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1 de novembro de 2019

A ALMA DE TODO APOSTOLADO

J. B. Chautard

Parte 3/4

Quem o não tem experimentado? As vezes, sentimo-nos inclinados a preferir longas horas de uma ocupação fatigante a meia hora de oração bem feita, a assistência séria a missa, a reza seguida de um ofício. O Pe. Faber manifesta-se desolado em verificar que, para alguns, "o quarto de hora que se segue à comunhão é o quarto de hora mais enfadonho do dia". Tratando-se de breve retiro de três dias, quantas repugnâncias para certos! Separar-se por três dias da vida fácil embora ocupadíssima e viver no sobrenatural, infiltrando-o durante esse retiro em todas as minudências da existência; obrigar o próprio espirito a contemplar tudo, durante esse tempo, somente aos clarões da fé, e o próprio coração a esquecer tudo para somente aspirar a Jesus e à sua vida; conservar-se face a face consigo mesmo e pôr a nu as próprias enfermidades e fraquezas da alma; lançar essa alma no crisol, sem piedade pelas suas recriminações: eis uma perspectiva que faz recuar grande número de pessoas prontas, todavia, para todas as fadigas, contando que apenas se trate de dispêndio de atividade puramente natural.
E se três dias de tal ocupação já parecem tão penosos, que sentirá a natureza perante a ideia de uma vida inteira que gradualmente se pretenda submeter ao regime da vida interior?
Certo que, neste trabalho de desprendimento, a graça entra em larga escala, tornando o jugo suave e o fardo leve. Mas quão grande é a matéria para esforços que a alma aí encontra! Sempre lhe há de custar o regresso ao caminho reto e a volta ao Conversátio nostra in coelis est ( A nossa conversação está nos céus). São Tomás explica isto perfeitamente: o homem, diz ele, esta colocado entre as coisas deste mundo e os bens espirituais, nos quais reside a felicidade eterna. Quanto mais adere a uns, tanto mais se afasta dos outros, e vice versa. Na balança, se um dos pratos se abaixa, o outro proporcionalmente se eleva. Tendo a catástrofe do pecado original transtornado a economia do nosso ser, tornou este duplo movimento de aderência e de afastamento de efetivação penosa. Para restabelecer e conservar pela vida interior a ordem neste "pequeno mundo" que é o homem, é desde então necessário trabalho, pena e sacrifício. Trata-se de um edifício desmoronado a reconstruir e em seguida a preservar de nova ruína.

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