8 de maio de 2026

DIANTE DA IMAGEM DE MARIA

Margarida era uma jovem de dezesseis anos. Seu pai fora maçom; sua mãe, nada piedosa. Ela foi educada numa escola onde não se pronunciava o nome de Deus; mas Nosso Senhor amava aquela menina. No caminho para a escola, ao passar diante de uma igreja, sentia-se impelida a entrar e ali permanecia algum tempo olhando para o altar.

Muitas vezes, e de maneira maravilhosa, Deus falou ao coração daquela menina que, às escondidas, chegou a confessar-se e a comungar.

A falta de religião no lar logo a fez esquecer essas inspirações divinas.

Não era má, nunca dera escândalo, mas nunca rezava nem ia à Missa. Pensava apenas em divertir-se com as amigas, entregando-se com elas a bailes e passeios. Deus, porém, não permitiu que seu coração se manchasse pela impureza.

Era o primeiro dia da novena de Nossa Senhora do Carmo. Algumas moças, levando jarros, velas e flores, entraram na igreja onde começaria a novena solene. Margarida, que passava por ali com suas alegres companheiras, sentiu algo no coração e, dirigindo-se às outras, disse:

— Vamos entrar; vamos ver o que fazem essas beatas.

E entrou...

Colocou-se diante de Nossa Senhora do Carmo e contemplou-a por muito tempo. Não sei o que aqueles olhos da Senhora lhe disseram; o que sei é que Margarida ajoelhou-se, uniu as mãos... A novena começou, terminou, passaram-se longas horas e ela ali permanecia imóvel, ajoelhada, os olhos fixos na Senhora, derramando lágrimas, muitas lágrimas...

E ali ficaria a noite inteira se o sacristão não lhe viesse dizer, gritando, que saísse, pois iria fechar a igreja... já era tarde.

Aquele foi o dia de sua conversão definitiva.

Quando, mais tarde, um missionário lhe perguntou o que fizera durante aquelas longas horas passadas ajoelhada aos pés de Maria, respondeu:

— Não fiz mais do que pedir-lhe que tivesse compaixão de mim, me perdoasse minhas graves culpas e, não permitindo que eu fosse infiel à sua voz, me concedesse a graça de começar uma vida tão penitente que reparasse meus erros passados.

Ela deveu a Nossa Senhora a graça de sua conversão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário