20 de agosto de 2015

Catecismo Anticomunista - Parte 5

V. A REVOLUÇÃO E A CRISTANDADE

33. Qual é para o comunismo o critério supremo da verdade, da moral e do direito?
O critério supremo da verdade, da moral e do direito é para o comunismo a ação revolucionária. Assim como para o católico o fim supremo é a vida eterna, para o comunista o fim supremo da vida é a Revolução.

34. Que é a Revolução?
Revolução, com maiúscula, é a rejeição de Deus, de Cristo, da Igreja, e de tudo o que deles provém; é a organização da vida humana somente segundo a razão humana e as paixões humanas. Seu ideal é a Cidade do homem sem Deus, oposta à Cristandade e à ordem natural, que é a Cidade de Deus.

35. Que é a Cristandade?
Cristandade é a sociedade temporal organizada segundo Deus, isto é, de acordo com o direito natural e a palavra de Deus, revelada por Jesus Cristo, transmitida, interpretada e aplicada à vida pela Igreja Católica.

36. Quais são os fundamentos da Cristandade?
Os fundamentos da Cristandade são dois: o direito natural e a Revelação, trazida por Jesus Cristo e transmitida pela Igreja Católica.

19 de agosto de 2015

Catecismo Ilustrado - Parte 53

Os Mandamentos da Igreja

1º Mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira nos domingos e dias de guarda

1. Sendo a Igreja uma sociedade perfeita, recebeu do seu divino fundador Jesus Cristo, o poder de fazer leis.
2. Todos os cristãos estão obrigados a obedecer à Igreja, porque Jesus Cristo declarou que desobedecer à Igreja é desobedecer a Ele mesmo.
3. A Igreja nos impõe mandamentos para nos dirigir na observância dos mandamentos de Deus, e tornar-nos mais fácil a prática do Evangelho.
4. Os principais mandamentos da Igreja são: 1º ouvir Missa inteira nos domingos e dias santos; 2º confessar-se ao menos uma vez a cada ano; 3º comungar pela Páscoa da Ressurreição; 4º obrigação de jejuar nos dias prescritos (quarta-feira das cinzas e sexta-feira Santa). É aconselhado jejuar outros dias durante a Quaresma, nas quatro Têmporas e nas vigílias de algumas festas; 5º fazer um sacrifício ou não comer carne nas sextas-feiras e nos sábados.
5. Disse que eram cinco os mandamentos principais da Igreja, porque há outros que não são gerais para todos os fiéis, ou que se acham suprimidos ou comutados, tal como o de pagar dízimos e primícias. Não se achando hoje em vigor este preceito, devemos em consciência pagar o que a lei nos prescreve para a manutenção do culto e sustentação dos ministros do altar.
6. Cumpre-se este mandamento (ouvir Missa) assistindo ao Santo Sacrifício da Missa com modéstia de corpo, com atenção do espírito e com devoção do coração.
7. A Igreja deseja que os fiéis assistam à Missa paroquial ou conventual: 1º porque os membros da freguesia unem-se todos para orarem juntos com o pároco; 2º porque participam mais abundantemente daquele sacrifício que por eles principalmente se oferece; 3º porque ouvem as máximas do Evangelho, que os párocos devem então explicar; 4º porque ficam sabendo as ordens particulares da Igreja que nessa Missa se publicam, assim como as pastorais e circulares dos prelados diocesanos.
8. A Igreja manda ouvir Missa nos domingos e dias santos, porque, ao ouvir Missa, se exerce o ato mais excelso da nossa Religião, sendo a Missa o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo oferecido sobre os nossos altares sob as espécies de pão e vinho, em memória do Sacrifício da cruz que nela se renova e continua. O Sacrifício da Missa difere porém do Sacrifício da Cruz somente em que na Cruz o Sacrifício  foi cruento isto é, derramando sangue, e na Missa não, porque é incruento; na Cruz Jesus Cristo morreu realmente, e na Missa só misticamente.
9. A vítima do Sacrifício da Missa é o mesmo Jesus Cristo que foi a vítima do Sacrifício da Cruz; o sacerdote principal é Jesus Cristo, o mesmo que também foi o sacerdote no Sacrifício da Cruz. O sacerdote que celebra a Missa é também em certo modo o sacerdote, mas é porque fala em nome de Jesus Cristo e fazendo a sua figura.
10. Jesus Cristo, na Missa, está realmente no altar, desde a consagração até à comunhão, como a vítima e como sacerdote, oferecendo aquele Sacrifício pela sua Igreja, e pedindo pelos que ouvem aquela Missa, oferecendo ao Pai toda a sua vida, morte e merecimentos.
11. Além dos domingos, os dias de festa de obrigação são atualmente, em todo o Portugal, os dias: 1º feriados: do Natal, Circuncisão (1º de Janeiro), Corpo de Deus, Assunção (15 de Agosto), de Todos os Santos (1º de Novembro), Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de Dezembro). 2º transferidos: dos Reis, da Ascensão.
12. Há outras festas de santos que são padroeiros duma Diocese ou região como o dia de São Vicente no Patriarcado e no Algarve, e o dia de Santo Antônio no Patriarcado, mas não são festas de preceito.
13. Antigas festas de guarda são: festas do Coração de Jesus, Purificação (2 de Fevereiro), Anunciação (25 de Março), São João Batista (24 de Junho), São Pedro e São Paulo (29 de Junho).

