3 de agosto de 2009

Resposta sobre a recepção da Comunhão sobre a língua

Congregatio De Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum

Congregazione per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti


Responsum de Communione super linguam recipienda
(pubblicata su Notitiae, 392-393 1999)


(Sul diritto di ricevere la Comunione sulla lingua)





Responso
Se nelle diocesi in cui è permesso distribuire la comunione nella mano dei fedeli sia lecito al sacerdote ovvero ai ministri straordinari della comunione obbligare i comunicandi a ricevere l’ostia esclusivamente in mano, e non sulla lingua.

Risulta per certo dagli stessi documenti della Santa sede che nelle diocesi ove il pane eucaristico è posto nella mano dei fedeli, resta intatto il loro diritto di riceverlo sulla lingua.
Pertanto agiscono in violazione delle norme sia coloro che obbligano i comunicandi a ricevere la comunione esclusivamente in mano sia coloro che rifiutano ai fedeli la comunione in mano nelle diocesi che godono di questo indulto.

Nel rispetto delle norme sulla distribuzione della santa comunione, i ministri ordinari e straordinari curino particolarmente che l’ostia sia assunta immediatamente dai fedeli, in modo tale che nessuno si allontani con le specie eucaristiche ancora in mano.

Tutti ricordino che è tradizione secolare ricevere l’ostia sulla lingua. Il sacerdote celebrante, se vi sia pericolo di sacrilegio, non ponga la comunione in mano ai fedeli, e li informi sul fondamento di tale modo di procedere.




Se, nas dioceses em que é permitido distribuir a comunhão na mão dos fiéis, é lícito ao sacerdote, ou mesmo aos ministros extraordinários da comunhão, obrigar os comungantes a receber a óstia exclusivamente na mão, e não sobre a língua.

Resulta, sem dúvida, dos próprios documentos da Santa sé que nas diocese onde o pão eucarístico é posto na mão dos fiéis, permanece intacto o seu direito de recebê-lo sobre a língua.
Portanto, agem em violação das normas, seja aqueles que obrigam os comungantes a receber a comunhão exclusivamente na mão, seja aqueles que recusam aos fiéis a comunhão na mão nas dioceses que gozam desse indulto.

A respeito das normas sobre a distribuição da santa comunhão, que os ministros ordinários e extraordinários cuidem particularmente que a óstia seja tomada imediatamente pelos fiéis, de modo que ninguém se distancie com as espécies eucarísticas ainda na mão.

Todos recordem que é tradição secular receber a óstia sobre a língua. Se houver perigo de sacrilégio, que o sacerdote celebrante não ponha a comunhão na mão dos fiéis, e lhes informe sobre o fundamento de tal modo de proceder.

Tradução: Giulio Cesar Gequelim

Fonte: http://www.unavox.it/Documenti/doc0119.htm

Destaques da fonte.

2 de agosto de 2009

Nono domingo depois de Pentecostes

Papa São Gregório Magno - Homilia 39 in Evangelia

Que o choroso Senhor tenha descrito aquela ruína de Jerusalém que foi levada a efeito pelos príncipes romanos Vespasiano e Tito, não ignora ninguém leia a história da destruição da mesma. São apontados esses príncipes romanos quando se diz: Porque te virão dias em que os teus inimigos te cercarão de paliçadas. Também aquilo que se acrescenta: Não deixarão em ti pedra sobre pedra, também se comprova pela transmigração da mesma cidade, pois hoje em dia ele está construída num lugar para fora das portas, por perto de onde o Senhor foi crucificado, enquanto da antiga Jerusalém, segundo o que se diz, foram arrancadas até as fundações.

Vê-se a seguir qual a culpa que trouxe a sua destruição: Porque não conheceste o tempo da tua visitação. Obviamente, o Criador dos homens, pelo mistério da sua encarnação, dignou-Se visitá-la, mas essa não atentou para o temor e o amor para com Ele. Porquanto, pelo profeta, Ele chama as aves do céu em testemunho da reprovação do coração humano, dizendo: O milhafre, no céu, conhece o seu tempo, a rola, a andorinha e a cegonha guardaram o tempo da sua vinda; o meu povo, porém, não conheceu o juízo do Senhor (Jeremias VIII 7).

Chorou antecipadamente o Redentor a ruína da pérfida cidade, que essa mesma cidade não sabia estar-lhe vindo. Por isso com razão diz o Senhor em pranto: Porque se conhecesses tu também, entendesses, chorarias; mas, ignorando o que é iminente, exultas. Por isso também se diz em seguida: Ó se ao menos nesse dia que te é dado conhecesses o que te pode trazer à paz! Enquanto ela ainda se dava aos prazeres carnais, sem cuidar das penas vindouras, tinha ainda, por um dia, em seu poder o que podia ter-lhe trazido à paz.


