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6 de junho de 2020

A ALMA DE TODO APOSTOLADO


J. B. Chautard

Parte 05/31

Depois de haver terminado a leitura do livro, quem deixará de exclamar: Ah! se os católicos, se ao menos os seus homens de obras tivessem algum tanto desse esplendor de vida cristã, descrito pelo ilustre purpurado, e que afinal mais não é que a atuação prática do Evangelho! Como seria então irresistível o seu apostolado sobre esses pagãos modernos, as mais das vezes cheios de preconceitos contra o catolicismo, devido às calunias dos sectários, ao caráter acerbo das nossas polêmicas, ou à maneira de reivindicar os nossos direitos, maneira que mais parece provir de orgulho ferido que do desejo de defender os interesses de Jesus!
Ó irradiação exterior da alma unida a Deus, como és poderosa! Foi ao ver o Padre Passerat celebrar a Santa Missa que o jovem Desurmont se decidiu a entrar na Congregação do Santíssimo Redentor, que tanto deveria ilustrar.
O povo tem intuições que nada logra enganar. Pregue um homem de Deus e logo ele acorre em multidão. Cesse, porém, a conduta de um homem de obras de corresponder ao que dele se esperava, e logo a obra, por mais habilmente dirigida que seja, fica comprometida e talvez vá de encontro de uma ruína irremediável.
Vídeant ópera vestra bona et gloríficent Patrem, dizia Nosso Senhor. São Paulo recomenda amiudadas vezes o bom exemplo aos seus dois discípulos Tito e Timóteo: In ómnibus teipsum praebe exemplum bonorum óperum. Exemplum esto fidélium in verbo, in conversatione, in charitate, in fide, in castitate. Ele próprio exclama: Quae vidistis in me, haec ágite. Imitadores mei estote sicut et ego Christi. E a sua linguagem de verdade apoia-se nessa segurança e nesse zelo que de forma alguma excluíam a humildade e que faziam dizer a Nosso Senhor: Quis ex vobis árguet me de peccato?
É tão somente quando seguir as pisadas daquele de quem está escrito: Caepit fácere et docere, que o apóstolo se tornará operárium inconfusíbilem.
Antes de tudo, nossos caríssimos filhos, dizia Leão XIII, lembrai-vos de que a pureza e a santidade de vida são a condição indispensável do verdadeiro zelo e o melhor penhor de vitória.
O homem santo, perfeito e virtuoso, diz Santa Teresa, faz muito maior bem às almas do que grande número de outros que apenas sejam instruídos e mais bem prendados.
Se o espírito não for regulado por uma conduta verdadeiramente cristã e santa, declara São Pio X, difícil será levar os próximos à prática do bem. E acrescenta: Todos aqueles que são chamados às obras católicas, devem ser homens de vida de tal sorte ilibada que a todos sirvam de exemplo eficaz.

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