21 de agosto de 2009

ENTRADA DA ALMA NO CÉU

ENTRADA DA ALMA NO CÉU
Santo Afonso de Ligório

(“Meditações para todos os dias e festas do ano” – Tomo III)

I. Oh Deus! Que dirá a alma ao entrar no reino bem-aventurado do Céu? Imaginemos ver morrer essa virgem, esse jovem, que, tendo-se consagrado ao amor de Jesus Cristo, e, chegada a hora da morte, vai deixar esta terra. Sua alma apresenta-se para ser julgada; o Juiz acolhe-a com bondade e lhe declara que está salva. O seu Anjo da guarda vem ao seu encontro e mostra-se todo contente; ela lhe agradece toda a assistência recebida, e o anjo responde-lhe: Alegra-te, alma formosa; já estás salva; vem contemplar a face do teu Senhor.

Eis que a alma se eleva acima das nuvens, acima do firmamento e de todas as estrelas: entra no Céu. Que dirá ao penetrar pela primeira vez nessa pátria bem-aventurada, ao lançar o primeiro olhar sobre essa cidade de delícias? Os Anjos e os Santos saem-lhe ao encontro e lhe dão, jubilosos, as boas vindas. Que consolação experimentará ao encontrar ali os parentes e amigos que a precederam, e os seus gloriosos protetores! A alma quererá prostrar-se diante deles; mas os Santos lhe dirão: Guarda-te de o fazer; porque somos servos como tu: “Vide ne feceris; conservus tuus sum”.

Ela irá depois beijar os pés de Maria, a Rainha do paraíso. Que ternura não experimentará ao ver pela primeira vez essa divina Mãe, que tanto a ajudou a salvar-se! Então a alma verá todas as graças que Maria lhe alcançou. A Rainha celestial abraça-a amorosamente e a conduz a Jesus que a acolhe como esposa e lhe diz: “Veni de Libano, sponsa mea; veni, coronaberis” (“Vem do Líbano, esposa minha; vem, serás coroada”). Regozija-te, esposa querida, passaram já as lágrimas, as penas, os temores: recebe a coroa eterna que te alcancei a preço de meu sangue. Ah, meu Jesus! Quando chegará o dia em que eu também ouvirei de tua boca estas doces palavras?

II. Jesus mesmo acompanhará a alma bem-aventurada afim de receber a bênção de seu Pai divino, que a abraçará carinhosamente e a abençoará, dizendo: “Intra in gaudium Domini tui” (“Entra no gozo do teu Senhor”), e então fa-la-á participar da sua própria gloriosa beatitude.

Meu Deus, aqui tendes a vossos pés um ingrato, que foi criado por Vós para o Céu, mas que muitas vezes, na vossa presença, o renunciou por indignos prazeres, consentindo em ser condenado ao inferno. Espero que já me haveis perdoado todas as injúrias que Vos fiz e de que de novo me arrependo e quero arrepender-me até à morte. Quero também que Vós sempre as torneis a perdoar-me. Mas, ó Jesus, embora já me tenhais perdoado, sempre ficará sendo verdade que tive a audácia de amargurar-Vos, meu Redentor, que, para me conduzir ao vosso reino, sacrificastes a própria vida. Para sempre seja louvada e abençoada a vossa misericórdia, ó meu Jesus, que me haveis aturado com tamanha paciência, e que, em vez de me punir, multiplicastes para comigo as graças, as luzes e os convites.

Vejo, meu amantíssimo Salvador, que quereis deveras a minha salvação; quereis ver-me em vosso reino para eu Vos amar eternamente; mas quereis que primeiramente Vos ame nesta terra. Sim, quero Vos amar. Ainda que não houvesse paraíso, quisera amar-Vos por toda a vida, com toda a minha alma, com todas as minhas forças. Basta-me saber que Vós, meu Deus, desejais ser amado por mim. Assisti-me, meu Jesus, com a vossa graça; não me abandoneis. Minha alma é eterna; estou, pois, na alternativa de Vos amar ou de Vos odiar eternamente! O que eu quero é amar-Vos eternamente; quero amar-Vos muito nesta vida para Vos amar muito na outra. Disponde de mim como Vos aprouver; castigai-me como quiserdes; não me priveis do vosso amor, e depois fazei de mim segundo a vossa vontade. Meu Jesus, os vossos méritos são a minha esperança. Ó Maria, ponho toda a minha confiança na vossa intercessão. Livrastes-me do inferno, quando estava em pecado; agora, que desejo só a Deus, deveis salvar-me e tornar-me santo.

15 de agosto de 2009

Pôs os dedos no seu ouvido e da própria saliva na língua, dizendo: Éfeta!

Salve Maria!

Um texto sobre o Evangelho deste domingo - Mc VII 31-37

Homilia 10 do Papa São Gregório Magno, tirada do livro 1 sobre Ezequiel, antes da metade

Porque é que o criador de tudo, Deus, quando quis curar o surdo e mudo, levou os Seus dedos aos seus ouvidos, e, cuspindo, tocou-lhe a língua? O que é representado pelos dedos do Redentor, senão os dons do Espírito Santo? Por isso, quando, noutra parte, expulsava um demônio, disse: Se é pelo dedo de Deus que Eu expulso demônios, certamente é chegado a vós o reino de Deus. Essa frase, segundo um outro Evangelista, é descrita como se fosse dita assim: Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então é chegado a vós o reino de Deus. Portanto, levando em conta essas duas passagens, conclui-se que o Espírito é chamado dedo. Portanto, levar os dedos às orelhas é, pelos dons do Espírito Santo, abrir a mente do surdo à obediência.

O que é, em verdade, que, cuspindo, tenha tocado a sua língua? A saliva da boca do Redentor nos é receber a sabedoria em falar das coisas divinas. A saliva, obviamente, da cabeça flui para a boca. Essa mesma sabedoria, que é Ele mesmo, quando toca a nossa língua, imediatamente toma a forma de palavra de pregação. Ele, olhando para o céu, suspirou - não que Ele precisasse suspirar Àquele que dava o que Ele pedia - mas nos ensinou a suspirar Àquele que preside o céu, para que também os nossos ouvidos, pelos dons do Espírito Santo, sejam abertos, e a língua pela saliva da Sua boca, isto é, pela ciência de falar das coisas divinas, seja solta para a palavra de pregação.

Logo, Ele disse Éfeta, esto é, "Abri-vos!", e, no mesmo instante, abriram-se os seus ouvidos, e soltou-se a prisão da sua língua. Nisso devemos notar que foi por causa do fechamento dos ouvidos que foi dito "Abri-vos!". Mas àquele cujos ouvidos do coração forem abertos à obediência também será solta a prisão da língua, para que, as boas coisas que ele fizer, também diga aos outros que façam. Bem se acrescenta: E falava corretamente. Fala corretamente, pois, aquele que, primeiro, obedecendo, faz aquilo que, falando, admoesta que seja feito.

15 de agosto: Assunção da Bem-Aventurada sempre Virgem Maria em corpo e alma ao Céu

São João Damasceno - Oratio 2 de Dormitione B.M.V. post initium

Hoje, a sagrada e animada [animata] arca de Deus vivente, que concebeu o Criador no seu útero, descansa no templo do Senhor, que não foi construído por mãos. E Davi exulta pela sua aparição, e o acompanham coros de Anjos, celebram os Arcanjos, as Virtudes glorificam, os Principados exultam, as Potestades se alegram junto, gozam as Dominações, os Tronos guardam um dia de festa, louvam os Querubins, apregoam a sua glória os Serafins. Hoje, o Éden do novo Adão recebe um paraíso animado [animatum], no qual a condenação foi ab-rogada, no qual foi plantada a árvore da vida, no qual foi coberna a nossa nudez.

Hoje, a Virgem imaculada, não rebaixada por nenhum afeto terreno, mas elevada aos pensamentos celestes, não voltou à terra, mas, por ser um céu animado [animatum], foi colocada nos tabernáculos celestes. Aquela, pois, da qual toda a verdadeira vida emanou, como provaria da morte? Mas ela se submeteu à lei estabelecida por Aquele que ela concebera, e, como filha do velho Adão, tomou sobre si a velha sentença (até o seu Filho, que é a própria vida, não a recusou), de modo que, como Mãe do Deus vivente, foi dignamente tomada para Ele.


Constituição Apostólica Munificentissimus Deus do Santo Padre, o Papa Pio XII, definindo o Dogma da Assunção de Nossa Senhora em Corpo e Alma ao Céu
<http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus_po.html>

5 de agosto de 2009

Orações para se dizer diante do Santíssimo Sacramento

"Prezados leitores, salve Maria Santíssima!
Eis algumas orações para se dizer diante do Santíssimo Sacramento exposto, retiradas do antigo Manual do Christão, edição de 1944."