A destruição da cidade e do Templo de Jerusalém. - Fr. Leonard Goffine

Cumpriu-se a profecia de nosso divino Salvador a respeito da cidade de Jerusalém?

Sim, e da mais terrível maneira. Os judeus, opressos pelos seus cruéis governantes romanos, revoltaram-se, mataram muitos dos seus inimigos, e os expulsaram de Jerusalém. Sabendo que não deixariam que isso passasse sem vingança, os judeus se armaram para uma desesperada resistência. O Imperador Nero enviou um poderoso exército sob o comando de Vespasiano contra a cidade de Jerusalém, que primeiro tomou a menor fortaleza da Judéia, e então abriu caminho para a cidade. A carestia e miséria dos habitantes já havia alcançado o mais alto ponto, porque, dentro da cidade, homens ambiciosos provocaram conflitos, facções se formaram, lutando quotidianamente entre si, e tingindo as ruas de sangue, enquanto os ferozes romanos atacavam de fora. Então, um curto período de trégua foi concedido aos desafortunados judeus. O Imperador Nero foi assassinado em Roma no ano do Senhor de 68; seu sucessor, Galba, morreu logo, e os soldados colocaram seu amado comandante, Vespasiano, sobre o trono imperial. Ele, então, com o seu exército, deixou Jerusalém, mas no mesmo ano enviou seu filho Tito, com um outro exército, à Judéia, com ordens de tomar a cidade a qualquer custo, e punir seus habitantes.

Era tempo de Páscoa, e uma multidão de judeus congregou-se, vinda de todas as províncias da terra, quando Tito apareceu com seu exército diante das portas de Jerusalém, e cercou a cidade. A provisão de alimento esgotou-se em pouco tempo, e fome e peste vieram à cidade, e a assolaram terrivelmente. O líder dos selvagens revolucionistas, João de Giscala, mandou que as casas fossem perscrutadas, e que a comida remanescente fosse arrancada dos famintos, ou tirada à força de terríveis torturas. Para se salvarem do ultrajante tirano, os judeus tomaram o líder de uma malta de ladrões, chamado Simão, com toda a sua turma, para a cidade. João e Simão, com seus seguidores, procuravam, agora, aniquilar um ao outro. João tomou posse do templo. Simão o seguiu; sangue jorrava do templo e nas ruas. Somente quando o toque de batalha dos romanos foi ouvido de fora, as facções se uniram, para enfrentar o inimigo e resistir ao seu ataque. Piorando a fome, muitos judeus deixavam secretamente a cidade em busca de ervas. Mas Tito os capturava com sua cavalaria, e crucificava aqueles que estavam armados. Quase quinhentos homens, e às vezes mais, eram crucificados todos os dias à vista da cidade, de modo que não se podiam encontrar cruzes e lugar suficientes para a execução; mas mesmo essa vista terrível não moveu os judeus a submeter-se. Incitados à fúria por seus líderes, eles resistiam obstinadamente, e Tito, vendo que eram impossível tomas a cidade de assalto, terminou por cercá-la de muralhas, de modo a matar os habitantes de fome. Em três dias, os seus soldados construíram um muro de mais de quinze quilômetros de circunferência, e assim se cumpriu o que o Senhor predisse: Os teus inimigos de cercarão de trincheiras, e te apertarão de todos os lados.