Explicação da gravura


14. Representa a gravura o Sacrifício da Missa, as festas principais do ano, a devoção particular nos dias da semana. 

18 de agosto de 2015

Pétalas de Rosas - São João da Cruz - Parte 1

1. Ó Senhor! Deus meu! Quem te buscará com amor puro e singelo que deixei de Te encontrar muito a seu gosto e vontade, se és tu o primeiro a mostrar-te e sais ao encontro daqueles que te desejam?

2. O que cai estando cego, não se levantará só, e se acaso se levantar, encaminhar-se-á por onde não lhe convém.

3. Deus prefere de ti o menor grau de pureza de consciência a quantas obras possa fazer.

4. Ó dulcíssimo amor de Deus, mal conhecido! Aquele que entrou a Tua fonte, repousou.

5. O que cai estando só, caído a sós fica e em pouca conta tem a alma, pois a si unicamente confiou.

17 de agosto de 2015

Catecismo Anticomunista - Parte 4

IV. A ESSÊNCIA DO HOMEM É SER TRABALHADOR

28. Qual é a definição do homem?
Para o católico: o homem é um animal racional, dotado de personalidade e de direitos.
Para o comunista: o homem é um animal trabalhador.

29. Qual é o papel do trabalho na vida?
Para o católico; o trabalho é meio de conseguir certos recursos que possibilitam ao homem gozar dos bens que Deus criou para ele. O trabalho existe para o homem.
Segundo o comunismo, o homem existe para o trabalho. O trabalho é o fim da vida.

30. Se o homem é um animal trabalhador, deve ele trabalhar sempre?
Para a seita comunista quem não trabalha não é homem. Quanto mais o homem trabalha, mais homem é. Assim, ele pode mudar a sua própria natureza, vivendo somente para o trabalho.

31. Então o homem não tem uma natureza estável, que Deus lhe deu?
Segundo a doutrina católica, tem. Deus constituiu a natureza humana imutável.
Para o comunista, uma lei universal levou a matéria até a forma humana. Esta forma está em evolução. É o homem que dá a si mesmo a sua natureza, mediante o trabalho. O homem é o criador de si próprio.

32. Quem deve, então, ser adorado?
Para o católico, Deus deve ser adorado, porque é o Criador do céu e da terra.
O comunista recusa adoração a Deus. Em vez de adorar ao Criador, ele adora o Estado comunista e totalitário.

16 de agosto de 2015

Catecismo Anticomunista - Parte 3

III. PONTOS BÁSICOS DA DIVERGÊNCIA ENTRE COMUNISMO E CATOLICISMO

17. Então a divergência entre a seita comunista e o Catolicismo se verifica só no campo religioso?
Não. Além do campo religioso, há muitos outros campos em que as divergências entre a seita comunista e o Catolicismo são irredutíveis.

18. Em que outros pontos fundamentais existe esta divergência radical?
Esta divergência existe em todos os pontos. Mas ela é mais fundamental em relação à verdade e à moral, à família, à propriedade e à desigualdade social.

