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16 de julho de 2015

Cartas Sobre a Fé - Padre Emmanuel André.

DÉCIMA SEGUNDA CARTA

DA NECESSIDADE DE TER UMA FÉ ESCLARECIDA

O apóstolo São Pedro, escrevendo aos primeiros fiéis e por eles instruindo os fiéis de todos os tempos, dizia: «Ficai sempre prontos a responder em defesa da religião a quem quer que lhes pergunte qual a razão da esperança que está em vós».
O que traduzimos por responder em defesa da religião, está expresso em uma só palavra no texto de São Pedro. Ele diz ao pé da letra: apologia: «Estejam sempre prontos para a apologia»; quer dizer, segundo as solenes instruções de São Pedro, o santo Papa, todo cristão deve estar sempre preparado para a apologia, para a defesa da fé, contra quem quer que lhe pergunte a razão da esperança que ele traz consigo. É preciso pesar bem os termos de São Pedro: estar sempre preparado contra quem quer que seja. Evidentemente para estar assim sempre pronto contra quem quer que seja, é preciso uma dose de instrução cristã, que hoje não é comum entre os cristãos.
Mas temendo estar sendo exagerado em alguma coisa, dou a palavra a um intérprete que não se pode recusar: (Estius, Comm. in Cap... III Epist. I B. Pet.). Traduzo: «Este é o pensamento de São Pedro: Já que os infiéis chamam vã a esperança que tendes em Jesus Cristo numa vida futura e numa glória eterna, advirto-vos de que devem ter sempre pronta uma resposta pela qual possais mostrar que vossa fé e vossa esperança se apóiam em razões sólidas, seja para o caso de confrontar um contraditor ou simplesmente um homem desejoso de se instruir, que vos pergunte porque desprezais os bens da vida presente e sofreis tantos males nesta terra.
No entanto não é preciso entender com isso, que São Pedro exija que todos os cristãos sejam teólogos capazes de dissertar sobre os dogmas da fé, quer como doutores quer como apologetas. São Pedro só exige uma coisa: que se possa responder e satisfazer, segundo sua capacidade, a quem o interrogue e lhe pergunte a razão daquilo que crê e espera como cristão.
Há, com efeito, razões gerais pelas quais todo cristão pode sempre se defender contra os pagãos e responder a quem o interrogue; por exemplo: que a religião cristã foi anunciada pelos profetas; que foi confirmada pelos inúmeros milagres operados por Cristo e pelos apóstolos; que ensina a justiça, a inocência e a caridade levada até ao amor dos inimigos; que é religião muito casta. Ou ainda: que o mundo é governado pela providência de um Deus único, providência que no fim faz com que cada um receba segundo suas obras; que nada é impossível a Deus; que não é de espantar se nossa fé e nossa esperança ultrapassam a inteligência humana, já que na própria natureza há tantas coisas nas quais nosso espírito não poderá penetrar.
Do mesmo modo, há boas razões e argumentos gerais que são como que primeiros princípios, sobre os quais os fiéis precisam ser instruídos (instruídos por seus párocos) para responder aos heréticos que atacam a fé católica, ou que querem discutir sobre ela. Estes princípios são: que a Igreja de Cristo é una; que ela é visível e manifesta; que ela continuou até nós depois dos apóstolos pela sucessão dos bispos; que ela teve no seio grande número de santos mártires e confessores que em diversas épocas confirmaram e selaram a fé católica por suas doutrinas e milagres; que a Escritura nos manda escutar esta Igreja que é a coluna e a base da verdade.
É neste sentido que São João instrui os fiéis, no capítulo IV de sua primeira Epístola. Depois de ter dito: Examinai os espíritos, para saber se são de Deus, São João lhes prescreve este mesmo método geral para testar a fé quando diz: Quem conhece Deus nos ouve, quer dizer, ouve aos apóstolos e seus sucessores; Quem não é de Deus não nos ouve. É nisto que reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro».
Nosso comentador acrescenta: «Não obstante é muito conveniente que os fiéis possuam, segundo a capacidade de cada um, as razões mais particulares e as provas especiais, a fim de poder responder a quem quer que seja».
A palavra de São Pedro e as explicações de nosso comentador far-lhe-ão ver bem o que deve ser a fé dos cristãos. Nós só temos ainda uma palavra para dizer, que será a prece dos apóstolos a Nosso Senhor: Adauge nobis fidem! – Senhor aumentai-nos a fé! (Luc.XVII,53)
Digamos juntos: Credo.

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