21 de setembro de 2009

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 1

Foram estas palavras que Jesus disse a seus discípulos, quando estes afastavam e repeliam as crianças, que para Ele se dirigiam sorridentes.
Jesus Cristo é o grande amigo das crianças e gosta da sua inocência.
Por isso, durante os anos que passou na Terra, queria que elas estivessem sempre ao seu lado. Ele mesmo as procurava, para abraçá-las e abençoá-las.
Desde aquele tempo tem sido inúmeros os amiguinhos de Jesus Cristo e constituem mesmo uma verdadeira legião! Sabem mostrar-lhe que muito O amam, rezando, praticando boas obras e oferecendo-Lhe sacrifícios.
Tú também amas Jesus Cristo, não é mesmo?
Mas para amá-Lo, como deves, precisas conhecê-Lo. Nas aulas de catecismo já começaste a conhecer Jesus Cristo e todas as coisas lindas e santas que a Doutrina Católica ensina. Para que essas verdades divinas fiquem impressas em teu coração, ofereço-te, caro amiguinho(a), estas publicações, onde encontrarás perguntas, que tu irás decorá-las para melhor compeender as verdades e delas nunca te esqueceres.
Garanto que a infinita beleza da religião Católica vai encantar-te. Sentirás alegria pensando que tua fé não é só professada por milhões de homens, mas que já o tem sido assim através dos séculos.
Os mártires consagraram-na com seu sangue e foi ela a inspiradora dos feitos imortais de nossos antepassados.
As verdades da nossa fé são deslumbrantes e possuem o poder de atrair e convencer as almas de boa vontade.
"Jesus é o único Mestre que tem palavras de Vida eterna" (João, 6, 69)

1) Quem nos criou?
Foi Deus que nos criou.
Muitos anos antes do nascimento de teu pai, de teu avô e de todos os homens e mesmo antes de se formar a Terra onde vivemos, já existia Deus.
Contempla o céu numa noite serena: cintilam as estrelas, a lua parece uma barquinha de prata, navegando no espaço. Olha depois o mar imenso, as montanhas cobertas de mata virgem, as florinhas dos campos, os passarinhos no ar, os peixes na água, os animais grandes e pequenos: o leão, o boi, o carneirinho. Em outros tempos nada disto havia. Deus, por ser muito bom, quis dar a todos os seres que hoje existem um dom precioso: o dom da existência.
E Deus disse: Faça-se tudo. E tudo foi feito.
Tudo o que vês, tanto as coisas grandes como as pequenas, saíram das mãos onipotentes de Deus.
Depois de haver criado todos os seres visíveis, Deus criou o primeiro homem e a primeira mulher, que se chamaram Adão e Eva. Foram os nosso primeiros pais.
Assim como Adão e Eva, agora também nós adoramos a Deus nosso Criador e Lhe damos graças por todos os dons que nos concedeu.
Com muito empenho entreguemo-nos ao estudo de todas as verdades de nossa religião, pensando "que tal estudo está intimamente ligado a todos os progressos da inteligência" (Diderot).
"Bem-aventurado o homem que com prazer se aplica ao estudo da lei do Senhor e nela medita dia e noite" (Salmo I, 2)

20 de setembro de 2009

Da Vida Perfeita - S. Gregório de Nissa

S. Gregório de Nissa, Vida de Moisés

Pediste-me, meu querido, que te trace um esboço de qual é a vida perfeita, com a intenção evidente de aplicar a tua própria vida – se o que procuras se encontra em minha resposta – a graça indicada por minhas palavras. Sinto-me igualmente incapaz destas coisas: confesso que se encontra acima de minhas forças tanto o definir com palavras em que consiste a perfeição, como o mostrar em minha vida o que o espirito entende dela. Talvez não só eu, mas também muitos dos grandes e avançados na virtude confessarão que uma coisa assim também não é alcançável para eles. Explicarei com a maior clareza o que estou tentando dizer, para não parecer, dizendo-o com as palavras do Salmo, que tenho temor onde não deve haver temor (Sal 13, 5).

