso e compassivo, disse àquela viúva inconsolável:
- Não chores, filha.
E aproximando-se do féretro, fêz sinal para que parassem e o deitassem no solo. Tôda gente se apinhou ao redor do Salvador. Que iria acontecer?
Os entusiastas do divino Taumaturgo estavam acostumados a vê-lo operar estupendos milagres; mas, com um morto, que era levado à sepultura, que poderia êle fazer?
Os olhos daquela gente, arregalados pela curiosidade, não perdiam os menores movimentos do Mestre Jesus, olhando para o cadáver daquele rapaz, pálido e rígido pelo frio da morte, ordena-lhe em tom imperativo:
- Môço, eu te digo, levanta-te!
O calafrio da emoção eletrizou os circunstantes. Não havia dúvida, o morto ressuscitara. Todos podiam ver como o cadáver se movia e a sua côr lívida desaparecia; os olhos brilhavam, os lábios abriam-se; o defunto falava.
Já não está morto. Vive; vive a sua vida plena.
E Jesus, tomando-o pela mão, entrega-o à mãe, que, derramando lágrimas de comoção e alegria, prostra-se por terra para dar graças ao Senhor da vida e da morte.
Naim, aldeia situada na encosta setentrional do Pequeno Hermon, a trinta e oito quilômetros aproximadamente de Cafarnaum, foi teatro de um dos maiores milagres de Jesus.
Caía a tarde. O sol estava a ponto de esconder-se atrás das montanhas, quando o Salvador, acompanhado de seus discípulos e de uma multidão que não podia separar-se Dêle, subia pelo estreito caminho que dava acesso ao lugar.
Próximo da porta da aldeia, teve de ceder o passo a outro cortejo que dali saia em direção contrária. Era um entêrro. Sôbre um esquife, sem caixão, conduziam o cadáver dum jovem envolto num lençol.
Atrás vinha com os parentes e amigos a mãe muito triste e desolada. Era viúva e o defunto, quase menino ainda, era seu único filho e seu futuro arrimo. Morrera. Que seria dela dali em diante?
Informado do que se passava, Jesus, sempre misericordioso e compassivo, disse àquela viúva inconsolável:
- Não chores, filha.
E aproximando-se do féretro, fêz sinal para que parassem e o deitassem no solo. Tôda gente se apinhou ao redor do Salvador. Que iria acontecer?
Os entusiastas do divino Taumaturgo estavam acostumados a vê-lo operar estupendos milagres; mas, com um morto, que era levado à sepultura, que poderia êle fazer?
Os olhos daquela gente, arregalados pela curiosidade, não perdiam os menores movimentos do Mestre Jesus, olhando para o cadáver daquele rapaz, pálido e rígido pelo frio da morte, ordena-lhe em tom imperativo:
- Môço, eu te digo, levanta-te!
O calafrio da emoção eletrizou os circunstantes. Não havia dúvida, o morto ressuscitara. Todos podiam ver como o cadáver se movia e a sua côr lívida desaparecia; os olhos brilhavam, os lábios abriam-se; o defunto falava.
Já não está morto. Vive; vive a sua vida plena.
E Jesus, tomando-o pela mão, entrega-o à mãe, que, derramando lágrimas de comoção e alegria, prostra-se por terra para dar graças ao Senhor da vida e da morte.
Bom dia! Padre Pio de Pieltrelcina - 2 Janeiro
Digamos a nós mesmos, com plena convicção de estarmos falando a verdade: Oh, minha alma! Comece hoje mesmo a praticar o bem, pois até agora nada fizemos. Procuremos agir como se estivéssemos na presença de Deus, como sempre estamos. Repitamos seguidamente: Deus está vendo; e que Ele me julgue pelo que me vê fazer. E façamos com que Ele veja em nós sempre e somente o bem.
1 de janeiro de 2012
Bom dia! Padre Pio de Pieltrelcina - 1º Janeiro
Pela graça divina, estamos ao alvorecer de um novo ano; e este ano, que só Deus sabe se veremos chegar ao fim, deve ser, todo ele, empregado em reparar as faltas do passado e preparar o futuro; bons propósitos e boas ações devem andar sempre emparelhado.