19. Que ensina o comunismo a respeito da verdade?
Ensina a Igreja que Deus criou o mundo e criou a alma humana, que é inteligente. A alma conhece a verdade das coisas. Ela afirma que uma coisa é idêntica a si mesma, dizendo o que é, é; o que não é, não é.
O comunismo ensina que não há verdade. Uma coisa pode ser e não ser, ao mesmo tempo. Uma coisa é ela e o contrário dela.

20. Então o comunismo não admite a verdade?
Não. Para o comunista não interessa que uma afirmação corresponda à realidade ou não. Para ele, “verdade” é o que ajuda a fazer a Revolução. A mesma afirmação pode ser hoje e amanhã, sucessivamente, “verdade” e “mentira”, de acordo com a conveniência do Partido. Assim, houve tempo em que Stalin era um herói para a seita comunista. Hoje é um bandido declarado. Não há verdade objetiva.

21. Que outra grande divergência existe entre o comunismo e o Catolicismo?
O Catolicismo ensina que Deus é absolutamente santo. E por isto, as ações humanas que estão de acordo com Deus são boas; e as que vão contra a ordem que Ele estabeleceu são más.
O comunismo, que é materialista, ensina que não existe moral. Quando uma ação é útil ao Partido, é boa; quando prejudica o Partido, é má.

22. Dê um exemplo.
Para o católico as boas relações dos filhos com os pais constituem um bem.
Para o comunista, essas boas relações podem ser um bem, e podem ser um mal. Se os pais se opõem à Revolução, o filho deve odiá-los, denunciá-los, e, se for preciso, depor nos processos contra eles e até matá-los. Se os pais trabalham para a Revolução, o filho deve mostrar-lhes amor e colaborar com eles.

23. Poderia dar outro exemplo?
Outro exemplo seria o seguinte. Se o Brasil entrar em guerra contra a Rússia, o comunismo ensina que os brasileiros deverão trair sua Pátria, trabalhar para que os nossos soldados sejam derrotados e o Brasil dominado pelos soviéticos. Mas, se por desgraça o Brasil passar a aliado da Rússia, os brasileiros deverão mudar de orientação e lutar pela vitória do Brasil.
Em resumo: é bom o que ajuda a Revolução, é mau o que a combate ou prejudica.

24. O comunismo ensina a respeitar as famílias?
Como o homem é um animal, a família vale tanto como um casal de bichos. Por isto o comunismo ensina a dissolver as famílias, a violentar as mulheres dos povos que não são comunistas, e a respeitar as “famílias” dos que o são.

25. Que aconteceria às nossas famílias católicas se o comunismo dominasse o Brasil?
Os pais que resistissem à profanação do seu lar poderiam ser mortos; as filhas e esposas ficariam expostas à violação; as famílias perderiam suas propriedades e seriam arruinadas e destruídas.

26. O comunismo acha que o Direito é sagrado?
Como não admite a existência de Deus nem da alma, o comunismo não reconhece a dignidade do homem e nega que o Direito exista. Somente reconhece a força.

27. Pode dar um exemplo?

Se eu der um osso a um cão, este não adquire um direito ao osso. Posso lhe tirar o osso sem ferir nenhum direito. A razão é a seguinte: não tendo alma, o cão não é uma pessoa. Não sendo pessoa, não tem direito. Uma vez que para o comunismo o homem não é pessoa, e sim animal, ele não tem direito. O Estado lhe dá o que quiser, e quando quiser lhe tira. O homem é menos que um escravo; é uma rês.

15 de agosto de 2015

Catecismo Anticomunista - Parte 2

II. ATITUDES DO COMUNISMO PERANTE A RELIGIÃO

10. A seita comunista dá importância à Religião?
Embora negue a existência de Deus, e afirme que a Religião é coisa quimérica, o comunismo dá grande importância ao fato de que existe a Religião no mundo, porque vê nela o seu maior inimigo. Lenine a chama de “ópio do povo”.

11. Por que a Religião é inimiga do comunismo?
A verdadeira Religião, que é a Religião Católica, é inimiga mortal do comunismo, porque ensina exatamente o contrário do que ele ensina, e inspira os fiéis a preferirem a morte às doutrinas e ao regime comunista.

