19 de maio de 2010

Declaração sobre a Maçonaria - Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé

DECLARAÇÃO SOBRE A MAÇONARIA

Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo facto que no novo Código de Direito Canônico ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior.

Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério redacional seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.

Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.

Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçônicas com um juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, p. 240-241).

O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação.

Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de Novembro de 1983.

Joseph Card. RATZINGER
Prefeito

+ Fr. Jérôme Hamer, O.P.
Secretário

Fonte: Fratres in Unum

12 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Final

Final) Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.
Judas Macabeu, invicto condutor dos filhos de Israel, enquanto se procedia à sepultura dos soldados caídos em batalha, descobriu debaixo da roupa deles objetos idólatras, proibidos pela Lei, isto é, pelos mandamentos de Deus. Pôs-se então, a rezar com todos os que estavam ali presentes, para que aqueles pecados dos soldados mortos fossem perdoados. "E, tendo feito uma coleta, mandou doze mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifício pelos pecados dos mortos, crendo bem e religiosamente na ressurreição (porque se ele não esperasse que os que tinham sido mortos haviam um dia de ressuscitar, teria por coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); porque ele considerava que, aos que tinham falecido na piedade, estava reservada uma grandíssima misericórdia. É pois um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados" (2º Macabeus, 12, 43-46).
A oração é a preciosa chave que abre os tesouros das celestes misericórdias. Deve o cristão rezar não só por si, mas também por seus irmãos, especialmente pelos pecadores e pelos que mais necessitam. Deve rezar pelos vivos e pelos mortos e, de modo particular, pelas almas mais abandonadas do Purgatório.

Os nossos mortos esperam,
Sempre, com os olhos fixos
Como o mendigo que estende a mão,
Aquelas orações...
(Pascoli: "A minha moléstia").

Rezemos...
Rezemos pelos que dormem
No cemitério,
Quer sejam culpados ou inocentes,
Pois o mistério da morte
Só Tu o sabes, ó Deus!
(Fogazzaro: "A noite".

11 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 197

197) Sofrer com paciência as fraquezas do próximo.
Jó era um príncipe ilustre em todo o Oriente.
Havia-lhe Deus dado tudo o que o homem pode desejar na Terra: honras, riquezas, família numerosa ...
Querendo Deus, porém, provar-lhe a virtude, permitiu que ele perdesse os seus bens de fortuna. Pereceram depois trágicamente os seus filhos e, enfim, assaltou-o uma atroz moléstia, que o tornava insuportável a todos. Precisou transferir seu leito para um lugar infecto.
Certa vez, três de seus amigos vieram de longe para visitá-lo. Vendo-o tão deformado pela lepra, começaram a acusá-lo, dizendo-lhe que ele havia merecido de Deus todos aqueles infortúnios em castigo de seus pecados.
Jó, no entanto, sofreu tudo com paciência: a perda das riquezas, dos filhos, da saúde e mesmo as estultas acusações dos amigos desleais. Deus, como recompensa, restituiu-lhe a saúde, uma nova família e o dobro das riquezas que possuía antes.
Lembremo-nos que todos temos defeitos e que por isso, devemos compadecer-nos mútuamente. Trazemos o fardo de nossas misérias sobre nossos ombros mas, quando vemos os defeitos do próximo, esquecemo-nos dos nossos. Aprendamos de Jesus a doçura e a mansidão de trato e de coração.
"Procurai ser paciente, suportando os defeitos alheios" (Imitação de Cristo).

10 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 196

196) Perdoar as injúrias.
Com o auxílio de Deus, José, vendido por seus irmãos, tornou-se vice-rei do Egito.
Quando seus irmãos, levados pela fome, foram ao Egito à procura de trigo, a ele se apresentaram, sem reconhecê-lo. José, porém, reconheceu-os. Levado pela torrente de afeto que a eles o prendia, fêz com que todos saíssem da sala afim de dar-se a conhecer a seus irmãos. Levantou a voz chorando, no que foi ouvido pelos egípcios e pelos moradores da casa de Faraó. Disse em seguida aos irmãos: "Eu sou José, vosso irmão, a quem vós vendestes para o Egito. Não temais nem vos pareça ser coisa dura o terdes-me vendido para este país, porque para vossa salvação me mandou Deus adiante de vós para o Egito... E José beijou todos os seus irmãos, e chorou sobre cada um deles" (Gênesis,45, 4-15). Eis a vingança dos santos - o perdão!
Lembra-te que perdoar de coração aos que te ofenderam é mandamento expresso de Jesus: "Porque se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados" (Mateus, 6, 14-15).
Há meninos que guardam rancor de alguns companheiros que os ofenderam com palavras ou maneiras. Não está bem. O ensinamento de Jesus Cristo é este: "Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. E se pecar sete vezes no dia contra ti, e sete vezes no dia, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido: perdoa-lhe sempre" (Lucas, 17, 3-4).

9 de maio de 2010

Missa Tridentina em Curitiba: Sermão do Pe. Paulo Iubel no V Domingo depois da Páscoa (09/05/2010)

Pe. Paulo Iubel
Curitiba - Paróquia Imaculada Conceição
09/05/2010

Domingo das Rogações: Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo dará!