Tesouro de Exemplos - Parte 1
Prezados, Salve Maria!
Estamos presenteando nossos leitores com a publicação de diversas histórias do livro Tesouro de Exemplos do Pe. Francisco Alves, C. SS. R., publicado pela Editora Vozes no ano de 1958.
"Exempla magis, quam verba, movent"
Observação: Estaremos publicando os textos em conformidade com o original, visando não alterar o sentido apresentado pelo autor.
Apresentação do autor:
Toda criança gosta de ouvir historinhas. Em casa, na escola, no colégio, na igreja, onde quer que estejam, as crianças ficam quietinhas, atentas, que até parecem não respirar, quando se lhes conta uma historinha bonita, um exemplo edificante.
O vigário, o missionário, a professôra, a catequista, todos sabem isso por experiência.
Ora, ensinar catecismo, presidir reuniões de cruzadinhos, preparar cem, duzentas crianças para a primeira comunhão, e não lhes contar historinhas emocionantes, é arriscar-se a fracassar. Depois de algum tempo, meia hora se muito, estão aborrecidas, desinteressadas, querem sair, conversam, brincam, brigam: é a anarquia, é a debandada... E não adianta gritar, ameaçar, dar beliscões, puxões de orelha... nada, nada adianta. E no dia seguinte o número já será menor: os maiores não voltam... os medrosos não se arriscam a entrar... os miudinhos pouco entendem e ainda menos aprendem...
E, contudo, é mister ensinar à multidão infantil, que não ouve falar de Deus, que cresce sem catecismo, que perambula pelas ruas, as verdades de fé, os preceitos divinos, a doutrina consoladora da salvação.
Como se há de conseguir que crianças, sempre irrequietas e buliçosas, estejam atentas, não conversem, escutem, rezem, cantem, fiquem na fila?
Um poderoso meio de conseguir silêncio, atenção e interesse é contar-lhes algum exemplo atraente, sugestivo, cheio de emoções, bastante infantil e inteligível.
Os exemplos, como se encontram nos livros, são pouco movimentados, resumidos, breves... É natural; pois livros volumosos, quem os adquiriria, quem os leria?...
Por isso, a catequista, a professôra, o padre, que vai contá-los, deve ler e meditar o exemplo, preferido, a fim de descrevê-lo, ampliá-lo, dar-lhe vida e colorido e movimento, dramatizá-lo, enfim. Contar com desembaraço, isto é, contar com as mãos, os braços, a cabeça... falar com os olhos... rir ou chorar... aterrar ou entusiasmar... fazer rir ou arrancar lágrimas de comoção... o mais sugestivo, o mais patético possível!
Consegue alguém dar vida e calor às historinhas que conta com a linguagem dos olhos, a expressão do rosto, os movimentos do corpo, a entoação da voz... êsse alguém é senhor das crianças, poderá fazer com elas o que quiser.
Narrado o exemplo, aproveitar a boa disposição do auditório: fazer repetir por algum dêles a historinha e logo encaixar qualquer ponto de doutrina, recomendação ou aviso, um pedido, uma jaculatória...
Na presente coleção não se encontram exemplos inventados por nós; são autênticos, mesmo que não venham mencionado o autor. Muitos dêles, aliás, são contados por diferentes autores com pequenas variações. Isso não prejudica. O narrador tem liberdade de ampliar, colorir, enfeitar qualquer exemplo. O essencial é que, no fundo, o exemplo seja possível, verídico, doutrinário.
Por fim, muito para desejar seria que esta coleção andasse, também, nas mãos das mãezinhas e das vovós, que imenso bem fariam aos filhos e aos netinhos, contando-lhes a miúdo lindas histórias capazes de formar-lhes o coração e o caráter no verdadeiro sentido cristão.
A Nossa Senhora Aparecida, nossa excelsa Rainha, consagramos esta pequena semente do bem, rogando-lhe que a faça crescer e produzir frutos de salvação entre as crianças do nosso querido Brasil.
--------------------------------------------------------------------------------------------
Estamos presenteando nossos leitores com a publicação de diversas histórias do livro Tesouro de Exemplos do Pe. Francisco Alves, C. SS. R., publicado pela Editora Vozes no ano de 1958.