12. Que faz o comunismo com a Religião?
Com a Religião Católica a luta do comunismo é de morte: só poderia cessar se chegasse a destruir em todo o mundo a Igreja verdadeira (o que é impossível). Quanto às outras religiões, a seita usa de duas táticas: quando sente que uma delas é um empecilho para a sua vitória, ataca-a; mas se vem a perceber que se pode servir de alguma religião para se propagar, ou mesmo para matá-la, então a tolera e até favorece na aparência, para a destruir mais radicalmente.

13. Para conquistar o poder, que faz a seita comunista com referência à Igreja Católica?
Para conquistar o poder, a seita comunista procede da seguinte maneira com relação à Igreja Católica:
a) Procura persuadir os católicos de que não há oposição entre os objetivos da seita e a doutrina da Igreja. Procura até apresentar as idéias comunistas como a realização da doutrina do Evangelho.
b) Procura criar uma corrente intitulada de “católicos progressistas”, “católicos socialistas” ou “católicos comunistas”, para desorientar e desunir os católicos.
c) Procura atirar as organizações católicas contra os outros adversários naturais do comunismo, como os proprietários, os militares, as autoridades constituídas, para dividir e destruir os que se opõem à conquista do poder pelo Partido Comunista.
d) Favorece as modas e costumes imorais para minar a família e portanto a civilização cristã da qual a família é viga mestra.
e) Mantém nas nações cristãs a sociedade em constante agitação, fomentando antagonismo entre as classes, as regiões do mesmo país, etc.

14. Depois de conquistado o poder, que faz a seita comunista com a Igreja Católica?
Sua tática com a Igreja Católica, depois de conquistado o poder, varia de acordo com as circunstâncias. Mas os passos da luta em geral são os seguintes:
a) envolver os católicos nos movimentos promovidos pelo Partido Comunista;
b) afastar os Bispos, Sacerdotes e Religiosos que resistem; se preciso, matá-los;
c) liquidar os líderes católicos;
d) separar a Igreja do país, da obediência ao Santo Padre.

15. Pode um católico colaborar com os movimentos comunistas?
A coisa que os comunistas mais desejam é que os católicos colaborem com eles. Quem começar a colaborar, terminará comunista. “Colaborou? Morreu!”

16. Se o comunismo ensinasse que Deus existe, e tolerasse a Religião, os católicos poderiam ser comunistas?

No dia em que o comunismo admitisse que Deus existe, e que ele é Senhor nosso, já não seria propriamente comunismo.

12 de agosto de 2015

Catecismo Anticomunista - Parte 1

CATECISMO ANTICOMUNISTA

D. Geraldo de Proença Sigaud

    
ÍNDICE



















I. O QUE É O COMUNISMO E O QUE ELE ENSINA 

1. Que é o comunismo?
O comunismo e uma seita internacional, que segue a doutrina de Karl Marx, e trabalha para destruir a sociedade humana baseada na lei de Deus e no Evangelho, bem como para instaurar o reino de Satanás neste mundo, implantando um Estado ímpio e revolucionário, e organizando a vida dos homens de sorte que se esqueçam de Deus e da eternidade.

2. Qual é a doutrina que a seita comunista ensina?
A seita comunista ensina a doutrina do mais completo materialismo.

3. Que ensina o materialismo comunista a respeito de Deus?
O materialismo comunista ensina que Deus não existe, e que só existe a matéria.

4. Contenta-se a seita comunista em ensinar que não há Deus e que só existe a matéria?
A seita comunista dá grande importância a um materialismo prático, em que o homem não cogita se Deus existe ou não, mas procede, pensa e organiza sua vida sem se incomodar com Deus nem se lembrar dEle. Assim, aos poucos chega também ao materialismo teórico. O comunista verdadeiro é materialista teórico e prático, para poder levar seus prosélitos ao caminho aludido.

5. Que pensa a seita comunista a respeito da alma?
Para a seita comunista o homem é só matéria, e a alma não existe.

6. Que pensa a seita comunista a respeito da eternidade?
Para a seita comunista o homem desaparece totalmente após a morte. Não há Céu nem inferno, não há felicidade nem castigo depois desta vida.

7. Que pensa a seita comunista a respeito da natureza humana?
Para a seita comunista o homem é um simples animal; embora mais evoluído do que o boi e o macaco, não passa de animal.