Em todas as coisas pertencentes à ordem sensível, a perfeição está circunscrita por alguns limites, como sucede com a quantidade contínua ou descontínua. Com efeito, tudo aquilo que se pode medir quantitativamente se encontra em limites bem definidos, e alguém que considere um pedaço ou o número dez sabe bem que, para essas coisas, a perfeição consiste em ter um começo e um fim. Por outro lado, com relação à virtude, aprendemos com o Apóstolo que o único limite de perfeição consiste em não ter limite.

Aquele divino Apóstolo, grande e elevado de pensamento, correndo sempre pelo caminho da virtude, jamais cessou de se lançar para a frente, pois lhe parecia perigoso deter-se na corrida. Por que? Porque todo o bem, pela própria natureza, carece de limites, e só é limitado pela presença de seu contrário, como a vida é limitada pela morte e a luz pelas trevas; em geral, tudo aquilo que é bem tem seu fim naquilo que é considerado o oposto do bem. Assim como o fim da vida é o começo da morte, assim também o deter-se na corrida pela virtude é o princípio da corrida ao vício.

Por este motivo, não nos enganava nosso raciocínio ao dizer que, no que diz respeito à virtude, é impossível uma definição da perfeição, já que demonstramos que tudo que se encontra demarcado por alguns limites não é virtude. E como eu disse que para aqueles que vão atras da virtude é impossível alcançar a perfeição, esclarecerei meu pensamento com relação a esta questão.

O Bem em sentido primeiro e próprio, aquele cuja essência é a Bondade, esse mesmo é a Divindade. Esta é chamada com propriedade – e é realmente – tudo aquilo que implica sua essência. Como já foi demonstrado que a virtude não tem mais limite alem do vício, e foi demonstrado também que na Divindade não cabe o que é contrário, conclui-se consequentemente que a natureza divina é infinita e ilimitada. Portanto, quem busca a verdadeira virtude não busca outra coisa senão Deus, já que Ele é a virtude perfeita. Com efeito, a participação do Bem por natureza é completamente desejável para quem o conhece, e, alem disso, o Bem é ilimitado; segue-se, pois, necessariamente que o desejo de quem busca participar dele é coextensivo com aquilo que é ilimitado, e não se detém jamais.

Portanto, é impossível alcançar a perfeição, pois, como já dissemos, a perfeição não está circunscrita por nenhum limite; o único limite da virtude é o ilimitado. E como poderá alguém chegar ao limite prefixado, se este limite não existe? Porem o fato de havermos demonstrado que o que buscamos é totalmente inatingível, não justifica que se possa descuidar do preceito do Senhor, que diz: Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste. (...) Deve-se portanto, pôr todo ardor em não estar privado da perfeição possível e, em conseqüência, em alcançar dela tanto quanto sejamos capazes de receber em nosso interior. Talvez a perfeição da natureza humana consista em estar sempre dispostos a conseguir um maior bem.

18 de setembro de 2009

Matrimônio Cristão - Católico - 8ª Parte

Constituição "Populis ac nationibus", 25 jan. 1585

O privilégio paulino

Para com os povos e as nações que, há pouco tempo, (saindo) do erro do paganismo se converteram à fé católica, é conveniente usar de indulgência no tocante à liberdade de contrair matrimônio, para não acontecer que os homens, minimamente habituados a guardar a continência, por esta razão perseverem na fé com menos agrado e por seu exemplo detenham outros de abraçá-la.
Ora, como muitas vezes acontece que muitos infiéis de ambos os sexos, mas sobretudo do masculino, depois que contraíram matrimônio no rito pagão... feitos prisioneiros pelos inimigos, são desterrados dos territórios pátrios e dos próprios cônjuges para regiões muito longínquas, a tal ponto que, quer os prisioneiros, quer os que permanecem na pátria, ao se converterem mais tarde à fé, não podem, separados por tamanha distância territorial, consultar convenientemente os cônjuges não-crentes se querem coabitar com eles sem ofensa ao Criador, seja porque nem sequer os mensageiros têm acesso àquelas províncias hostis e bárbaras, seja porque ignoram completamente a que regiões foram banidos, seja porque a distância da viagem comporta gande dificuldade: por este motivo, Nós, considerando que tais matrimônios contraídos entre não-crentes são tidos como verdadeiros, sim, mas não a tal ponto ratificados que não possam ser desfeitos por convincente necessidade, concedemos ... aos Ordinários dos lugares e aos párocos ... a faculdade de dispensar [quanto à interpelação] todos os fiéis cristãos de ambos os sexos que são habitantes das referidas regiões e que, tendo contraído matrimônio antes de serem batizados, depois se converteram à fé, para que cada um deles, embora ainda viva o cônjuge não-crente, e sem requisitar de modo algum seu consentimento ou sem esperar resposta, possam contrair matrimônio com qualquer fiel - inclusive de outro rito - e celebrá-lo solenemente diante da Igreja e, depois de consumado pela cópula carnal, permanecer licitamente no matrimônio enquanto viverem; contanto que conste, ainda que sumária e extrajudicialmente, que o cônjuge ausente, como se disse antes, não pode ser consultado legitimamente ou, consultado, não expressou sua vontade no prazo prefixado no aviso; decretamos que estes matrimônios, também se mais tarde ficar sabido que os anteriores cônjuges não-crentes, justamente impedidos, não puderam declarar sua vontade e, até, já se tinham convertido na época em que foi contraído o segundo matrimônio, não obstante isso, nunca devem ser rescindidos, mas são válidos e firmes, e a prole daí (oriunda) deve ser considerada legítima.

15 de setembro de 2009

Matrimônio Cristão - Católico - 7ª Parte

Carta "Deessemus nobis" ao bispo de Mottola (Taranto), 16 set. 1788

A competência da Igreja no âmbito do matrimônio

Nós não ignoramos que há alguns que, concedendo demais à autoridade dos príncipes seculares e interpretando de modo capcioso as palavras deste cânon [Concílio de Trento, sessão 24ª, O matrimônio, cân. 12], começaram a sustentar que, já que os Padres tridentinos não usaram esta fórmula: "só dos juízes eclesiásticos", ou "todas as causas matrimoniais", deixaram aos juízes leigos o poder de instruir ao menos as causas matrimoniais que são de mero fato.
Mas sabemos que também este raciocínio capcioso e este modo falso de sofismar está desprovido de todo fundamento. As palavras do cânon são, de fato, tão gerais que compreendem e abraçam todas as causas. O espírito e o sentido da lei, pois, se estende de modo tão amplo que não deixa nenhum espaço para exceção ou limitação. Se portanto estas causas pertencem ao julgamento tão somente da Igreja, por nenhuma outra razão senão porque o contrato matrimonial é verdadeira e propriamente um dos sete sacramentos da lei evangélica, como esta qualidade de sacramento é comum a todas as causas matrimoniais, todas estas causas devem ser reservadas exclusivamente aos juízes eclesiásticos.

10 de setembro de 2009

Matrimônio Cristão - Católico - 6ª Parte

Resposta do S. Ofício a missionários capuchinhos, 23 jul. 1698

O matrimônio como contrato e sacramento

Pergunta: Entre apóstatas da fé, anteriormente validamente batizados, um matrimônio concluído publicamente, depois da apostasia, segundo o costume dos pagãos ou dos maometanos, é verdadeiramente matrimônio e sacramento?
Resposta: Se existir o pacto de dissolubilidade, não é matrimônio e nem sacramento; se ao invés, isto não existe, é matrimônio e sacramento.