"Exempla magis, quam verba, movent"
Observação: Estaremos publicando os textos em conformidade com o original, visando não alterar o sentido apresentado pelo autor.
Apresentação do autor:
Toda criança gosta de ouvir historinhas. Em casa, na escola, no colégio, na igreja, onde quer que estejam, as crianças ficam quietinhas, atentas, que até parecem não respirar, quando se lhes conta uma historinha bonita, um exemplo edificante.
O vigário, o missionário, a professôra, a catequista, todos sabem isso por experiência.
Ora, ensinar catecismo, presidir reuniões de cruzadinhos, preparar cem, duzentas crianças para a primeira comunhão, e não lhes contar historinhas emocionantes, é arriscar-se a fracassar. Depois de algum tempo, meia hora se muito, estão aborrecidas, desinteressadas, querem sair, conversam, brincam, brigam: é a anarquia, é a debandada... E não adianta gritar, ameaçar, dar beliscões, puxões de orelha... nada, nada adianta. E no dia seguinte o número já será menor: os maiores não voltam... os medrosos não se arriscam a entrar... os miudinhos pouco entendem e ainda menos aprendem...
E, contudo, é mister ensinar à multidão infantil, que não ouve falar de Deus, que cresce sem catecismo, que perambula pelas ruas, as verdades de fé, os preceitos divinos, a doutrina consoladora da salvação.
Como se há de conseguir que crianças, sempre irrequietas e buliçosas, estejam atentas, não conversem, escutem, rezem, cantem, fiquem na fila?
Um poderoso meio de conseguir silêncio, atenção e interesse é contar-lhes algum exemplo atraente, sugestivo, cheio de emoções, bastante infantil e inteligível.
Os exemplos, como se encontram nos livros, são pouco movimentados, resumidos, breves... É natural; pois livros volumosos, quem os adquiriria, quem os leria?...
Por isso, a catequista, a professôra, o padre, que vai contá-los, deve ler e meditar o exemplo, preferido, a fim de descrevê-lo, ampliá-lo, dar-lhe vida e colorido e movimento, dramatizá-lo, enfim. Contar com desembaraço, isto é, contar com as mãos, os braços, a cabeça... falar com os olhos... rir ou chorar... aterrar ou entusiasmar... fazer rir ou arrancar lágrimas de comoção... o mais sugestivo, o mais patético possível!
Consegue alguém dar vida e calor às historinhas que conta com a linguagem dos olhos, a expressão do rosto, os movimentos do corpo, a entoação da voz... êsse alguém é senhor das crianças, poderá fazer com elas o que quiser.
Narrado o exemplo, aproveitar a boa disposição do auditório: fazer repetir por algum dêles a historinha e logo encaixar qualquer ponto de doutrina, recomendação ou aviso, um pedido, uma jaculatória...
Na presente coleção não se encontram exemplos inventados por nós; são autênticos, mesmo que não venham mencionado o autor. Muitos dêles, aliás, são contados por diferentes autores com pequenas variações. Isso não prejudica. O narrador tem liberdade de ampliar, colorir, enfeitar qualquer exemplo. O essencial é que, no fundo, o exemplo seja possível, verídico, doutrinário.
Por fim, muito para desejar seria que esta coleção andasse, também, nas mãos das mãezinhas e das vovós, que imenso bem fariam aos filhos e aos netinhos, contando-lhes a miúdo lindas histórias capazes de formar-lhes o coração e o caráter no verdadeiro sentido cristão.
A Nossa Senhora Aparecida, nossa excelsa Rainha, consagramos esta pequena semente do bem, rogando-lhe que a faça crescer e produzir frutos de salvação entre as crianças do nosso querido Brasil.
--------------------------------------------------------------------------------------------
MENINA, LEVANTA-TE!
Jairo, o presidente de uma das sinagogas de Cafarnaum, está angustiadíssimo. Sua filhinha de doze anos acha-se gravemente enfêrma, e sua cura é desesperada. Como única e extrema solução recorre a Jesus. Sabe que acaba de regressar de Gêrasa, e sai ao seu encontro.
- Senhor - diz-lhe com voz angustiosa - minha filha está morrendo. Vem, impõe a tua mão sôbre ela para que sare e viva.