8. Qual e a primeira conseqüência prática desta doutrina?
A primeira conseqüência prática deste materialismo é que o homem deve procurar sua felicidade somente nesta terra, e no gozo dos prazeres que a vida terrena oferece.

9. O homem, segundo o comunismo, depende de Deus e da sua lei?
Não. Uma vez que só há matéria, o homem não depende de Deus, que não existe; ele é supremo senhor de si mesmo.

10 de agosto de 2015

Socialismo: Cavalo de Tróia a Serviço do Comunismo

SOCIALISMO: CAVALO DE TRÓIA A SERVIÇO DO COMUNISMO *

D. GERALDO DE PROENÇA SIGAUD, S. V. D.

1. Socialismo e comunismo

O socialismo ensina a mesma doutrina marxista que o comunismo. Tem o mesmo objetivo, a Revolução, e quer a mesma organização econômica da sociedade. É materialista, rejeita a Religião, a moral, o direito, Deus, a Igreja, os direitos da família, do indivíduo. Quer que todos os meios de produção estejam nas mãos do Estado, e igualmente toda a educação, todos os transportes, as finanças, e que o Estado seja o soberano senhor de todas as forças da nação. Deseja a supressão da diferença entre as classes sociais. Também para o socialismo, a pessoa existe para o Estado, não o Estado para a pessoa (cf. Leão XIII, EncíclicaRerum Novarum, Edit. Vozes, pp. 5 e 6). A diferença que há entre os socialistas e os comunistas é uma diferença de método. Os comunistas desejam a implantação imediata da ditadura do proletariado para realizar a Revolução. Os socialistas recorrem a meios "legais" para obter o mesmo objetivo. Recorrem às eleições, às greves legais, às agitações sem derramamento de sangue, para conseguir leis de nacionalização, de ensino laico. Vão fazendo a nação deslizar para o comunismo em geral sem convulsões violentas. O socialismo é uma rampa pela qual as nações vão resvalando para o comunismo quase sem perceberem.

2. Socialismo e seus matizes

A vantagem tática do socialismo, para os que dirigem a seita comunista, é que o socialismo pode tomar coloridos mais suaves. O comunismo é vermelho-sangue. O socialismo pode ir do rubro ao cor‑de‑rosa. O comunismo tem dificuldade de se fazer passar por cristão. O socialismo arranja modos de se dizer cristão, e assim realizar a Revolução paulatinamente e por etapas.

