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13 de abril de 2020

A ALMA DE TODO APOSTOLADO

J. B. Chautard

Parte 4/8

Segunda Etapa. O homem sobrenatural é escravo do dever; por isso é que ele, avaro do seu tempo, ordenadamente o distribui vivendo conforme um regulamento. Compreende que, sem isso, a sua vida é vida de naturalismo, vida cômoda e caprichosa, do levantar ao deitar.
O homem de obras, sem base sobrenatural, não tarda em experimentá-lo. A falta de espírito de fé no emprego do tempo leva-o a pôr de parte sua leitura espiritual. Por outro lado, se ainda lê, já não estuda. Preparar durante a semana inteira a homilia do domingo, era bom para os padres da Igreja. A não ser que a sua vaidade esteja em jogo, ele prefere improvisar, e sai-se sempre tão bem. . . assim pelo menos pensa. Aos livros, prefere as revistas. Nenhum método mais, nenhuma perseverança. Borboleteia. Desperdiça as horas livres, cuida demasiadamente em procurar distrações e assim se vai furtando à lei do trabalho, a essa grande lei de preservação, de moralização e de penitência.
Considera molesto e puramente teórico tudo oque estorva sua liberdade de movimentos. Não lhe chega o tempo para tantas obras e obrigações sociais e até para o que julga necessário à sua saúde e às suas recreações. Realmente, diz-lhe Satanás, consagras tempo demasiado aos exercícios de piedade: meditação, ofício, missa, atos do ministério. É necessário cortar o supérfluo. E começa invariavelmente por abreviar a meditação, por fazê-la irregularmente e talvez até chegue pouco a pouco, ai! a deixá-la de todo. Como  já se acostumou a deitar-se bastante tarde, ele lá sabe por que, logicamente cada vez mais vai abandonando o ponto indispensável para permanecer fiel à oração - levantar-se à hora certa. Ora, na vida ativa, abandonar a meditação, ou reduzi-la à duração de dez a quinze minutos equivale a render-se ao inimigo. Algumas pessoas atribuem a Santa Teresa o dito seguinte: "Dai-me alguém que faça diariamente um quarto de hora de oração e lhe darei o céu". Ignoramos até que ponto é autêntico este dito, mas a nossa experiência de almas sacerdotais ou religiosas consagradas às obras leva-nos a crer que um obreiro apostólico que não se obrigue a meia hora pelo menos de meditação e de meditação metódica, séria, concluída com uma resolução leal, baseada na desconfiança de si mesmo e na confiança na oração, de praticar nesse mesmo dia atos custosos relativos a um vício a combater ou a uma virtude a adquirir, cai fatalmente na tibieza da vontade.
Evidentemente já se não trata de evitar imperfeições. São os pecados veniais que pululam. A impossibilidade em que a alma se abisma de velar pela guarda do coração oculta à consciência a maior parte dessas faltas: a alma pôs-se em estado de já não ver. Como poderá combater o que já não distingue como defeituoso? A doença de languidez vai já bastante adiantada. É esta é a consequência da segunda etapa, a qual é caracterizada pelo abandono da meditação e de qualquer regulamento.

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