O Mestre, sempre misericordioso e amicíssimo das crianças, acede, e imediatamente se põe a caminho; mas a multidão o rodeia e aperta de tal forma, nas ruas estreitas da cidade, que o detém mais tempo do que Jairo o quisera e a enfermidade da menina permitia. Por isso, antes de chegarem a casa, encontram-se com alguns criados, que dão a seu amo a fatal notícia da morte da pequena.
Pobre pai! Cheio de esperanças recorrera ao Redentor; no caminho vira crescer seu otimismo com a cura milagrosa da hemorroíssa; mas tôdas as suas ilusões se desmoronam. É tarde. Morrera. Tem razão seus criados: para que incomodar e cansar mais o Mestre? Jesus, porém, consola-o, dizendo:
- Não temas, crê e tua filha será salva.
Chegam a casa. Cobre-a o luto. Ali estão a exercer o seu ofício mercenário as carpideiras e os flautistas funerários - importação pagã introduzida nos costumes judeus; os parentes e amigos rodeiam a familia.
- Por que chorais e estais alvoroçados? - lhes diz Jesus. - A menina não está morta, mas dorme.
Os que o ouvem falar assim riem-se dêle, pois viram o cadáver e têm certeza de que está morta. Não sabem que para o Senhor da vida aquela morte é um breve sono, cujo despertar está próximo.
Jesus ordena que aquela gente se retire e penetra na câmara mortuária acompanhado só dos pais da defunta e de três de seus discípulos.
Sôbre o leito estendem-se rígidos e frios os membros pálidos do cadáver.
Aproxima-se, toma entre as suas a mão alabastrina da menina, e ordena com autoridade:
- Thalita, cumi! Menina, levanta-te!
E com grande espanto de seus pais a menina levanta-se e começa a andar.
Ressuscitou? Sim; não só ressuscitou, mas está além disso completamente curada; tanto assim que logo começa a alimentar-se.
Operado o milagre, Jesus retira-se, ordenando silêncio, porque quer evitar aclamações e demonstrações de entusiasmo. Apesar disso, como era natural, a notícia do prodígio espalhou-se por tôda aquela região.
Flores da Eucaristia - 01 de Janeiro
Venha a nós o vosso reino. Que o reino de Nosso Senhor se dilate e se aperfeiçoem, tais devem ser vossos anelos de amor, neste primeiro dia do novo ano. Que Ele seja conhecido e amado onde ainda não é. Que todos completem em si a obra da Encarnação e da Redenção.
Desejai a Nosso Senhor bons sacerdotes, verdadeiros apóstolos e salvadores, capazes de plasmar um século, e de conquistar reinos para Deus.
Pedi-Lhe que se torne o Senhor de tudo e não somente Salvador – o que supõe muita miséria, - mas Rei, Rei pacifico e absoluto.
Além disto, é preciso consolar Nosso Senhor, que espera as vossas consolações e há de recebê-las com prazer.
Consolai-O de não poder reinar plenamente em seus domínios. Os homens, seus filhos, resgatados por Ele, parecem conseguir mais. Nosso Senhor não reina na sociedade; façamo-Lo ao menos reinar em nós, e trabalhemos por estabelecer o seu reinado em toda parte.
Ó Jesus, sede sempre o rei de meu espírito por vossa verdade, o rei de meu coração por vosso amor, o rei de meu corpo por vossa pureza, o rei de toda a minha vida pelo meu desejo de consagrá-la á vossa maior glória.
Desejai a Nosso Senhor bons sacerdotes, verdadeiros apóstolos e salvadores, capazes de plasmar um século, e de conquistar reinos para Deus.
Pedi-Lhe que se torne o Senhor de tudo e não somente Salvador – o que supõe muita miséria, - mas Rei, Rei pacifico e absoluto.
Além disto, é preciso consolar Nosso Senhor, que espera as vossas consolações e há de recebê-las com prazer.
Consolai-O de não poder reinar plenamente em seus domínios. Os homens, seus filhos, resgatados por Ele, parecem conseguir mais. Nosso Senhor não reina na sociedade; façamo-Lo ao menos reinar em nós, e trabalhemos por estabelecer o seu reinado em toda parte.