A fome nesta miserável cidade agora alcançou seu peso mais aterrorizante; os malvados hierosolimitas procuravam comida pelas mesmas calhas das ruas, e comiam as coisas mais repugnantes. Uma mulher, enfurecida de fome, estrangulou sua própria criança, assou-a, e comeu metade dela; os líderes, sentindo o cheiro do horrível alimento, forçaram uma entrada na casa, e, por meio de horríveis ameaças, compeliram a mulher a mostrar-lhes o que tinha comido; ela apontou-lhes o restante da criança assada, dizento: "Comei-a, é minha criança; acho que não sois mais delicados do que uma mulher, ou mais carinhosos do que uma mãe". Extremamente horrorizados, eles deixaram a casa depressa. A morte, então, levava embora milhares diariamente, as ruas e as casas estavam cheias de cadáveres. De quatorze de abril, quando o cerco começou, até primeiro de julho, contaram-se cento e cinqüenta e oito mil corpos mortos; seiscentos mil outros foram jogados para fora dos muros, para as trincheiras, para salvar a cidade da peste. Todos os que podiam fugir fugiam; alguns alcançavam o acampamento dos romanos em segurança. Tito dispensava os inermes, mas todos os que caíam nas suas mãos armados eram crucificados. A fuga já não oferecia segurança maior. Os soldados romanos perceberam que muitos judeus engoliam ouro, para preservá-lo da avareza dos ladrões, e daí em diante os ventres de muitos eram abertos. Dois mil corpos como esses foram encontrados numa manhã, no acampamento dos romanos. As tentativas de Tito de evitar essa crueldade foram inválidas. Finalmente, quando a miséria atingiu o seu máximo, Tito conseguiu destruir o forte Antônia, e com o seu exército forçou uma passagem até o templo, que vinha sendo mantido por João de Giscala e seu famoso bando. Desejoso de poupar o templo, Tito ofereceu aos revolucionistas passagem livre para fora dele, mas essa proposta foi rejeitada, e a mais violenta luta começou, os romanos tentando entrar no templo, e sendo continuamente afastados. Finalmente, um dos soldados acendeu uma tocha e atirou-a para dentro de uma das salas anexas ao templo. As chamas, num instante, tomaram todo o interior do templo, e o consumiram totalmente, de modo que também essa profecia do Senhor foi cumprida. Os romanos mataram brutalmente todos os habitantes que encontraram, e Tito, tendo demolido as ruínas do templo e da cidade, percorreu-as com um arado, para indicar que essa cidade nunca mais deveria ser reconstruída. Durante o cerco um milhão e cem mil judeus perderam suas vidas; noventa e sete mil foram vendidos como escravos e o resto do povo se dispersou por toda a terra.

Assim Deus pudeu a cidade e nação impenitente, por cuja malvadeza o Salvador chorou tão amargamente, e assim se cumpriu a profecia ditada por Ele muito antes.

MEDITAÇÕES DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO

NÃO SE PERDOA A TODOS IGUAL NÚMERO DE PECADOS
Santo Afonso

(Fonte: “Meditações para todos os dias e festas do ano” – Tomo III)

“Omnia in mensura et numero et pondere disposuisti” – “Dispuseste todas as coisas com medida e conto e peso” (Sab II, 21).


I. A misericórdia de Deus é infinita; mas apesar desta misericórdia, quantos não se condenam todos os dias! Deus cura ao que tem boa vontade. Perdoa os pecados, mas não pode perdoar a vontade de pecar. A medida dos pecados que Deus quer perdoar não é igual para todos. A um perdoa Deus cem pecados, a outro mil; aquele outro, porém, será condenado ao inferno depois do segundo pecado.

Quantos não há que o Senhor condenou logo depois da primeira queda! Refere São Gregório que um menino de cinco anos foi lançado no inferno quando dizia uma blasfêmia. A Santíssima Virgem revelou à serva de Deus Benedita de Florença, que o primeiro pecado foi a condenação de uma menina de doze anos. A mesma desgraça aconteceu a um menino de oito anos, que morreu e foi condenado logo depois do primeiro pecado. Lemos no Evangelho de São Mateus, que o Senhor, achando estéril uma figueira, cujos frutos procurava colher pela primeira vez, a amaldiçoou imediatamente, e que a árvore secou.

Por acaso algum temerário se atreva a perguntar a Deus porque quer perdoar três pecados e não quatro? Neste ponto é preciso adorar os juízos divinos e dizer com o Apóstolo: “Quam incomprehensibilia sunt judicia eius, et investigabiles viae eius!” - “Quão incompreensíveis são os seus juízos, e imperscrutáveis os seus caminhos!” (Rm XI, 33). Replica talvez o pecador obstinado: Tantas vezes ofendi a Deus, e cada vez Deus me perdoou; por isso confio em que me perdoará mais este pecado. Respondo-lhe, todavia: porque não te castigou Deus até agora, segue-se que será sempre assim? Encher-se-á a medida e então virá o castigo. “Ne dicas, peccavi, et quid accidit mihi triste?” - “Não digas”, avisa o Senhor, “tenho cometido tantos pecados e Deus nunca me castigou”; “Altissimus enim est patiens redditor” - “O Altíssimo é um juiz paciente” (Ecclus. V, 4). Quer dizer que virá um dia em que pagarás tudo, e quanto maior tiver sido a misericórdia, tanto maior será o castigo.

