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6 de fevereiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 592 a 595

HISTÓRIA DOS PRIMEIROS CAPUCHINHOS

1. Uma noite de carnaval, os religiosos convidaram a Bernardino d’Asti, ex-superior geral, a tomar com eles a refeição daquele dia. Bernardino respondeu: — Aceito o convite, não para cear, mas para dar-vos um pouco de consôlo; estarei à mesa e vos direi algumas palavras espirituais, a fim de que, recreando-se o corpo, faça também o espírito um pouco de carnaval. E, vindo à mesa, começou a falar da glória do paraíso de modo tão elevado que ficamos todos admirados. Tendo terminado essas elevações, disse: Quero que vos alegreis também corporalmente com um bom riso. E contou-nos o episódio de um burgomestre e de um bispo alemão, que falava latim. Foi assim. O bispo, numa visita, disse ao burgomestre: Volo comédere módicum (quero comer, moderadamente). Aquele senhor, não entendendo bem o latim e tendo um jumentinho novo, que atendia pelo nome de Módico, embora com muito pesar mandou assar o pobre burrinho para o jantar do bispo. Os frades riram-se bastante e com isso terminou a ceia...
 
2. Boaventura de Monreale nunca se esquecia de rezar cada dia o Oficio dos Defuntos e não raro também os sete Salmos. E, quando encontrava alguns clérigos a cavaquear, ia logo dizendo-lhes: — Filhos, não temos tempo a perder; já destes de comer aos mortos? Se lhes respondiam que não, acrescentava logo: — Ah! sim, e vós tendes comido e muito bem!... E sem mais entoava o De profundis ou o Oficio pelos defuntos.

3. Um humilde frade habituara-se à dar aos pobres todos os pedaços de pão que restavam da mesa do convento. Ora, parecendo ao P. Guardião que nisso o frade exagerava, disse-lhe que fosse mais moderado em fazer esmolas. Entretanto, o servo de Deus era tão compassivo que, vendo aumentar o número de pobres, não podia deixar de dar-lhes esmola. Aconteceu certa vez que, levando no avental com que estava cingido uma quantidade de pedaços e também de meios pães, encontrou-se com o P. Guardião, que lhe disse:
— Fazeis esmolas demais! Que é que levais no avental?
— São rosas frescas, P. Guardião — respondeu.
— Rosas, não; são pães.
Ao que o servo de Deus respondeu:
— São rosas que no coração do inverno o Supremo Criador criou para corrigir em parte a nossa avareza, uma vez que tão pouco confiamos em sua bondade.
E, abrindo o avental, aquilo que antes eram realmente pães o Senhor Deus convertera em fresquíssimas rosas.
Vendo aquilo, o Guardião, cheio de respeito e admiração, ajoelhou-se aos pés do servo de Deus, confessou sua culpa e disse:
— Daqui em diante, meu Padre, tendes licença para dar aos pobres quanto quiserdes!

4. Bernardo de Assis não queria levar nada para as viagens com o propósito de observar a Regra ao pé da letra, como foi sempre o seu maior. empenho. E uma vez, achando-se em Montemalbe e devendo ir às ordenações com outros clérigos, como era tempo de jejum e iam partir muito cedo, todos se proveram de pão para comerem na viagem, quando fosse hora, menos ele. Voltando-se para Frei Bernardo, disseram-lhe:
— Leve também um pouco de pão, que do nosso não lhe daremos.
Respondeu Frei Bernardo que nao era assim que mandava o Evangelho, mas o contrário disse Nosso Senhor aos seus Apóstolos: Nihil tuléritis in via... e nós o prometemos.
Rindo-se daquela resposta, disseram-lhe os companheiros:
— Já veremos, quando chegar a hora de comer... Nosso Senhor diz que não o tentemos; podendo prover-nos humanamente, não devemos esperar milagres. Se lhe faltar o pão, o prejuízo é seu...
Respondeu Frei Bernardo:
— Oh! isso é que eu quero ver, que Nosso Senhor me deixe sem pão... — E, partindo, nao quis levar nada. Mas na viagem, sobrevindo a todos a fome, cada um foi se assentando, e um dizia ao outro:
— Que comerá Frei Bernardo?
Ele respondeu:
— Logo vereis o que eu vou comer.
E lançando um olhar, viu não longe do caminho um rancho, que ninguém diria que fosse habitado. Lá foi Frei Bernardo, bateu palmas e logo apareceu um homem que lhe deu quatro pães dos quais se afirmou que, em toda a cidade de Perúgia, jamais se viram tão lindos e saborosos. Frei Bernardo, voltando para junto dos companheiros, com grande alegria assentou-se também e pôs-se a comer o pão que o Senhor Deus tão misericordiosamente lhe havia mandado.
E todos viram naquilo um milagre, pois Nosso Senhor não permitiu ficasse defraudada a fé daquele que com tamanha simplicidade o servia.

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