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7 de janeiro de 2015

Sermão para a Festa de São Silvestre 31 de dezembro – Padre Daniel Pinheiro IBP

[Sermão] As provações e as graças no ano de 2014

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria. […]

Estamos no último dia do ano de 2014. Foi um ano de provações. Provações em nosso país com as eleições, sem muita alternativa para um candidato realmente bom e com a vitória da pior dentre os que tinham chances. Maiores dificuldades e restrições impostas pelo governo à prática de nossa religião podem estar à vista. Uma oposição cada vez mais ferrenha à lei natural e à lei divina também. Precisamos rezar pelo nosso país e fazer a nossa parte, começando por nós mesmos e pelas nossas famílias. As dificuldades, as provações são também meios que Deus nos dá para exercer a virtude, para suportar os males com paciência, para vencê-los com a virtude contrária.
Turbulência também na Santa Igreja Católica, em particular com o Sínodo dos Bispos. Que Bispos da Santa Igreja Católica cogitem reconhecer atos e uniões contra a natureza era inimaginável há alguns anos. Que se pudesse admitir à comunhão quem se encontra objetivamente em estado de pecado mortal, idem. Confundir misericórdia com abandono da lei de Cristo e da Igreja, igualmente. Mas, aí também, vimos prelados fiéis a Cristo se levantarem contra a demolição da moral natural e cristã. Em 2015, teremos nova etapa do Sínodo sobre a família. Mais uma vez, precisamos rezar, para que Deus desfaça os planos dos ímpios, como disse Dom Athanasius Schneider. Devemos cuidar das nossas famílias, combater o bom combate e guardar a fé e a caridade. De pouco adianta ser um paladino da Missa Tradicional e da moral católica, se com os nossos pecados mortais não combatidos seriamente cooperamos para o reino do demônio. Não é suficiente louvar a Cristo com a boca, se o crucificamos com nossos pecados. É preciso amar e defender e propagar a liturgia tradicional, bem como defender a moral católica, sobretudo sendo fiel aos mandamentos de Cristo. Devemos nutrir a nossa fé e a nossa alma não com facebook ou fotos de internet ou com um site qualquer, mas com os tesouros da espiritualidade e da fé católicas: os bons livros, que são nossos melhores amigos.
Essas provações, permitidas por Deus, devemos aproveitá-las para a nossa santificação. Tudo cooperará, efetivamente para o bem do justo (Rom. VIII, 28), que nos bens e nos males encontrará meio para sua santificação e para estender o reino de Cristo na sua alma e na sociedade.
Foi o ano em que procuramos apontar três erros muito em voga entre os católicos mais sérios: 1) A redução dos problemas ao mero comunismo, esquecendo-se do liberalismo e do modernismo, esquecendo-se da crise da Igreja. A mera redução do problema a algo político ou puramente natural, esquecendo-se de que se trata de um combate espiritual, sobrenatural. 2) O aparecionismo, que é o apego a aparições que não são devidamente aprovadas pela Igreja ou o apego desordenado mesmo àquelas aprovadas pela Igreja. Quem sabe como virá o triunfo do Imaculado Coração mencionado por Nossa Senhora em Fátima? Virá, talvez, com os católicos procurando fazer a parte deles, talvez com cada um de nós procurando viver realmente como bons católicos, com a fé firme e as boas obras. 3) O culto de personalidade, que consiste em tornar uma pessoa a referência única para a solução de todos os problemas, em substituição à Igreja, à hierarquia, e ter uma reverência desordenada a essa pessoa, além de impedir, muitas vezes, as orações de florescerem e famílias católicas de se formarem.
Não devemos ser, porém, pessimistas desesperados. Nem otimistas ingênuos. Devemos ser realistas com esperança sobrenatural.
Assim, tivemos nesse ano grande alegrias, é evidente. Muitas crianças nasceram no apostolado, e algo em torno de 20 batizados foram realizados. Semana santa na Capela Nossa Senhora das Dores, 7 crianças fizeram primeira comunhão. Bênção da Capela e Crismas por Dom José Aparecido. Mais Missas públicas, devoção das primeiras sextas-feiras e dos primeiros sábados. Primeira festa de Nossa Senhora das Dores com a presença do Cardeal Dom José Falcão. Agora, nos falta ouvir os sinos repicando. E rezemos, para que se for a vontade de Deus, possamos ter mais um padre conosco no decorrer do próximo ano, para nos auxiliar na busca pela salvação da nossa alma. A expansão, ainda que pouco a pouco e com obstáculos, da Missa Tradicional e da doutrina católica são inegáveis. Devemos agradecer a Deus por essas grandes graças recebidas. Começamos nosso ministério sacerdotal há dois anos e meio com 30 pessoas. Hoje, nas Missas dominicais, somos em média 200. Quase 7 vezes mais. Por causa do Padre? Por causa dos fiéis? Por causa dessa capela? Não, mas por causa da Missa, por causa dos sacramentos, por causa da verdade católica.
É nisso que temos que parar e refletir, caros católicos. Como anda a minha alma? O que fiz nesse ano para santificá-la? Aproveitei essa liturgia imemorial, esse tesouro da fé e da piedade para aproximar-me de Deus? Ou acomodei-me? Aproveitei os sacramentos e sacramentais? Comunguei com boas disposições, com fervor? Procurei a confissão com boa disposição e com frequência? Rezei o Santo Terço diariamente? Tive uma devoção real e não meramente sentimental a Nossa Senhora? Procurei pensar nas coisas do alto?
Aproveitemos esse próximo ano que se inicia e peçamos a Deus a fidelidade à sua graça. Peçamos a Deus a docilidade diante dos ensinamentos da sagrada liturgia. Peçamos a Deus a graça de receber bem e com frequência os sacramentos. Peçamos a graça de fortalecer a nossa fé diante das tormentas. Peçamos a Ele a santificação de nossas famílias, dos cônjuges e das crianças. Peçamos a Ele, com toda a força da nossa alma, a graça de sermos verdadeiramente santos.
Agradeçamos a Deus pelo ano que passou, também pelas cruzes. A todos, um santo ano de 2015.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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