Escrevia em 1915 um missionário:
Uma orfãzinha do Orfanato de Trichinopoli, que poderia ter dois palmos de altura, veio um dia suplicar-me que a admitisse à Primeira Comunhão.
— Que idade tens? — perguntei-lhe.
— Ah! isso não sei.
Recolhida de lugar desconhecido, não podia saber quantos anos tinha; nem as Irmãs o puderam descobrir.
— Mostra-me os dentes — disse.
Com um sorriso gracioso, a inocentinha descobriu duas fileiras de alvíssimos dentinhos.
— Oh! — exclamei — os teus dentes de leite dizem-me que não tens nem sete anos. Portanto, este ano não farás a Primeira Comunhão.
Meu Deus! quem o acreditaria? Tendo ouvido aquelas palavras, a menina, sem dizer a ninguém, corre ao quintal, toma uma pedra e, intrépidamente, faz saltar da boca todos os dentinhos. Depois, com a boca ensanguentada, mas com ar de triunfo, volta e diz-me:
— Padre, não tenho mais nem um dente de leite. Dai-me, oh! dai-me Jesus! Eu o amo muito!…
Chorando de comoção — diz o missionário — tomei-a em meus braços e segredei-lhe ao ouvido:
— Filha, amanhã te darei Jesus…
Sim, não podia deixar de atendê-la.
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