Afirma São Crisóstomo que há mais para receiar, quando Deus atura um pecador obstinado, do que quando o castiga sem detença. Com efeito, observa São Gregório, aqueles que Deus espera com mais paciência, são castigados depois com tanto mais rigor, se permanecem na sua ingratidão. Muitas vezes acontece, acrescenta o Santo, que os que foram tolerados por mais longo tempo, morrem de improviso, sem terem tempo de se converter. Quanto mais Deus te houver favorecido com suas luzes, tanto maior será a tua obcecação e a tua obstinação no pecado.

II. É bem terrível a ameaça que o Senhor dirige aos que são surdos aos seus convites: “Quia vocavi, et renuistis ... ego quoque in interitu vestro ridebo” - “Recusastes obedecer à minha voz; pois bem, eu também me rirei quando morrerdes” (Prov I, 24 e 26). Notem-se bem estas duas palavras: “ego quoque” (“eu também”); significam que, assim como o pecador zombou de Deus, confessando-se, prometendo e traindo-o sempre, assim o Senhor zombará dele na hora da morte. Além disso diz o Sábio: “O imprudente que recai na sua loucura, é como o cão que torna outra vez ao que tinha vomitado” (Prov XXVI, 11). O que Deniz, o Cartucho, explica dizendo: “Assim como se sente náusea e horror em presença de um cão que devora o que tinha vomitado, assim Deus detesta ao que volta a seus pecados, que na confissão tinha abominado”.

Meu Deus, eis-me aqui a vossos pés: eu sou esse animal nojento que de novo se pôs a comer os frutos que primeiro detestara. Não mereço misericórdia, Redentor meu; mas o sangue que derramastes por mim, me anima e obriga a esperar. Quantas vezes Vos ofendi, e quantas vezes me perdoastes! Prometera não Vos ofender mais, e depois voltei ao que tinha vomitado, e Vós tornastes a perdoar-me. Esperarei porventura até que me mandeis ao inferno? Ou que me entregueis ao poder de meu pecado, desgraça maior ainda do que o próprio inferno? Não, meu Deus, quero emendar-me, e para Vos ser fiel, quero depositar em Vós toda a minha confiança; nas tentações quero sempre e imediatamente recorrer a Vós.

No passado fiei-me em minhas promessas e resoluções, e descurei recomendar-me a Vós nas tentações. Daí proveio a minha ruína. De hoje em diante sereis Vós a minha esperança e a minha força, e assim poderei tudo: “Omnia possum in eo qui me confortat” – “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filip IV, 13). Concedei-me, pois, ó meu Jesus, pelos vossos merecimentos, a graça de me recomendar sempre a Vós e de implorar o vosso auxílio em todas as minhas necessidades. Amo-Vos, ó soberano Bem, digno de ser amado sobre todos os bens. Só a Vós quero amar, mas para isso deveis me ajudar. Vós também deveis auxiliar-me com a vossa intercessão, ó minha Mãe Maria. Guardai-me debaixo de vosso manto, e fazei que chame por vós em todas as tentações. O vosso nome será a minha defesa.

28 de julho de 2009

Bem-Aventurado D. Zygmunt Felinski

SÃO PIO V agradece às irmãs da casa de Campo Largo, PR, da Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Famíla de Maria, que gentilmente atenderam ao pedido de escrever um artigo, para ser publicado em nosso site, sobre o seu fundador, o Bem-Aventurado D. Zygmunt Felinski, Bispo e Confessor, que será canonizado em outubro deste ano.



