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11 de fevereiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 599

A ENTRADA DE S. PEDRO EM ROMA

Sob o reinado de Cláudio, no ano 42 de nossa era, um peregrino, coberto de pó e extenuado da longa caminhada, entrava em Roma pela porta Naval. Um filósofo romano, amigo de novidades, impressionado com o traje e os modos do estrangeiro, travou com ele o seguinte diálogo:
— Estrangeiro, de onde vens? Qual é o teu país?
— Venho do Oriente e pertenço a uma raça que vós detestais e expulsais de Roma. Meus compatriotas estão amontoados da outra banda do Tibre. Sou judeu nascido em Betsaida da Galiléia.
— Que é que te traz a Roma?
— Venho destruir o culto dos deuses que vós adorais, e fazer-vos conhecer o único Deus verdadeiro que não conheceis. Venho estabelecer uma religião nova, a única verdadeira, a única divina.
— Isto me parece coisa singular: estabelecer uma religião nova! A empresa é grande. Mas qual é esse Deus desconhecido, de que falas?
È o Deus que criou o céu e a terra. Um só Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus Pai enviou ao mundo seu único Filho, Jesus Cristo, que se fez homem sem deixar de ser Deus. Foi um pobre carpinteiro de aldeia, ao qual os inimigos suspenderam numa cruz em Jerusalém. É o Deus a quem todo o universo deve adorar.
— Por Júpiter! Tu deliras! Queres derrubar os altares de nossos deuses, que deram aos romanos o império do mundo, para fazeres adorar em lugar, deles a um Deus crucificado! Pode imaginar-se coisa mais absurda e mais ímpia?
— Não, não deliro. -Dentro em pouco vossos templos serão um montão de ruínas e, em Roma, não haverá mais que um só Deus: o Crucificado de Jerusalém.
— E que é que vens anunciar-nos da parte de um Deus tão estranho?
— A religião que prego parece ao homem uma loucura; obriga a inteligência a crer mistérios insondáveis; e o coração a domar paixões. Condena os vícios que têm templos nesta cidade e impõe a prática das mais difícéis virtudes: a humildade, a castidade, a caridade, a abnegação.
— E que prometes ao sequazes de tua religião?
— Aqui na terra terão que suportar, lutas, privações, sofrimentos; devem estar decididos a antes sacrificar tudo que apostatar da fé. E no céu terão a recompensa.
— Se os romanos renunciarem às delícias da vida para abraçarem essa religião tão austera; se trocarem os bens presentes pelos que lhes prometes sobre as nuvens, eu te considerarei um Deus.
— Por mim não sou nada, mas aquele que me envia é misericordioso. Venho em seu nome ensinar as nações.
— Deuses imortais! Jamais homem algum sonhou com semelhante projeto: estabelecer uma religião de tal natureza em Roma, no centro da civilização e das luzes! Queres fazer adorar a um galileu! crucificado! Que loucura! Quem és tu para sonhares com tais empresas?
— Vês ali na praia aqueles pescadores? Aquele é o meu oficio. Para ganhar o pão remendei redes e pesquei nos lagos de minha terra...
— Mas de que meios dispões para impor ao mundo tuas ideias. Tens, porventura, soldados mais numerosos e mais valentes que os de César?
— Nós somos apenas doze, espalhados por todos os povos e Ele nos envia como ovelhas para o meio dos lobos. Não tenho outra arma senão esta cruz de madeira.
— Possuis acaso imensos tesouros para reunir, discípulos?
— Não tenho nem ouro nem prata; não tenho mais que esta túnica que me cobre.
— Neste caso confias em tua eloquência... Dize-me: Quanto tempo estudaste com os retóricos de Atenas ou de Alexandria a arte de persuadir os homens?
— Ignoro essas coisas. Não frequentei outra escola que a do carpinteiro, meu mestre e senhor, e não sei nada fora da santa Religião que Ele me ensinou.
— Mas esperas que os imperadores, os magistrados, os governadores de províncias, os ricos e os sábios patrocinem a tua empresa?
— Não; toda a minha esperança está em Deus. Como poderia contar com os ricos, com os sábios, com os Césares? Ordeno aos ricos que desprezem as riquezas; aos sábios, que submetam sua razão ao jugo da fé; ao César, que abdique sua dignidade de grande Pontífice, e acate as ordens daquele que me envia.
— Sendo assim, é fácil prever que tudo estará contra ti. E que pretendes fazer então?
— Morrer numa cruz; meu divino Mestre mo predisse.
— Realmente, isso é o mais provável de tudo que me acabas de dizer. Morrerás numa cruz e, contigo, a tua loucura! Adeus!...
O romano vai repetindo pelo caminho: Pobre louco!
Pedro beija sua cruz de madeira e entra em Roma. Um dia, morre numa cruz como era fácil prever... Mas o mundo conhece a Cristo, o soberano do universo que coloca em Roma, na Roma eterna, a sede de seu império.

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