"Orações para se dizer diante do Santíssimo Sacramento

Amorosíssimo Jesus e Senhor meu, eis-me aqui prostrado diante de vossa divina presença; com todas as minhas potências vos adoro e desejo unir minha adoração com todas aquelas com que haveis sido, sois e sereis adorado por toda a eternidade. Adoro-vos, e reverencio-vos, meu divino Salvador, nesse augustíssimo sacramento de nossos altares, e vos rogo que vos digneis visitar espiritualmente esta minha pobre alma, dando-vos ao mesmo tempo graças por esta vossa infinita bondade.
Oração ao Santíssimo Sacramento e ao Sagrado Coração de Jesus
Eis a que ponto chegou a vossa excessiva caridade, ó amantíssimo Jesus meu. Vós me preparastes um Banquete divino da vossa Carne e do vosso preciosíssimo Sangue, para vos entregardes todo a mim. Quem pôde impelir-me a tais transportes de amor? Foi unicamente o vosso amorosíssimo Coração. Ó Coração adorável de meu Jesus, fornalha ardentíssima do divino amor, recebei na vossa sacratíssima Chaga a minha alma para que eu aprenda a pagar com amor Àquele Deus que me deu tão admiráveis provas do seu amor. Amém.
Aspirações
Ó meu amorosíssimo Jesus, creio firmemente que estais nesse augusto sacramento, e por concomitância imediata vosso eterno Pai e o divino Espírito Santo. Ó imensa Divindade de meu Deus e Senhor! Eu vos adoro, saúdo, e reverencio com profundíssima submissão e respeito. Anjos do Céu, adorai, e honrai a meu Deus e Senhor que está neste trono do Altar, como em o sólio de sua glória, respirando amor e majestade. Potências de minha alma, humilhai-vos em sua adorável presença e ofertai-lhe venerações e homenagens. Ó amabilíssimo esposo de minha alma! Fazei que esta visita me fortaleça em vossa santa fé e amor, para corresponder quanto me é possível a vossos singulares benefícios; e para que nada mais deseje que amar-vos, dai-me um raio de vosso divino amor, para que abrase meu coração em vosso afeto e amor.
Oração
Amabilíssimo Jesus, digna vítima do eterno Pai, origem de todos os bens: eu vos adoro com todo meu coração nesse santíssimo sacramento, com vivo desejo de reparar todas as irreverências, profanações e sacrilégios que se hão cometido contra vós nesse venerável e altíssimo mistério. Adoro-vos em nome de todos os que nunca vos hão conhecido nem adorado; e quisera, Deus meu, dar-vos tanta honra e gloria, como vos dariam todos esses desgraçados, se vos conheceram, e vos tributaram seus respeitos. Quisera, meu divino Salvador, resumir em minha fé e amor toda a honra, amor e glória que eles houveram podido oferecer-vos em toda a extensão dos séculos. Desejo também dar-vos outras tantas bênçãos, como injúrias vomitam os condenados contra vossa suma bondade. E para que esta adoração vos seja mais agradável, quero uni-la às de vossa Esposa, a Universal Igreja. Minha intenção, Senhor, é dizer-vos tudo quanto inspirais à vossa Mãe santíssima, para dar-vos honra e glória; tudo o que vós mesmo dizeis a vosso eterno Pai, nesse glorioso e augusto Sacramento, em que o louvais, bendizeis, glorificais, e honrais, infinitamente. Amém.
Rezem-se cinco vezes o Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória-ao-Pai, em reverência das cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, dizendo a cada vez: <<Graças e louvores se dêem a cada momento ao santíssimo e diviníssimo Sacramento>>
Oração para a visita ao Santíssimo Sacramento
Senhor meu Jesus Cristo, que pelo amor que tendes aos homens, estais noite e dia neste Sacramento todo cheio de piedade e de amor, esperando, chamando, e acolhendo todos aqueles que vêm visitar-vos; eu vos creio presente no Santíssimo Sacramento do Altar, eu vos adoro do abismo de meu nada, e vos dou graças por todos os benefícios que me tendes feito; especialmente por vós mesmo vos terdes dado a mim neste Sacramento, e por me terdes dado como advogada vossa Mãe Maria Santíssima, e chamando-me a visitar-vos nesta igreja. Saúdo o vosso amantíssimo Coração, e minha intenção é fazê-lo por três motivos: primeiro, em ação de graças por esta grande dádiva; segundo, para compensar-vos de todas as injúrias que tendes recebido de todos os vossos inimigos neste Sacramento; terceiro, com a intenção de nesta visita adorar-vos em todos os lugares da terra, onde em vosso Sacramento sois menos reverenciado e estais em maior abandono. Jesus meu, amo-vos de todo o meu coração, arrependo-me de ter no passado, tantas vezes desgostado a vossa bondade infinita. Proponho com a vossa graça nunca mais ofender-vos para o futuro, e no presente, miserável qual sou, eu me consagro todo a vós, dou-vos toda a minha vontade, afetos, desejos e todo o meu ser. De hoje em diante fazei de mim e de tudo o que me pertence, aquilo que for de vosso agrado, só vos peço e quero o vosso santo amor, perseverança final, e o perfeito cumprimento de vossa vontade. Recomendo-vos as almas do Purgatório, especialmente as mais devotas do Santíssimo Sacramento e de Maria Santíssima. Recomendo-vos também os pobres pecadores. Desejo finalmente, unir, meu querido Salvador, todos os meus afetos com os do vosso amorosíssimo Coração, e assim unidos os ofereço a vosso eterno Pai, e peço-lhe em vosso nome, que por vosso amor os aceite e atenda. Amém.
Oração para a visita a Maria Santíssima
Santíssima Virgem Imaculada, Maria minha Mãe, a vós que sois a Mãe de meu Senhor, a Rainha do mundo, a advogada, a esperança, o refúgio dos pecadores, recorro eu, o mais miserável de todos. Saúdo-vos, ó grande Rainha, e dou-vos graças pelos benefícios que até o presente me tendes feito; especialmente por me terdes livrado do inferno que tantas vezes mereci.
Eu vos amo, Senhora amabilíssima, e pelo amor que vos tenho, prometo servir-vos sempre, e farei quanto possa para que também os outros vos amem. Em vós ponho todas as minhas esperanças, toda a minha salvação; aceita-me por vosso servo, e acolhei-me debaixo de vosso manto, vós que sois Mãe de misericórdia, e já que sois tão poderosa junto a Deus, livrai-me de todas as tentações e alcançai-me também a forma de vencê-las até à morte. A vós peço o verdadeiro amor de Jesus Cristo. De vós espero uma boa morte.
Minha Mãe, pelo amor que tendes a Deus, peço-vos que me ajudeis sempre, mas principalmente no último momento da minha vida. Não me desampareis enquanto não me virdes já salvo no Céu, a bendizer-vos e a cantar as vossas misericórdias por toda a eternidade. Amém.
Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, e não vos ireis para sempre contra nós.
Ato de desagravo
Prostrado diante de vós, divino Jesus, na presença de quanto há de mais augusto, no céu e na terra, à vista dos Anjos que vos adoram dos Santos que vos louvam, bendizem e servem; abismado no meu nada perante a vossa augusta Majestade, venho hoje desagravar-vos, do modo que me é possível, de todos os insultos, ultrajes e desacatos que sofreis todos os dias no augustíssimo Sacramento de vosso Corpo e Sangue, maiormente dos que ultimamente sofrestes (lembrar de um lugar em que se cometeu desacato a Jesus eucarístico, ou do desrespeito para com Jesus nas Missas, profanações, sacrilégios, etc.). Ferido de uma viva dor pelas ofensas e injúrias tantas que se cometem contra esse misericordioso mistério de amor, venho, Senhor, em meu nome, e em nome de todos os culpados, com o coração contrito e profundamente humilhado, fazer confissão pública de tantos crimes e iniquidades que a malícia e a ingratidão dos homens contra vós não cessa de cometer, propondo firmemente, Senhor, quanto em mim for, de reparar todas as injúrias de que fomos réus, os desgraçados filhos de Adão.
Oh! Quem me dera que a minha contrição e a dor que sinto fossem tão grandes como o amor! Oh! Por que não se convertem em rios de lágrimas meus olhos pecadores, para chorarem noite e dia as ofensas e desamor de vossos filhos, e de mim em particular, talvez de todos o mais culpado! Ah! Mesquinho de mim, que não tenho o zelo dos Apóstolos, o valor dos Mártires, a pureza das Virgens, e o inflamado amor dos Querubins para reparar todos os desacatos que tendes recebido!
Oh! Quem me dera puder regar com minhas lágrimas, e lavar com meu sangue todos os lugares santos em que vosso santíssimo Corpo foi desacatado!
Perdoai, amabilíssimo Jesus, o pouco respeito e irreverências, sacrilégios que contra vós se têm cometido no adorável Sacramento de nossos Altares, desde que, pelo grandíssimo excesso de vosso amor, vos dignastes de instituí-lo para memória de vossa paixão e santificação de nossas almas.
Perdoai, Senhor, nossa tibieza, nossa insensibilidade, e nossas dissipações, na presença de vossa augusta Majestade.
Perdoai, amabilíssimo Jesus, o pouco respeito e talvez a ostentação e hipocrisia com que venho a vosso divino banquete; a pouca disposição, nenhuma preparação com que comi o pão dos anjos, o maná dos escolhidos, e o alimento dos fortes. Sua força foi para mim fraqueza, e, em vez de receber o penhor da vida eterna, comi a condenação e a morte...Confundido no meu nada, horrorizado de meus tão feios crimes, quisera esconder-me de vós, como o primeiro culpado; porém, onde irei que não me vejais? Ouço, Senhor, a vossa voz que desse novo propiciatório me chama; voz mais suave que a que disse a Adão: “Onde estás?”; voz de pai compassivo, que abre os braços ao filho ingrato que julgava perdido, e que me diz: “Filho, dá-me teu coração”. Ah! Senhor e Pai meu, aqui o tendes, manchado pela culpa, desfigurado pela ingratidão, mas contrito e humilhado; abrandai-o, Senhor, como a fresca cera, acendei-o no fogo da caridade, e fazei que sempre arda como o de Agostinho. Sois a fonte da graça e da misericórdia, dai-me o dom da penitência e de misericórdia, dai-me o dom de paciência, a abundância das que destes a Davi para que eu possa fazer-vos uma reparação solene, sincera, cabal e digna de vossa Majestade agravada. Tornai eficaz pela vossa graça o desejo ardente que tenho, a firme resolução em que estou de vos amar constantemente e de vos adorar sem interrupção nesse eucarístico Sacramento de vosso amor.
Protesto, Senhor, que não faltarei jamais ao respeito que por tantos motivos vos é devido; prometo fazer todos os esforços, para procurar a vossa maior glória por todos os meios que estiverem ao meu alcance, e em todos os lugares em que isto me seja possível. Zelo ativo e incansável, conselhos saudáveis, exemplos persuasivos, tudo empregarei para fazer amar, acatar adorar o Deus de bondade e de misericórdia que repousa em nossos Altares.
Ó Deus, todo amor, todo caridade! Derretei o gelo de nossos corações; corações que, se vos amarem, não serão capazes de vos ofender; abrasai-os com o fogo sagrado de vosso amor; fazei deles um holocausto digno de vós. Sois o Pontífice da Caridade, reinai em nós. Não se afastem nunca de vós nossos corações, sejam todas nossas afeições reguladas pelas vossas; sejam nossos desejos, pensamentos e ações conforme aos vossos.
Fazei, meu bom Jesus, que não vivamos, nem respiremos, nem morramos senão em vós e por vós; sois nosso Deus, nosso Pastor, e nosso Pai; sede nossa alegria, nossa recompensa e nossa bem-aventurança no tempo e na eternidade. Amém.
Ato de desagravo e reparação ao Sagrado Coração de Jesus
Ó Coração dulcíssimo de Jesus! Coração Hóstia. Coração Vítima, para quem os homens ingratos só têm indiferença, esquecimento e desprezo, permiti a vossos filhos da Guarda de Honra virem neste dia de salvação e perdão pedir misericórdia a vossos pés, e dar-vos reparação pelas traições, atentados e sacrilégios de que sois a vítima adorável no vosso Sacramento de amor.
Ah! Pecadores, nós mesmos, apenas ousamos apresentar-nos!...Cada um teme, a cada um falta a coragem para elevar a voz em favor de seu irmão. Entretanto, ó Jesus, confiado na infinita bondade de vosso Coração e prostrando-nos humildemente perante vossa Majestade três vezes santa, tão indignamente ultrajada pelos crimes que inundam a terra, ousamos dizer-vos: Senhor não castigueis, não castigueis! Ou pelo menos, não castigueis ainda! Vosso amor tão indulgente perdoará nossa temeridade!
Ó Coração de Jesus!...Coração tão generoso, e tão terno. Coração tão amante e tão doce...perdão, primeiramente para nós...perdão para os pobres pecadores! Aceitai nosso desagravo, nossa reparação pelas blasfêmias com que tanto vos ultrajam! Perdão para os blasfemadores!
Reparação pelas profanações de vossos Sacramentos e do santo dia que vos é consagrado...Graça e misericórdia para os profanadores!
Reparação pelas irreverências e imodéstias cometidas no lugar santo...Graças e perdão para os sacrilegos!
Reparação pela indiferença que de vós aparta tantos cristãos....Graças e perdão para os ingratos!
Reparação por todos os crimes! Ainda uma vez, Senhor, graça e perdão para todos os homens!
Favorecei-nos, Senhor, em consideração do Coração adorável de vosso divino Filho, que vela em todos os santuários, Vítima permanente por nossos pecados! Seja ouvido em nosso favor seu Sangue preciosíssimo...Cessem as ofensas!...Estabeleça-se vosso divino amor, reine, triunfe nos corações de todos os homens, para que todos reinem convosco no Céu por toda a eternidade. Amém.
Oração reparadora
Na primeira sexta-feira
Divino Salvador Jesus! Dignai-vos olhar com amor e misericórdia para os vossos filhos que, unidos em um mesmo pensamento de Fé, de Esperança e de Amor, vêm chorar a vossos pés suas infidelidades e as de seus irmãos os pobres pecadores! Dai, Senhor, que as promessas unânimes e solenes que vamos fazer, toquem vosso divino Coração e dele alcancem misericórdia para nós, para o mundo infeliz e criminoso, e para todos aqueles que não têm a felicidade de vos amar! Daqui por diante, sim, todos vos prometemos:

