8 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 87

AS MULHERES SÃO CURIOSAS?

Papírio Pretextato, quando menino de doze anos, foi com o pai ao Senado. Tratou-se ali, provavelmente, de algum assunto importante, porque a sessão se prolongou por muito tempo. Voltaram para casa fora de horas. A mãe de Papírio, intrigadíssima e curiosa, chamou o filho à parte e:
— Vem cá, filho, dize-me: De que é que trataram hoje no Senado?
O pequeno, temendo o rigor excessivo com que, em Roma, se guardavam os segredos do Senado, recusa-se a dizê-lo. Isso, porém, aumentou mais ainda a curiosidade da mãe. Ela instava, e ele calava-se. Afinal, em vista dos pedidos, das caricias e ameaças, o menino fingiu aceder, e disse-lhe ao ouvido, baixinho:
— Mãe, vou contar-lhe o que foi, mas a senhora há de guardar rigoroso segredo.
— Pois sim, filhinho; eu me calarei, prometo, dize-me então o que foi?
— Foi o seguinte: Houve entre os Senadores uma grande controvérsia. Discutiram longamente se seria mais conveniente um marido ter duas ou três mulheres ou se, ao contrário, uma mulher ter dois ou três maridos.
— Está visto!... e que. é que resolveram?
— Não ficou resolvido nada; houve muita discussão e o assunto ficou para ser resolvido amanhá, por votação secreta.
— Bem, filhinho, não tenhas medo; saberei guardar segredo, como sempre.
Durante a tarde e à noite a azáfama dos criados foi enorme: Criados saem e criados voltam; recados vão e recados chegam a todas as principais damas de Roma.
“Olhe, D. Fulana, venho comunicar-lhe sob rigoroso segredo que, amanhá, o Senado tratará do seguinte assunto, que já está para ser votado... É absolutamente necessário que nos reunamos todas e vamos ao Senado defender os nossos direitos. Entendida?”...
No dia seguinte, estando os Senadores reunidos e entre eles Papírio com seu pai, de repente entra um batalhão de senhoras, que, sem mais preâmbulos e em altas vozes, expõem e defendem com energia que é mais conveniente que cada esposa tenha dois ou três maridos, e não o contrário...
Os Senadores estavam atônitos.
— Que é isto? — diziam, olhando uns para os outros. — Estas mulheres enlouqueceram? Que significa isto?
Então Papírio, aproveitando um instante de silêncio, contou-lhes o que se passara com ele no dia anterior e como ele, para guardar segredo e livrar-se das insistências de sua mãe, forjara aquela história. Ela, portanto, traindo o segredo, teria pausado todo aquele alvoroço.
Os Senadores riram-se a bandeiras despregadas; e as damas, bastante envergonhadas, abandonaram o recinto.

7 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 86

POR QUE AS TRIBULAÇÕES?

Certa vez um lavrador, que fizera más colheitas, queixava-se, dizendo: Se Deus deixasse a mim o governo do tempo, tudo iria melhor; porque, está-se vendo, Ele não entende muito do cultivo da terra.
Deus quis mostrar-lhe quanto estava enganado, e disse:
— Por este ano eu te concedo o governo do tempo; terás tudo que pedires.
O ingênuo lavrador quase enlouqueceu de alegria, e disse:
Agora, quero sol! E veio o sol.
Mais tarde disse:
Venha a chuva! E choveu quanto ele quis.
E ia pedindo: de novo sol; de novo chuva. E assim durante o ano inteiro. A rosa crescia, crescia... que dava gosto vê-la.
Agora, sim, pode ver Deus como se governa, — dizia o lavrador com uma pontinha de orgulho.
Chegou o tempo da colheita. As espigas eram grandes, gordas, uma beleza!... Mas colhe uma, colhe outra, colhe um montão e — que desgraça! todas as espigas estavam chochas, sem nenhum grão, tudo palha.
Dali a pouco vem Nosso Senhor ver a colheita e pergunta ao lavrador:
— Então, que tal a colheita?
— Muito má, Senhor! Muita palha e pouco grão!
— Mas não governastes tu o tempo? Não se fez tudo como desejavas?
— Sim, tudo... sempre pedi chuva... pedi sol...
— Pois é, e nunca pediste vento e tempestade, neve e gelo, e tudo que purifica o ar e torna resistentes as raízes... e por isso não há colheita!
Também na vida espiritual sem mau tempo não se faz boa colheita. Pedis alegria, riquezas, saúde, bem-estar... As raízes das virtudes não penetram em terra firme e não podem produzir frutos. Sem dor, mortificação, tribulações, não ajuntareis méritos para o céu. É preciso aceitar o que Deus enviar.

6 de abril de 2016

Domingo in Albis primeiro depois da Páscoa

Prezados Leitores, Salve Maria!

No último domingo, fomos agraciados com mais uma belíssima cerimônia no Rito Tridentino. A missa foi celebrada pelo Padre Tomás Parras (IBP - Brasília), Diacono José Zucchi (IBP - França) e o Subdiacono Marcos Mattke (IBP - França).