8 de setembro de 2009

O Céu Aberto pela prática das Três Ave-Marias

O Céu aberto pela prática das Três Ave-Marias


Um dos meios de salvação mais eficaz e um dos sinais mais seguros de predestinação é, indubitavelmente, a devoção à Santíssima Virgem. Todos os Santos Doutores da Igreja são unânimes em dizer com Santo Afonso Maria de Ligório: “Um servo devoto de Maria nunca perecerá.”
O mais importante é perseverar fielmente nesta devoção até à morte.
Haverá prática mais fácil ou mais adaptável a todos que a recitação diária das três Ave-Marias, em honra dos privilégios outorgados à Santíssima Virgem pela Trindade Adorável?
Um dos primeiros a rezar as três Ave-Marias e a recomendá-las aos outros foi o ilustre Santo António de Lisboa. O Seu objetivo especial nesta prática foi honrar a Virgindade sem mácula de Maria e guardar uma pureza perfeita da mente, do coração, e do corpo no meio dos perigos do mundo. Muitos, como ele, têm sentido os seus efeitos salutares.
Mais tarde, o célebre missionário São Leonardo de Porto Mauricio rezava as três Ave-Marias, de manhã e à noite, em honra de Maria Imaculada, para obter a graça de evitar todos os pecados mortais durante o dia, ou durante a noite. Além disso, prometeu de um modo especial a salvação eterna a todos aqueles que permanecessem fiéis a esta prática.
Depois do exemplo daqueles dois grandes Santos Franciscanos, Santo Afonso Maria de Ligório adotou esta prática piedosa e deu-lhe o seu apoio entusiástico e poderoso. Não só a aconselhava, como a impunha em penitência àqueles que não tivessem adotado este bom costume.
O Santo Doutor exorta, em particular, os padres e confessores a velarem cuidadosamente para que as crianças sejam fiéis em rezar diariamente as suas três Ave-Marias, de manhã e à noite. E, melhor ainda, São Leonardo de Porto Mauricio recomendava a todos esta santa prática: “aos piedosos e aos pecadores, aos jovens e aos velhos”.
Até as pessoas consagradas a Deus obterão desta prática muitos frutos preciosos e salutares. Exemplos numerosos demonstram que agradáveis são à Mãe de Deus as três Ave-Marias e que graças especiais obtêm, durante a vida e à hora da morte, para aqueles que nunca as omitem todos os dias, sem exceção.
Esta prática foi revelada a Santa Matilde (Século XIII) com a promessa de uma boa morte se fosse fiel a ela todos os dias.
Está escrito também nas revelações de Santa Gertrudes: “Enquanto esta Santa cantava a Ave-Maria nos cantos matinais da Anunciação, viu subitamente três chamas brilhantes brotar do Coração do Pai, do Filho e do Espírito Santo, as quais penetraram o Coração da Santíssima Virgem”. E logo escutou as seguintes palavras: “Depois do Poder do Pai, da Sabedoria do Filho e da Ternura misericordiosa do Espírito Santo, nada se aproxima do Poder, da Sabedoria e da Ternura misericordiosa de Maria”.
Sua Santidade Bento XV elevou a Confraria das Três Ave-Marias a uma Arquiconfraria, outorgando-lhe indulgências preciosas com o poder de unir, assim, todas as Confrarias do mesmo tipo, e comunicar-lhes as suas próprias indulgências.
Prática: Reze, de manhã e à noite, três Ave-Marias em honra dos três grandes privilégios de Nossa Senhora, seguidas desta invocação: de manhã - “Ó minha Mãe, livrai-me do pecado mortal durante este dia,”; à noite - “Ó minha Mãe, livrai-me do pecado mortal durante esta noite”.

NOSSA SENHORA DA LUZ, PADROEIRA DE CURITIBA

Padroeira de Curitiba

Devoção mariana, nascida de milagre em Portugal, floresce no Brasil
Valdis Grinsteins

Neste mundo neopagão em que vivemos, os homens não entendem o modo de agir divino: se Deus nos prova nesta vida, visa premiar-nos na vida eterna, caso sejamos fiéis. Assim, a história da devoção mariana narrada a seguir nasceu de uma provação, da terrível prova da escravidão.

Pero Martins era um português pobre da vila de Carnide. Dedicava-se à agricultura pelo início do século XV. Tendo trabalhado no sul de Portugal, conheceu Inês Anes, uma moça dona de algum patrimônio com a qual casou. Voltou à sua vila natal e lá levava uma existência tranqüila com sua esposa. Vida ideal segundo muitos... mas não segundo Deus, que desejava muito mais do nosso bom português.
A provação despontou em seu caminho. Caiu ele prisioneiro dos mouros da África. Teria ele participado de alguma das numerosas expedições lusas à África ou sido seqüestrado pelos piratas muçulmanos que saqueavam as costas portuguesas? Não o dizem as crônicas. O fato é que esteve prisioneiro na África.

Que queda espetacular! Passar de senhor de si e de outros, alimentando-se bem, rodeado do carinho de sua família, trabalhando num clima agradável, e sobretudo confortado facilmente pelos auxílios da Religião verdadeira, a católica, para a tristíssima condição de escravo, obrigado a trabalhar num campo alheio, sob clima atroz, para alimentar um grupo de seqüestradores, sem segurança de nenhuma espécie, alheio a todo carinho e compaixão. Exposto a morrer a qualquer momento, sem ter perto um padre para o ajudar a viver e morrer bem e assim poder se apresentar diante do terrível tribunal divino, no qual a sentença é nada menos do que a bem-aventurança eterna ou o inferno eterno!