Do esquecimento e da ingratidão dos homens: Nós vos consolaremos, Senhor.
Do abandono em que sois deixado no Santo Tabernáculo,
Dos crimes dos pecadores,
Do ódio dos ímpios,
Das blasfêmias proferidas contra vós,
Das injúrias feitas à vossa Divindade,
Dos sacrilégios com que se profana o vosso Sacramento do Amor,
Das imodéstias e irreverências cometidas em vossa presença adorável,
Das traições de que sois a vítima adorável,
Da tibieza do maior número de vossos filhos,
Do desprezo que se faz de vossos convites amorosos,
Da infidelidade daqueles que se dizem vossos amigos,
Do abuso de vossas graças,
Das nossas próprias infidelidades,
Da incompreensível dureza de nossos corações,
Da nossa longa demora em vos amar,
Da nossa frouxidão em vosso santo serviço,
Da amarga tristeza que vos causa a perda das almas,
De vosso longo esperar às portas de nossos corações,
Das amargas repulsas que sofreis,
Dos vossos suspiros de amor,
Das vossas lágrimas de amor,
Do vosso cativeiro de amor,
Do vosso martírio de amor,
Oração
Divino Salvador Jesus, que de vosso Coração deixastes sair esta queixa dolorosa: “Procurei consoladores e não os achei”, dignai-vos de aceitar o fraco tributo de nossas consolações e assistir-nos tão poderosamente com o socorro e vossa graça, que para o futuro, fugindo cada vez mais de tudo o que vos poderia desagradas, nos mostremos em tudo, por toda a parte e sempre, vossos filhos mais fiéis e dedicados. Nós vos pedimos por vós mesmo que sendo Deus, como o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais nos séculos dos séculos. Amém.
Ato de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus
Ó Jesus, verdadeiro Filho de Deus vivo, que do alto de vosso glorioso trono vos dignastes pronunciar em favor de nós estas palavras inefáveis: “Meu filho, dá-me teu coração!”, permiti que correspondendo ao excesso de um tal amor, venhamos oferecer-vos, dedicar-vos, consagrar-vos, inteiramente e para sempre estes fracos e miseráveis corações, de que sois tão cioso! Por muito tempo, Senhor, os oferecemos às criaturas, aos falsos bens deste mundo. Por muito tempo resistimos às vossas graças, rejeitamos vosso convite e em vão procuramos a felicidade que em vós somente se pode encontrar! Instruídos pela própria experiência...confusos pela longa demora em vos amar, tocados pelo inexplicável amor que testemunhais a indignas criaturas, eis-nos aqui suplicando-vos que aceiteis a oferta total que vos fazemos de todos os nossos corações. Recebei-os no vosso amabilíssimo Coração, ó amado Salvador! E guardai-os para sempre! São corações ingratos, infiéis que poderiam ainda atrairçoar-vos e abandonar-vos. Para reparar nossas infidelidades passadas, pretendemos e desejamos, ó Jesus, que todas as pulsações de nossos corações vos sejam daqui por diante outros tantos protestos de amor mais puro, mais dedicado e mais terno.
Unimos estes fracos atos aos atos ardentíssimos que continuamente vos oferece o Coração de vossa Mãe Imaculada, todos os Anjos e todos os Santos!
Finalmente, quiséramos, ó amabilíssimo Salvador, poder consagrar e dedicar a vosso amor os corações de todos os homens que estão na terra e assim suprir a insuficiência de nosso amor para convosco. Aceitai estes humildes desejos, ó Jesus, e dignai-vos abençoá-los, e fazei com que tendo-vos fielmente amado, servido e consolado sobre a terra, como verdadeiros Guardas da Honra, tenhamos a felicidade de oferecer-vos no Céu um eterno hino de Louvor, de Amor e de Bênção."