DOM ZYGMUNT FELINSKI - FUTURO SANTO DA IGREJA

Zygmunt Felinski nasceu no dia 1.º de novembro de 1822, em Wojutyn - Polônia. Viveu numa família profundamente cristã e ali aprendeu o verdadeiro amor a Deus, ao próximo e à Pátria.
Depois de lutar corajosamente no Levante em defesa da Pátria e de ter perdido o seu melhor amigo, Júlio Slowacki, refletiu profundamente: será que sua Pátria não necessitava de outro trabalho ou sacrifício? A partir daí, busca um caminho para melhor servir a Deus e à Pátria.
Ingressou no Seminário em 1851, em Petesburgo - Rússia, e, em 1855, foi ordenado Sacerdote na Catedral de Moscou.
Percebendo a situação das crianças abandonadas, doentes e velhinhos, fundou, para cuidar deles, a Congregação das Irmãs da Sagrada Família, em 1857.
Em 1862, foi nomeado Arcebispo de Varsóvia. Não foi bem recebido pelo povo, que o chamava "espião da autoridade russa". Apesar de tudo, sempre lutou em favor do povo, como pastor, defensor até às últimas conseqüências. Por ter se posicionado contra o governo russo em favor do povo, foi condenado ao exílio na Sibéria, por 20 anos, tendo governado apenas 16 meses a sua arquidiocese, no memento em que já tinha conquistado o povo.
No exílio, dedicou-se à oração e ascese pessoal, pastoreio e prática de caridade ao povo sofrido e também exilado, que a ele recorria em suas desventuras.
Regressando do exílio, foi-lhe proibido regressar à sua Pátria, e, por isso, fixou residência na Galícia, dominada pela Áustria, onde se dedicou à Congregação que fundara e ao bem-estar do povo.
Em 1895, sentindo-se fraco e doente, procurou amparo médico em Kracóvia, onde veio a falecer no dia 17 de setembro, em opinião de santidade.
Dom Zygmunt se destacou pela sua dedicação e amor à Igreja, no cumprimento fiel às suas normas e preceitos, no zelo pastoral e grande amor pela família ao ponto de dizer: "Só no céu há mais feilcidade do que no seio de uma família". Viveu intensamente as obras de misericórdia, procurando o bem-estar do pobre e abandonado. Foi um grande devoto de Nossa Senhora.
No dia 18 de agosto de 2002, em Kracóvia, foi declarado Bem-Aventurado pelo Papa João Paulo II. E no dia 11 de outubro deste anos, será canonizado em Roma, pelo Papa Bento XVI.
Brevemente a Igreja terá mais um intercessor e modelo a ser imitado não só pelos Sacerdotes e Religiosos, como também pelos pais, educadores, jovens e todos os que sofrem e são perseguidos.
Para conhecer melhor D. Zygmunt Felinski, acesse o site www.sagradafamiliapmj.org.

26 de julho de 2009

INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA

NECESSIDADE QUE TEMOS DA INTERCESSÃO DE
MARIA SANTÍSSIMA PARA NOSSA SALVAÇÃO
Santo Afonso
(Fonte: “Meditações para todos os dias do ano”, Tomo III)

“Gens et regnum, quod non servierit tibi, peribit” – “A gente e o reino que te não servir, perecerá” (Is LX, 12).


I.Que a prática de invocar aos Santos, afim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bemaventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não a servem, e consequentemente não são por ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal, e se condenarão: “A gente que te não servir, perecerá”. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja.

E com razão; porquanto, não sendo nós capazes de conceber um só bom pensamento em ordem à vida eterna, a graça divina nos é indispensável para a salvação. Verdade é que só Jesus Cristo nos mereceu esta graça, por ser Medianeiro de justiça. Mas, para nos inspirar mais confiança de obtermos a graça, e ao mesmo tempo para exaltar sua Mãe Santíssima, Jesus a depositou nas mãos de Maria, e, constituindo-a medianeira de graça, decretou que nenhuma graça fosse dispensada aos homens sem que passasse pelas mãos de Maria.

Numa palavra, diz São Bernardo, Deus constituiu Nossa Senhora como que um “aqueduto” dos bens celestes que descem à terra, e determinou que por meio de Maria recebamos o Salvador que por seu intermédio nos foi dado na Incarnação. Vede, pois, conclui o Santo, vede, ó homens, com que afeto de devoção quer o Senhor que honremos à nossa Rainha, refugiando-nos sempre a ela e confiando em seu patrocínio!

II. Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Bethulia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o demônio faz quanto pode, afim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o espírito maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquista-las. Quantos cristãos estão agora no inferno por se terem deixado iludir assim. Nós, portanto, demos graças á divina Mãe, por nos ter tomado debaixo de seu santíssimo manto, como no-lo garantem as graças recebidas pela sua intercessão. Ao mesmo tempo, porém, examinemos se por ventura estamos resfriados na sua devoção, e renovemos nosso propósito de sermos para o futuro mais constantes.

Sim, eu vos dou graças, ó minha Mãe amorosíssima, por todos os bens que tendes feito a este desgraçado réu do inferno. Ó minha Rainha, de quantos perigos me tendes livrado! Quantas luzes e quantas misericórdias me tendes alcançado de Deus! Que grande bem, ou que grande honra recebestes de mim para vos empenhardes tanto a meu favor? Foi só a vossa bondade que a isso vos moveu. Ah! Se eu pudesse dar por vosso amor o sangue e a vida, ainda seria pouco, à vista da obrigação que vos devo, pois que me livrastes da morte eterna e me fizestes recuperar, como espero, a graça divina; a vós sou devedor de toda a minha felicidade.

Senhora minha amabilíssima, eu, miserável, não tenho que vos dar senão os meus louvores e o meu amor. Ah, não desprezeis o afeto de um pobre pecador, abrasado em amor pela vossa bondade. Se o meu coração é indigno de vos amar, por estar imundo e cheio de afetos terrestres, vós o podeis mudar: mudai-o, pois. Ah, minha Senhora prendei-me a meu Deus, e prendei-me de tal modo que nunca mais possa separar-me de seu amor. Vós quereis que eu ame o vosso Deus; e eu quero que me alcanceis este amor; fazei que o ame sempre e nada mais deseje.

- Ó MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

EFEITOS DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA - SANTO TOMÁS DE AQUINO

A SANTÍSSIMA EUCARISTIA APROVEITA A
OUTRAS PESSOAS ALÉM DAS QUE A RECEBEM
Santo Tomás de Aquino
(Suma Teológica, III, q.79, a.7)
“A Eucaristia não é somente um sacramento, mas também um sacrifício. Enquanto ela significa a paixão de Cristo, pela qual ele “se entregou a si mesmo a Deus por nós em oblação” (Ef V, 2), como está na Carta aos Efésios, tem o caráter de sacrifício. No entanto, enquanto na Eucaristia se comunica a graça invisível de modo visível, tem o caráter de sacramento. Assim, portanto, a Eucaristia aproveita a quem a recebe pelo seu duplo caráter de sacramento e de sacrifício, porque é oferecida pelos que a recebem, como se reza no Cânon da Missa: “Quotquot ex hac altaris participatione sacrosanctum Corpus et Sanguinem Filii tui sumpserimus, omni benedictione caelesti et gratia repleamur” (“Todos quantos participarmos deste altar, recebendo o Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do Céu”). Entretanto, a Eucaristia aproveita àqueles que não a recebem pelo seu caráter de sacrifício, no sentido de que ela é oferecida pela salvação deles. Por isso, também se reza no Cânon da Missa: “Memento, Domine, famulorum famularumque tuarum, pro quibus tibi offerimus, vel qui tibi offerunt, hoc sacrificium laudis, pro se suisque omnibus, pro redemptione animarum suarum, pro spe salutis et incolumitais suae” (“Lembrai-vos, Senhor, de vossos servos e servas, pelos quais vos oferecemos, e eles vos oferecem este sacrifício de louvor por si e por todos os seus, para a redenção de suas almas, pela esperança da sua salvação e segurança”). O Senhor se refere a ambos os modos ao dizer (Mt XXVI, 28): “Qui pro vobis” (“que por vós”), a saber os que recebem, “et pro multis” (“e por muitos”), isto é os outros, “effundetur in remissionem peccatorum” (“será derramado para remissão dos pecados”) ” (resp.).

“A paixão de Cristo traz proveito a todos para a remissão da culpa, a obtenção da graça e da glória, mas o efeito só é produzido naqueles que se unem à paixão de Cristo pela fé e caridade. Assim também este sacrifício, que é o memorial da paixão do Senhor, só produz efeito naqueles que se unem a este sacramento pela fé e caridade. Daí, o ensinamento de Agostinho: “Quem oferecerá o Corpo de Cristo a não ser por aqueles que são membros de Cristo?” Por isso, no Cânon da Missa, não se reza por aqueles que estão fora da Igreja. Aproveitam, no entanto, mais ou menos segundo a medida de sua devoção” (ad 1).

“A comunhão pertence à razão do sacramento, mas a oblação à do sacrifício. Por isso, o fato de que um ou muitos recebam o Corpo de Cristo não traz para os outros o aumento de alguma ajuda. De igual modo, pelo fato de o sacerdote consagrar muitas hóstias numa única Missa, não se multiplica o efeito deste sacramento, porque se trata de um único sacrifício. Com efeito, não existe nenhum poder maior em muitas hóstias consagradas do que em uma só, já que sob muitas ou sob uma só está contido Cristo todo inteiro. Portanto, se alguém recebe simultaneamente muitas hóstias consagradas numa única Missa, nem por isso participará de uma maior eficácia do sacramento. A oferta do sacrifício se multiplica, sim, em um número maior de Missas. Por isso, também o efeito do sacrifício e do sacramento” (ad 2).