Realmente, isso é que é prova! Quantos anos durou? Ninguém sabe, mas provavelmente foi um bom tempo. Procurou-se resgatar Pero Martins de seu cativeiro, mas dadas as miseráveis comunicações do tempo, especialmente entre povos inimigos, não se conseguiu pagar o resgate. Assim, teve ele que continuar prestando “serviços” a seus cruéis amos.

Já transcorria o ano de 1463 e nenhuma esperança humana restava ao infeliz cativo. O que fazer nessa terrível circunstância? Abandonar a Fé católica, o que lhe traria a libertação quase automática? Loucura! Seria trocar poucos anos de vida, ainda que em liberdade, por uma eternidade infeliz – o pior negócio desta vida.

Solução milagrosa para situação insolúvel

Pero Martins rezou a Maria Santíssima, a Qual decidiu solucionar sua situação de forma a evidenciar que remove todos os obstáculos postos pelos homens. A Mãe de Deus apareceu-lhe em sonhos durante 30 noites consecutivas e prometeu-lhe que na última noite, ao acordar, estaria em Carnide, sua cidade natal. Acrescentou que, ao chegar ali, deveria buscar uma imagem Sua que fora escondida perto da fonte do Machado, num local que lhe seria indicado por uma Luz. Nossa Senhora pediu, além disso, que construísse uma ermida no lugar em que encontrasse a imagem.

Indescritível a alegria do bom português ao acordar e encontrar-se de volta em sua terra! Parecia mentira! Sair da terrível escravidão de forma tão fácil, só porque Ela, a Rainha do Céu e da Terra, assim o quis! Tomado de emoção, Pero Martins pôs-se imediatamente a procurar a Imagem que Nossa Senhora lhe pedira para encontrar. Não foi difícil que lhe dessem notícias dela, porque já há algum tempo começara a aparecer sobre a fonte do Machado uma luz misteriosa, cuja origem ninguém conseguia descobrir. Até de Lisboa, a capital, curiosos apareceram para ver tão estranho fenômeno.

Saiu então Pero de noite, acompanhado de seu primo Lopo Simões, para procurar a imagem. Ao chegar à fonte viram a Luz, a qual começou a se mover na frente deles. Seguiram-na até parar no meio do matagal, sobre umas pedras. Os dois primos removeram as pedras e encontraram uma imagem de Nossa Senhora, tal como a Virgem havia descrito nos sonhos.

Nasceu assim a devoção a Nossa Senhora da Luz, para a qual foi construída uma ermida e depois uma magnifica igreja no local da aparição.

A nova devoção mariana transfere-se ao Brasil

Menos de 40 anos haviam transcorrido desse fato prodigioso, quando a frota de Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. E, junto com a Religião católica, vieram ao Brasil as devoções mais correntes em Portugal.

Em 1580 já existia em São Paulo uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Luz, transferida em 1603 para o atual bairro da Luz, onde se encontra o Mosteiro concepcionista no qual está enterrado o bem-aventurado Frei Galvão. No Rio de Janeiro havia igualmente um santuário, cuja imagem encontra-se hoje na Matriz do Alto da Boa Vista.

Padroeira de Curitiba

Mas foi especialmente em Curitiba onde Nossa Senhora quis mostrar que sua bondade se estendia à nação filha de Portugal, libertando os pobres índios pagãos, escravos dos pecados e dos vícios.

Por volta de 1650 existia uma capela dedicada a Nossa Senhora da Luz, perto do rio Atuba, no atual Estado do Paraná. Os habitantes do local notaram com surpresa que, pelas manhãs, a imagem tinha sempre os olhos voltados para uma região com muitos pinheiros, ou pinhais – Curitiba, em idioma indígena –, onde dominavam os ferozes índios caingangues. De tal modo o olhar da imagem nessa direção era insistente, que os habitantes decidiram desbravar a região. Para isso, armaram-se e penetraram no local, decididos a lutar e dominar os selvagens.