4 de agosto de 2009

Padre Fábio de Melo: péssimo e lastimável exemplo para o Ano Sacerdotal

Ronaldo Mota
Introdução
Afirma Santo Tomás de Aquino que: "Pertence, com efeito, ao que aceita um dos termos contrários refutar o outro, como, por exemplo, acontece na medicina: esta trata da saúde e afasta a doença.".[1] Exatamente por isso nós que louvamos e veneramos os bons sacerdotes queremos censurar os maus. Ademais, estamos no Ano Sacerdotal, e queremos, enquanto Sua Santidade o Papa Bento XVI louva o Santo Cura d´Ars como modelo de sacerdote, combater aqueles que desonram o sacerdócio e são a vergonha da Igreja de Cristo.[2] Por que: "Diz S. João Crisóstomo que nunca Deus é tão ofendido como quando os que o ultrajam estão revestidos da dignidade sacerdotal.".[3]             

O dever do sacerdote
Assim nos ensina Santo Afonso de Ligório e a Santa Tradição Católica e Apostólica:
"O próprio Jesus Cristo diz que viera ao mundo para acender o fogo do amor divino. Eis a que o padre deve consagrar toda a sua vida e todas as suas forças. Não tem que trabalhar em adquirir tesouros, honras e bens terrenos, mas unicamente em ver a Deus amado de todos os homens.".[4]
Ora, "pode-se, por acaso, amar o que não se conhece? Pode-se amar ardentemente o que só se conhece imperfeitamente? Por que é tão pouco amada a Sabedoria eterna e encarnada, o adorável Jesus? Porque o conhecem pouco ou não conhecem!".[5] Portanto, é preciso ensinar: "Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinado-as a observar todas as coisas que vos mandei." (Mt XXVIII, 19-20).
Quando pensamos nesse mandamento de Cristo e olhamos para muitos bispos e padres de hoje, ficamos desolados. Quantos sacerdotes ao invés de ensinar a verdade disseminam o erro. Ao invés de conduzirem à Vida desviam para a morte. De modo que os escolhidos para tornar Nosso Senhor conhecido e amado escondem, com suas loucuras, a Face do Altíssimo e trabalham para que Ele seja menos amado pelos homens.
Um desses infelizes sacerdotes é o Pe. Fábio de Melo, que tem escandalizado a muitos, ensinando publica e abertamente pestilentas heresias.
As heresias
I. Pe. Fábio de Melo contra a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia.
O que nos ensina Pe. Fábio de Melo sobre a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia? Segundo ele:
"O que é a presença real? A matéria consagrada? O pão e o vinho somente? Não. Juntamente com as duas substâncias está o bonito e sugestivo significado da ausência.".[6]
Ora, no Sacramento da Eucaristia a matéria consagrada é o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo! Isso é o que nos ensina o catecismo:
"Qual é a matéria do Sacramento da Eucaristia? A matéria do Sacramento da Eucaristia é a que foi empregada por Jesus Cristo, a saber: o pão de trigo e o vinho de uva.
Que é consagração? A consagração é a renovação, por meio do sacerdote, do milagre operado por Jesus Cristo na última Ceia, quando mudou o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue adorável, por estas palavras: Isto é o meu Corpo; este é o meu Sangue.".[7]              
Portanto: "na Eucaristia, o que antes da Consagração era simples pão e vinho, é verdadeira substância do Corpo e Sangue de Nosso Senhor, desde que se efetuou a Consagração.".[8] 
Logo, é na matéria consagrada que se dá, de fato, a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo. E negar essa verdade é defender a mentira. É ensinar heresia.
Vejamos. O que é a Eucaristia para o Pe. Fábio de Melo?
"eucaristia, acontecimento ritual que nós, católicos, chamamos de 'presença real de Cristo'. O que é a presença real? A matéria consagrada? O pão e o vinho somente? Não. Juntamente com as duas substâncias está o bonito e sugestivo significado da ausência.".[9] 
Desse modo, para Pe. Fábio de Melo, a Eucaristia seria: um acontecimento ritual, que nós católicos chamamos de presença real de Cristo, onde juntamente com as duas substâncias está o bonito e sugestivo significado da ausência.
Portanto, podemos concluir que para o Pe. Fábio de Melo:
1. Na Eucaristia há duas substâncias: a do pão e a do vinho.
2. Ou, forçando o sentido para ser mais benévolo, na Eucaristia haveria duas substâncias: a da matéria necessária para o Sacramento (pão e vinho) e a substância de Cristo.
No primeiro caso ele seria condenado pelo Concílio de Trento (ses. XIII, c.I):
"Se alguém negar que o Santíssimo Sacramento da Eucaristia contém verdadeira, real e substancialmente o corpo e o sangue, juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e, portanto, Cristo inteiro; mas disser que somente está em sinal, figura ou virtude: Seja Anátema.".[10] 
E no segundo caso?
Também não escaparia:
"Seja anátema quem disser que no sacrossanto Sacramento da Eucaristia remanesce a substância do pão e do vinho, juntamente com o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo".[11]
Logo, Pe. Fábio de Melo nega a presença real e incorre em heresia não ensinando o que todo católico deveria saber, ou seja, que na Eucaristia há apenas uma substância: a de Nosso Senhor Jesus Cristo. 
Por fim, Pe. Fábio de Melo faz uma afirmação estranhíssima, que corrobora sua negação da presença real. Segundo ele, na Eucaristia há, também, um "bonito e sugestivo significado da ausência.". Absurdo! Na Eucaristia não há significado de ausência coisa nenhuma, mas, pelo contrário, existe a presença real e – para que o Pe. Fábio de Melo não esqueça – substancial de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Tudo isso é triste, lastimável e condenável.
Nós sabemos que o Pe. Fábio de Melo defende a evolução dos dogmas.[12] Mas a santa doutrina é imutável como o Deus que ela nos revela. Tanto é assim que essa heresia ensinada pelo Pe. Fábio de Melo foi condenada, não só pelo Concílio de Trento (séc. XVI), mas por toda a santa e milenar Tradição da Igreja Católica.
Vejamos.
No II século, São Justino, descrevendo a Missa, afirmou: "Este alimento chama-se entre nós Eucaristia... E não tomamos este como pão comum, nem como bebida comum; mas assim como pelo Verbo de Deus feito carne, Jesus Cristo nosso Salvador teve carne e sangue por causa de nossa salvação, assim também se tem nos ensinado que naquele alimento no qual se deram graças pela súplica que contém as palavras Dele... é a carne e o sangue daquele Jesus encarnado.".[13]
No século V, o Papa São Leão Magno afirmou: "Dizendo o Senhor: Se não comerdes a carne do Filho do homem e beberdes seu sangue, não tereis vida em vós (Io. VI, 53), deveis participar da sagrada mesa, de tal maneira que nada duvideis sobre a verdade do corpo e do sangue de Cristo.".[14] 
E no século IV nos fala São Cirilo de Jerusalém: "Havendo ele mesmo pronunciado e dito do pão: Isto é meu corpo. Quem se atreverá a duvidar? E havendo Ele mesmo assegurado e dito: Este é meu sangue. Quem o porá em dúvida, dizendo que não é seu sangue?".[15]
O Pe. Fábio de Melo negou. Pesam sobre ele as condenações da Igreja Católica.
II. Pe. Fábio de Melo contra a Ressurreição de Jesus Cristo.
O que Pe. Fábio de Melo nos ensina sobre a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo? Segundo ele:
"Gosto de compreender a ressurreição de Jesus da mesma forma. Diante da ausência sentida, a saudade fez o apóstolo intuir e proclamar: 'Ele está no meio de nós!'".[16]
A ausência sentida e a saudade fizeram o apóstolo intuir? Por que ausência? Pela Ressurreição Nosso Senhor não voltou a estar, inclusive com corpo (portanto, materialmente), entre os apóstolos?[17] Não são eles mesmos que nos afirmam: "Nós vimos o Senhor" (Jo XX, 25). Ou Santa Maria Madalena: "Vi o Senhor e ele me disse essas coisas." (Jo XX, 18). Por que saudade? Ora, só se tem saudade de quem não está presente, mas diz o Evagelho: "Chegada, pois, a tarde daquele dia, que era o primeiro da semana, e estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se achavam juntos, com medo dos judeus, foi Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se, pois os discípulos ao ver o Senhor." (Jo XX, 19-20).
Disso tudo, podemos concluir três coisas:
1. Nosso Senhor não estava ausente, mas presente – inclusive materialmente – entre os apóstolos.
2. É difícil imaginar como os apóstolos podiam ter saudades de Cristo, sendo que Cristo estava com eles.
3. Nosso Senhor deu-lhes uma prova material daRessurreição ao mostrar-lhes as mãos perfuradas pelos cravos e o lado perfurado pela lança.      
O que é, portanto, que Pe. Fábio de Melo quer dizer com tudo isso?
Falando sobre seu modo de pensar a Ressurreição, ele nos afirma:
"Não importa que haja um corpo encontrado ou um corpo desaparecido. O que a ressurreição nos sugere é muito mais que um corpo material. O mais importante, e o que verdadeiramente pode mover o cristianismo no tempo, não está na prova material da ressurreição, mesmo porque não a temos.".[18]