Domingo in Albis

Primeiro depois da Páscoa

Estação em S. Pancrácio

1ª classe - Paramentos brancos

Domingo Quasimodo, Domingo In albis, Domingo de Pascoela - três nomes por que é conhecido este domingo. O primeiro, em virtude do introito; o segundo, por alusão às vestes brancas dos neófitos; o terceiro, porque este dia oitavo da Ressurreição é uma Páscoa em ponto pequeno.
Os neófitos conservaram, toda a semana, as vestes brancas do batismo. Depuseram-nas ontem, mas a Igreja exorta-os a prolongar, em suas almas, a festa da Páscoa, permanecendo fiéis à graça, de que foram enriquecidos (coleta). A celebração pascal deve significar também para nós uma renovação da vida de batizados; e é por essa razão que a Igreja se dirige, instantemente, não só aos que acabam de entrar na milícia cristã, mas também a nós.
Não estamos sós, nem privados de amparo na vida, que abraçamos. A Igreja robustece-nos a fé, alimenta-nos as almas "com o leite puro de sua doutrina", com o pão da Eucaristia; faz de nós testemunhos da Ressurreição de Jesus Cristo e da vitória, que alcançou sobre o mundo perverso.
A estação deste domingo é em S. Pancrácio, para honrar a memória deste jovem cristão, que levou a fidelidade às suas convicções ao ponto de as selar com o seu sangue.

5 de abril de 2016

Sábado in Albis

Prezados Leitores, Salve Maria!

Sábado in Albis

Estação em S. João de Latrão

1ª classe - Paramentos brancos

'Aos sair da pia batismal, os neófitos haviam recebido vestes brancas, símbolo da regeneração de suas almas, que S. Paulo comentou em termos impressionantes: "Vós todos, que fostes batizados em Cristo, revestiste-vos de Cristo." Neste dia depois da celebração da missa, depunham os neófitos essas vestes brancas, e daí o nome: sábado in albis.
Todavia, depor as vestes brancas não podia significar abandono da vida de santidade, que encetaram no batismo: "Conservai em vossos corações e brancura resplandecente, que vos foi conferida", pregava S. Agostinho. Na epístola, S. Pedro exalta a magnifica nobreza dos batizados, povo santo, sacerdócio real, templo de pedras vivas, que Deus escolheu para proclamar, no fim dos tempos, as suas misericórdias. Mostrem-se os cristãos dignos dessa nobreza, da graça insigne, que Deus lhes fez, convidando-os a trocar as trevas pela admirável luz do seu Reino."


3 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 85

O PAI DA MENTIRA

Vejam só a que ponto chega a ousadia do capeta. Um dia, estava o bispo São Martinho rezando em sua cela. O espirito das trevas apresentou-se-lhe revestido de vestes luminosas, com uma coroa de ouro na cabeça, e aparentando uns modos tão celestiais que teria enganado a qualquer cristão. Por duas vezes disse que era Jesus Cristo; mas, como a humildade é o meio mais eficaz de se descobrirem as artimanhas do capeta, o qual é todo orgulho, Martinho não tardou a reconhecer naquela figura pomposa o diabo em pessoa. Dirigiu-lhe, pois, estas palavras:
O Senhor Jesus, que é todo humildade, não disse que viria vestido de púrpura, nem coroado com diadema de ouro; por isso jamais considerarei como Jesus Cristo quem não. apresentar os símbolos do Salvador padecente e não trouxer no corpo os sinais da Paixão.
Ouvindo essas palavras o velhaco, o mentiroso, o enganador desapareceu, deixando após si um mau cheiro de enxofre insuportável.

2 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 84

O NÓ GÓRDIO

O célebre capitão Alexandre Magno (+ 323 a. C.), numa de suas guerras, chegou a Górdio, cidade da Frigia, onde se encontrava, numa torre, o assim chamado nó górdio. O famoso nó era muito complicado, e jamais alguém o conseguira desatar, Alexandre, porém, desatou-o sem a mínima dificuldade. De que modo? Com um simples golpe de espada partiu o nó pelo meio.
É assim que devemos fazer para livrar-nos das ocasiões do pecado: cortar imediatamente e sem hesitação os vínculos pecaminosos.

1 de abril de 2016

Sermão para o 1º Domingo da Paixão


[Sermão] O sofrimento: segredo da vida cristã



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Nós entramos nesse domingo no Tempo da Paixão, que são essas duas últimas semanas da Quaresma. A Igreja quer colocar diante de nós a paixão de Nosso Senhor Jesus, para que nos concentremos realmente naquilo que é o centro da obra da redenção. Na paixão e morte de Cristo, vemos todos os seus sofrimentos, vemos Nosso Senhor suando sangue em sua agonia, batido, flagelado, coroado de espinhos, zombado, carregando a cruz, pregado na cruz, abandonado por quase todos os discípulos. Mas sabemos que o principal motivo de seus sofrimentos são os pecados. Em particular, os nossos pecados, os pecados daqueles que confessam que Cristo é homem e Deus, que fazem profissão de segui-lo, mas o ofendem. Nosso Senhor sofreu pelos nossos pecados para nos salvar. Sendo completamente inocente, Ele quis sofrer para nos salvar. Quis sofrer para reparar à Santíssima Trindade pelos nossos pecados e para nos demonstrar toda a sua caridade infinita para conosco, a fim de que pudéssemos responder com semelhante caridade. Nosso Senhor sofreu mais do que qualquer homem e mais do que todos os homens juntos. Nós mal podemos começar a imaginar a profundidade e a intensidade dos sofrimentos de Nosso Senhor, sobretudo os sofrimentos de sua alma, ao contemplar o desprezo com que tantas vezes respondemos ao seu amor. O seu sofrimento ao ver que respondemos ao seu amor com nossos pecados, ofendendo-O. Nosso Senhor, sendo Deus e homem, sendo a própria santidade, sem mancha alguma, sofreu imensamente.

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