Ó Jesus, sede sempre o rei de meu espírito por vossa verdade, o rei de meu coração por vosso amor, o rei de meu corpo por vossa pureza, o rei de toda a minha vida pelo meu desejo de consagrá-la á vossa maior glória.
DOMINGO DEPOIS DO NATAL
A alma do homem
O Evangelho nos apresenta a tocante cena do encontro do santo ancião Simeão e da Sagrada Família no Templo.
É a primeira espada de dor que devia atravessar o coração da Virgem Santa.
Após ter predito o destino do Menino Deus, o velho Sacerdote dirigi-se a Maria e lhe diz: “a tua alma será trespassada por uma espada.”
Pobre filha de Jerusalém, tão pura, tão bela, tão radiante da glória inefável de vossa maternidade virginal; eis-vos no começo da via dolorosa, que só terminará na sepultura deste mesmo Jesus!
Limitemos as nossas considerações ao ponto apologético aqui assinalado.
O Evangelho fala da alma de Maria.
Temos, pois, uma alma, criada à imagem de Deus, a qual vamos estudar aqui, vendo:
1. O que é a alma.
2. A união entre o corpo e a alma
Esta dupla verdade nos vai fazer penetrar plenamente na grande obra da criação divina.
I. O que é a alma humana
A criatura mais perfeita do universo a quem Deus deu o ser e a vida é o homem, porque só ele recebeu uma inteligência capaz de conhecer o seu Criador, e um coração capaz de amá-lo.
O homem, a mais perfeita das criaturas, é um ser racional composto de corpo e alma. O corpo é a parte sensível, visível do homem. A alma é uma substância espiritual, invisível que dá ao corpo o movimento, a vida, o pensamento e o juízo.
Quando a alma se separa do corpo, esse corpo fica inerte, sem pensamento, sem vida e vai se decompondo: tal separação chama-se: a morte.
É a união da alma e do corpo que constitui o homem e faz dele um ser intermediário entre os anjos, que são puros espíritos, e os animais que são simplesmente matéria.
A natureza do corpo e a da alma diferem essencialmente no homem.
A natureza do corpo é de ser visível, palpável: pois é matéria.
A natureza da alma é de ser invisível, impalpável: é espírito. Uma palavra exprime a natureza da alma: espiritualidade.
A espiritualidade exige, não somente a ausência de toda composição e de toda extensão, mas ainda a independência de toda matéria e a faculdade de poder agir, em certas circunstâncias, sem auxílio dos órgãos materiais.
Assim a alma pensa: ela produz o pensamento sem o auxílio de qualquer ser material: o que prova que é distinta da matéria.
A alma não habita o corpo como uma rainha habita o seu palácio; ela não está simplesmente unida ou justaposta a nossos órgãos, ela os anima e vivifica.
Santo Tomás em sua forma filosófica diz que a alma é a forma substancial do corpo.
Vendo um cadáver, tal definição torna-se luminosa. Desde que a alma se separa do corpo, este último dissolve-se e torna-se um conjunto de pó, de água, de matéria em dissolução, que não tem mais nome em língua nenhuma: é um cadáver.
Não subsiste mais nenhuma aparência humana porque o laço vital, que uniu todas as partes do corpo, foi rompido.
A alma cessou de informar o corpo, não lhe comunicando mais o ser humano, a forma humana.
II. A união entre o corpo e a alma
Mas examinemos um instante as principais propriedades do corpo e da alma, para estabelecer a diferença essencial que os separa.
A matéria é necessariamente extensa, composta de partes que constituem o seu comprimento, a altura, a grossura.
A alma, sendo espírito, não é composta de partes: é simples. Por isso nunca se diz que um pensamento é comprido, grosso, alto.
A matéria tem uma forma determinada, podendo ser redonda, quadrada, azul, verde, etc.
A Alma ao contrário, não tem nem forma, nem cor. E ninguém se lembrou ainda de dizer que o pensamento é redondo ou verde.
A matéria é divisível, podendo ser dividido em partes distintas umas das outras.
A alma é indivisível; por isso não se pode tomar nem uma parte, nem a metade de um pensamento, nem da alma.
Os espíritos, ou a alma, por sua vez, possuem certas propriedades que a matéria não pode possuir: São:
A espiritualidade, ou propriedade de escapar aos sentidos e de ser independente da matéria.