E num artigo de seu Blog, ao falar da Ressurreição, declara:
"O que me instiga em tudo isso é a falta de provas para o fato. O sepulcro estava aberto, vazio. (...) A imposição dessa verdade não passa pela materialidade do mundo, nem tampouco pode ser explicada através das claras regras que foram postuladas por nossa razão cartesiana. (...) Estamos falando de algo maior, superior. O que despertou o grito da ressurreição foi o encontro dos olhares de quem havia estado com Ele. Foi o momento em que João reconheceu em Pedro a presença do Mestre.".[19]
Agora fica mais claro. Pe. Fábio de Melo nega que existem provas da Ressurreição.
Mas o que nos diz o Evangelho a respeito?
Vejamos:
"Enquanto falavam nisto, apresentou-se Jesus no meio deles e disse-lhes: A paz seja convosco. Mas eles turbados e espantados, julgavam ver um espírito. Jesus disse-lhes: porque estais turbados e que pensamentos são esses que vos sobem aos corações? Olhai para minhas mãos e pés, porque sou eu mesmo; apalpai, e vede, porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vós vedes que eu tenho. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas, não crendo eles ainda e estando fora de si com a alegria, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que se coma? Eles apresentaram-lhe uma posta de peixe assado e um favo de mel. Tendo-os tomado comeu-os à vista deles. Depois disse-lhes: Isto são as coisas que eu vos dizia, quando ainda estava convosco, que era necessário que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos. Então abriu-lhes o entendimento, para compreenderam as Escrituras; e disse-lhes: Assim está escrito, e assim é necessário que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos ao terceiro dia, e que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas dessas coisas." (Lv XXIV, 36-48).
Desse modo podemos concluir, contra o Pe. Fábio de Melo, que:
1. Havia provas de sobra para o fato. Aliás, bem materiais, diga-se de passagem.
2. O que fez os apóstolos crerem na Ressurreição não foi o encontro dos olhares coisa nenhuma, mas ver Nosso Senhor ressuscitado, falando e comendo com eles.
3. Deus Nosso Senhor quis provar com um milagre visível sua Ressurreição.
4. Negar que existem provas da Ressurreição é o mesmo que negar as Sagradas Escrituras e, por conseqüência, a própria Ressurreição.
Como não poderia deixar de ser, a Santa Madre Igreja, para proteger a fé dos erros modernistas, condenou no Decreto Lamentabili de São Pio X a seguinte afirmação: "A ressurreição do Salvador não é propriamente um fato de ordem histórica, mas de ordem meramente sobrenatural que não foi demonstrado, nem é demonstrável, e que a consciência cristã insensivelmente deduziu de outros fatos.".[20]   
Negar a existência de provas é negar que a Ressurreição seja demonstrável. E negar que haja provas é negar o caráter histórico do fato (Ressurreição) narrado pelas Sagradas Escrituras.
Portanto, Pe. Fábio de Melo, infelizmente, incorre em mais uma condenação da Igreja.  
III. Pe. Fábio de Melo contra a Imutabilidade dos Dogmas.
Como já havíamos informado em nota, chegou ao nosso conhecimento, pela internet, uma entrevista do Pe. Fábio de Melo em um péssimo programa de TV. Nessa entrevista, Pe. Fábio de Melo afirma – sem o menor constrangimento – que:
"Eu, no tempo que dei aula, eu sempre disse para os alunos que a primeira coisa que nós precisamos nos despir é dessa arrogância de que nós somos proprietários da verdade suprema. E que a teologia é sempre uma palavra sobre Deus. Nunca a palavra definitiva, e por isso que nós vivemos esse processo de evolução das idéias também dentro da teologia. O dogma, nós dizemos que é uma verdade que já está estabelecida. Mas o que nós podemos saber sobre esse dogma ainda está em processo de vir-a-ser.". [21]  
Com um linguajar tipicamente relativista, Pe. Fábio de Melo declara:
1. Não há palavra definitiva em teologia.
2. O que nós podemos saber dos dogmas está em processo de vir-a-ser, isto é, de mudança.
Ora, se não há palavra definitiva não há verdade imutável (um dogma, por exemplo). Logo, os dogmas evoluem. Do mesmo modo, se aquilo que podemos saber sobre os dogmas está em processo de vir-a-ser, está mudando. Portanto, para nós os dogmas mudam. Conseqüentemente, Pe. Fábio de Melo defende a evolução do dogma.
Mas o que nos ensina a Igreja Católica sobre essa doutrina?
"Assim pois, temos o caminho aberto à íntima evolução do dogma. — Eis aí um acervo de sofismas, que subvertem e destroem toda a religião!".[22]
Alguém de bom senso duvidará que essa doutrina, que prega o relativismo religioso, ao negar toda e qualquer verdade destrói todos os limites do homem e o faz escravo dos seus caprichos mais insanos? Por isso, damos graças a Deus que condenou, por meio de sua Igreja, essa mentira perversa:
"e mais solenemente ainda a proscreve o Concílio Vaticano I por estas palavras: A doutrina da fé por Deus revelada, não é proposta à inteligência humana para ser aperfeiçoada, como uma doutrina filosófica, mas é um depósito confiado à esposa de Cristo, para ser guardado com fidelidade e declarado com infalibilidade. Segue-se, pois, que também se deve conservar sempre aquele mesmo sentido dos sagrados dogmas, já uma vez declarado pela Santa Mãe Igreja, nem se deve jamais afastar daquele sentido sob pretexto e em nome de mais elevada compreensão (Const. "Dei Fillius", cap. IV). De maneira alguma poderá seguir-se daí que fique impedida a explicação dos nossos conhecimentos, mesmo relativamente à fé; ao contrário, isto a auxilia e promove. Neste sentido é que o Concílio prossegue dizendo: Cresça, pois, e com ardor progrida a compreensão, a ciência, a sapiência tanto de cada um como de todos, tanto de um só homem como de toda a Igreja com o passar das idades e dos séculos; mas no seu gênero somente, isto é, no mesmo dogma, no mesmo sentido, no mesmo parecer (Lugar citado).".[23]
Mais uma vez Pe. Fábio de Melo ensina doutrinas condenadas pela Igreja Católica.  
Mas não contente com tudo isso, Pe. Fábio de Melo concorda, com seu entrevistador, que Adão atualmente é apresentado pela Igreja como uma figura "simbólica" e "fabulesca". E isso depois de ter afirmado, lamentavelmente, que quando se fala em "condição adâmica" não há nenhum problema em abrir "uma reflexão" sobre a criação do evolucionismo.[24]
Pe. Fábio de Melo, portanto, defende uma posição modernista condenada Por São Pio X na Pascendi. Aliás, ele mesmo confessou seu modernismo. Quando lhe disseram que Adão não é uma figura "fabulesca" e que Igreja afirma a verdade histórica dos fatos narrados nas Sagradas Escrituras, ele declarou: "Não, não é isso que ensina a Igreja.".[25] 
É sem dúvida muito triste essa situação. É chocante ver um sacerdote – apesar do jeitão de ator – capitulando vergonhosamente diante das elucubrações falsas do evolucionismo e das loucuras ridículas do relativismo. Nós só podemos lamentar. 
Mas a Igreja não. Ela pode e tem o dever de condenar. Por isso:
"788. 1) Se alguém não confessar que o primeiro homem Adão, depois de transgredir o preceito de Deus no paraíso, perdeu imediatamente a santidade e a justiça em que havia sido constituído; e que pela sua prevaricação incorreu na ira e indignação de Deus e por isso na morte que Deus antes lhe havia ameaçado, e, com a morte, na escravidão e no poder daquele que depois teve o império da morte (Heb 2, 14), a saber, o demônio; e que Adão por aquela ofensa foi segundo o corpo e a alma mudado para pior – seja excomungado.".[26]
Podemos ver que, ao contrário do Pe. Fábio de Melo, o Concílio de Trento não considerava Adão uma figura "fabulesca" ou simbólica. Mas uma pessoa real, isto é, o primeiro homem criado por Deus. E não pela evolução. Aliás, é bom lembrar, para Pe. Fábio de Melo e aqueles que defendem a evolução, que o Papa Bento XVI, ao tratar do desenvolvimento do homem em sua última encíclica (Caritas in Veritate), opõe-se à evolução afirmando que:
"O homem não é um átomo perdido num universo casual, mas é uma criatura de Deus, à qual quis dar uma alma imortal e que desde sempre amou. Se o homem fosse fruto apenas do acaso ou da necessidade, se as suas aspirações tivessem de reduzir-se ao horizonte restrito das situações em que vive, se tudo fosse somente história e cultura e o homem não tivesse uma natureza destinada a transcender-se numa vida sobrenatural, então poder-se-ia falar de incremento ou de evolução, mas não de desenvolvimento.".[27]
Portanto, aquilo que a Igreja sempre ensinou, atualmente repete pela boca do Papa Bento XVI: o homem é uma criatura de Deus. Ele não é fruto do acaso e nem da evolução.
Mas, infelizmente, há padres que ensinam o contrário.
Triste, lastimável e condenável.                       
  