25 de julho de 2009

FESTA DE SÃO TIAGO

XXV DE JULHO – FESTA DE SÃO TIAGO MAIOR, APÓSTOLO
Santo Afonso
(Fonte: “Meditações para todos os dias e festas do ano”, Tomo III)

“Illi autem statim, relictis retibus et patre, secuti sunt eum” – “Eles, no mesmo ponto, deixando as redes e o pai, foram em seu seguimento” (Mt IV, 22)

I. Considera as belas prendas que habilitavam São Tiago ao apostolado. Assim como seu irmão São João, como diz Santo Epifânio, se conservou sempre virgem. Apenas ouviu da boca do divino Mestre que queria fazê-lo pescador de homens, logo, “statim”, obedeceu prontamente ao convite e resolveu-se a seguir Jesus. E quantos obstáculos não devia remover generosamente para o executar!

“Relictis retibus” (“Deixando as redes”). Em primeiro lugar teve de abandonar as redes; quer dizer que teve de renunciar a um ofício que lhe era caro, porque o exercera desde menino, e por meio dele ganhava a sua honesta subsistência. E juntamente com as redes teve de renunciar a todo o desejo, a toda a esperança de riqueza terrestre, teve de renunciar até à própria vontade, porque para o seguimento de Jesus é indispensável a abnegação. “Et patre”. Em segundo lugar teve de abandonar seus amantíssimos pais, bastante necessitados, e na mesma ocasião em que o irmão menor também os abandonava. Grande sacrifício! Abandonar um pai já avançado em anos, que tinha posto todas as suas esperanças no seu primogênito. Abandonar uma mãe também já idosa, que o considerava como o arrimo da sua velhice!

“Et secuti sunt eum” (“E eles os seguiram”). E tudo isso para que? Para seguirem a Jesus, que não lhes dava outra coisa a esperar neste mundo senão misérias e tribulações. Oh! Que obstáculos dificílimos para vencer! O amor ao divino Mestre, porém, fez tudo leve ao coração de São Tiago; pelo que, quando Jesus Cristo lhe perguntou se podia beber com ele o cálice da paixão, logo respondeu que sim: “Dicunt ei: Possumus” (“Disseram-lhe: Podemos”).

Regozija-te com o Santo, escolhe-o de novo para teu protetor, e dá graças a Deus por te-lo enriquecido de tantas virtudes. Lançando em seguida um olhar sobre ti mesmo, examina se, à imitação do Santo, também respondes à chamada divina com “prontidão, generosidade e amor”.

II. Considera os grandes favores e prerrogativas que Jesus Cristo concedeu a São Tiago, como recompensa da sua tão fiel correspondência. Santificou, não só o próprio Apóstolo, mas todas as pessoas da sua família, que se tornaram outros tantos apóstolos. Escolheu-o com São Pedro e São João para confidente dos seus segredos, companheiro das suas vigílias e testemunha dos seus mais estupendos milagres. Antes da paixão, mostrou-lhe Jesus no Tabor a sua glória, dando-lhe assim um antegozo do paraíso; no Getsêmani fê-lo testemunha dos seus temores, do seu aborrecimento, da sua tristeza e mortal agonia. Depois da Ascensão, destinou-o a exercer o ministério apostólico na Judéia e na Samaria, onde Ele mesmo o tinha exercido, e depois na Espanha, que pela sua proteção veio a ser a “nação católica” por excelência.

Finalmente, de todos os Apóstolos foi São Tiago o primeiro que teve a ventura de coroar o apostolado com um generoso martírio. Várias circunstâncias fizeram com que a sua morte fosse semelhante à de Jesus. Pois que o Santo morreu, como Jesus Cristo, em Jerusalém, no tempo pascal, pelas mãos de Herodes, sendo o algoz convertido pelas suas orações. Assim como da morte de Jesus nasceu a Igreja, assim a morte de São Tiago fê-la crescer e dilatar-se, porque ocasionou a dispersão dos Apóstolos e se tornou causa de o Evangelho ser pregado pelo mundo inteiro. Quantos favores! Quantas prerrogativas! Também tu desejas recebe-los, mas então é mister que primeiro imites as virtudes do Santo. “Santificai-me, ó Senhor, e guardai-me, para que munido da proteção de São Tiago, vosso Apóstolo, Vos agrade com a minha vida e Vos sirva com firmeza de alma”. Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo, vosso Divino Filho, e de Maria Santíssima, minha querida Mãe.

- SÃO TIAGO, ROGAI POR NÓS!

