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27 de março de 2020

A ALMA DE TODO APOSTOLADO

J. B. Chautard

Parte 2/4

Os sacrifícios exigidos pela caridade haurem na glória de Deus e na santificação das almas tal valor sobrenatural, tal fecundidade de méritos, que, caso queira, o homem votado à vida ativa pode cada dia ir-se elevando a um maior grau de caridade e de união a Deus, numa palavra, de santidade.
Certo que, em alguns casos, em que haja perigo grave e próximo de pecado formal, especialmente contra a fé e a virtude angélica, Deus quer que nos afastemos das obras. Feita, porém, esta ressalva, Deus por meio da vida interior, concede aos seus operários o meio de ficarem imunes de pecado e de progredirem na virtude. Distingamos, todavia, com cuidado em que consiste este progresso. Uma palavra paradoxal da tão criteriosa quão arguta Santa Teresa permite-nos precisar o nosso pensamento: "Desde que sou priora, onerada de trabalhos numerosos e obrigada a frequentes viagens, cometo maior número de faltas. E, sem embargo, como combato generosamente e só trabalho para Deus, sinto que cada vez mais me aproximo dele." A sua fragilidade manifesta-se então mais amiúde que no repouso e no silêncio claustral. A santa o confessa, mas sem se perturbar. A generosidade inteiramente sobrenatural de sua dedicação e de seus esforços, mais acentuados do que antes, para o combate espiritual, deparam-lhe como recompensa ocasiões de vitórias que largamente contrabalançam as surpresas de uma fragilidade que já existia, mas em estado latente. A nossa união com Deus, diz São João da Cruz, reside na união de nossa vontade com a dele e mede-se unicamente por ela. Santa Teresa não pensa que a possibilidade de progresso na união com Deus só existe na tranquilidade e na solidão: seria conceber falsamente a espiritualidade. Julga, pelo contrário, que a atividade verdadeiramente imposta por Deus e exercida nas condições por ele requeridas, alimentando seu próprio espírito de sacrifício, sua humildade, sua abnegação, seu ardor e sua dedicação pelo reino de Deus, há de aumentar a união íntima de sua alma com Nosso Senhor que nela vive e anima seus trabalhos, e assim há de encaminhá-la para a santidade.

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