V. Comparação
Tratando da santidade que o sacerdote deve ter como ministro do altar, Santo Afonso de Ligório nos ensina:
""Um verdadeiro ministro do altar forma-se para Deus, e não para si ". Significam estas palavras de Sto. Ambrósio que um padre deve esquecer as suas comodidades, as suas vantagens e os seus gostos; deve persuadir-se que, desde o dia em que recebeu o sacerdócio, não é seu, mas de Deus. Tem muito a peito o Senhor que os padre sejam puros e santos, para que possam comparecer na sua presença, isentos de todo defeito...".[28]
Essa era, sem dúvida, a preocupação do Santo Cura d´Ars. Como nos lembra o Santo Padre: "O Cura d'Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo «habitar», mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: «Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. (…) Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá».".[29]
Mas o que sabemos do Pe. Fábio de Melo? Ele negou-se a si mesmo, isto é, aos seus gostos, às suas vaidades e comodidades para ser sacerdote?
Vejamos:
"Meu ofício é controverso. Eu não sepultei algumas de minhas vaidades para ser o que sou. Eu ainda continuo acreditando que a pior de todas as vaidades é a vaidade de não ter vaidades.".[30]
Ou ainda: "Querendo o direito de cuidar das minhas olheiras sem que isso pareça um crime.".[31]
Essa é a declaração que encontramos no Blog de Pe. Fábio de Melo.
Não há dúvida que basta olhá-lo para notarmos uma porção de vaidades. Mas não basta termos que notá-las com tristeza. Pe. Fábio de Melo ainda faz apologia das vaidades. Em suma, ele confessa, lastimavelmente, que não fez o que é necessário para se tornar sacerdote.
O modelo de sacerdote, Santo Cura d´Ars, nós o encontramos na Igreja, rezando e fazendo penitencia pela conversão dos pecadores. Nele não havia lugar nem tempo para vaidades. E além de não ter vaidades era humilíssimo. Tinha apenas uma batina e a usava até o fim. Seus calçados eram todos muitíssimo remendados. Apesar de ser responsável pelo reduzido número de 230 fiéis mal tinha tempo para comer.
E por quê? Porque não tinha outro ofício senão o de salvar as almas:
"À uma da manhã em ponto, faz a sua oração na Igreja. Confessa as mulheres até às seis. Às seis, celebra a sua missa. A seguir, faz a sua ação de graças. Depois fica à disposição dos fiéis para abençoar-lhes as imagens e dar-lhes conselhos. Por volta das oito, ele se permite, a instâncias das moças da Providência, ir lá tomar, do outro lado da praça, meio copo de leite sem pão. Como também elas precisam de conselhos, distribui-os generosamente. Às oito e meia, está de volta e atende os homens na sacristia. Às dez, interrompe-se e vai render a sua homenagem a Deus recitando as suas horas menores. E depois confessa mais um pouco. Às onze, volta à Providência para ensinar o catecismo às crianças, às suas órfãs especialmente, e também a muitos adultos. Ao meio dia, reza o Angelus e retorna à casa paroquial para almoçar. Atravessar a praça leva cerca de um quarto de hora, porque a multidão se comprime à sua volta; é preciso continuar a aconselhar e a abençoar. Almoça de pé, rapidamente, muitas vezes enquanto fala, pois os paroquianos mais próximos se aproveitam das refeições para confiar-lhe as suas misérias. Ainda assim, já ao meio dia e meia tem de visitar os seus enfermos, sempre escoltado pela multidão que não se cansa de interrogá-lo. Assim que volta à igreja, mergulha no seu breviário, a tempo de ler as vésperas e as completas. Mal fecha o livro, retorna ao confessionário. As mulheres o retém ali até às cinco. Passa aos homens, que o retém até às oito. Enfim, sobe ao púlpito para recitar a oração vespertina e o terço da Imaculada Conceição.
Depois desse longo e penoso trabalho, imaginamos que vá jantar e depois dormir?
Não. Nem sempre consegue jantar; é preciso que receba em sua casa quantas almas delicadas, difíceis de convencer ou de dirigir. Também tem de terminar o seu breviário: matinas e laudes, a parte mais longa. Com isso chegamos às dez horas da noite. Não é raro, também, que retorne à igreja a fim de confessar mais um pouco, e que de lá não volte senão depois da meia-noite. Depois deita-se. Mas a noite será curta: a nova jornada, como a anterior começa bem antes do nascer do sol. (...)
Este regime há de durar trinta anos.".[32]
Como é possível ter como exemplo Santo Cura d´Ars e nem sequer deixar umas miseráveis vaidades?!
Loucura. Não é possível.
Como é possível, Pe. Fábio de Melo, perder tempo com academia, qual mundanos sensuais que só tem olhos para os corpos, e deixar perder-se as almas de Nosso Senhor?!
Como é possível, Pe. Fábio de Melo, perder tempo cuidando das próprias olheiras e deixar as almas cegas sem o conhecimento da Verdade?!                   
Triste, lastimável e condenável.
Conclusão
Santo Afonso nos afirma que: "Devem também os padres ser santos, porque Deus os colocou na terra para serem modelos de virtude.".[33]
É possível, pois, consagrar-se ao sacerdócio e não renegar as próprias vaidades?
Não é.
"Dalí esta reflexão de Sto. Isidoro: Quem foi colocado à frente dos povos para os instruir e formar na virtude, deve ser santo em tudo, inteiramente irrepreensível.".[34]
Triste e terrível é o estado de quem pensa e vive, como Pe. Fábio de Melo, contrariamente a essas verdades. E para ele não há desculpas:
"Pregado na cruz, rogou o nosso Salvador pelos seus perseguidores: Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem. Mas esta oração não aproveitou para os maus padres; foi antes a sua sentença de condenação, porque os padres sabem o que fazem.".[35]
Alguém, ignorante das verdades da religião e não avaliando bem a seriedade do problema, poderia não entender como a suavidade da Igreja e dos santos pode conviver com tantas e duras condenações. Mas repreender ou condenar os que erram é uma das maiores obras de caridade: "Portanto, repreende-os asperamente, para que sejam sãos na fé" (Tt I, 13). Ora, a fé nos dá a salvação eterna, portanto, a Igreja faz grande obra de caridade condenando.
Sendo assim, terminamos com uma citação que lembra a grande dignidade do sacerdócio, mas também adverte duramente os maus padres:
"Compreende bem, ó padre: Deus, elevando-te ao sacerdócio, ergue-te até o Céu, e fez de ti, não mais um homem da terra, mas um homem celeste, pensa pois quanto te será funesta uma queda, segundo o aviso de S. Pedro Crisólogo. A tua queda, diz S. Bernardo, será semelhante à do raio que se precipita com impetuosidade. Quer dizer que a tua perda será irreparável. Assim, ó desgraçado, cairá sobre ti a ameaça que o Senhor lançou sobre Cafarnaum: E tu, ó Cafarnaum, erguida até o Céu, serás abatida até o inferno. (Luc. X, 15)".[36]                        
Santo Cura d´Ars, rogai por nós.
    
             
  


[1] Suma Contra os Gentios. Livro I. Cap. I 
[2] Daí o Papa Bento XVI lamentar-se: "Infelizmente existem também situações, nunca suficientemente deploradas, em que é a própria Igreja a sofrer pela infidelidade de alguns dos seus ministros. Daí advém então para o mundo motivo de escândalo e de repulsa." - CARTA DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI PARA A PROCLAMAÇÃO DE UM ANO SACERDOTAL POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DO DIES NATALIS DO SANTO CURA D'ARS (negrito nosso). Link: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/letters/2009/documents/hf_ben-xvi_let_20090616_anno-sacerdotale_po.html (31/07/09).
[3] (Sto.) Afonso Maria de Ligório. A Selva. Porto: Tipografia Fonseca (Ed. PDF de FI. Castro, 2002.), 1928. p. 17
[4]  Idem. p. 10  
[5] MONTFORT, Luis Maria Grignon de. El Amor de la Sabiduria Eterna. In: Obras. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos. 1984, p. 128.   
[6] MELO, Fábio de, CHALITA, Gabriel. Cartas entre amigos. São Paulo: Ediouro, 2009. p. 31 (o negrito é nosso). 
[7] Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã (Catecismo Maior de São Pio X). Parte IV. Cap. IV. § 1
[8] Catecismo Romano. Parte II. Cap. IV, 9 (negrito nosso).
[9] Fábio de Melo e Gabriel Chalita. op. cit. p. 31.
[10] ALASTRUEY. Gregório. Tratado de la Santisima Eucaristia. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos. 1952, p. 69.
[11] Catecismo Romano. Parte II. Cap. IV, 36
[12] Ficamos sabendo, pela internet, que o Pe. Fábio de Melo defendeu abertamente – num ambiente asqueroso – a evolução dos dogmas. Link:  
[13] Gregório Alastruey. op. cit. p. 84
[14] Idem. p. 86
[15] Idem. p. 85
[16] Fábio de Melo e Gabriel Chalita. op. cit. p. 30.
[17] "No terceiro dia depois da morte, que era um domingo, pela madrugada, Sua Alma se uniu ao Corpo. Deste modo, Aquele que por três dias estivera morto, tornou à vida que, com a morte, havia deixado, e ressuscitou." (Catecismo Romano. Parte I. Cap. VI, 7). 
[18] Fábio de Melo e Gabriel Chalita. op. cit. p. 30
[19] Encontrado no site: www.fabiodemelo.com.br (30/07/09 – negrito nosso)
[20] Papa S. Pio X - "Lamentabili Sine Exitu" MONTFORT Associação Cultural http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=decretos&artigo=lamentabili&lang=bra
Online, 30/07/2009 às 14:51h
[21] Veja entrevista. Link: http://www.youtube.com/watch?v=HzN-ZzN_pGY (30/07/09) – (transcrição nossa).
[22] São Pio X - "Pascendi Dominici Gregis"
MONTFORT Associação Cultural
Online, 30/07/2009 às 20:04h
[23] Idem.
[24] Veja entrevista. Link: http://www.youtube.com/watch?v=HzN-ZzN_pGY (30/07/09)
[25] A carta na qual ele confessa sua heresia modernista está disponível no seguinte link: http://exsurge.wordpress.com/2009/07/20/resposta-a-carta-aberta-pe-fabio-de-melo/ (03/08/09).
[26] "Concílio Ecumênico de Trento"
MONTFORT Associação Cultural
Online, 31/07/2009 às 00:27h
[27] Papa Bento XVI. Caritas in Veritate. Cap. II. § 29 (negrito nosso).  
[28] Santo Afonso de Ligório. op. cit. p. 13. (negrito nosso)
[29] CARTA DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI PARA A PROCLAMAÇÃO DE UM ANO SACERDOTAL POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DO DIES NATALIS DO SANTO CURA D'ARS (negrito nosso).
[30] Padre Fábio de Melo – Meu Ofício. Encontrado no site: www.fabiodemelo.com.br (31/07/09)  
[31] Idem.
[32] GHÉON. Henri. O Cura D´Ars. São Paulo: Ed. Quadrante. 1986, pp. 96-99.
[33] Santo Afonso de Ligório. op. cit. p. 15.
[34] Idem. (negrito nosso).
[35] Idem. op. cit. p. 17
[36] Idem. op. cit. p. 19