24 de julho de 2009

Devoção a Nossa Senhora

MARIA SANTÍSSIMA LIVRA OS SEUS DEVOTOS DO INFERNO
Santo Afonso(Fonte: "Meditações para todos os dias e festas do anos", Tomo III)

“ Qui audit me, non confundetur: et qui operantur in me, non peccabunt” - “Aquele que me ouve, não será confundido, e os que obram por mim, não pecarão” (Ecclus XXIV, 30)

I. A asserção de que é impossível um devoto de Maria Santíssima condenar-se, não se estende àqueles devotos que abusam da sua devoção afim de pecar com menos temor; porque esses presumidos, pela sua confiança temerária, merecem castigo e não misericórdia. Estende-se tão somente àqueles devotos que, com o desejo de se emendarem , são fiéis em obsequiar à divina Mãe e em recomendar-se a ela . Estes digo eu que é moralmente impossível perderem-se, porquanto a benigníssima Senhora alcançar-lhes-á luz e força para saírem do estado de perdição.
Esta sentença é conforme à doutrina dos Padres e Doutores da Igreja. Santo Anselmo diz que “assim como quem não é devoto de Maria nem dela é protegido, é impossível que se salve ; assim também é impossível que se condene quem se encomenda à Virgem e dela é visto com complacência”. Confirma isto Santo Antonino quase com as mesmas palavras. E Santo Hilário acrescenta que isto sucederá ainda àqueles que no tempo passado ofenderam muito a Deus. Pelo que Santo Efrém dá a Nossa Senhora o belo título de Protetora dos condenados: “Patrocinatrix damnatorum”; e chama a devoção à Virgem salvo-conduto para não ser desterrado para o inferno: “Charta libertatis”.

E na verdade, se é certo o que diz São Bernardo , que a Maria não pode faltar nem poder nem vontade de nos salvar, como poderá suceder que um seu devoto fiel se perca? Que mãe, podendo facilmente livrar seu filho da morte com um só pedido de graça ao juiz, deixaria de o fazer? E poderemos pensar que Maria, a Mãe mais amorosa que possa haver , podendo livrar um filho da morte eterna, e podendo-o fazer tão facilmente, não o queira fazer? Ah! Isso é impossível!

Eis porque tanto desagrada ao demônio ver uma alma que persevera na devoção à divina Mãe, e porque ele se esforça tanto para faze-la perder esta devoção. O espírito maligno sabe que nunca sucedeu e nunca jamais sucederá que um servidor humilde e obsequioso de Maria se perca eternamente.

II . Examina a tua devoção a Maria, e toma uma resolução firme de a aumentar continuamente, dá graças ao Senhor por te haver dado esse afeto e confiança para com a divina Mãe, porque Deus não faz esta graça senão àqueles aos quais quer salvar. Dá graças também à Santíssima Virgem pela proteção que te dispensou até agora, livrando-te tantas vezes de cair no inferno; pede-lhe perdão de tua pouca correspondência ao seu amor, e pede-lhe que para o futuro continue sempre a proteger-te.

Ó Mãe de Deus, Maria Santíssima , quantas vezes tenho, pelos meus pecados, merecido o inferno! Talvez se houvesse executado a sentença desde o primeiro pecado meu, se, na vossa misericórdia para comigo, não tivésseis suspendido a ação da divina justiça; triunfando depois da dureza do meu coração , me reduzistes a por em vós a minha confiança. Ai! Em quantas outras faltas não teria caído depois, no meio dos perigos que me cercavam , se vós, ó Mãe Santíssima, não me tivésseis preservado pelas graças que me alcançastes. Ó minha Rainha, de que me servirão vossa misericórdia e os favores com que me tendes prevenido , se vier a condenar-me? Se houve um tempo em que não vos amava, de presente amo-vos, depois de Deus, acima de todas as coisas.

Não permitais, eu vos conjuro, que me separe de vós e de Deus, que por intermédio vosso me cumulou de tantas misericórdias. Amabilíssima Soberana minha , não consintais que eu vá odiar-vos e maldizer-vos eternamente no inferno. Podereis sofrer que se condene um dos vossos servos que vos ama? Ó Maria, que me respondeis? Condenar-me-ei? Serei condenado se vos abandono; mas quem teria coragem para vos abandonar? Como poderia esquecer o amor que me tendes consagrado? Não, não se perderá aquele que fielmente se recomenda a vós e a vós recorre. Ó minha Mãe, não me abandoneis a mim mesmo; de contrário perder-me-ei. Fazei que sempre recorra a vós . Salvai-me, esperança minha, preservai-me do inferno e primeiro que tudo do pecado, que só me pode precipitar no inferno.

- Ó MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!