3. Socialismo cristão

Os fautores da Revolução realizaram esta proeza de enfeitarem o socialismo com o rótulo de cristão. Com um semblante comovido tais socialistas cristãos condenam o capitalismo como intrinsecamente mau, pior do que o comunismo. E com comoção dizem que no comunismo há muita coisa boa. Seu ódio à América do Norte é violento. Suas simpatias pela Rússia são difíceis de esconder. Consideram o capital uma abominação quando nas mãos daquele que o amealhou com seu suor, mas o acham admirável quando nas mãos do Estado. Têm uma confiança cega no Estado, e uma desconfiança irremediável da iniciativa particular. Têm antipatia à ordem desigual e hierárquica de uma sociedade de classes, e têm prazer de se proletarizar. Mas confessam‑se e comungam, e se dizem católicos progressistas. É possível um socialismo cristão? Sua Santidade o Papa Pio XI já respondeu a esta questão na Encíclica Quadragesimo Anno: "Se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda‑se contudo numa concepção da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista" (Edit. Vozes, p. 44, n.° 119). E se o socialismo for muito moderado? Mesmo neste caso continua incompatível com o Catolicismo. Pio XI é explicito também neste ponto. Ouçamo‑lo: "E se o socialismo estiver tão moderado no tocante à luta de classes e à propriedade particular, que não mereça nisto a mínima censura? Terá por isto renunciado à sua natureza essencialmente anticristã? Eis uma dúvida que a muitos traz suspensos. Muitíssimos católicos, convencidos de que os princípios cristãos não podem abandonar‑se nem jamais obliterar-se, volvem os olhos para esta Santa Sé e suplicam instantemente que definamos se este socialismo repudiou de tal maneira as suas falsas doutrinas, que já se possa abraçar e quase batizar, sem prejuízo de nenhum princípio cristão. Para lhes respondermos, como pede a Nossa paterna solicitude, declaramos: o socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como "ação", se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar‑se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de um modo completamente avesso à verdade cristã" (Encíclica Quadragesimo Anno, Edit. Vozes, p. 43, n.° 117). Realmente, Deus estabeleceu uma ordem natural, que não é licito ao homem violar, e a esta ordem pertencem dois pontos que todo socialismo viola. São os seguintes:
a) O papel subsidiário do Estado. O Estado não existe para absorver ou substituir os indivíduos, as famílias e as associações, mas para realizar as tarefas que estes elementos não podem realizar por si mesmos. Assim João XXIII, na Encíclica Mater et Magistra: "Essa ação do Estado, que protege, estimula, coordena, supre e complementa, apóia‑se no "princípio de subsidiaridade" (A. A. S., XXIII, 1931, p. 203), assim formulado por Pio XI na Encíclica Quadragesimo Anno:"Permanece, contudo, firme e constante na filosofia social aquele importantíssimo princípio que é inamovível e imutável: assim como não é lícito subtrair aos indivíduos o que eles podem realizar com as próprias forças e indústria para confiá‑lo à coletividade, do mesmo modo passar para uma sociedade maior e mais elevada o que sociedades menores e inferiores poderiam conseguir, é uma injustiça ao mesmo tempo que um grave dano e perturbação da boa ordem. O fim natural da sociedade e de sua ação é coadjuvar os seus membros e não destruí-los nem absorvê‑los" (ibid., p. 203) (apud "Catolicismo", n.° 129, de setembro de 1961).
b) O indivíduo, as famílias, as associações têm direito de possuir bens de raiz, bens móveis e bens produtivos. O Estado não pode açambarcar estes bens para si. Os homens têm o direito e o dever de proverem às suas necessidades, e o Estado não pode se arvorar em Providência e suprimir este direito ou substituir‑se a este dever. Por isto tudo, o socialismo é condenado pelo direito natural, e não pode haver socialismo cristão.