Tract. 102 in Joannem

Agora é oportuno tratar destas palavras do Senhor: Em verdade, em verdade vos digo que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará. Já foi dito nas partes anteriores desse sermão dominical, pelo bem daqueles que muito pedem ao Pai em nome de Cristo, sem receber, que não é pedido em nome do Salvador aquilo cujo fim é contra a salvação. Porque não é ao som das letras e sílabas, mas ao sentido do mesmo som e ao que dele honesta e verazmente se entende, que se referem as palavras: Em meu nome.

Donde se conclui que aquele que pensa em relação a Cristo aquilo que não é próprio de ser pensado em relação ao Filho único de Deus, este não pede em Seu nome, ainda que não deixe de pronunciar, com letras e sílabas, "Cristo", pois pede no nome daquele ser que ele imaginou, no qual pensa enquanto pede. Por outro lado, aquele que sente em relação a Ele aquilo que é próprio de ser sentido em relação a Ele, este pede em Seu nome, e recebe o que pede, se não pedir contra a sua eterna salvação. Recebe, porém, quando deve receber. Portanto, isso que ele pediu não lhe é negado, mas fica pendente até que chegue o tempo oportuno. Esta é a interpretação saudável das palavras: Dar-vo-lo-á: que se saiba que os benefícios significados por estas palavras são aqueles que pertencem propriamente àqueles que pedem. Serão atenditos, portanto, todos os Santos quando pedirem para si mesmos, mas nem sempre quando pelos seus amigos ou inimigos, ou quaisquer outros, porque não é dito simplesmente: Dará, senão: Dar-vo-lo-á.

Até agora, Ele diz, não haveis pedido nada em Meu nome. Pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja plena. Isso que Ele diz: Alegria plena, entenda-se que não é da alegria carnal, mas da espiritual que Ele diz, a qual, quando tanta for que não seja passível de ser aumentada, então sem dúvida será plena. Sendo assim, tudo aquilo que for pedido, que se refira a atingir essa alegria, isso deve ser pedido em nome de Cristo, se aspiramos à graça divina, se pedimos a vida bem-aventurada. Fora disso, tudo sendo pedido, não é pedido nada - não porque todas as coisas não sejam nada, mas porque, em comparação a isso, é nada tudo o que possa ser desejado.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 195

195) Consolar os aflitos.
No imortal romance "Os noivos", são célebres as figuras do Cardeal Frederico Borromeu e do Inominado.
O Inominado, depois de haver levado uma vida de grandes perversidades, acabou por atender à voz da divina graça. Encontrou no santo Arcebispo um amigo e um consolador, que o acolheu carinhosamente e o reconduziu ao perdão e à paz.
É maravilhosa a descrição de seu primeiro colóquio com o Arcebispo de Milão.
Desprendendo-se dos braços do Cardeal Frederico, exclamava o Inominado: "Deus verdadeiramente grande, Deus verdadeiramente bom! Agora me conheço, compreendo quem sou eu! As minhas iniquidades estão diante de meus olhos. Horrorizo-me de mim mesmo!
Todavia, sinto um refrigério, uma alegria que nunca provei nesta minha horrível vida" (A. Manzoni, "Os noivos", cap.XXIII).
São chamados aflitos os que se sentem oprimidos por dores físicas e morais, por desventuras e tribulações de todo o gênero. Foi Jesus quem nos ensinou a dizer plavras de conforto a essas almas atribuladas, para nelas reavivar a esperança cristã, infundindo-lhes coragem e resignação. Essa obra de caridade é bem rara mas é pródigamente recompensada por Deus.
Lembremo-nos aqui da exortação divina: "Não deixeis de consolar os que choram, e anda com os aflitos" (Eclesiástico, 7,38).

8 de maio de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 194

194) Castigar os que erram.
Narra o Santo Evangelho que "os escribas e os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher e disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi agora mesmo apanhada em adultério. Ora, Moisés na lei, mandou-nos apedrejar tais pessoas. Que dizes tu, pois? E diziam isto para O tentarem, a fim de O poderem acusar. Porém, Jesus inclinando-se, pôs-se a escrever com o dedo na terra. Continuando, porém, eles a interrogá-Lo, levantou-se, e disse-lhes: O que de vós está sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra.
E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Mas eles, ouvindo isto, foram-se retirando um após outro, começando pelos mais velhos; e ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. Então Jesus, levantando-se disse-lhe: Mulher, onde estão os que te acusam? Ninguém te condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Então disse Jesus: Nem eu te condenarei; vai, e não peques mais" (João, 8, 3-11).
Com que divina doçura sabia Jesus comover os corações! Corrigir significa: admoestar o próximo com mansidão e caridade, a tempo e a hora, com o intuito de conduzi-lo ao bem.
Quantas vezes uma boa palavra, fecundada pela graça de Deus, não é o princípio das mais santas resoluções!
"Seria de lastimar um cirurgião que, desapiedadamente deixasse um homem morrer, por não ter coragem de lhe curar uma chaga! Muitas vezes, uma advertência feita em momento oportuno é tão útil para a alma como um golpe de bisturi, dado certamente, para a saúde do corpo" (S. Francisco de Sales).