A inteligência, ou propriedade de conhecer a verdade, de assimilá-la e de se saber que a conhece.
A liberdade, ou propriedade de escolher entre vários objetos, de querer ou não querer.
A imortalidade, ou propriedade de não poder ser decomposta nem morrer.
III. Conclusão
Há uma categoria de homens, chamados materialistas, que negam a diferença existente entre o corpo e a alma.
Para eles, a alma e o corpo são da mesma natureza, ambos vivem e morrem do mesmo modo.
Admitindo tal idéia, nega-se a responsabilidade moral, a vida futura... A conclusão prática é que o homem está destinado para uma vida animal, sensual, egoísta.
Em nossos dias, os materialistas intitulam-se, positivistas, admitindo só o que se vê, o que é positivo.
Para eles, o pensamento é inerente à substância cerebral; o cérebro pensa como pulsa o coração. O pensamento não passa de uma secreção do cérebro, como o muco é uma secreção das mucosas.
Tal opinião é ridícula e se refuta pela simples reflexão sobre a nossa própria existência.
Com 50 anos de idade, nós sentimos que somos bem a mesma pessoa que éramos com 5 anos.
Tudo se mudou em nosso exterior, mas nosso eu íntimo permanece o mesmo. Temos a lembrança do passado, a consciência de nossos atos: somos sempre nós, o que prova que há em nós qualquer coisa, distinta do nosso corpo, que não está sujeita às modificações do corpo, que não vem do corpo: É a nossa alma.
EXEMPLOS
1. Santa Cecília
Valeriano, esposo de Santa Cecília e seu irmão Tibúrcio estavam encarcerados por causa da sua fé. Era no ano 160, sob a perseguição de Marco Aurélio.
O oficial Maximo, encarregado de levá-los ao suplício, abrindo a prisão, viu-os de joelhos, os olhos levantados ao céu, numa serenidade que se refletia em todos os traços de semblante.
A sua mocidade, seu nascimento ilustre, a sua inocência, sua resignação comoveram o coração do soldado que começou a chorar.
- Por que chorais? Perguntaram os encarcerados.
- Choro, porque vós, tão jovens, ricos e nobres ides morrer.
- Desenganai-vos, Maximo, nós somos cristãos, e, deixando este mundo, os cristãos passam para uma vida melhor, onde não há mais morte.
- Ah! Se as vossas palavras fossem a verdade.
- Se prometerdes abraçar a religião cristã, vereis a verdade com os vossos próprios olhos no momento da nossa morte.
Maximo o prometeu e quando decapitaram os mártires, ele viu as almas deles, resplandecentes de glória, levadas pelos anjos para o céu.
A esta vista, declarou-se cristão e recebeu pouco depois a coroa do martírio.
2. Homem ou animal
Quando se morre, tudo está morto, diz a impiedade.
Sim, para os cães, os gatos, os burros; porém, tu és muito modesto se te meteres neste número.
Tu és um homem e não um animal. É curioso que alguém te deva lembrar disto.
Tu tens uma alma, capaz de refletir, de fazer o bem ou o mal e esta alma é imortal: os animais não têm alma racional.
O que faz o homem é a alma, isto é, o que pensa em nós, o que nos faz amar a verdade e amar o bem. É o que nos distingue dos animais.
Eis porque é uma injúria dizer a alguém: Tu és um animal, um burro, etc. É recusar-lhe a sua primeira glória: de ser homem.
Dizer, pois: quando morrer tudo está morto, é negar a alma e proclamar: Eu sou um bruto, um animal. E que animal?!
Valho menos que o me cão, pois corre mais depressa, dorme melhor, enxerga mais longe, tem mais faro do que eu, etc. Valho menos que o meu gato, que enxerga de noite, que não tem que se incomodar com a sua roupa e calçado. Numa palavra, eu sou uma pobre besta e o mais pobre dos animais.
Se isso te agradar, dize-o, crê-o, se tens a coragem, porém, permita que eu seja um pouco mais ufano e declare em alta voz que sou homem. (Mgr. De Segur)
(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 53 - 58)
Assinar:
Postagens (Atom)