4. A Igreja primitiva foi comunista? As ordens religiosas são comunistas?

Amados Filhos, provavelmente já tereis ouvido ou lido afirmarem que a Igreja primitiva foi comunista e que as atuais Ordens Religiosas o são. Depois do que dissemos a respeito do marxismo, compreendereis que somente um ignorante ou uma pessoa de má fé pode afirmar uma monstruosidade tal. Mas, mesmo se abstrairmos do marxismo, nem a Igreja primitiva praticou, nem as Ordens Religiosas praticam o comunismo. Vede bem que o essencial do comunismo é a negação do direito de propriedade.Ora, examinemos sob este aspecto a Igreja primitiva. Levadas da vontade de seguir de perto o exemplo do Divino Mestre e realizar os conselhos evangélicos, várias famílias cristãs de Jerusalém resolveram viver no voto de pobreza. Para isto venderam tudo o que tinham e entregaram o dinheiro aos Apóstolos para que com ele fosse mantida a comunidade. Notai bem: os indivíduos desta comunidade renunciavam a seus bens porque queriam. Quem não quisesse viver na pobreza, não precisava. Assim disse São Pedro a Ananias: "Conservando o campo, ele não ficava teu? E vendendo‑o, não dependia de ti o que farias com o dinheiro?" (At. 5, 4).
A Igreja permitia que os que quisessem viver sem possuir nada pessoalmente, o fizessem. Mas, de um lado, isto era livre; de outro, o imóvel ou o dinheiro apurado passava a ser propriedade da comunidade. Ficava pois de pé o direito de propriedade da comunidade; não era negado nem transferido ao Estado. Para desiludir os comunistas utópicos, devemos dizer que a primeira tentativa de realizar o ideal da pobreza não foi bem sucedida. Consumidos os capitais apurados na venda dos imóveis, criou‑se em Jerusalém uma situação difícil, e foi preciso as outras comunidades cristãs enviarem periodicamente esmolas para Jerusalém a fim de sustentarem os irmãos que tinham renunciado a seus bens. Verificou‑se que o voto de pobreza só é possível junto do voto de castidade, e que o estado de pobreza evangélica não é possível quando há família, mulher e filhos. Para pessoas casadas o caminho da santidade está no trabalho e na reta administração das riquezas temporais. Mais tarde a Igreja retomou a experiência, primeiro com indivíduos isolados, os anacoretas, depois com pequenas comunidades de eremitas, os cenobitas; só depois que raiou a liberdade para o Cristianismo é que dois grandes Santos organizaram a vida de pobreza evangélica aliada à obediência e à castidade: no Oriente, São Basílio; no Ocidente, São Bento. Mas, se o monge renuncia a toda propriedade pessoal, o mosteiro passa a ser o proprietário. Verifica‑se o que se dá muitas vezes na família: se os indivíduos não são donos, a família é a proprietária. Vejamos agora o valor que tem a afirmação de que as Ordens Religiosas são comunistas ou socialistas. Ninguém afirmará que as doutrinas filosóficas, sociológicas, teológicas do comunismo se encontram realizadas nas Ordens Religiosas. Tal afirmação é tão absurda, que ninguém a tomaria a sério. Restaria então o tipo de vida econômica das Ordens Religiosas. Perguntamos: o tipo de vida econômica que o comunismo pretende implantar é aquele que as Ordens Religiosas realizam há tantos séculos? Para respondermos com clareza a este absurdo, que no entanto se repete com enfadonha monotonia, vamos analisar um pouco mais de perto o tipo de vida econômica das Ordens Mendicantes. É sabido que são elas que realizam o ideal de pobreza evangélica mais absoluto entre as comunidades religiosas. Verificado que nelas não há sombra do tipo econômico comunista, fica provado que as outras Ordens e Congregações, em que o tipo de pobreza é mais suave, a fortiori não podem ser tachadas de comunistas. Nas Ordens Mendicantes mais rigorosas, não só os Religiosos individualmente nada possuem de próprio, mas nem mesmo a Ordem, as Províncias ou conventos são os titulares das propriedades. Em lugar deles a Santa Sé ou a Diocese são os proprietários formais. A administração dos bens destinados à Ordem, à Província ou ao convento é realizada por pessoas nomeadas pela Santa Sé ou pela Diocese. Mas, se a propriedade não é nominalmente da Ordem, etc., os frutos do patrimônio que existir, ou as esmolas dadas pelos fiéis, se aplicam formalmente à manutenção daquele convento e daquela comunidade para que são destinados. Assim, os Religiosos não têm os ônus da propriedade e de sua administração, caridosamente suportados pela Autoridade Eclesiástica, mas têm as rendas necessárias para se manterem. É a realização da pobreza de Cristo e da fé na Providência. É o "nihil habentes, et omnia possidentes" de São Paulo (2 Cor. 6, 10) . Assim, as Ordens Mendicantes são a mais formal refutação do comunismo. Porque:
a) A renúncia às propriedades é uma afirmação clara da existência do direito de propriedade, pois ninguém renuncia seriamente ao que não existe.
b) Cada comunidade e cada Religioso tem o direito de viver dos frutos do patrimônio e das esmolas que tocam ao convento, e que são administrados pela Autoridade Eclesiástica em favor da comunidade, e não arbitrariamente.
c) O Religioso renuncia ao direito de propriedade voluntariamente. O comunismo nega este direito e confisca as propriedades violentamente.
d) O Religioso abraça a pobreza voluntária para melhor seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo e santificar melhor sua alma na esperança da vida eterna. O comunismo diz que destrói a propriedade particular para proporcionar a todos os homens a maior soma de prazeres nesta terra, uma vez que não existe a vida eterna.
e) Na realidade, a pobreza voluntária dos Religiosos os leva a maior liberdade no serviço de Deus. O comunismo, prometendo a maior soma de prazeres, realmente tem por fim escravizar os homens, e depois, por meio da fome, obrigá‑los à total apostasia de Deus.
f) A pobreza voluntária das Ordens Religiosas serve a Deus. O comunismo serve a Satanás. Concluindo, devemos pois dizer que a afirmação de que as Ordens Religiosas realizam o tipo econômico do comunismo é uma verdadeira blasfêmia.
     
* Carta Pastoral Sobre a Seita Comunista – seus erros, sua ação revolucionária e os deveres dos católicos na hora presente. D. Geraldo de Proença Sigaud, S. V. D. Publicada em 6 de janeiro de 1962 na cidade de Diamantina, MG. 2º. Edição, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1963. Cap. IV, pp. 94-1014.