Ronaldo Mota - "Padre Fábio de Melo: péssimo e lastimável exemplo para o Ano Sacerdotal"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=fabio-de-melo&lang=bra
Online, 04/08/2009 às 13:03h

3 de agosto de 2009

Resposta sobre a recepção da Comunhão sobre a língua

Congregatio De Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum

Congregazione per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti


Responsum de Communione super linguam recipienda
(pubblicata su Notitiae, 392-393 1999)


(Sul diritto di ricevere la Comunione sulla lingua)





Responso
Se nelle diocesi in cui è permesso distribuire la comunione nella mano dei fedeli sia lecito al sacerdote ovvero ai ministri straordinari della comunione obbligare i comunicandi a ricevere l’ostia esclusivamente in mano, e non sulla lingua.

Risulta per certo dagli stessi documenti della Santa sede che nelle diocesi ove il pane eucaristico è posto nella mano dei fedeli, resta intatto il loro diritto di riceverlo sulla lingua.
Pertanto agiscono in violazione delle norme sia coloro che obbligano i comunicandi a ricevere la comunione esclusivamente in mano sia coloro che rifiutano ai fedeli la comunione in mano nelle diocesi che godono di questo indulto.

Nel rispetto delle norme sulla distribuzione della santa comunione, i ministri ordinari e straordinari curino particolarmente che l’ostia sia assunta immediatamente dai fedeli, in modo tale che nessuno si allontani con le specie eucaristiche ancora in mano.

Tutti ricordino che è tradizione secolare ricevere l’ostia sulla lingua. Il sacerdote celebrante, se vi sia pericolo di sacrilegio, non ponga la comunione in mano ai fedeli, e li informi sul fondamento di tale modo di procedere.




Se, nas dioceses em que é permitido distribuir a comunhão na mão dos fiéis, é lícito ao sacerdote, ou mesmo aos ministros extraordinários da comunhão, obrigar os comungantes a receber a óstia exclusivamente na mão, e não sobre a língua.

Resulta, sem dúvida, dos próprios documentos da Santa sé que nas diocese onde o pão eucarístico é posto na mão dos fiéis, permanece intacto o seu direito de recebê-lo sobre a língua.
Portanto, agem em violação das normas, seja aqueles que obrigam os comungantes a receber a comunhão exclusivamente na mão, seja aqueles que recusam aos fiéis a comunhão na mão nas dioceses que gozam desse indulto.

A respeito das normas sobre a distribuição da santa comunhão, que os ministros ordinários e extraordinários cuidem particularmente que a óstia seja tomada imediatamente pelos fiéis, de modo que ninguém se distancie com as espécies eucarísticas ainda na mão.

Todos recordem que é tradição secular receber a óstia sobre a língua. Se houver perigo de sacrilégio, que o sacerdote celebrante não ponha a comunhão na mão dos fiéis, e lhes informe sobre o fundamento de tal modo de proceder.

Tradução: Giulio Cesar Gequelim

Fonte: http://www.unavox.it/Documenti/doc0119.htm

Destaques da fonte.

2 de agosto de 2009

Nono domingo depois de Pentecostes

Papa São Gregório Magno - Homilia 39 in Evangelia

Que o choroso Senhor tenha descrito aquela ruína de Jerusalém que foi levada a efeito pelos príncipes romanos Vespasiano e Tito, não ignora ninguém leia a história da destruição da mesma. São apontados esses príncipes romanos quando se diz: Porque te virão dias em que os teus inimigos te cercarão de paliçadas. Também aquilo que se acrescenta: Não deixarão em ti pedra sobre pedra, também se comprova pela transmigração da mesma cidade, pois hoje em dia ele está construída num lugar para fora das portas, por perto de onde o Senhor foi crucificado, enquanto da antiga Jerusalém, segundo o que se diz, foram arrancadas até as fundações.

Vê-se a seguir qual a culpa que trouxe a sua destruição: Porque não conheceste o tempo da tua visitação. Obviamente, o Criador dos homens, pelo mistério da sua encarnação, dignou-Se visitá-la, mas essa não atentou para o temor e o amor para com Ele. Porquanto, pelo profeta, Ele chama as aves do céu em testemunho da reprovação do coração humano, dizendo: O milhafre, no céu, conhece o seu tempo, a rola, a andorinha e a cegonha guardaram o tempo da sua vinda; o meu povo, porém, não conheceu o juízo do Senhor (Jeremias VIII 7).

Chorou antecipadamente o Redentor a ruína da pérfida cidade, que essa mesma cidade não sabia estar-lhe vindo. Por isso com razão diz o Senhor em pranto: Porque se conhecesses tu também, entendesses, chorarias; mas, ignorando o que é iminente, exultas. Por isso também se diz em seguida: Ó se ao menos nesse dia que te é dado conhecesses o que te pode trazer à paz! Enquanto ela ainda se dava aos prazeres carnais, sem cuidar das penas vindouras, tinha ainda, por um dia, em seu poder o que podia ter-lhe trazido à paz.


A destruição da cidade e do Templo de Jerusalém. - Fr. Leonard Goffine

Cumpriu-se a profecia de nosso divino Salvador a respeito da cidade de Jerusalém?

Sim, e da mais terrível maneira. Os judeus, opressos pelos seus cruéis governantes romanos, revoltaram-se, mataram muitos dos seus inimigos, e os expulsaram de Jerusalém. Sabendo que não deixariam que isso passasse sem vingança, os judeus se armaram para uma desesperada resistência. O Imperador Nero enviou um poderoso exército sob o comando de Vespasiano contra a cidade de Jerusalém, que primeiro tomou a menor fortaleza da Judéia, e então abriu caminho para a cidade. A carestia e miséria dos habitantes já havia alcançado o mais alto ponto, porque, dentro da cidade, homens ambiciosos provocaram conflitos, facções se formaram, lutando quotidianamente entre si, e tingindo as ruas de sangue, enquanto os ferozes romanos atacavam de fora. Então, um curto período de trégua foi concedido aos desafortunados judeus. O Imperador Nero foi assassinado em Roma no ano do Senhor de 68; seu sucessor, Galba, morreu logo, e os soldados colocaram seu amado comandante, Vespasiano, sobre o trono imperial. Ele, então, com o seu exército, deixou Jerusalém, mas no mesmo ano enviou seu filho Tito, com um outro exército, à Judéia, com ordens de tomar a cidade a qualquer custo, e punir seus habitantes.

Era tempo de Páscoa, e uma multidão de judeus congregou-se, vinda de todas as províncias da terra, quando Tito apareceu com seu exército diante das portas de Jerusalém, e cercou a cidade. A provisão de alimento esgotou-se em pouco tempo, e fome e peste vieram à cidade, e a assolaram terrivelmente. O líder dos selvagens revolucionistas, João de Giscala, mandou que as casas fossem perscrutadas, e que a comida remanescente fosse arrancada dos famintos, ou tirada à força de terríveis torturas. Para se salvarem do ultrajante tirano, os judeus tomaram o líder de uma malta de ladrões, chamado Simão, com toda a sua turma, para a cidade. João e Simão, com seus seguidores, procuravam, agora, aniquilar um ao outro. João tomou posse do templo. Simão o seguiu; sangue jorrava do templo e nas ruas. Somente quando o toque de batalha dos romanos foi ouvido de fora, as facções se uniram, para enfrentar o inimigo e resistir ao seu ataque. Piorando a fome, muitos judeus deixavam secretamente a cidade em busca de ervas. Mas Tito os capturava com sua cavalaria, e crucificava aqueles que estavam armados. Quase quinhentos homens, e às vezes mais, eram crucificados todos os dias à vista da cidade, de modo que não se podiam encontrar cruzes e lugar suficientes para a execução; mas mesmo essa vista terrível não moveu os judeus a submeter-se. Incitados à fúria por seus líderes, eles resistiam obstinadamente, e Tito, vendo que eram impossível tomas a cidade de assalto, terminou por cercá-la de muralhas, de modo a matar os habitantes de fome. Em três dias, os seus soldados construíram um muro de mais de quinze quilômetros de circunferência, e assim se cumpriu o que o Senhor predisse: Os teus inimigos de cercarão de trincheiras, e te apertarão de todos os lados.