Nossa Senhora da Luz apazigua indígenas

Em vez do previsível combate, o que ocorreu foi a acolhedora recepção oferecida pelo cacique Gralha Branca, ou Araxó. Os índios concordaram em ceder amigavelmente o terreno aos desbravadores, e o cacique tomou sua vara, símbolo do mando, enterrando-a no local que viria a ser a praça central da futura cidade. Muito simbolicamente, dita vara, ao chegar a primavera, voltou a desabrochar, dando galhos e flores. Nesse local – hoje Praça Tiradentes – foi erguida a igreja em honra a Nossa Senhora da Luz.

Com o tempo a cidade cresceu, de tal modo que foi necessário edificar novo templo. Foi então construída a bela Catedral neogótica que hoje conhecemos. É pena, porém, que a imagem original da Padroeira, feita de terracota, não permaneceu na nova Catedral encontrando-se até hoje no Museu paranaense.

_____________

Bibliografia:
Edesia Aducci, Maria e seus gloriosos títulos, Ed. Lar Católico, 1958.

NilzaBotelho Megale, Cento e doze invocações de Virgem Maria no Brasil, Ed. Vozes, Petrópolis 1986.

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/7C17D7BB-A484-87B1-0A2E04A3AA757B7F/mes/Setembro1999

3 de setembro de 2009

Matrimônio Cristão - Católico - 5ª Parte 2/2

b) Cânones de reforma a respeito do matrimônio: Decreto "Tametsi"

Cap. 1. [Motivo e teor da lei] A Santa Igreja de Deus sempre detestou e proibiu, por justíssimas causas, os casamentos clandestinos, embora não se deva duvidar que, realizados com o livre consentimento dos contraentes, sejam matrimônios ratos e verdadeiros, enquanto a Igreja não os tenha anulado; e, por conseguinte, com razão devem ser condenados, como o santo Sínodo com anátema condena, os que negam que sejam verdadeiros e ratos, e também os que afirmam erroneamente que os matrimônios contraídos pelos filhos da família sem o consentimento dos pais são nulos, e que os pais podem torná-los ratos ou nulos.
Todavia, como o Santo Sínodo observa que aquelas proibições, devido à desobediência dos homens, já não adiantam e pondera os graves pecados que tem origem nesses casamentos clandestinos, principalmente daqueles que permanecem em estado de condenação, enquanto, abandonando a esposa anterior com a qual haviam contraído às escondidas, contraem publicamente com outra e vivem com ela em perpetuo adultério; como a Igreja, que não julga sobre o oculto, não pode remediar a esse mal, a não ser empregando um remédio mais eficaz, por estas razões, seguindo as pegadas do sagrado [IV] Concílio do Latrão celebrado sob Inocêncio III, ordena que no futuro, antes que se contraia matrimônio, seja publicamente proclamado três vezes, pelo pároco próprio dos contraentes, em três dias festivos subseqüentes, na Igreja, durante a celebração da Missa, entre quem deverá ser contraído matrimônio; feitas as proclamas, se não se apresenta nenhum impedimento legítimo, proceda-se à celebração do matrimônio em presença da Igreja, na qual o pároco, interrogados o varão e a mulher e entendido seu mútuo consentimento, diga: "Eu vos uno em matrimônio, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", ou use de outras palavras, segundo o rito aceito em cada província.
[Restrições da lei] Se casualmente se suspeite que o matrimônio, precedendo tantas proclamas, possa ser impedido de má fé, então se faça só uma proclama ou, ao menos, se celebre o matrimônio na presença do pároco e duas ou três testemunhas; depois, antes de sua consumação, façam-se as proclamas na Igreja, para que, havendo eventuais impedimentos ocultos, mais facilmente sejam descobertos; a não ser o próprio Ordinário julgue ser conveniente que se omitam as citadas proclamas, o que o santo Sínodo deixa a sua prudência e juízo.
[Sanção] Os que tentarem contrair matrimônio de outro modo que na presença do pároco - ou de outro sacerdote, autorizado pelo pároco ou pelo Ordinário - e de duas ou três testemunhas, o santo Sínodo os torna totalmente inábeis para assim contraírem e decreta que tais contratos são írritos e nulos, como pelo presente decreto os faz írritos e os anula.