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22 de janeiro de 2015

No Céu nos Reconheceremos.

II Exemplo tirado da vida de Santa Gertrudes. – Esta verdade não é mais do que uma particular aplicação do princípio geral da Redenção. – A fecundidade que ela pode dar à dor.

Encontra-se nas célebres revelações de Santa Gertrudes um exemplo que confirma esta doutrina e lhe dá uma nova luz.
Em presença de Gertrudes, deu-se a uma pessoa a notícia da morte de um de seus parentes. Temendo esta que ele não tivesse morrido no estado de graça, mostrou-se muito aflita. Foi tão grande a sua perturbação que, comovida a Santa, se ofereceu para pedir a Deus pela alma do defunto, o que fez, principiando por dizer a Nosso Senhor: “Vós podíeis bem ter-me dado o pensamento e a graça de orar por esta alma sem que a isso fosse levada por este movimento de ternura e compaixão”. Jesus respondeu-lhe: “Comprazo-me singularmente nas súplicas que se me dirigem pelos mortos, quando nelas se encontra a natural compaixão junto à boa vontade que a torna meritória, e estas duas coisas se aliam e concorrem para darem a esta obra a plenitude e perfeição de que é capaz”. Tendo a abadessa orado depois disto, por muito tempo a favor desta alma, conheceu que o seu estado era lastimoso; porque lhe apareceu horrivelmente disforme, negra como um carvão, e semelhante àquelas pessoas que se confrangem pela violência das dores. Contudo ninguém se via que a atormentasse; mas parecia claramente que eram seus antigos pecados que faziam sobre ela o ofício de carrasco. “Senhor, exclamou a caritativa religiosa, não quereis ceder aos nossos rogos, perdoando a esta criatura? – Queria por amor de ti, responde o divino Salvador, ter piedade não só desta, mas ainda dum milhão de outras. Queres, pois, que lhe perdoe todos os seus pecados e a livre de toda sorte de sofrimentos? – Talvez, replicou a Santa, não é isso conforme ao que ordena a vossa justiça!
– Não seria contrário, acrescentou Nosso Senhor, se mo pedisses com bastante confiança. Porque a minha divina luz, que penetra no futuro, tendo-me feito conhecer que me farias esta súplica, excitei nessa alma boas disposições, para prepará-la a gozar dos frutos da tua caridade. Oh! palavras cheias de consolação! Primeiramente, Deus, prevendo nossas futuras súplicas, digna-se de conceder ao pecador moribundo boas disposições que assegurem a salvação da sua alma; depois, por virtude das nossas orações presentes, consente em livrar esta mesma alma de toda a sorte de penas, e em retirá-la das chamas expiatórias. A última confidência do Salvador à sua virginal esposa, não é mais do que uma aplicação particular dum principio geral.
Antes que os homens tivessem podido abaixar seus olhos sobre o Presépio e levantá-los para o Calvário; antes que o Sol da Redenção fosse para eles visível, neste humilde vale do nosso exílio, já podiam deixar-se conduzir pela sua luz e vivificar pelo seu calor. Por quê? Porque Deus Pai, da sublimidade das eternas colinas, via já as orações, os sofrimentos, as virtudes e os merecimentos do seu único Filho, que devia encarnar-se para salvar o mundo.
Não é assim que a Virgem bendita, que devia ser a Mãe deste único Filho, foi preservada de toda a mancha em sua própria conceição, porque, diz-nos a Igreja, Deus considerava antecipadamente a Jesus Cristo crucificado? – Ex morte ejusdem Fielii tui praevisa, eam ab omni labe preservasti.Esta verdade, bem compreendida e posta em prática, pode dar à dor a sua maior fecundidade. “Toda a minha vida está nisto presentemente”, dizia a pessoa que me fez notar esta passagem das revelações de Santa Gertrudes; “antes que meu marido morresse, Deus sabia o que eu faria por ele!”.
E assim fez um completo sacrifício de si mesma. Consagrou-se ao Senhor, tomando por divisa: Orar, sofrer, trabalhar e o Senhor a consolou, dando-lhe por família, com os pobres enfermos da terra, as atribuladas almas do Purgatório. Orai, pois, e fazei orar: o Deus cuja misericórdia é alta e vasta como o Céu (Ps. LVI, 2; CVI1, 5), conheceu, no momento em que ia expirar o vosso parente ou amigo, as orações que mais tarde faríeis por ele, hoje, amanhã, depois de terdes lido estas páginas e seguido o meu conselho. Orai e fazei orar: vossas orações, santificando-vos e consolando-vos nesta vida, concorrerão para salvar aqueles que amais.

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