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24 de abril de 2020

A ALMA DE TODO APOSTOLADO

J. B. Chautard

Parte 7/8

A esta desordem na inteligência corresponde o desregramento na imaginação. Nenhuma potência carece mais de repressão do que esta. E nem sequer se cuida em refreá-la. Por isso ela, vendo-se de rédea solta, parte em carreira desabalada. Corre para todos os extravios, para todas as loucuras. A supressão progressiva da mortificação da vista permite que essa doidinha encontre pábulo abundante, um pouco por toda parte.
A desordem segue o seu curso. Da inteligência e da imaginação, desce até as afeições. O coração já somente se alimenta de quimeras. Que sucederá a este coração dissipado, que já quase se não inquieta com o reinado de Deus nele e que se tornou insensível aos entretenimentos com Jesus, à poesia sublime dos mistérios, às belezas severas da liturgia, aos apelos e aos atrativos do Deus da Eucaristia, numa palavra, um coração insensível às influências do mundo sobrenatural? Irá acaso reconcentrar-se em si mesmo? Seria isso um suicídio. Não! ele carece de afeição. Não encontrando mais a felicidade em Deus, há de amar as criaturas. Fica à merce da primeira ocasião e lança-se nela desatinadamente, imprudentemente, quiça sem nenhum respeito pelos votos mais sagrados, nem pelo interesse supremo da Igreja, nem pela própria reputação. Supomos, contudo, que ainda profundamente o perturba a perspectiva da apostasia; entretanto, o escândalo das almas não lhe causa já tanto temor.
Certo que chegar por esta forma até a última consequência é, merce de Deus, rara exceção. Mas quem não vê que o tédio de Deus e a aceitação do prazer proibido podem levar o coração até as piores desventuras? Do Animalis homo non intélligit, há de forçosamente chegar-se ao Qui nutriebatur in cróceis, amplexatus est stércora. A ilusão obstinada, a cegueira do espiríto, o endurecimento do coração vão progredindo. Tudo se pode esperar.
Para cúmulo da desgraça, a vontade encontra-se não destruída, mas reduzida a tal estado de enfraquecimento, de moleza, que quase equivale à impotência. Peçam-lhe não que reaja energicamente, que isso seria inútil, mas que tente um simples esforço, e apenas granjearão esta resposta desanimadora: "Não posso". Ora, quem neste ponto não é já capaz de esforços, esta a caminho das piores catástrofes.

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