A fome nesta miserável cidade agora alcançou seu peso mais aterrorizante; os malvados hierosolimitas procuravam comida pelas mesmas calhas das ruas, e comiam as coisas mais repugnantes. Uma mulher, enfurecida de fome, estrangulou sua própria criança, assou-a, e comeu metade dela; os líderes, sentindo o cheiro do horrível alimento, forçaram uma entrada na casa, e, por meio de horríveis ameaças, compeliram a mulher a mostrar-lhes o que tinha comido; ela apontou-lhes o restante da criança assada, dizento: "Comei-a, é minha criança; acho que não sois mais delicados do que uma mulher, ou mais carinhosos do que uma mãe". Extremamente horrorizados, eles deixaram a casa depressa. A morte, então, levava embora milhares diariamente, as ruas e as casas estavam cheias de cadáveres. De quatorze de abril, quando o cerco começou, até primeiro de julho, contaram-se cento e cinqüenta e oito mil corpos mortos; seiscentos mil outros foram jogados para fora dos muros, para as trincheiras, para salvar a cidade da peste. Todos os que podiam fugir fugiam; alguns alcançavam o acampamento dos romanos em segurança. Tito dispensava os inermes, mas todos os que caíam nas suas mãos armados eram crucificados. A fuga já não oferecia segurança maior. Os soldados romanos perceberam que muitos judeus engoliam ouro, para preservá-lo da avareza dos ladrões, e daí em diante os ventres de muitos eram abertos. Dois mil corpos como esses foram encontrados numa manhã, no acampamento dos romanos. As tentativas de Tito de evitar essa crueldade foram inválidas. Finalmente, quando a miséria atingiu o seu máximo, Tito conseguiu destruir o forte Antônia, e com o seu exército forçou uma passagem até o templo, que vinha sendo mantido por João de Giscala e seu famoso bando. Desejoso de poupar o templo, Tito ofereceu aos revolucionistas passagem livre para fora dele, mas essa proposta foi rejeitada, e a mais violenta luta começou, os romanos tentando entrar no templo, e sendo continuamente afastados. Finalmente, um dos soldados acendeu uma tocha e atirou-a para dentro de uma das salas anexas ao templo. As chamas, num instante, tomaram todo o interior do templo, e o consumiram totalmente, de modo que também essa profecia do Senhor foi cumprida. Os romanos mataram brutalmente todos os habitantes que encontraram, e Tito, tendo demolido as ruínas do templo e da cidade, percorreu-as com um arado, para indicar que essa cidade nunca mais deveria ser reconstruída. Durante o cerco um milhão e cem mil judeus perderam suas vidas; noventa e sete mil foram vendidos como escravos e o resto do povo se dispersou por toda a terra.

Assim Deus pudeu a cidade e nação impenitente, por cuja malvadeza o Salvador chorou tão amargamente, e assim se cumpriu a profecia ditada por Ele muito antes.

MEDITAÇÕES DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO

NÃO SE PERDOA A TODOS IGUAL NÚMERO DE PECADOS
Santo Afonso

(Fonte: “Meditações para todos os dias e festas do ano” – Tomo III)

“Omnia in mensura et numero et pondere disposuisti” – “Dispuseste todas as coisas com medida e conto e peso” (Sab II, 21).


I. A misericórdia de Deus é infinita; mas apesar desta misericórdia, quantos não se condenam todos os dias! Deus cura ao que tem boa vontade. Perdoa os pecados, mas não pode perdoar a vontade de pecar. A medida dos pecados que Deus quer perdoar não é igual para todos. A um perdoa Deus cem pecados, a outro mil; aquele outro, porém, será condenado ao inferno depois do segundo pecado.

Quantos não há que o Senhor condenou logo depois da primeira queda! Refere São Gregório que um menino de cinco anos foi lançado no inferno quando dizia uma blasfêmia. A Santíssima Virgem revelou à serva de Deus Benedita de Florença, que o primeiro pecado foi a condenação de uma menina de doze anos. A mesma desgraça aconteceu a um menino de oito anos, que morreu e foi condenado logo depois do primeiro pecado. Lemos no Evangelho de São Mateus, que o Senhor, achando estéril uma figueira, cujos frutos procurava colher pela primeira vez, a amaldiçoou imediatamente, e que a árvore secou.

Por acaso algum temerário se atreva a perguntar a Deus porque quer perdoar três pecados e não quatro? Neste ponto é preciso adorar os juízos divinos e dizer com o Apóstolo: “Quam incomprehensibilia sunt judicia eius, et investigabiles viae eius!” - “Quão incompreensíveis são os seus juízos, e imperscrutáveis os seus caminhos!” (Rm XI, 33). Replica talvez o pecador obstinado: Tantas vezes ofendi a Deus, e cada vez Deus me perdoou; por isso confio em que me perdoará mais este pecado. Respondo-lhe, todavia: porque não te castigou Deus até agora, segue-se que será sempre assim? Encher-se-á a medida e então virá o castigo. “Ne dicas, peccavi, et quid accidit mihi triste?” - “Não digas”, avisa o Senhor, “tenho cometido tantos pecados e Deus nunca me castigou”; “Altissimus enim est patiens redditor” - “O Altíssimo é um juiz paciente” (Ecclus. V, 4). Quer dizer que virá um dia em que pagarás tudo, e quanto maior tiver sido a misericórdia, tanto maior será o castigo.

Afirma São Crisóstomo que há mais para receiar, quando Deus atura um pecador obstinado, do que quando o castiga sem detença. Com efeito, observa São Gregório, aqueles que Deus espera com mais paciência, são castigados depois com tanto mais rigor, se permanecem na sua ingratidão. Muitas vezes acontece, acrescenta o Santo, que os que foram tolerados por mais longo tempo, morrem de improviso, sem terem tempo de se converter. Quanto mais Deus te houver favorecido com suas luzes, tanto maior será a tua obcecação e a tua obstinação no pecado.

II. É bem terrível a ameaça que o Senhor dirige aos que são surdos aos seus convites: “Quia vocavi, et renuistis ... ego quoque in interitu vestro ridebo” - “Recusastes obedecer à minha voz; pois bem, eu também me rirei quando morrerdes” (Prov I, 24 e 26). Notem-se bem estas duas palavras: “ego quoque” (“eu também”); significam que, assim como o pecador zombou de Deus, confessando-se, prometendo e traindo-o sempre, assim o Senhor zombará dele na hora da morte. Além disso diz o Sábio: “O imprudente que recai na sua loucura, é como o cão que torna outra vez ao que tinha vomitado” (Prov XXVI, 11). O que Deniz, o Cartucho, explica dizendo: “Assim como se sente náusea e horror em presença de um cão que devora o que tinha vomitado, assim Deus detesta ao que volta a seus pecados, que na confissão tinha abominado”.

Meu Deus, eis-me aqui a vossos pés: eu sou esse animal nojento que de novo se pôs a comer os frutos que primeiro detestara. Não mereço misericórdia, Redentor meu; mas o sangue que derramastes por mim, me anima e obriga a esperar. Quantas vezes Vos ofendi, e quantas vezes me perdoastes! Prometera não Vos ofender mais, e depois voltei ao que tinha vomitado, e Vós tornastes a perdoar-me. Esperarei porventura até que me mandeis ao inferno? Ou que me entregueis ao poder de meu pecado, desgraça maior ainda do que o próprio inferno? Não, meu Deus, quero emendar-me, e para Vos ser fiel, quero depositar em Vós toda a minha confiança; nas tentações quero sempre e imediatamente recorrer a Vós.

No passado fiei-me em minhas promessas e resoluções, e descurei recomendar-me a Vós nas tentações. Daí proveio a minha ruína. De hoje em diante sereis Vós a minha esperança e a minha força, e assim poderei tudo: “Omnia possum in eo qui me confortat” – “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filip IV, 13). Concedei-me, pois, ó meu Jesus, pelos vossos merecimentos, a graça de me recomendar sempre a Vós e de implorar o vosso auxílio em todas as minhas necessidades. Amo-Vos, ó soberano Bem, digno de ser amado sobre todos os bens. Só a Vós quero amar, mas para isso deveis me ajudar. Vós também deveis auxiliar-me com a vossa intercessão, ó minha Mãe Maria. Guardai-me debaixo de vosso manto, e fazei que chame por vós em todas as tentações. O vosso nome será a minha defesa.